Um tribunal condenou, esta segunda-feira, o filho da princesa herdeira da Noruega a quatro anos de prisão por violação.
Em fevereiro, declarou-se inocente do crime de violação, depois de o procurador Sturla Henriksbø ter lido, no tribunal distrital de Oslo, os 38 crimes de que é acusado.
A acusação incluía ainda maus-tratos numa relação de proximidade contra uma ex-companheira, actos de violência contra outra, posse de droga, ameaças de morte e infracções rodoviárias.
Høiby confessou-se culpado de várias infracções rodoviárias, de um crime agravado de droga e de violação de uma ordem de afastamento e, “parcialmente”, de ameaças e de agressão agravada.
A investigação começou em 2024, quando Høiby foi apontado como suspeito de agressão a uma mulher com quem tinha mantido uma relação.
Foi detido e posteriormente libertado, mas o processo alargou-se à medida que mais mulheres apresentaram queixas contra si.
A acusação formal apresentada pelo Ministério Público no ano passado centra-se em quatro alegadas violações, entre 2018 e novembro de 2024; em alegados episódios de violência e ameaças contra uma ex-companheira, entre o verão de 2022 e o outono de 2023; e em dois alegados actos de violência contra uma companheira subsequente, bem como em violações de uma ordem de afastamento.
Marius Borg Hoiby, que se juntou à família real quando a mãe, Mette-Marit, se casou com o príncipe herdeiro, Haakon, em 2001, é culpado de duas acusações de violação, incluindo uma na cave da casa do príncipe herdeiro.
Foi absolvido de outras duas acusações de violação.
O caso expôs o vício de Hoiby em drogas e o envolvimento em vídeos caseiros de encontros sexuais com mais de 800 mensagens eletrónicas apresentadas como prova.
“O tribunal considera provado que não foi capaz de resistir à ação”, disse o juiz Jon Sverdrup Efjestad, do Tribunal Distrital de Oslo, ao ler o veredicto sobre a violação na casa do príncipe herdeiro.
Hoiby acompanhou o veredicto por videoconferência a partir da cadeia, onde se encontra em prisão preventiva.
Hoiby, de 29 anos, tinha-se declarado inocente das acusações mais graves contra si, incluindo as de violação, embora tenha admitido algumas acusações menores. Pode ainda recorrer da sentença. A acusação tinha pedido sete anos e sete meses de prisão.
Marius Borg Høiby, de 29 anos, é o filho mais velho da princesa herdeira Mette-Marit, de uma relação anterior, e enteado do herdeiro do trono, o príncipe herdeiro Haakon.
Høiby não tem título real nem desempenha funções oficiais.
Vítima chora em tribunal
Apenas uma das mulheres que o acusou de violação esteve presente no tribunal para ouvir o veredicto.
Chorou depois de o juiz ter declarado Hoiby culpado de a violar e secou as lágrimas com um lenço de papel que o advogado lhe ofereceu.
As ações de Hoiby prejudicaram ainda mais a popularidade e a imagem pública, outrora muito positiva, da família real, afetada também pelo caso Epstein.
A princesa Mette-Marit pediu desculpa pelo “erro de julgamento” ao manter contacto com o falecido criminoso sexual norte-americano, Jeffrey Epstein, após a sua condenação em 2008.
Uma sondagem do Norstat divulgada a 21 de fevereiro — durante o julgamento — mostrou que o número de noruegueses favoráveis à manutenção da monarquia tinha caído para um mínimo histórico de 60%. C/Reuters e Euronews.
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