Técnicas ensinadas que salvam comunidades da desnutrição e garantem comida em tempos de escassez

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, transmite conhecimentos sobre as técnicas de secagem e processamento de alimentos nas comunidades para conservar os produtos produzidos localmente, combater a desnutrição e a insegurança alimentar. A comunidade de Madzimachena, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda sem condições financeiras para conservar os alimentos frescos por muito tempo, já lhe foi ensinada técnicas simples e sem custos monetários.

A aprendizagem envolve pais-modelo, mães-modelo e líderes comunitários que depois transmitem aos outros, localmente, cujo foco é reforçar a ligação entre conceitos aprendidos e práticas familiares.

A mãe-modelo, Vitória Joaquim, explicou a importância de aplicar essas técnicas. “É porque facilita a conservação dos nossos produtos em tempos que não conseguiríamos fazer, garantindo ainda a sua qualidade nutricional. Também, usamos esses alimentos processados para combater a má nutrição. [Por exemplo], fazemos papas enriquecidas, misturando farinha de milho e farinha de moringa, como principais produtos. Com essas técnicas “já sei a utilidade de alimentos que pensávamos que já estão estragados. Tirava muita verdura do campo de produção, acabava de deitar uma parte porque não sabia conservá-la sem geleira, mas agora combatemos a fome porque o produto tem sempre utilidade”.

As comunidades já sabem que as verduras, feijões, mandioca, batatas e outros alimentos podem ser processados. A forma de conservar ou processar vai depender do tipo de alimento. E a quantidade do produto é que vai ditar o tempo que o produto precisa levar no seu processo de secagem e processamento, para não perder total propriedade nutricional.

“Tiro a mandioca, descasco, lavo, corto em pequenos pedaços e deixo a secar ao sol pelo menos por duas semanas. Depois, conservo, garantindo a propriedade nutricional”, explicou a mãe-modelo. A mandioca seca cozida substitui o pão, além de que com a farinha pode se fazer xima.

Duas semanas são suficientes para a mandioca secar prontamente num lugar limpo. Podendo moer com pilador para depois ceifar (caso da farinha), ou simplesmente guardar em pedaços secos (para ferver como tubérculo).

O Promotor da Saúde e Nutrição, Tambura Martinho António explicou como tem usado essas técnicas. Com os produtos produzidos localmente, “temos ensinado as pessoas da comunidade”, para garantirem que os alimentos existam até no tempo de escassez. “Por exemplo, temos tempo que a couve não existe, mas com a técnica de secagem e processamento, garantimos a sua existência.

Tambura Martinho António chama atenção que quando não são aplicadas as técnicas certas para a sua conservação, os produtos perdem cedo o valor nutricional.

“A minha vida mudou com essas técnicas. Minha filha foi diagnosticada com anemia, mas porque agora conheço o valor nutritivo dos alimentos e prolongar o seu tempo útil, usei a beterraba processada contra esta doença”. O problema passou. “Hoje não só combatemos a insuficiência de sangue no corpo, mas também outras doenças que antes consideravamos feitiços e recorríamos aos curandeiros”. Com esta aprendizagem, “já entendemos que podemos combater a má nutrição com os nossos alimentos locais”, explicou a mãe-modelo, Fernanda Felisberto Jacopo, apelando a Gorongosa a continuar com essas iniciativas de impacto comunitário.

Essas técnicas expostas pela comunidade no dia 9 de Dezembro de 2025, também foram apresentadas na visita do Comité de Pilotagem do SLDP composto por administradores e directores distritais, líderes comunitários e presidentes dos Comités de Gestão de Recursos Naturais dos seis distritos, representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), directores provinciais do Meio Ambiente e de Agricultura e a Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, no dia 17 de Setembro de 2025. (Ana Cleta de Lopes Coimbra/PROGRESSUS).

Nhamatanda terá uma das grandes farmas agrícolas pela Tzu Chi

O distrito de Nhamatanda, província de Sofala vai ter uma das grandes farmas agrícolas. Para tal, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Roberto Mito Albino, recebeu na última terça-feira, em Maputo, a Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, no âmbito do aprofundamento da cooperação em iniciativas de produção agrícola sustentável, segurança alimentar e apoio humanitário.

No encontro, a representante da Tzu Chi, Denise Tsai, apresentou o modelo de intervenção, estando localizada uma das maiores farmas no distrito de Nhamatanda, localidade de Micuse, para a provisão de alimentação quente (hot meal) em escolas e unidades hospitalares.

A farma de Micuse dispõe de uma área total de cerca de 200 hectares, dos quais perto de 100 hectares já estão a ser explorados. Actualmente, 48 hectares encontram-se em produção, estando prevista, ainda este ano, a expansão para 50 hectares adicionais.

A Tzu Chi pretende expandir a produção agrícola para aumentar a disponibilidade de alimentos nutritivos a pessoas vulneráveis, com destaque para crianças em idade escolar, estrategicamente, ao mesmo tempo lutando contra a desistência escolar.

O caju será a cultura prioritária para a comercialização. Já o milho como alimento escolar.

Do lado do Governo, está garantido o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) para assistência técnica e formação de formadores, de modo a fortalecer a qualidade e a sustentabilidade do modelo.

Na ocasião, o ministro de Agricultura, Roberto Albino exortou a necessidade de incluir jovens moçambicanos formados, aproveitando o seu potencial para replicarem noutras regiões com condições locais.

O uso de energia solar para reduzir os custos e sustentabilidade ambiental, processamento de produtos hortícolas, como o feijão, a criação de pequenas agro-indústrias alimentares e a integração da produção de proteína animal (pequenos ruminantes e aves) são sugestões do ministro.

Nos próximos dias, será assinado um Memorando de Entendimento entre o MAAP e a Fundação de Caridade Tzu Chi. (Muamine Benjamim).

 

Antigas instalações da Escola Secundária Geral de Nhamatanda passam parcialmente a ser usadas pelo Instituto Politécnico Ideias

Antigas instalações da Escola Secundária Geral de Nhamatanda (ESGN) em Sofala passarão a ser exploradas parcialmente pelo Instituto Politécnico Ideias, a partir deste ano. O antigo edifício neste momento está a ganhar novo visual (pintura).

O director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT), Estevão Nota confirmou o parecer favorável da iniciativa.

A ESGN já tem novo edifício construído pela Tzu Chi, contando com 36 salas.

No total são 13 escolas construídas pela Tzu Chi, ao mesmo tempo, designadamente, EPC Esturo, EPC Moçambique Industrial e EPC 3 de Fevereiro, na cidade da Beira. E no distrito de Nhamatanda: ESG Nhamatanda, EPC Nharuchonga, ESG Kura, EPC 12 de Outubro, ESG Metuchira, EPC Lamego, ESG Lamego, EPC Ndeja, ESG Tica e EPC Muda Mufo. No total, 13 escolas.

Já o director da ESGN, Zacarias Magueva confirma que já foi assinado um contrato com o Instituto Politécnico Ideias para ocupar as instalações, oferecendo Educação de Infância; Administração de Trabalho; Contabilidade; Gestão Autárquica e Gestão de Logística.

Segundo Zacarias Magueva, o Instituto vai arrendar apenas sete salas da 30 para todas as respectivas actividades.

O novo e antigo edifícios da ESGN serão ainda usados, uma vez que este ano, a escola pretende formar 83 turmas para os 4.331 alunos matriculados da 7.ª a 12.ª classes.

De manhã, a ESGN prevê 18 turmas para 10.ª classe, 17 turmas para a 11.ª classe e 13 turmas para a 12.ª classe. E de tarde, as restantes 35 da 7.ª a 9.ª classes. (Muamine Benjamim).

PRM DESMENTE: “Não se tratou de cerco às instalações do Comando Provincial da PRM-Maputo”

No âmbito de articulação entre os dois serviços nomeadamente Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), este último “informou ao Comando-Geral da PRM da pretensão de execução de mandados de captura emitidos pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo contra alguns agentes da PRM, suspeitos da prática de um crime, cujo processo corre seus termos legais na Direcção Provincial do SERNIC de Maputo”, começou por justificar a PRM.

“Averiguada e confirmada a existência dos referidos mandados de captura e […], manifestou a sua total disponibilidade em colaborar na execução dos referidos mandados.

“Com efeito, não se tratou de cerco às instalações do Comando Provincial da PRM-Maputo pelos agentes do SERNIC, nem a protecção dos agentes em causa pelo citado Comando Provincial, como se tem difundido erradamente”, termina o comunicado da PRM, emitido ontem, reafirmando o compromisso mutuo com o SERNIC contra criminalidade. (Muamine Benjamim).

Jovem continua desaparecido depois do ataque de crocodilo em Chemba

O distrito de Chemba, província de Sofala, volta a “assustar” residentes de Chemba por causa de um ataque de crocodilo. Desta vez foi um jovem de idade entre 29 e 30, quando tentava pescar nas águas do rio Zambeze.

Na tarde da última quarta-feira, 07 de janeiro, por volta das 15h, um ataque fatal de crocodilo fez desaparecer o jovem Domingos João Perde Vida e pai de família.

O incidente ocorreu numa das ilhas do traiçoeiro rio Zambeze, na zona de Tchibuite, em Pwite, interior do distrito de Chemba.

Segundo os familiares, a vítima estava numa canoa na companhia de outros dois pescadores, quando, subitamente, um crocodilo o arrastou para as profundezas. Até ao momento, o corpo continua desaparecido, apesar das buscas feitas pela comunidade local.

Domingos João deixa três filhos menores e duas esposas. Mais do que números, são vidas afectadas, sonhos interrompidos e famílias desestruturadas.

Este episódio volta a acender o alerta sobre os riscos crescentes de ataques por animais selvagens nas zonas ribeirinhas, especialmente durante a época chuvosa, quando os níveis das águas aumentam e a aproximação às margens torna-se ainda mais perigosa.

As autoridades distritais e comunitárias reforçam o apelo à prudência e pedem a implementação urgente de medidas concretas de prevenção, incluindo campanhas de sensibilização, sinalização de zonas de risco e vigilância comunitária. (Rosário Phoinde).

 

Três mortes, 1.847,39 hectares de produção perdida e 2.211 famílias afectadas pelas chuvas em Nhamatanda

Em três dias consecutivos, (23 a 25 de dezembro último), o distrito de Nhamatanda registou chuvas moderadas a forte acompanhadas de descargas atmosféricas em toda a região. Consequentemente, as águas forçaram cerca de 2.211 famílias correspondentes a 7.966 pessoas (3.180 homens e 4.788 mulheres) incluindo 2.537 crianças a abandonarem as respectivas residências e recorrerem aos centros de acomodação temporários e uma área de 1.847,39 hectares de produção agrícola foi perdida. No mesmo período, uma menor de 4 anos morreu.

O cenário piorou com a subida dos caudais e transbordo dos rios Púnguè, Metuchira, Muda, Mecuzi, Mbimbir, Macorococho, Halumua e Mucombezi, provocando inundações nas comunidades próximas.

Em entrevista exclusiva ao “Profundus”, o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, explicou que uma menor de 4 anos morreu afogada no poço durante as chuvas dos dias 23 a 25 de dezembro último, na vila municipal de Nhamatanda.

Segundo o boletim de actualização 05/ COE/GDN/ 30.12.2025, as inundações nos campos agrícolas afectaram 3.212,50 hectares de 4.126 famílias com culturas diversas, sendo perdida uma área de 1.847,39 e 49.900 hectares afectados.

Para acomodar as famílias, foram criados 11 centros de acomodação, sendo três na localidade de Bebedo, um em Tica e sete em Nhampoca. Mas todos já foram desactivados depois das águas baixarem, motivando o regresso das famílias às respectivas residências.

Um total de 9.853 cabeças de gados bovinos em risco sendo, 13.444 pequenos ruminantes, 3.221 suínos e 112.442 aves, nas zonas de Tica sede, Muda Mufo, Macumba 2, Mosca de Sono, Sovim, Ndeja, Mazongoro, Nhanguro, Lamego Sede e nas proximidades do rio Muda, Mecuzi, Mapalanhanga, Cherezi, Halumua e Metuchira Pita. E 12 curais de bovinos submersos. As inundações mataram seis vitelos, nove leitões e dois cabritos.

Quatro centros de saúde foram afectados, nas localidades de Bebedo, Siluvo e Matenga.

No mesmo período, os centros de Saúde de Vinho e Mutondo encontravam-se com pátios alagados.

O Centro de Saúde de Mecuzi Phuazi e de Chiro foram isolados das comunidades devido à intransitabilidade das vias de acesso.

Duas escolas afectadas, nas localidades de Bebedo e Nhampoca: Escola Primária de Nhaminimini – Bebedo, com pátio alagado, contando com 569 alunos, sendo 275 mulheres e com apoio de seis professores, afectadas seis salas de aulas, um bloco administrativo e duas casas de professores; e Escola Primária Filipe Jacinto Nyusi – Nhampoca com pátio inundado, onde atendia 231 alunos, sendo 88 mulheres com quatro professores, afectando três salas de aulas.

As vias de acesso da vila de Nhamatanda ao bairro Mapalanhanga, Bebedo sede a Vinho, vila sede de Metuchira Pita – Nhampoca, vila sede a Chirassicua; Matenga sede a Mucombezi, Mbimbir a Muscavo Viega, Nharchonga a Muda Nhauriri, Lamego a Macumba, Lamego a Ngueneia, Lamego a Magomo, Lamego a Nhazimbingue, Metuchira a Matenga, Muda a Nhampoca ficam intransitáveis, criando barreiras de comunicação rodoviária tanto para apoiar as vítimas ou mesmo para descrever a situação real numa zona onde a rede de telefonia móvel ainda é também um desafio.

O Centro Aberto da cadeia no povoado de Ndeja encontrava-se sitiado afectando 19 reclusos. Todos recorreram à Escola Básica de Mazongoro.

Neste momento, Manuel Jardim e o seu executivo estão a planificar sobre a reconstrução com material básico para as famílias afectadas.

Nhamatanda recebeu do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres (INGD), os produtos alimentares e não alimentares para pré-posicionamento da época chuvosa e ciclónica 2025/2026, oito toneladas de farinha milho (320 sacos de 25 kgs); duas toneladas de arroz (80 sacos de 25kgs); duas toneladas de feijão (40 sacos de feijão), e 1.200 Litros de óleo de cozinha; 200 Kg de açúcar; 100 Kg de Sal; quatro panelas; e 13 lotes de lona com 5 unidades cada.

Uma parte dessa quantidade já foi usada. Foram entregues 35 sacos de arroz de 25 Kg, 61 sacos de farinha de 25 Kg, nove sacos de feijão de 50 Kg e 168 litros de óleo de cozinha aos três Centros de abrigo temporário em Bebedo e Tica, cinco centros de acomodação de EPC-Vinho, Mutondo- Armazém, Mutondo- Igreja e Muda Mufo e Nhantiquirique nas primeiras 72 horas das inundações.

Houve, também, a entrega de 20 coletes salva-vidas aos comités de gestão na localidade de Lamego.

No mesmo período, segundo o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, uma menor de 4 anos morreu afogada no poço, no bairro Kura, dentro da vila de Nhamatanda.

Mas antes das inundações, o distrito registou duas mortes por descargas atmosféricas (um rapaz na localidade de Matenga e uma mulher na localidade de Chirassicua). Portanto, três mortos no primeiro trimestre da época chuvosa (outubro, novembro e dezembro).

O Governo vai continuar a sensibilizar as comunidades sobre a época chuvosa e ciclónica 2025/2026, levantar os danos causados pelas chuvas; monitorar permanentemente as famílias que estão afectadas, e sensibilizar as famílias a não regressarem às zonas baixas.

Entretanto, Nhamatanda não tem combustível suficiente para monitorar as comunidades, e não tem embarcações para Metuchira Pita e Muda, dando acesso a Nhampoca, interior da localidade de Lamego – a mais afectada.

Para assistir às vítimas, o Governo ainda necessita de 125 tendas e 500 lonas para famílias com casas destruídas parcial e totalmente; combustível (2.000 litros de diesel e 400 de gasolina), para fazer face à deslocação de assistência; 15.000 unidades do purificador de água (Certeza); 500 Kg de cloro; 2.500 redes mosquiteiras; 8.000 pratos plásticos; 8.000 copos plásticos; 701 esteiras; 100 lajes plásticas; 20 baldes com torneiras de 100 litros cada; e 200 metros de rolo plástico preto.

Na entrevista exclusiva com o “Profundus”, no último dia de 2025, o administrador de Nhamatanda, igualmente, chamou atenção para a população tomar o cuidado contra as doenças de origem hídrica.

Os dados da semana passada do INGD em Sofala indicavam que o primeiro trimestre da época chuvosa afectou 42.677 pessoas correspondentes a 8.955 famílias, 17 óbitos, 19 feridos, 2.035 casas parcialmente e 964 totalmente destruídas, 1.780 casas inundadas, uma unidade sanitária e cinco escolas afectadas, e 6.288 hectares agrícolas impactados, sendo 2.820 hectares perdidos. Cada dia que passa, os dados podem alterar consoante a situação dos distritos. (Muamine Benjamim).

Dondo: Filha confirma que matou a mãe por feitiçaria

Uma jovem moçambicana de 28 anos, localmente conhecida como curandeira no bairro Mafarinha, no distrito de Dondo, em Sofala, tirou a vida da própria mãe na última quarta-feira, alegando feitiçaria.

Segundo a indiciada, há dias enfrentava dificuldades relacionadas ao seu bem-estar físico (necessidades biológicas) e, acredita, tratar-se de um problema espiritual. Por causa disso, procurou ajuda junto de 14 curandeiros colegas.

Os colegas teriam apontado a mãe como a suposta responsável pelo seu sofrimento, o que a levou ao acto extremo, esfaqueando-a no braço e no pescoço.

“Matei a minha mãe. Já há meses sentia dores e procurava ajuda em curandeiros. Sempre me diziam que ela era a causa dos meus problemas. Fui tomada pela raiva e acreditei no que disseram”, declarou a suspeita, que diz estar arrependida.

O porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Honório Chimbo, confirmou a detenção da mulher, que se apresentou voluntariamente numa das subunidades policiais após o ocorrido. O caso é classificado pela corporação como “profundamente preocupante e associado a crenças supersticiosas”.

Segundo a polícia, a mulher relatou que procurou vários médicos tradicionais devido às dores persistentes e que, após ouvir sucessivas acusações contra a mãe, deslocou-se à residência da progenitora, onde ocorreu uma discussão familiar que terminou na tragédia. Depois disso, decidiu entregar-se às autoridades.

Chimbo considerou o caso um exemplo extremo dos riscos relacionados à manipulação e práticas supersticiosas. “Estamos perante um caso de superstição que terminou numa tragédia familiar. É grave quando uma filha chega ao ponto de tirar a vida da própria mãe.

Apelamos à sociedade para procurar o diálogo, a compreensão e o recurso a instituições formais”.

A PRM informou ainda que decorrem diligências para identificar os 14 curandeiros mencionados pela suspeita, a fim de apurar eventuais responsabilidades criminais.

“As nossas equipas estão a trabalhar para perceber quem são esses médicos tradicionais, que tipos de orientações lhe deram e podem-se ser responsabilizados. Se for provado que incentivaram ou manipularam a cidadã, poderão responder criminalmente”, disse o porta-voz.

Os autos já foram remetidos ao Tribunal Judicial do Dondo, a autora do crime permanece detida e aguarda pelo julgamento. (Narcísio Cantanha).

Jeremias Langa reeleito Presidente do MISA Moçambique

O jornalista Jeremias Langa foi reeleito, na última segunda-feira, em Maputo, para um mandato de mais três anos como Presidente do Instituto de Comunicação Social da África Austral, MISA Moçambique.


A eleição ocorreu durante a Assembleia-Geral da organização, com 85% dos votos, numa eleição realizada por lista única.
A nova composição dos órgãos sociais para o próximo mandato é a seguinte:

Conselho Nacional Governativo

Presidente: Jeremias Langa

Primeira Vice-Presidente: Olívia Massango

Segundo Vice-Presidente: Egnácio Gamay

Vogais: Carlos Matsinhe e Maria Sitole

 

Mesa da Assembleia-Geral

Presidente: Francisco Carmona

Secretário: Alexandre Matsimbe

Vogal: Hamilton António

 

Conselho Fiscal

Presidente: Rodrigues Luís

Secretário: André Catuera

Relatora: Jacinta Nhamitambo

Ao dirigir-se à Assembleia após a reeleição, Jeremias Langa afirmou que o primeiro mandato foi dedicado ao relançamento institucional do MISA
Moçambique e ao reforço da confiança junto da classe mediática. Segundo destacou, a nova equipa tem agora o desafio de consolidar os ganhos
alcançados, aprofundar a interacção com a sociedade e fortalecer o papel do MISA na defesa da liberdade de imprensa, do pluralismo e da integridade
jornalística no país. (MISA).

 

Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma vai promover práticas sustentáveis e gerar rendas

Há duas semanas, o Projecto de Restauração do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) entregou o Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma (CCC) projectado para impactar vidas, através da promoção de práticas sustentáveis e financiamento directo aos projectos comunitários, no distrito de Cheringoma, em Sofala.

O projecto arquitectónico do Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma inclui alojamento para 30 pessoas, uma sala de treinos com capacidade para 50 pessoas, escritório, refeitório para 70, um anfiteatro aberto, centro de produção e venda de produtos de artesanato fabricados com base em produtos florestais madeireiros e não madeireiros, incluindo produtos de cerâmica.

 

Justificativa

As Áreas de Conservação Comunitárias representam um marco muito importante na delegação de poderes para que as comunidades possam por si só promover acções que contribuir na melhoria do estado de conservação dos recursos naturais, incluindo o zoneamento das áreas e elaboração de planos de uso de terra, planos de maneio de recursos naturais, através da promoção de práticas sustentáveis de uso dos recursos e de igual modo servirem de recursos para a geração de rendimentos tangíveis às comunidades, através do financiamento directo aos projectos comunitários.

Como parte da parceria com o Fundo Global para o Ambiente (GEF) através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), no âmbito dos esforços para envolver as comunidades locais no processo de gestão de recursos naturais e proporcionar benefícios tangíveis às comunidades locais, está a facilitar o processo de estabelecimento e operacionalização de Áreas de Conservação Comunitárias (ACCs) na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa.

Como resultado do apoio prestado, foram oficialmente criadas e aprovadas quatro ACCs, sendo uma na zona norte do PNG denominada Área de Conservação Comunitária de Cheringoma, envolvendo as comunidades de Catemo, Nhabawa, Muanandimai, Maciambosa e Chidanga; e três ACCs na zona sul do Parque, envolvendo as comunidades de Nhamacuenguere no distrito de Dondo, Bebedo e Nhampoca no distrito de Nhamatanda, totalizando uma área de aproximadamente 77 mil hectares.

As Áreas de Conservação Comunitárias incluem a promoção de acções que irão contribuir para a redução das ameaças aos recursos naturais, tais como, desmatamento para efeitos de abertura de novas machambas, habitação, produção ilegal de carvão, redução da frequência e intensidade dos incêndios, caça furtiva e bem como a promoção de medidas que irão contribuir para restauração das florestas degradadas.

Foi no âmbito desta necessidade de criação destas capacidades no seio das comunidades detentoras das Áreas de Conservação Comunitárias e circunvizinhas que o Projecto de Restauração da Gorongosa, através do apoio do Fundo Global para o Ambiente (GEF) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), construiu o Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma localizado na vila de Inhaminga.

 

Impacto projectado

 

Na ocasião, o governador de Sofala, Lourenço Bulha, agradeceu pelos investimentos em prol das comunidades. “Temos a consciência do trabalho para restaurar a nossa Gorongosa [com destaque as recentes] 26 escolas entregues, garantindo a melhoria do processo de ensino-aprendizagem”.

Os projectos devem continuar para as comunidades terem múltiplas alternativas de sobrevivência em meio a desafios de conflito de Homem e fauna bravia na respectiva Zona de Desenvolvimento do PNG, disse Bulha, apelando para o uso e protecção da infra-estrutura ora inaugurada.

A comitiva, igualmente, deslocou-se ao núcleo onde se encontram as acomodações de beneficiários e treinadores; e ao espaço de apoio logístico às formações.

A construção do CCC custou aproximadamente 1.040.000 dólares americanos, correspondentes a 65.520.000 meticais.

Para que as comunidades possam estar prontas para gerir de forma eficaz as ACC estabelecidas, devem passar por um processo rigoroso e sistemático de avaliação das suas necessidades para a gestão e de criação de capacidades internas em várias áreas com destaque para a gestão de recursos naturais, governação, identificação de oportunidades de negócios, gestão financeira e de negócios baseados na natureza, agricultura sustentável, turismo, para além de estabelecimento e gestão de parcerias com diversas entidades para o apoio nesta gestão.

Com CCC, não apenas foram inauguradas infra-estruturas, mas também um ciclo de união e esperança de Cheringoma.

“As nossas comunidades terão formações em gestão, comunitária, agricultura, gestão ambiental, coexistência, entre outras oportunidades com base em experiências trocadas entre o Parque Nacional da Gorongosa e comunidades”, disse a Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa (PGR), Aurora Malene.

A Presidente do PRG agradeceu pela colaboração do Governo na implementação destas iniciativas, PNUD, lideranças comunitárias, mulheres e jovens das comunidades.

O representante das comunidades Catemo, Nhabawa, Muanandimai, Chidanga e Maciambosa, Carlos Camisa, no distrito de Cheringoma, na leitura da respectiva mensagem, prometeu cuidar das infra-estruturas, reconhecendo a sua importância para o impacto local.

O CCC representa um “símbolo de esperança, união e compromisso com a conservação da nossa paisagem ao nosso valor. Este marco [de inauguração] é fruto de colaboração” entre os vários intervenientes.

A entrega do CCC na vila de Inhaminga foi marcada pela presença do governador de Sofala, Lourenço Bulha, além de autoridades locais, passando pelo escritório do Centro onde foram apresentadas as funções de gestão e os departamentos do PNG; paragem no Mapa do Centro ilustrando a organização espacial e o conceito de desenho que orientou todo o projecto; visita à banca de exposição de produtos desenvolvidos no ecossistema da Gorongosa, como café, mel, cajú e outros bens agro-florestais; visita ao Centro de Desenvolvimento das Mulheres – um espaço equipado para a produção artesanal com fibras naturais e outros materiais locais, promovendo geração de renda e valorização cultural; visita à sala de treinos, onde decorrem formações práticas e workshops; e plantio de uma árvore, representando o compromisso conjunto com a conservação do meio ambiente, destacando a parceria entre o Governo de Moçambique, Projecto de Restauração da Gorongosa e o Fundo Global para o Ambiente (GEF) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como financiador. (Muamine Benjamim).

 

Entender o passado para perspectivar o futuro de Moçambique: A FOZ DO RIO ROVUMA

Por acordo entre Portugal e o Império Alemão, que, na corrida à colonização de África, reclamou para si uma colónia a Norte do Rio Rovuma, ficou acordado que o rio, que corre de Oeste para Leste, seria a delimitação entre a África Oriental Alemã e a África Oriental Portuguesa.

O traçado da fronteira foi definido inicialmente pelos Tratados Anglo-Alemães de 1886 e 1890 (também conhecido como Tratado de Heligoland–Zanzibar), que estabeleceu as esferas de influência britânica, alemã e portuguesa na região.

Posteriormente:
– A região a oeste do Rio Rovuma foi demarcada por uma comissão fronteiriça luso-alemã em 1907 e confirmada em 1909;
– Uma troca de notas entre Portugal e o Reino Unido (que assumiu o controlo do Tanganica após a Primeira Guerra Mundial) entre maio de 1936 e dezembro de 1937, determinou a soberania das ilhas no Rio Rovuma e delimitou a fronteira fluvial em detalhe, com efeito a partir de 1 de fevereiro de 1938;
– A fronteira marítima foi estabelecida por um acordo bilateral assinado entre Moçambique e a Tanzânia a 28 de dezembro de 1988, que entrou em vigor a 29 de julho de 1993, após a troca dos instrumentos de ratificação.

Norte da Província de Cabo Delgado e o Rio Rovuma. Imagem da NASA, 2013.

O Triângulo de Quionga

Embora os Tratados de 1886 e 1890 tivessem estabelecido o Rio Rovuma como a fronteira, a Alemanha argumentou mais tarde que Portugal “afenal” não tinha direitos a norte do Cabo Delgado (o Cabo fica situado a 32 quilómetros a Sul da foz do Rovuma). Em 1894, forças navais alemãs ocuparam a pequena área entre a foz do Rio e o Cabo, que tinha cerca de 395 km² e uma população de 4 mil pessoas em 1910. Portugal protestou mas não deu em nada. Durante a Primeira Guerra Mundial, Portugal, que entrou no conflito pelo lado dos Aliados, reocupou o território em maio de 1916. O seu destino final foi decidido após a guerra. O Tratado de Versalhes de 1919 atribuiu formalmente o Triângulo de Quionga a Portugal. O território foi oficialmente anexado à colónia de Moçambique pela Lei n.º 962, de 2 de abril de 1920. Actualmente, esta área é considerada muito importante devido ao facto de se terem descoberto enormes reservas de gás natural no mar – precisamente em frente ao Triângulo. (The Delagoa Bay Review) A FOZ DO RIO ROVUMA | THE DELAGOA BAY REVIEW