Comunidade de Muereze vence fecalismo a céu aberto com água, latrinas e “tip-tap”

Mais de 40 famílias do povoado de Muereze, na localidade de Muanza-Sede, distrito de Muanza, já garantem higiene e saneamento com dignidade. A mudança veio com o programa WASH do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), em parceria com o Governo e a UNICEF.

O marco da transformação é um furo de água com 66 metros de profundidade, 51 metros revestidos, equipado com bomba manual tipo Afridev, instalado no recinto da Escola Primária de Muereze. É um sistema seguro, sustentável e resiliente às mudanças climáticas que abastece a escola e toda a comunidade, 24 horas, sem paragens.

Antes, o cenário era outro. Residentes e alunos recorriam aos poços caseiros ou percorriam longas distâncias até os rios para conseguir água imprópria. Hoje, a satisfação é geral.

“Nesta comunidade seguimos todas as recomendações de higiene, porque estamos na zona tampão. O mais importante é que já temos furo. Antes bebíamos água imprópria, não tínhamos aterro sanitário nem latrinas. O que nos alegra mais é que o supervisor do Parque ajudou uma senhora idosa a construir a sua latrina, desde a cova até à casinha. Foi um bom gesto”, explicou o líder comunitário, Pedro João Botão.

A nova consciência colectiva é visível. Cada casa agora tem latrina, casa de banho, aterro sanitário e sistema Tip-Tap para lavagem das mãos.

“Sempre ouvimos que a cólera vem da falta de higiene. É nosso dever construir latrinas. Aqui, quem não tem, nós obrigamos ou ajudamos a construir, porque a doença não escolhe uma pessoa, afecta todos”, afirmou José Mairosse Sande, residente.

Para a Escola de Muereze, o furo é um ganho duplo. Antes, os alunos carregavam água de poços a 300 metros do recinto.

“É um grande ganho. Antes os alunos sofriam a carregar água. Agora a bomba está centralizada no nosso quintal. Já não há falta de água. A bomba funciona todos os dias”, explicou o director Pedagógico adjunto, Mateus Ricardo João.

O acesso a agua nas escolas é fundamental para a saúde e o bem-estar dos alunos. A falta deste precioso líquido pode levar a doenças como diarreia e cólera, afectando directamente a higiene pessoal e aprendizagem.

A falta de água também pode resultar em surtos de doenças de origem hídrica, comprometendo a saúde física e mental dos alunos e dos professores.

A educação para a água é essencial para promover a saúde pública e a segurança alimentar. Para garantir a sustentabilidade, a Gorongosa criou um Comité de Gestão de Água com 12 membros, sendo seis mulheres e seis homens, dividido em três grupos: gestão, operação e manutenção, e higiene e saneamento.

O supervisor distrital do PNG, Francisco João Bene, assiste a 22 comunidades, sendo 13 em Muanza-Sede e 9 em Mussapassua. Segundo ele, o trabalho conjunto de sensibilização acabou com o fecalismo a céu aberto.

“Temos uma bomba que beneficia 40 famílias o tempo inteiro. Mas peço a toda a comunidade que mantenha o saneamento. Se a latrina desabou, tem de reconstruir. Uma latrina resiliente deve ter 1,20m de diâmetro e 1,60m a 1,80m de profundidade, sempre com Tip-Tap por perto. Queremos todas as casas com latrina, casa de banho, aterro e copa. Isso previne doenças de mãos sujas”, apelou o supervisor do PNG em Muanza.

Em 2025, o governador de Sofala, Lourenço Bulha, declarou o distrito de Muanza livre do fecalismo a céu aberto, como resultado do trabalho conjunto entre parceiros e comunidades, apoiado pela Estratégia Nacional de Saneamento Rural 2021-2030. Este sucesso tem mão da Gorongosa, Governo e Unicef. (João Almeida).


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