Finalmente: Trabalhadores pagos após manifestação em Dondo

Mais de 50 trabalhadores sazonais da empresa Flitech Engenharia, no distrito de Dondo, em Sofala, receberam os seus ordenados, ontem quinta-feira, após uma manifestação.

Na última terça-feira, os trabalhadores criaram barricadas no recinto da empresa. Um suposto carro de um dos responsáveis da empresa apareceu nas Redes Sociais amarrada pelos pneus através de cordas (barricada), como forma de quem diz aqui você não sai sem pagar.

Um mês sem pagamento faz influência na vida do trabalhador.

Na maioria são trabalhadores admitidos no dia 17 de outubro por uma empresa terceirizada, com a promessa verbal para serem pagos nos dias 20 e 25 de novembro para as obras da fábrica de óleo Merú, em Dondo.

“Nos disseram que o pagamento seria entre os dias 20 e 25. Mas o chefe afirmou não ter nenhuma informação oficial sobre isso,” disse Ismael Novela, um dos trabalhadores.

Segundo o grupo, o acordo foi totalmente verbal e a empresa nunca formalizou contractos, nem forneceu os equipamentos de protecção prometidos após a primeira semana de trabalho.

Na ocasião, os trabalhadores relataram trabalhos em regime nocturno, das 20h às 5h, sem condições adequadas de segurança. “Trabalhámos de noite, sem equipamentos de protecção. Sacrificámos as nossas vidas para garantir o pão das nossas famílias”.

Na ocasião, o director da Flitech Engenharia, Júlias Timbul, que preferiu não gravar entrevista, confirmou apenas que a empresa ainda aguarda o processamento financeiro por parte da empresa-mãe, a Merú. “Estamos a tratar dos trâmites bancários e esperamos resolver a situação até quinta-feira,” afirmou. Dito feito, receberam.

Os pagamentos variam de 9 mil a 7 mil meticais para pedreiros e serventes respectivamente, num total de 51 trabalhadores. (Narcísio Cantanha).

Polícia de trânsito promove palestras sobre segurança rodoviária em Gorongosa

Agentes da Polícia Trânsito levam mensagens de segurança rodoviária, através de palestras, às escolas para, no distrito de Gorongosa, em Sofala, cujo objectivo é evitar acidentes de viação.

O inspector principal da polícia, na área da educação, Carimo Ricardo, disse que o objectivo da palestra é dotar os meninos de conhecimento sobre a segurança rodoviária para evitar acidentes.

Carimo Ricardo falou na recente palestra realizada na última quarta-feira, Escola de Nhambondo, mostrando para as crianças como se atravessa a estrada com segurança.

Os alunos agradeceram pela oportunidade que tiveram de aprender sobre a segurança rodoviária.

O aluno da 7ª classe, José Manuel João, da Escola de Nhambondo disse ter aprendido como atravessar a estrada, tomando cuidado na via pública.

“É necessário parar, e olhar o lado esquerdo depois o lado direito da estrada, e se tiver a certeza de que não está a vir um carro, motas ou bicicleta, pode atravessar”, explicou a aluna da 5ª classe da Escola de Nhambondo, Esteja Chico. (Ana Cleta Coimbra).

PENITENCIÁRIA: Corrupção que culminou com a fuga de prisioneiros leva à prisão de guardas da Penitência de Gorongosa

Foram condenados na passada quinta-feira (30.10) pelo Tribunal Judicial do distrito de Gorongosa, os guardas da Penitenciária local, Diogo José Miquitaio, Tendai José António e John Augusto Traquinho por corrupção. As penas variam entre seis e 18 meses de prisão, além de multas.

Tendai José António, de 33 anos foi condenado a pena de prisão efectiva de 18 meses e multa de seis meses comutada em taxa diária de 220 meticais pelo crime de corrupção passiva e cooperação com a esposa do prisioneiro, Diogo José Miquitaio de 41 anos e John Augusto Traquinho, de 26 anos, a pena de seis meses de prisão com direito a caução comutada em multa numa taxa diária de 220mt pelo crime de cooperação.

Tudo teria iniciado no dia 26 de maio de 2025, quando o chefe da permanência, Tendai José António, no exercício das suas funções, recebeu a senhora Celina Luís, tendo-lhe subornado com 100 meticais para ter acesso à visita do seu marido Baltazar Cipriano que na altura encontrava-se preso naquele estabelecimento.

Na altura dos factos, a direcção daquele estabelecimento penitenciário teria proibido visitas naquele período depois da fuga de cerca de 220 reclusos, ocorrida no dia 3 de fevereiro do ano em curso.

Já no interior do estabelecimento penitenciário, o prisioneiro Baltazar Cipriano teria orientado a sua esposa Celina Luís que nas próximas visitas colocasse pedaços de folhas de Serra dentro do pão para vir lhe entregar. Aconteceu, tal como instruiu.

No dia 31 de maio, Celina Luís subornou novamente o guarda Tendai José António (chefe da permanência do dia) com 150 meticais como forma de mais uma vez facilitar a entrada dela. Assim, John Augusto Traquinho no exercício das suas funções deixou a cidadã entrar sem que fosse revistada contrariando a sua obrigação.

No mesmo dia, o recluso Baltazar Cipriano e seus seis companheiros de cela usaram as folhas de Serra para cortar as grades e fugir por volta das 19 horas.

Os três agentes que no dia estavam escalados para exercer as suas funções, só se aperceberam da fuga 1 hora da madrugada do dia seguinte, coincidentemente, 1 de Junho de 2025, Dia Internacional Criança.

Um dos fugitivos foi capturado, este que partilhou a informação segundo a qual os reclusos não fugiram no dia 1 de junho como alegaram os guardas, mas sim no dia 31 de maio. Esta informação foi lida na sentença, quando os guardas achavam que estava tudo combinado sobre os detalhes na tentativa de provarem a inocência.

O Ministério Público concluiu que os guardas agiram de forma livre, deliberada e consciente, sabendo que a sua conduta é proibida por lei, chegando a condenar.

O chefe de permanência alegou que recebeu o dinheiro para melhorar a dieta alimentar dos guardas.

O juiz presidente do Tribunal Judicial de Gorongosa, Benedito Nhança é o mesmo que condenou em setembro último o edil de Gorongosa e o seu antigo vereador das Finanças por abuso de cargo ou funções. (Ana Cleta Coimbra).

Gorongosa apresenta impacto do Projecto PEACE nas comunidades de Cheringoma

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), juntou representantes do governo provincial, através do Instituto Nacional da Saúde (INS) delegação de Sofala e chefe do departamento de Saúde Pública, na Direcção provincial de Saúde, em Sofala, além do director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Cheringoma – distrito onde é implementado o Projecto PEACE, numa reunião de disseminação de resultados do Projecto implementado desde 2021.

No distrito de Cheringoma, o Projecto PEACE tem alterado a realidade de centenas de famílias. Graças a esta iniciativa apoiada pelo Governo do Canadá, jovens encontram acesso à escola, mulheres desenvolvem competências e poupanças, e mães recebem formação sobre nutrição e cuidados de saúde.

Também antigos combatentes e respectivos familiares encontram apoio nesta iniciativa, que procura reduzir a pobreza e consolidar a paz. Portanto, das salas de aula às explorações agrícolas, cada história representa um passo rumo a uma sociedade mais resiliente e inclusiva.

“É um projecto de paz, através de acção económica e empoderamento comunitário de mulheres e raparigas para garantir melhorias de educação, saúde e segurança alimentar e nutrição”, explicou o Director Associado da Saúde do Parque Nacional da Gorongosa, Pio Vitorino.

As intervenções do Projecto PEACE são “positivas”, avaliou o Director Associado da Saúde do PNG.

De 2021 a esta parte, em Cheringoma, o Projecto PEACE resume-se em “rapazes e raparigas com acesso a melhores serviços de saúde (1969) em 2021, (1970) em 2022, (1994) em 2023, (2018) em 2024 e (2042) em 2025; raparigas e mulheres jovens com acesso à saúde e saneamento (3630), (3674), (3718), (3763) e (3808); brigadas móveis (Catemo e Nhabaua) (4), (41), (150), (150) e (495); mães-modelo formadas anualmente (nutrição e Planeamento Familiar); (2), (13), (15), (15) e (15); Agentes Polivalentes da Saúde (APS) formados em questões-chave de saúde (Catemo regulado) (10), (10), (10), (10) e (10); crianças <5 alcançadas com intervenções nutricionais (428), (433) (438), (443) e (448)”, respectivamente.

Por exemplo, segundo o Director Associado da Saúde do Parque Nacional da Gorongosa, Pio Vitorino, as mulheres já adoptam o “planeamento familiar”, como resultado das intervenções do Projecto PEACE em Cheringoma em coordenação com outros parceiros locais como o Governo.

Cheringoma foi o distrito piloto para o Projecto PEACE. Nos próximos anos, pretende-se abranger os restantes cinco distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Muanza, Maringué e Dondo.

Contudo, a reunião provincial, de dois dias, a terminar hoje, sexta-feira, serviu também de oportunidade para colher ideias do Governo e encontrar alavancar maneiras de intervenções para impactar mais as comunidades. Para tal, houve partilha de experiências e trabalhos em grupos na identificação de outros projectos comunitários com objectivos semelhantes que os do PEACE com possibilidades de futuramente colaborarem, afinal, as comunidades são as mesmas.

Hoje, sexta-feira, haverá apresentação de casos de sucesso e desafios enfrentados por cada parceiro, levantamento de estratégias de implementação de actividades em sinergia e recomendações para melhoria dos planos de actividades. (Muamine Benjamim).

Nhamatanda: 7 mortos e 9 feridos por acidente de viação

Hoje de manhã, na zona de Haluma em Nhamatanda pela Estrada Nacional Número Seis (EN6), sete pessoas morreram e outras nove contraíram ferimentos num acidente envolvendo um camião basculante e minibus, Hiace.

A velocidade aliada a ultrapassagem irregular do camião basculante (Nhamatanda -Beira), arrastando-se com o Hiace, que vinha no sentido contrário (Beira-Nhamatanda), são apontadas como causas do acidente.

Saindo de Nhamatanda para Beira, o basculante tentou fazer ultrapassagem irregular. Raspou outro camião do lado oposto da EN6, que também era seguido pelo Hiace, atrás. O camião do sentido inverso carregado de pedra grossa de construção civil arrastou o Hiace para o seu lado oposto (no capim), causando sete óbitos no local.

O Hiace transportava 16 pessoas. Destes, sete morreram no local, nove deram entrada ao Banco de Socorros do Hospital Rural de Nhamatanda.

“Dos nove, quatro pessoas foram transferidas para o Hospital Central da Beira em estado estável e com fraturas, incluindo o cobrador”, explicou o director do Hospital Rural de Nhamatanda, Joaquim Botão.

Na lista dos mortos, está a bebe de 3 meses,

Uma recém-nascida, de 3 meses, e um casal de jovens que contraiu o matrimónio recentemente fazem parte dos sete mortos pelo acidente. (Muamine Benjamim).

GORONGOSA E PARCEIROS: Numa reflexão para futuras intervenções de impacto comunitário

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Right To Play e Resilience, como parceiros implementadores do SLDP discutiram estratégias de intervenção para o próximo ano, começando por apresentação de resultados baseados por uma consultoria e um balanço das actividades já executadas nas comunidades, em 2025.

Desde 2023, nas comunidades consideradas Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG são implementadas actividades integradas para o impacto local, através de Comités de Gestão de Recursos Naturais reflorestando áreas degradadas; agricultura – apoiando produtores com técnicas agrárias e insumos, incluindo co-financiamento; Saúde – apoiando as comunidades em boas práticas de alimentação na base de produtos produzidos localmente até processamento caseiro para garantir a segurança alimentar; Saúde Sexual e Reprodutiva – através de Clubes de Raparigas e Clubes de Jovens para desde criança sonharem, combatendo a problemática de uniões prematuras. Mas para a consultoria aponta que é preciso fazer mais para as comunidades.

Durante quatro dias (21 a 24 de outubro de 2025), os implementadores do SLDP, estiveram reunidos na cidade da Beira para uma partilha dos ganhos até ao momento e uma reflexão para as próximas intervenções, começando pela partilha de informações de um consultor independente sobre o Programa, seguindo-se de apresentações de cada interveniente.

As apresentações de cada interveniente espelharam as actividades de até final de 2025 e perspectivas de 2026 para impacto comunitário.

Na ocasião, o director de Programas do PNG, Simião Mahumane, chamou atenção para todos estarem focados de forma humilde na partilha de resultados alcançados, o mais democrático possível.

O director de Programa do PNG, Simião Mahumana, considera a Resilience e Right To Play como parceiros para trabalharem juntos na restauração do Parque e desenvolvimento humano das suas comunidades ao redor.

“Os elementos recomendados e toda dinâmica que deve acontecer como planificar e avançar, contamos muito com a vossa contínua assistência técnica de tudo quanto fazemos”, disse Simião Mahumana referindo-se à equipa.

Na conservação, por exemplo, os treinos e o alcance comunitário pelos facilitadores comunitários podem ser fortalecidos, incluindo o uso de biopesticidas e o uso de vasos ecológicos na produção de viveiros para não depender apenas dos plásticos reutilizáveis.

Portanto, a Gorongosa deve rever as estratégias (teoria da mudança) para torná-la ainda mais precisa para o impacto comunitário. Para tal, nos próximos dias, vão decorrer encontros de seguimento das recomendações tidas durante a reflexão do SLDP e do consultor.

A Right To Play enaltece o Programa. [O SLDP] é modelo que responde às necessidades das comunidades, em particular a província de Sofala, por exemplo ao responder pelas intervenções na área de nutrição, saúde sexual e reprodutiva com abordagens, por exemplo, baseadas em jogo, igualdade de género, água e saneamento.

Há um impacto significativo no desenvolvimento do lado da oferta da cadeia de valor por meio do aumento da produção e da produtividade.

As comunidades estão se tornando cada vez mais resilientes graças às iniciativas de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH), além da redução da desnutrição.

O SLDP incorpora os princípios de todas as questões transversais, incluindo empoderamento, participação, clima, género e juventude.

O balanço de actividades realizadas até ao momento indica que o SLDP continua altamente relevante para agricultores, mulheres e jovens nas comunidades dos respectivos seis distritos.

“Onde há falta de alinhamento, temos que puxar para alinhar. Agora temos que estar mais coesos, unidos e maior diálogo para dar continuidade em todos os níveis” como implementadores, disse a directora nacional da Right To Play, Daina Mutindi, sugerindo que nos próximos dias haja reuniões, primeiro, haja reuniões entre os dirigentes dos implementadores do SLDP (Gorongosa, Right To Play e Resilience) antes dos subsectores, para melhor coordenação.

A Resilience fala de satisfação resultante da partilha de ideias para soluções comunitárias como foco do SLDP.

Os parceiros devem reavaliar as necessidades de agricultores, mulheres e jovens para identificar novas actividades e eliminar as desnecessárias. As novas actividades podem incluir promover pesticidas inorgânicos adequados disponíveis localmente e combiná-los com técnicas acessíveis ou de baixo custo, incluindo pesticidas orgânicos.

Incorporar o controlo de pragas, como o besouro do gergelim, nos treinos e actividades de campo.

Biopesticidas produzidos localmente são uma opção, mas requerem pulverizações frequentes, afinal, a melhor opção é a pulverização com inseticidas sistémicos disponíveis nos mercados locais. Aliás, uma avaliação nas comunidades de Bebedo, o SLDP provou que pelo menos dois membros de cada grupo poupança conseguem pagar insumos para garantir a produção agrícola – esta pode ser uma “janela” interventiva de impacto a considerar, além do equipamento de agricultura e sementes entregues ciclicamente e técnicas agrárias de produção.

Na falta de transporte, por exemplo, é possível recorrer a trilheiras de três rodas para facilitar o transporte local e o acesso ao mercado.

O director nacional da Resilience, Cláudio Gundana pede o reforço de responsabilidades de cada interveniente implementador daquilo que devemos fazer. Com isso, “reiteramos o nosso compromisso, nunca vamos desistir dessa luta porque entendemos o quão conjunto é este processo e não individual, por isso, vamos continuar a trabalhar abertamente”.

Os implementadores do SLDP querem estudar mecanismos de incentivo aos voluntários do Programa disponíveis nos seis distritos, nomeadamente, Nhamatanda, SLDP e propor ao financiador.

Dos vários temas na mesa de reflexão, constaram o agroflorestamento; extensão, acesso ao mercado, cadeias de valor e ciclo curto irrigado; nutrição; e Clube de Professores. Após apresentações de cada sector, seguiu-se uma fase de partilha de experiências em grupo e projecções interventivas para o próximo ano.

Em cinco anos, (2022 -2027), o SLDP centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros (cerca de 1.280.000.000 de meticais). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 Produtores do Sector Familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH). (Muamine Benjamim).

 

 

 

Rio Zambeze: Mais um ataque de menor por crocodilo em Chemba

O distrito de Chemba, província de Sofala, voltou a ser palco de mais um trágico ataque de crocodilo nas águas do rio Zambeze. O corpo da criança foi recuperado horas depois, sem vida.

O incidente ocorreu na passada sexta-feira, numa ilhota chamada Utiritiri, quando o menor de 9 anos foi surpreendido por um crocodilo enquanto se encontrava próximo de um curso de água.

Relatos locais indicam que houve pronta intervenção de homens que estiveram no local. Procuraram pelo menino na água, mas recuperaram o corpo sem vida. Aliás, uns dizem que houve luta com o crocodilo, até largar o menor.

A situação gerou alarme entre a população e mereceu destaque durante a sessão do Diálogo Nacional Político Inclusivo realizada no sábado, na vila-sede de Chemba. Na ocasião, o administrador do distrito, Bento Conde Zeca, manifestou profunda preocupação com os ataques, apelando ao reforço das acções de prevenção, vigilância e educação comunitária, especialmente nas zonas ribeirinhas.

O Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), em coordenação com os órgãos de gestão da fauna bravia, foi mobilizado para averiguar o caso e delinear estratégias de mitigação, incluindo campanhas de sensibilização e possíveis medidas de controlo da população de crocodilos nas áreas de maior risco.

As autoridades reforçam o apelo à população para evitar o acesso às margens dos rios sem vigilância e continuar a reportar qualquer avistamento suspeito de animais perigosos, de modo a prevenir perdas humanas.

O outro ataque registado neste ano foi no dia 2 de junho, quando outro miúdo de 6 anos se encontrava a brincar com amiguinhos no areal. Ao lado, estava a mãe da vítima e sua amiga lavando roupas na margem das águas do rio Zambeze, na ilha de Madagáscar. De repente o crocodilo atacou, arrastando-o para as águas profundas. O corpo não foi achado.

Refira-se que em 2024, foram abatidos mais de dois crocodilos em menos de três semanas, supostamente problemáticos e supersticiosos, principalmente, na lagoa Ntunga. Depois dos vários ataques anteriores, um crocodilo chegou a levar botija de agua, confundindo ser pessoa, aumentando assim, as alegacões de superstição.

Através de anzóis, rede e carne de cão, os malawianos abateram os animais. Entretanto, o abate dos crocodilos levanta uma discussão. Uns pela falta de provas de se realmente se trata de animais problemáticos e supersticiosos e se matar seria a solução dos ataques recorrentemente reportados.

Na semana passada, Chemba recebeu uma equipa técnica do Censo Nacional de Elefantes e grandes mamíferos, no âmbito da iniciativa para o levantamento da fauna bravia, cujo objectivo é de compreender melhor a dinâmica destas populações dentro e fora das áreas de conservação, estrategicamente, ajudando na mitigação de futuros conflitos. (Rosário Phoinde).

Clube da Rapariga: Um refúgio e esperança de milhares das comunidades pela Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntou centenas raparigas acompanhadas de madrinhas e promotores representantes dos seis distritos nomeadamente Nhamatanda, Gorongosa, Cheringoma, Muanza, Dondo e Maringué, no Dia Internacional da Rapariga, 11 de Outubro, para partilharem ideias inspiradoras e decidirem de olho para olho “sou rapariga, sou mudança, tenho sonhos, sou importante, sou capaz e acredito”.

Na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, a lista de violações de direitos inclui uniões prematuras, gravidez indesejada de menores, violência doméstica, violência baseada no género e abuso sexual. Contra estes males que vitimizam as raparigas, o Parque viu-se obrigado a criar mecanismos de intervenção estratégica. Assim nasceu o Programa Clubes da Rapariga.

O Parque Nacional da Gorongosa continua a expandir as suas iniciativas, impactando raparigas da sua Zona de Desenvolvimento Sustentável. São 9 anos com o Clube de Raparigas iniciado em 2016.

Segundo a gestora do Clube de Rapariga, Joana Dinis, o Programa trabalha em estreita colaboração com as Escolas, Serviços Sociais e Polícia, capacitando Conselhos de Escola e Comités de Protecção da Criança, divulgando a Lei n.º 19/2019 – Prevenção e Combate às Uniões Prematuras em Moçambique, de 22 de Outubro de 2024, mecanismos de denúncia e apoio a vítimas e resgate da rapariga em risco.

O Clube da Rapariga não é simples lugar onde as meninas aprendem conteúdos de literacia, numeracia, mas também a diversificação de habilidades para a vida, aprendem a sonhar e a seguir sonhos, a se inspirar, a dizer não a união forçada e prematura. Afinal, serve de refúgio para quem pensa que o mundo é tão cruel sem saída.

O Clube da Rapariga, também inclui as meninas arrependidas por decisões anteriores decepcionantes, mas que agora servem de exemplos práticos para as outras a seguirem os sonhos.

Além das capacitações, o Parque tem apoiado na disponibilização de recursos para urgência de vítimas. Por exemplo, em 2024, o Programa Clube de Rapariga esteve envolvido directamente na denúncia e seguimento de 57 casos de risco de união prematura, violência doméstica e/ou sexual. Dois casos ocorreram o ano passado, um em Casa Banana e outro em Vunduzi, ambos casos de violação sexual contra raparigas menores.

As autoridades não têm recursos e meios para chegar muitas vezes a comunidades mais distantes, e em ambos os casos, de extrema urgência, o Parque comparticipou com o combustível para as viaturas chegarem e levarem os perpetuadores à justiça.

O Programa Clubes da Rapariga combina iniciativas de educação e conservação ambiental, para que as comunidades sejam actores de mudança localmente.

Inicialmente com um Clube, hoje, o Parque conta com 102 Clubes em 95 escolas, abrangendo os seis distritos da sua Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Segundo a gestora do Programa, “cada Clube da Rapariga conta com 50 membros, sendo 40 raparigas e dez rapazes”, portanto, mais de 5 mil crianças beneficiam dessas iniciativas.

Dos 102 Clubes disponíveis em diferentes comunidades, 45 são apoiados pela Carr Foundation, 45 pela Noruega, seis pelo Canadá e seis pela Alexander Gruner Foundation.

No Clube da Rapariga, “desde cedo, começamos a atribuir bolsas para o ensino secundário. Em 2025, temos 108 bolsas ativas, sendo 68 bolseiras no distrito de Gorongosa e 40 raparigas no distrito de Cheringoma”, disse Joana Dinis, incluindo meninos.

Os bolseiros resultam de critérios de vulnerabilidade e interesse de aprendizagem, enquanto frequentam o ensino primário.

Continuam os esforços da Gorongosa. Raramente as raparigas desperdiçam a oportunidade. Mas este ano, uma rapariga perdeu a bolsa depois de engravidar com 21 anos ainda na 11.ª Classe, em Gorongosa. Uma vez dada a bolsa, rapariga assina um documento de compromisso com a bolsa. Não pode falhar o ano escolar (reprovar ou chumbar) e não pode engravidar, senão perde o direito à bolsa. Desperdiçou porque sem aquele apoio, “muito provavelmente não estaria na escola [secundária] ”.

Das centenas de raparigas participantes das comemorações do Dia Internacional da Rapariga, 11 de Outubro, em Chitengo (Gorongosa), 15 são finalistas bolseiras. Então, o lugar delas será atribuído a outras necessitadas.

 

“Tenho sonhos, sou importante, capaz e acredito”

Elisa Chico Bonjesse tem histórico, desde que o Clube da Rapariga iniciou em 2016. Foi a primeira pessoa a ingressar na iniciativa quando estava no ensino primário. Hoje, é finalista da 12.ª Classe pela bolsa de estudos.

Muitas meninas que ingressaram no Clube da Rapariga na época da Luísa Chico, “abandonaram o ensino primário para se unirem prematuramente, assumindo o papel de mãe, esposas e noras, mas hoje estão arrependidas”, disse.

“Se tem objectivo deve dizer, sempre, eu consigo. Não duvidar naquilo que está na tua mente. Dar vontade aos pais” e a Gorongosa pelo apoio.

Hoje, Elisa Chico Bonjesse projecta-se para ser jornalista e inspirar outras.

Zelita Elísio Manuel ingressou ao Clube em 2018. Negou se unir prematuramente para estudar.

Quando fazia a 6.ª Classe teve histórico igual da Luísa sobre o Parque, mas continuou a confiar até ganhar a bolsa de estudos com a qual hoje faz a 12.ª Classe.

Rapariga, “não siga o que as pessoas dizem [de errado]. Continue com o teu sonho, não case cedo e continue a estudar”, aconselhou Zelita.

Hoje, Zelita Elísio Manuel projecta-se para ser professora da sua comunidade.

O Clube da Rapariga é apoiado pela Carr Foundation como o principal doador e financiador das iniciativas do PNG, pela Embaixada da Noruega em Moçambique, pela Embaixada do Canadá em Moçambique e pela Alexander Gruner Foundation. (Muamine Benjamim).

INGD Sofala prepara-se para época chuvosa 2025–2026

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) está a intensificar os exercícios de simulação, preparando-se para a época chuvosa. Sob o lema “Financiamento da resiliência, não dos desastres”, a iniciativa inseriu-se no âmbito das celebrações do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, assinalado a 13 de outubro.

Na ocasião, o delegado provincial do INGD em Sofala, Aristides Armando, avançou que as simulações visam testar os mecanismos de resposta e garantir que as comunidades saibam como agir em situações de emergência, reduzindo o impacto de cheias, ventos fortes e climas extremos.

“Estamos a treinar e a capacitar as comunidades para que saibam reagir de forma organizada e segura quando ocorrerem eventos adversos”, disse Armando.

O plano de contingência provincial já foi aprovado, encontrando-se em fase de implementação das actividades de resposta.

Sofala conta com 258 comités locais de gestão de riscos e desastres e 20 comités escolares, juntando cerca de cinco mil membros activos.

“Há uma probabilidade alta de risco para a cidade da Beira, razão pela qual a nossa maior atenção está concentrada neste ponto da província, embora o trabalho decorra em todos os distritos”, explicou o delegado.

Os exercícios de simulação também decorrem nos distritos de Gorongosa e Maringué, e a capacitar os comités distritais. “Na semana passada capacitámos técnicos de Cheringoma, e esta semana será a vez de Maringué, Machanga e Marromeu”, acrescentou.

Apoio às famílias afectadas

Nos últimos dias, um vendaval no distrito de Chemba provocou a destruição parcial de três casas e a queda de várias árvores, mas as famílias afectadas já receberam assistência e a situação foi normalizada.

O delegado revelou que mil famílias de Maringué serão beneficiadas de valores monetários de 3.500 meticais através do Programa PENURE, enquanto outras 1.500 famílias afectadas pelo Ciclone Jude em Cheringoma, Muanza e Marromeu já receberam produtos alimentares com apoio do Programa Mundial de Alimentação (PMA).

“O impacto do El Niño reduziu a precipitação e criou bolsas de fome, mas o sector agrícola está a recuperar. Continuamos a prestar assistência pontual às famílias em situação de vulnerabilidade”, sublinhou.

O plano de contingência provincial será submetido ao Conselho de Ministros e, após aprovação, contará com o apoio de parceiros internacionais, que manifestaram interesse em reforçar as acções de mitigação e resposta.

“Estamos confiantes de que as medidas em curso permitirão uma resposta eficiente e eficaz aos fenómenos previstos para a época chuvosa 2025–2026”, concluiu o delegado provincial do INGD em Sofala.

O INGD avança acções em vários distritos da província de Sofala, com destaque para Búzi, Nhamatanda, Dondo e Beira, onde as equipas técnicas estão a realizar exercícios de evacuação, primeiros socorros e comunicação em emergências decorrentes das chuvas dos meses de outubro 2025 a março 2026. (Narcísio Cantanha).

 

Seis detidos por furto em Búzi

Seis moçambicanos de entre 17 e 49 anos estão detidos no distrito de Búzi, província de Sofala, acusados de furto de bens.

A detenção ocorreu no dia 10 de outubro do ano em curso, no bairro da Companhia de Búzi, depois de uma investigação resultante de queixas apresentadas pelas vítimas de agosto a setembro.

Durante as detenções, igualmente foram apreendidos diversos bens, entre os quais três telemóveis, dois televisores plasma e dois aparelhos de som.

Alguns bens foram recuperados na cidade da Beira, capital de Sofala, tinham sido vendidos no bairro de Macurrungo.

“Eu comprei o telefone, mas não sabia que era roubado. Comprei com o Paulo, por isso é que estou aqui”, disse um dos detidos, negando o seu envolvimento neste tipo de crime.

O porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Sofala, Alfeu Sitoe, explicou que as diligências realizadas culminaram com a detenção dos seis indivíduos e a apreensão de vários electrodomésticos, entre os quais um aparelho de som, três telemóveis das marcas Samsung, Redmi e Infinix, bem como dois televisores plasma.

“Conseguimos recuperar dois computadores portáteis, das marcas HP e Acer, além de mais dois telemóveis — um da marca Redmi e outro Samsung”, totalizando cinco telemóveis recuperados.

As autoridades garantem que as investigações continuam para identificar e responsabilizar outros possíveis envolvidos na rede de furtos.

“Queremos apelar à população para reforçar as medidas de segurança nas suas residências, certificando-se de que portas e janelas estejam bem trancadas durante a noite”.

O SERNIC apela vigilância popular e denúncia de qualquer acto suspeito. (Narcísio Cantanha).