Abandonada aos 4 anos, Lúcia tornou-se a esperança do Púnguè: A menina que a Conservação salvou

Aos 4 anos, Lúcia Paissa viu o pai enfermeiro, a única esperança da família – ir embora para formar outra família. Ficou ela, a mais velha, com dois irmãozinhos, a mãe camponesa sem trabalho e os avós que sobrevivem de uma pequena barraca.

Numa comunidade onde a pobreza empurra meninas para a união prematura, Lúcia escolheu outro caminho: o estudo.

Em 2021, o seu bom comportamento chamou atenção. Conseguiu ingressar no Clube da Rapariga do Parque Nacional da Gorongosa, na sua localidade de Púnguè.

Ali, ela não só aprendeu sobre saúde sexual e reprodutiva e higiene. Aprendeu a sonhar. Aprendeu os seus direitos. Aprendeu a dizer NÃO ao casamento precoce.

“No Clube aprendemos muita coisa. Aprendi que ser pobre e abandonada não é o fim. Às vezes é o começo.”

Hoje, o Parque conta com 102 Clubes em 95 escolas da Zona de Desenvolvimento Sustentável. Em 2025, foram 108 bolsas activas: 68 em Gorongosa e 40 em Cheringoma.

Sem condições para o ensino secundário, Lúcia ganhou uma dessas bolsas em 2025. Saiu do Púnguè para a vila de Gorongosa, onde hoje frequenta a 11ª Classe como aluna exemplar.

O seu sonho? Ser enfermeira e servir a sua comunidade. A mesma profissão do pai que a abandonou.

“Quando penso na vida que levamos, não penso em desistir de estudar. Sinto que tenho de ser alguém para cuidar dos meus irmãos e não decepcionar os meus avós.”

E qual é o papel da imprensa nisto?

É isto que o Jornal Profundus faz: Não divulgamos ‘biodiversidade’ como palavra técnica. Mostramos que conservar o Parque é conservar meninas como a Lúcia.

Quando a comunidade vê a foto da Lúcia de uniforme, na escola secundária, entende a vantagem real de conservar: biodiversidade protegida = oportunidades, bolsas, saúde, futuro.

É por isso que a Lúcia inspira outras mães a não casarem as filhas cedo. É por isso que o comité de conservação ganha força. Porque a conservação deixou de ser proibição e passou a ser esperança.

Lúcia deixou uma mensagem para todas as raparigas de Moçambique:

_”Que a minha história inspire quem pensa que ser pobre e abandonada é o fim. Às vezes é o começo.”

Da machamba do Púnguè para a 11ª Classe da Vila de Gorongosa. Lúcia Paissa, abandonada pelo pai aos 4 anos, hoje é bolseira exemplar do Parque Nacional da Gorongosa e sonha ser enfermeira. Isto é PROGRESSUS: conservar a natureza para transformar vidas, por Jornal Profundus (Comunicar Para Mudança) com Gorongosa. (Ana Cleta de Lopes Coimbra).

 

 

 

 


Discover more from JORNAL PROFUNDUS

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Discover more from JORNAL PROFUNDUS

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading