“Caçador de feitiçaria” agita Mercado Municipal de Consito em Dondo

Um homem que supostamente exerce actividades de magia negra, popularmente curandeirismo, proveniente do norte de Moçambique, província do Niassa, agitou uma multidão com a prática de “caça à droga ou feitiçaria”, na passada sexta-feira, no Mercado Municipal de Consito, no distrito do Dondo, província de Sofala, centro do País.

O Mercado Municipal de Consito, uma infra-estrutura moderada com mais de 20 bancas fixas e lojas, regista há anos fraco movimento de clientes à procura de bens, situação que preocupa os vendedores, que se queixam da escassez de compradores.

Actualmente, o mercado resiste com cerca de três bancas e uma loja em funcionamento. Muitos ex-vendedores acusam um suposto chefe do mercado, também comerciante, de atrair clientes para si ou de contribuir para a falência de várias bancas, alegadamente por meio de práticas de magia negra.

Após o consenso entre os vendedores na busca de uma solução, o curandeiro realizou um ritual que consistiu em escavar a entrada do mercado e outros pontos considerados estratégicos de acesso, acompanhado por uma multidão de vendedores e curiosos.

“O objectivo era retirar uma suposta ‘droga’ ou feitiço que estaria a prejudicar o desenvolvimento das actividades comerciais neste mercado”, referiu o vendedor no local, Lisboa Sulemane, acrescentando que a “coisa” teria fugido em direcção ao Cemitério Santa Ana.

Horas depois, o curandeiro anunciou ter encontrado um recipiente com dinheiro nas proximidades de uma empresa de serralharia conhecida como “Serração dos Chineses”.

“Disseram que ele já tinha feito um trabalho no Mercado do Bairro 25, onde tirou uma cobra e saiu muito dinheiro. Aqui disse que vinha retirar uma droga escondida que faz com que os vendedores não se desenvolvam. Muitas bancas fecham porque as vendas são fracas”, afirmou Sulemane, que, embora tenha apontado a existência de um suposto responsável pela alegada prática, não identificou nomes, referindo apenas que seriam pessoas de fora a minar o mercado.

O chefe do Mercado Municipal de Consito no Dondo, António Njinga, confirmou que acompanhou o trabalho e explicou que o objectivo era esclarecer acusações que recaem sobre a sua pessoa.

“Havia comentários de que o mercado não se desenvolve por causa de ‘droga’ e que eu estaria envolvido. Chamámos o curandeiro para esclarecer isso. Cavou na entrada, depois na zona da estrada de Mandruzi, onde retirou um barro com dinheiro. Trouxe ao mercado e distribuiu. Recebi 200 meticais e outros receberam 50”, explicou.

À semelhança do Mercado Municipal de Consito, também o Mercado Municipal de Nhamaiabwe enfrenta dificuldades, embora existam projectos em curso para a sua dinamização, apesar de estar localizado num bairro de expansão.

A iniciativa deixou parte dos vendedores aliviados, embora o episódio tenha dividido opiniões entre crença e cepticismo. O caso reacende o debate sobre o impacto das crenças tradicionais na dinâmica comercial, num contexto em que muitos vendedores continuam a enfrentar dificuldades económicas no Mercado Municipal de Consito, no Dondo. (Narcísio Cantanha).

 

Tzu Chi Moçambique entrega hoje mais três escolas em Sofala

A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique entrega, hoje, mais três escolas erguidas no âmbito do projecto Hope para apoio à reconstrução pós-ciclone Idai que afectou a província de Sofala em 2019. É uma cerimónia oficial que marca o arranque do ano lectivo.

Hoje, será inaugurada a Escola Básica do Esturro na cidade da Beira, a maior do ensino primário do país.

O chefe de Estado inicia, hoje, sexta-feira, a visita a província de Sofala, com enfoque a cidade da Beira e aos distritos de Muanza e Nhamatanda no quadro do acompanhamento directo da execução de infra-estruturas sociais e da avaliação das acções governamentais nos sectores da educação, do abastecimento de água e do saneamento básico. Amanhã, sábado, Daniel Chapo estará a inaugurar a Escola Secundária Geral (ESG) de Nhamatanda com novas 36 salas de aula, construída pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique.

A Escola Secundária de Nhamatanda, que passa a assumir o estatuto da maior escola secundária do país, será inaugurada amanhã, sábado, com a presença do Chefe do Estado, Daniel Chapo.

Com a de Nhamatanda, a Tzu Chi lidera em números de novas maiores infra-estruturas escolares no País, contando com a EPC Esturro (46 salas) a maior de Moçambique localizada na cidade da Beira a ser inaugurada hoje, além da já inaugurada em 2025, a Escola Secundária de Mafambisse, no vizinho distrito de Dondo com 58 salas.

Igualmente, hoje, na cidade da Beira, haverá entrega da Escola Secundária da Manga.

Também será entregue ao Governo a Escola Primária Completa 3 de Fevereiro, que deverá ser inaugurada oficialmente posteriormente, embora esteja já concluída.

“A cerimónia central, que contará com a Vice-Presidente Global da Fundação de Caridade Tzu Chi, Pi Yu Lin, vai decorrer na Escola Básica do Esturro, um empreendimento de mais de 4,8 milhões de dólares pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique na capital provincial de Sofala, Beira”, escreve a Tzu Chi em comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

As três escolas estão inseridas num pacote mais amplo de apoio à reconstrução após a passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique, uma iniciativa avaliada, no geral, em 108 milhões de dólares, disponibilizados pelos mais de 10 milhões de voluntários desta organização espalhados pelo mundo.

À luz de um memorando assinado em 2019 com o Governo moçambicano, o projecto previa a construção de um total de 23 escolas, 17 das quais já concluídas, e cerca de três mil casas, também já concluídas no distrito de Nhamatanda, província de Sofala. Estas infra-estruturas foram construídas no sistema `Build Back Better, capazes de resistir a ciclones do tipo 4, de ventos de cerca 250 quilómetros por hora, numa região moçambicana ciclicamente afectada por ciclones.

Em novembro de 2025, o projecto “Hope” venceu o prémio de sustentabilidade corporativa na edição de 2025 do “Asia-Pacific Sustainability Action Awards” (APSAA)”, um evento da “Taiwan Corporate Sustainability” que reconhece anualmente iniciativas internacionais que se destacam pelo impacto e relevância.

Fundada no país em 2012, a Tzu Chi tem reforçado a sua actuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projectos ligados aos sectores de educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo na região centro. (Muamine Benjamim).

CABECILHA CHINÊS E MOÇAMBICANO: Acusados de incendiar loja para eliminar concorrência no mercado  

Dois cidadãos, um de nacionalidade chinesa e outro moçambicano, foram detidos na última sexta-feira, na cidade de Maputo, na zona do Zimpeto, por envolvimento nos crimes de danos, incêndio, associação criminosa e outros actos, após alegadamente terem incendiado um estabelecimento comercial para eliminar concorrência no mercado.

Segundo o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), João Adriano, os factos remontam à madrugada do dia 26 de novembro de 2025, quando os dois suspeitos um moçambicano e um chinês, terão recorrido a artefactos de fabrico caseiro, vulgarmente designados por bombas caseiras, para incendiar um estabelecimento comercial pertencente a outro cidadão chinês, vocacionado à venda de equipamentos electrodomésticos e produtos alimentares.

A acção criminosa terá sido planificada com o objectivo de eliminar a concorrência no mercado, sendo que um dos cidadãos chineses detidos é tido como o mandante do incêndio.

Conforme o SERNIC, o mesmo terá contratado o cidadão moçambicano, que por sua vez subcontratou outros indivíduos para a execução do crime.

O incêndio colocou em perigo os trabalhadores do estabelecimento, que se encontravam a dormir numa residência anexa, bem como os guardas em serviço naquela noite, configurando, segundo as autoridades, crimes de perigo comum, crime ambiental e crime de dano, previstos e punidos nos termos do Código Penal moçambicano.

Na detenção dos dois suspeitos, foram apreendidas três armas de fogo, das quais duas supostamente de defesa pessoal e uma caçadeira, todas encontradas na posse do cidadão chinês tido como cabecilha.

As autoridades manifestaram preocupação pelo facto de o referido indivíduo ter sido encontrado com várias licenças de porte e uso de armas, estimadas em cerca de oito, situação que levanta dúvidas quanto à sua legitimidade.

“O nosso trabalho, enquanto investigadores criminais, passa agora por aferir, junto das entidades competentes, a legalidade dessas licenças, uma vez que podemos estar perante indivíduos altamente perigosos para a nossa cidade e para o nosso país”, afirmou o porta-voz do SERNIC.

O SERNIC continua a fazer diligências para capturar os criminosos envolvidos para a sua responsabilização. (Profundus).

Jornalistas marcham contra atentado à vida de Carlitos Cadangue

Em Manica, os jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social marcharam hoje, contra a tentativa de matar o jornalista da STV, Carlitos Cadangue e o seu filho.

A marcha contou com as organizações defensoras de jornalistas como o Sindicato de Jornalistas de Moçambique (SNJ), Escola Superior de Jornalismo – Delegação de Manica, Instituto de Media para África Austral, Media Institute for Sourthern Africa  (MISA Moçambique) e Solidar Suisse.

A marca é “forma de manifestar o nosso apoio ao colega, repudiar e condenar actos desta natureza que no nosso entender constituem uma tentativa de silenciar a classe, limitar as liberdades e direitos dos jornalistas e do Povo moçambicano”, descrevem os jornalistas em comunicado a que o “Profundus” teve acesso.

A marcha passou da Praça da Independência Nacional até a sede do SNJ, no recinto da Exposição Feira de Chimoio.

As últimas reportagens de Carlitos Cadangue envolvem irregularidades na famosa mineração na província de Manica. Os locais não passaram a ser apenas “cemitérios” de jovens e “boladas de poderosos”, mas também já originam riscos de vida de quem expõe a “máfia”. (Muamine Benjamim).

Três irmãs escapam ilesas após incêndio da residência por desconhecidos

Três irmãs, de entre 40 e 70 anos, escaparam com vida após a sua residência de material precário pegar fogo recorrendo à gasolina por indivíduos desconhecidos, enquanto dormiam, na madrugada da última terça-feira, no distrito do Dondo, em Sofala. O incêndio que reduziu a casa às cinzas ocorreu no bairro de Canhandula, C, próximo à Universidade Jeann Poaget.

O pior não aconteceu por meio de um sonho do falecido marido. Afinal, enquanto dormia, Beida ouviu “sussurros do marido, lhe despertando para acordar”.

“Comecei a acordar às minhas irmãs e saímos a correr a pedir socorro deixando todos os bens dentro”, relatou a proprietária da casa, Júlia Beida. Neste momento, o fogo começou a alastrar-se para todo o texto.

Vizinhos recorreram aos baldes de água e areia, enquanto outros tentavam subir do outro lado do tecto da casa para conter as chamas, mas em vão, o incêndio continuou.

Este não é o primeiro ataque contra a sua residência. Um dia antes deste incidente, de noite, houve a primeira tentativa de incêndio, alegadamente “recorrendo a fósforos que conseguimos debelar”. Já no dia seguinte, os criminosos usaram a gasolina que rapidamente queimou.

“Perdi [quase] tudo, comida, pratos e roupas. Restaram panelas e pouca roupa. Apesar disso, não tenho planos de abandonar este local, porque a casa ajuda-me quando vou à machamba, já que vivo na Beira e aqui fica mais perto”, explicou.

Júlia Beida suspeita o seu cunhado com quem teve desavenças no passado, chegando a lhe prometer a morte. O caso já foi comunicado ao Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) no Dondo.

“Por volta das duas horas, ouvimos gritos e viemos ajudar a apagar o fogo com baldes de água e areia. Mas na noite seguinte foi pior, queimaram a casa pela frente e por trás com gasolina. Estamos preocupados com a falta de patrulhamento policial, porque pode acontecer o mesmo com outras famílias”, alertou a vizinha, Zimba Goba.

O chefe do quarteirão 8, da Unidade Comunal C, Alexandre Chacatane, confirma ter conhecimento do segundo incêndio no mesmo local em menos de 48 horas.

“No bairro, não sabemos se são jovens que andam durante a noite [que incendiaram], duvida o chefe do quarteirão, garantindo apoio com tendas às vítimas.

Além de Dondo, a cidade vizinha, Beira, enfrenta o mesmo tipo de crime cujas causas ainda não são conhecidas. Mas decorrem diligências da PRM. (Narcísio Cantanha).

CAFÉ: É vida e união pela Gorongosa

Entre o manto verde que cobre a famosa Serra da Gorongosa está o café. Não são simples folhas, plantas e sementes, mas a esperança de mudança de vida e a união de um povo que tanto viveu de ódio (colonialismo e guerra civil). Hoje, as famílias projectam-se, graças também ao impacto desta produção motivada pelo Parque Nacional da Gorongosa (PNG).

“Comecei a produzir o café como voluntária no Parque Nacional da Gorongosa, na altura sem remuneração. Cheguei a pensar em desistir”, revelou a produtora Fatiança Paulino, desconfiando se daria certo a produção.

Hoje, Fatiança Paulino apresenta surpresas. “Consegui formar a filha, construir casa melhorada, comprar motorizada e muitos bens”.

A produção do café, inicialmente numa fase experimental em 2011, passou a integrar oito produtores até 2015, motivando outros integrantes. Com o passar do tempo, a produção provou aposta, motivando as comunidades ao seu envolvimento. Hoje, conta com acima de 1000 produtores de café. E 12 trabalhadores na fábrica.

Manuel Manejo Machessa é produtor de café desde 2019. Conta que antes de começar a produzir, a vida estava difícil, não porque não produzia outras culturas, mas as outras culturas não eram muito rentáveis como a do café. Este é um dos motivos do nome sonante, Gorongosa.

“Quando apostei na produção do café, a vida começou a melhorar. Já consegui dinheiro, o que antes era impossível”. Começou a viver momentos de “milagres” na sua vida: “consegue investir nos estudos dos filhos, e investir na formação no curso de saúde da minha filha, além de outros bens e casa melhorada que já conseguiu construir”, revelou o produtor.

Para 2026, Manuel Manejo Machessa não quer garantir apenas a cadeia de valores, mas sair de produtor para tornar-se empresário de sucesso. No ano passado, dos quatro hectares, conseguiu colher mais de 8 toneladas. Já este ano projecta 14 hectares. Esta projecção resulta da fábrica inaugurada em dezembro de 2025.

A fábrica visa fortalecer a cadeia de valor do café, impulsionar os rendimentos dos pequenos agricultores e aprimorar a segurança alimentar. Além disso, contribuirá para os esforços de restauração da montanha Gorongosa.

Quando quase todos se fugiam ou se desconfiavam como resultados da guerra, o café veio juntar as comunidades, desde a produção, aprendizagem de melhores práticas agrícolas, encontros com admiradores e/ou financiadores desta iniciativa, comercialização, partilha de experiências a maneira de pensar para melhores condições de vida.

Isabel Verniz resume o Projecto de Restauração da Gorongosa, sendo produtora do café. “Também, estão a me ensinar a usar as técnicas de produção, além da ajuda com fertilizantes, há 7 anos. “Quando comecei a apostar na produção de café, a minha vida começou a melhorar. Já tenho uma casa melhorada, filha formada, corrente eléctrica na residência, motorizada, plasma e mobília na minha casa”.

“O Projecto de Restauração da Gorongosa é um grande ganho, tenho a certeza que os parceiros [financiadores] não irão se arrepender, porque as famílias estão a mudar de vida. Agradeço pela oportunidade e incentivo aos outros a apostarem na produção do café”.

A plantação e produção de café é vista como uma actividade alternativa para as famílias evitarem a agricultura itinerante.

Os objectivos da Fundação Greg Carr, através do Projecto de Restauração estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. Hoje, o Parque é um destaque da África, não pelas guerras anteriores, mas pela gestão de impacto local, envolvendo programas integrados e participativos (agroflorestamento; acesso ao mercado e cadeias de valor; saúde sexual e reprodutiva; nutrição; Escolinhas, Clubes de Raparigas, Clubes de Jovens, Clube de Professores; bolsas de estudos; construção de infra-estruturas como escolas e centros de saúde resilientes que servem de refúgios em ventos extremos entre outros) para o desenvolvimento humano. (Ana Cleta de Lopes Coimbra e Muamine Benjamim).

CIDADE DE MAPUTO A MAGUDE: Comboio extraordinário vai cobrar 50% do normal pelas cheias

O Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, anuncia a partida, amanhã, terça-feira, pelas 9h, da cidade de Maputo, de um comboio especial com destino a Magude, província de Maputo e com regresso, dia seguinte, quarta-feira (28 de janeiro) à mesma hora. O comboio vai transportar 1.200 passageiros.

Por se tratar de um comboio extraordinário para atender à situação de emergência por conta das cheias, que deixaram pessoas sitiadas com o corte da Estrada Nacional Número Um (EN1), a empresa Caminhos de Moçambique (CFM) vai cobrar a 50 meticais por viagem, que corresponde a 50 por cento da tarifa normal.

Adicionalmente, CFM irá disponibilizar um comboio especial de mercadoria, rebocando vagões e duas carruagens para os acompanhantes de carga, com partida na quarta-feira (28 de janeiro), às cinco horas, da estacão central (cidade de Maputo), com destino a Magude e o regresso está previsto para o dia seguinte (29 de janeiro).

Por outro lado, o Ministério dos Transporte e Logística comunica a partida, hoje, segunda-feira, da cidade de Maputo, de uma embarcação transportando produtos para ajuda humanitária, cujo destino é o Porto de Chongoene (província de Gaza) e prevê-se que regresse à capital do país com passageiros, na quinta-feira (29 de janeiro).

O barco tem capacidade para 150 passageiros e será aplicada a tarifa social de 300 meticais. (Muamine Benjamim).

ELISA: A rapariga que negou várias vezes união prematura, hoje, projecta-se a jornalista

Elisa Chico Bonjesse tem histórico, desde que o Clube da Rapariga do Parque Nacional da Gorongosa iniciou em 2016. Foi a primeira pessoa a ingressar ao Clube na sua comunidade, resistindo a tantas tentações até de união prematura já planificada sem o seu consentimento. Ganhou bolsa de estudos pelo Parque, e hoje, projecta-se para ser jornalista e inspirar outras mulheres sem condições financeiras para estudar.

Na comunidade onde vivia Elisa, muitas meninas que ingressaram ao Clube da Rapariga, “abandonaram o ensino primário para se unirem prematuramente, assumindo o papel de mãe, esposas e noras, mas hoje estão arrependidas”, depois de fazerem o contrário do que aprenderam no Programa do Parque.

Quando estava no Clube da Rapariga, “eu conseguia dividir o tempo” entre o da escola, actividades domésticas, apoiar a família no campo de produção agrícola e o de aprendizagem no Programa.

O Clube de Raparigas ensina as meninas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, matérias de literacia e numeracia, direitos e deveres da criança. Ou seja, nos vários Clubes de Raparigas, as meninas conhecem o seu corpo, sabem tratar da higiene menstrual, afastar-se de comportamentos de risco e aprender a negociar com os pais a dizer um dia caso-me, mas não já, tal Elisa.

Nas comunidades ao redor do Parque, ainda há mitos, um deles é de que a mulher nasceu para actividades domésticas, fora disso existe o marido para juntos multiplicarem-se. Mas, Elisa rodeada de raparigas por inspirar, partilha a sua experiência de fuga a um homem para apostar nos estudos, depois de aprender no Clube da Rapariga e perceber o seu potencial como menina com sonhos.

Quando fazia a 7.ª Classe, alguns pais na comunidade induziram um jovem para manter relações com Elisa como garantia da união, ainda que prematura.

“Num dia desses, mandaram um moço da zona para me violar, quando saía de um ensaio do Clube para apresentar uma actividade no Parque. Perseguiu-me, corri muito, cheguei numa casa vizinha. Aquela vizinha levou-me para casa. No dia seguinte se resolveu, mas não desisti dos meus sonhos”, continuou Elisa.

O caso foi levado à liderança comunitária para uma reunião juntando os pais, no qual o jovem pretendente confessou que foi induzido ao crime.

Depois desse episódio, a comunidade passou a julgar Elisa como a miúda com espíritos malignos por recusar homens. Aliás, “diziam que estou a perder tempo no Programa Clube da Rapariga”, conta a rapariga.

Mas a surpresa de todos veio depois, através do mesmo Clube da Rapariga, alimentando-lhe a esperança. Elisa saiu da sua comunidade para estudar na Escola Cristo Rei (Vila de Gorongosa), tudo sob responsabilidade do Parque que lhe atribuiu uma bolsa de estudos.

“Agora, todas as minhas amigas e antigas colegas já me falam mal. Porque estou a gingar, estou a mudar muito, falo a Língua Portuguesa” entre outras qualidades apreciáveis pelo comportamento apreciável” como resultado dos estudos.

Elisa é uma das meninas que vive nas comunidades, sem condições financeiras, induzidas a uniões prematuras, mas com sonhos por alcançar. Num local onde tudo parece o fim, o Clube da Rapariga alimenta a esperança de acreditar em si e suportar as dificuldades.

“Se tem objectivo, tem-se que motivar, eu consigo, não pode duvidar. Vai dar certo. Deve dar vontade aos pais” e a Gorongosa pelo apoio, por isso, “estou determinado a ser jornalista. Sou Elisa, Sou Rapariga, Sou Mudança”, evidenciando o lema. (Muamine Benjamim/PROGRESSUS).

Agricultores projectam boa campanha agrária com a recepção atempada de sementes melhoradas

Desta vez, os agricultores receberam cedo quatro toneladas de sementes de milho para garantir a produção e produtividade agrícolas. Só no distrito de Dondo, 800 famílias das comunidades de Savane Sede, Sambazou, 08, Mussatue, Emília 20 e 26, bem como Mafambisse, Nhamacuenguere, Muzimbite, Nhaufo, Magandafuta, Chissene, Chissange e Chibuabuabua já foram apoiadas, projectando-se 80 toneladas nesta campanha 2025-2026.

A entrega atempada de sementes é resposta das reclamações anteriores não apenas em Dondo, mas para todos os distritos assistidos que se queixavam de receber tarde e comprometer a produção.

Com as sementes entregues no dia 23 de Novembro de 2025 na comunidade de Savane juntando outras comunidades, o Parque pretende fortalecer a segurança alimentar, aumentar a resiliência das famílias face às mudanças climáticas e mitigar o conflito Homem-Fauna Bravia.

Marcela Cherega, residente da comunidade Emília 20, disse que a ajuda de entrega de semente chegou no momento ideal. “Nos anos anteriores, usávamos as nossas próprias sementes. Tenho uma machamba grande e cultivo, sozinha. Então, esta semente vai ajudar a reduzir a fome em casa”, projectou.

São quatro toneladas de semente de milho entregue. Com esta quantidade, estima-se 80 toneladas de produção.

Cada produtor recebeu 5 quilogramas de semente de milho.

O agricultor Estevão João Estevão, da comunidade de Chibuabuabua, que também recebeu a semente, relatou que a fauna bravia continua a causar perdas significativas com a devastação de culturas.

Ainda na comunidade Emília 26, a agricultora Nonita João, que possui quatro hectares, disse que no ano passado enfrentou dificuldades de produção agrícola devido às mudanças climáticas: “É a primeira vez que recebo sementes do Parque. A chuva já está a cair e a semente foi entregue cedo, isso vai ajudar bastante.”

Além de Dondo, no mesmo período, no distrito de Muanza, 5.490 quilogramas de milho e gergelim foram entregues a 915 agricultores, num total de 1.350 beneficiários previstos. Cada produtor recebeu 5 kgs de milho e 1 kg de gergelim para a época sequeira.

Enquanto 2.971 agricultores do distrito de Gorongosa recebiam 14.855 kgs de milho nas comunidades de Mucaca, Muera, localidade de Pungue, Tazaronda, Canda, Vunduzi, Tambarara, Mucoza, Nhandar, Madzimachena, Matacamachaua, Mucinhaa e Pavua.

Normalmente, as comunidades recebem sementes de milho, de gergelim e de feijão bóer (1.ª sequeira). Também, sementes de couve, de repolho, de espinafre, de alface, de tomate, de pimenta, de pepino, de cenoura, de beterraba, de quiabo e de cebola para aplicarem no campo de demonstração no qual aprendem as técnicas agrárias a aplicarem nos respectivos campos individuais (horticultura).

Os agricultores são ensinados técnicas de produção agrícola, incluindo a produção de adubo caseiro, poder germinativo da semente, melhores práticas para reduzir as perdas que ocorrem durante a colheita e pós-colheita, garantia da qualidade dos produtos que chegam ao consumidor final, mantendo as suas características nutricionais e sensoriais, além de aumentar a vida útil dos produtos colhidos. (Narcísio Cantanha/PROGRESSUS).

FIM DO PROBLEMA: Água vai para mais de dois mil beneficiários em quatro comunidades de Maringué

O distrito de Maringué é também conhecido pela escassez de água potável e essa situação coloca em risco a saúde das famílias relativamente a doenças de origem hídrica, mas este problema já será esquecido em breve, em quatro comunidades. Mais de 2 mil beneficiários locais deixarão de recorrer aos poços e rios e evitar dividir a água com animais selvagens, além de evitar longas distâncias à procura do precioso líquido, no âmbito do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH) do Parque Nacional da Gorongosa com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique.

Os fontanários estarão localizados estrategicamente nas escolas dentro das comunidades para reduzir doenças de origem hídrica e melhorar a saúde geral da comunidade escolar; promover hábitos de higiene entre alunos e funcionários; diminuir ausências escolares associadas à busca de água e a problemas de higiene; fortalecer infra-estruturas básicas da escola, apoiando um ambiente de aprendizagem mais seguro e saudável; e promover igualdade de género ao oferecer recursos de higiene de forma acessível a raparigas e rapazes.

Dos quatro fontanários planificados para alcançar mais de duas mil pessoas em quatro comunidades, já existe um furo, faltando apetrechamento na Escola Anexa 8 de Março dentro da comunidade de Nhabombwe, projectado para beneficiar 943 pessoas.

A planificação dos quatro fontanários aponta para 2.338 beneficiários distribuídos em Catia (480), Nhabonbue (943), Mandire (462) e Capimbe (453). Ora, o uso do precioso líquido depende do recomendável nível de salubridade e vias de acesso para o término das obras em falta.

Jada Dezimata é residente da comunidade de Nhabombwe. “Nós bebemos água do riacho porque não há outra alternativa. Mas já teremos escolha com a água do Parque para as nossas vidas”, contou.

O PNG pretende com aquela água disponível todos os dias, incutir uma responsabilidade de apropriação dos furos aos líderes comunitários e a comunidade em geral para a melhor conservação dos recursos hídricos colocados, neste caso, os furos de água, fazendo manutenção rotineira das bombas e a respectiva gestão, através de capacitações aos comités de água e saneamento, garantindo a higiene pessoal e colectiva. Para tal, existem comités de gestão de água, mas antes já foram capacitados para melhor gestão da água.

O fontanário vai representar uma mudança importante ao permitir que as famílias tenham mais tempo para cuidar da casa, das crianças, melhorar a higiene e a praticar agricultura – o principal meio de sobrevivência e consequentemente, garantir a segurança alimentar.

Com aquele fontanário, “teremos água limpa perto das nossas casas. Isso vai melhorar a saúde da comunidade e dar mais dignidade às nossas famílias”, reconheceu Carlitos Zondane, residente de Nhabombwe, assumindo o compromisso local para cuidar da infra-estrutura e garantir que o benefício se mantenha por muitos anos.

Os fontanários serão equipados com bombas manuais sustentáveis, fáceis de adquirir e de substituir os seus acessórios, reduzindo custos operacionais para as famílias e escolas.

Outra moradora, Aginada Baera, descreveu o sofrimento vivido antes de se fazer o furo. “Era muito difícil viver assim. Íamos ao riacho de madrugada, regressava tarde, e mesmo assim a água não era limpa. Muitas famílias tiveram problemas de diarreias e outras doenças” de origem hídrica por causa de consumo de água impropria.

O fontanário a ser construído em Nhabombwe vai ser um alívio para as famílias.

Em geral, há planos de melhoria em toda a expansão das comunidades pelo Programa WASH na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, dependendo das necessidades financeiras e parcerias. Portanto, a execução do plano anual. (Eugénia Carlos/PROGRESSUS).