O exemplo concreto e recente em Dondo: Moçambique celebrou a 4 de Outubro, o Dia da Paz, feriado nacional, um momento de descanso, convivência familiar e de tranquilidade. Alguns cidadãos “terminaram a paz” frustrados sem dinheiro nos bancos.
Nos diversos bancos, o cidadão chegava à ATM, inseria o cartão, introduzia o código e esperava pela resposta em dinheiro, mas o frustrante aparecia na tela: “não há dinheiro disponível”.
BIM, BCI, Moza Banco e Absa são nomes sonantes há décadas no sistema bancário em Moçambique. Ali, o cidadão deposita e guarda o seu dinheiro com a expectativa de poder levantá-lo quando precisar. Mas, durante o feriado prolongado, foi tanta frustração depois de cumprir várias filas. O curioso é que mesmo nas filas, alguns não falavam nada falava aos outros como forma de poupar tempo. Cada um via sozinho a realidade na tela.
Ia-se para outro banco. A esperança renascia, mas na maioria dos casos, o resultado era exactamente aquele doutro banco: não dinheiro disponível. Mas se os bancos sabem dos feriados, por que razão não existe um plano para garantir a disponibilidade do dinheiro?
A situação pode parecer, à primeira vista, um problema simples de operação. A realidade é única: sem dinheiro nas festas. Afinal, qual é a intenção dos bancos, justamente, no dia em que muitos esperaram realizar compras, deslocar-se, visitar familiares ou simplesmente satisfazer necessidades básicas. Já não basta frustrar-se no atendimento, nas longas filas, nas nhongas para atendimento privilegiado ou rápido, também temos de chorar para simplesmente tirar o dinheiro para sorrir com a família?
Os feriados são conhecidos com antecedência, assim como os períodos em que aumentam a procura por dinheiro nos bancos.
O mínimo não seria abastecer mais o dinheiro nas máquinas? Os bancos não poderiam criar equipas de monitoria para fazer o acompanhamento durante o feriado, o nível de numerário nas caixas e efectuar reposições sempre que necessário?
Não teria minimamente uma comunicação financeira para informar os clientes sobre quais ATMs estão operacionais, através das aplicações bancárias, SMS ou outros canais de comunicação? Não evitaria que os cidadãos percorressem vários pontos da cidade à procura de uma máquina que paga?
Nos ATM’s, os problemas não param por aí outras são comuns, a falta de dinheiro e do famoso “Sistema”. Às vezes, parece coisa combinada entre as instituições financeiras para desligar o disjuntor, o que levanta frustração ainda mais sem qualquer explicação. A situação também remete a uma pergunta simples: como é possível que vários bancos, simultaneamente, não consigam assegurar dinheiro nas suas ATMs numa cidade inteira de maior procura?
Também é importante ampliar o uso de pagamentos electrónicos, POS e transferências, sobretudo nos estabelecimentos comerciais. Quanto maior for a procura destes meios, menor poderá ser a pressão sobre ATMs. É verdade que os bancos têm incentivado o uso de pagamentos por meios electrónicos, mas, a realidade económica de muitas famílias moçambicanas continua a exigir dinheiro físico nos mercados, pequenos comerciantes, transportes públicos e outros serviços ainda dependem do numerário. Com isso, um feriado de Paz não deveria transformar-se numa corrida para ATMs.
Não basta ter um ATM instalado; é necessário garantir que ele esteja operacional e com dinheiro disponível quando os clientes mais precisam. As instituições bancárias precisam de melhorar a planificação do abastecimento nas caixas electrónicas, sobretudo em períodos de feriados e datas em que se prevê maior procura.
Em Dondo, no final do sábado, domingo, segunda-feira, o que as pessoas tinham como acesso era o seu PIN e cartão bancário, não o dinheiro. Só a partir da terça-feira, o BIM e BCI voltaram a pagar.
O episódio no Dondo merece uma explicação. Os clientes têm direito de saber o que está a acontecer e, sobretudo, o que será feito para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer. (Narcísio Cantanha).
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