Cabo Delgado soma 11 mortos por populares depois de acusados de fazer “encolher órgãos genitais”

Subiu de cinco para 11 o número de mortos apenas na província de Cabo Delgado, nos diversos distritos, na sequência de uma onda de violência desencadeada por rumores que associam alegados casos de “encolhimento” de órgãos genitais masculinos a práticas de feitiçaria. Os episódios marcados por pânico colectivo e disseminação de desinformação, têm resultado em linchamentos, outras formas de violência grave e mortes.

Os episódios já estão a acontecer um pouco por todo país.

Em Cabo Delgado, os incidentes foram registados nos distritos de Ancuabe, Mecúfi, Metuge e Montepuez, Mocímboa da Praia e cidade de Pemba. Em todos os casos, as vítimas foram apontadas por membros das comunidades.

A contagem do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), aponta Ancuabe com o maior número de mortes, com quatro vítimas nas localidades de Nanjua, Ntele, Ngeue e Metoro.

Em Mecúfi, foi reportada uma morte na aldeia de Muinde. Enquanto Metuge soma três mortes a igual número de Montepuez, incluindo casos em Mapupulo e nas imediações da vila-sede.

Entre as vítimas mortais consta um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), Simões Mário, subinspector e chefe da Secção de Policiamento Comunitário da 3.ª Esquadra da cidade de Pemba.

Pairam informações segundo as quais, o agente foi acusado por populares de envolvimento no alegado fenómeno enquanto se encontrava numa zona rural, após uma avaria na sua motorizada. Foi cercado e agredido por um grupo de cidadãos, e novamente atacado após procurar refúgio num posto de controlo rodoviário. Apesar de ter sido transportado com vida ao Hospital Provincial de Pemba, acabou por não resistir aos ferimentos.

Os episódios são indicados de maneira informal. Na maioria dos casos envolve alegações segundo as quais, o encolhimento dos órgãos genitais resulta de um contacto físico por quem supostamente faz “desaparecer”.

O cenário cria desconfiança e medo entre as pessoas. Mas em todos os casos, ainda não foram confirmados pelas autoridades de saúde. Pelo contrário, o governador de Cabo Delgado, Valigy Tauabo, já desmentiu.

O CDD chama atenção: “a persistência destes episódios evidencia desafios significativos ao nível da segurança pública, da gestão da informação e da capacidade de resposta institucional em contextos de pânico social. Sem uma intervenção coordenada e eficaz, subsiste o risco de agravamento da violência e de novas violações de direitos fundamentais na província de Cabo Delgado”. (Muamine Benjamim).

 

“Uma casa protege, uma escola ensina, mas uma profissão liberta” – Dino Foi na entrega de Centro de Formação de Kura

Nhamatanda conta com mais um Centro Vocacional entregue pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, no âmbito da reconstrução pós-Ciclone Idai.

O presidente da Tzu Chi em Moçambique, Dino Foi tentou descrever o histórico das intervenções da Fundação de Caridade, especificamente em infra-estruturas. “Primeiro vieram as casas. Nunca vou esquecer a emoção de ver famílias a receber uma chave. Depois vieram as escolas”. Na última quinta-feira, “chegamos a uma nova etapa: inauguramos este Centro de Formação Vocacional”, disse.

“E pra mim, esta é talvez a etapa mais bonita de todas, porque uma casa protege, uma escola ensina, mas uma profissão liberta”, disse Dino Foi.

Orçado em 460 mil dólares (cerca de 34 milhões de meticais), o Centro de Formação Vocacional de Kura tem o objectivo de capacitar jovens em áreas orientadas para o auto-emprego, pelos cursos de curta duração como Cabeleireiro, Corte e Costura, Pastelaria, Agricultura, Informática, Mecânica Básica, Electricidade e Reparação de motorizadas, prevendo mil formados anualmente.

O distrito de Nhamatanda já soma três centros de formação vocacional, localizados na localidade de Metuchira, localidade de Lamego (zona de Ndeja) e no bairro municipal Kura, em bairros reassentado pela Tzu Chi Moçambique.

O Governador de Sofala, Lourenço Bulha foi quem inaugurou o Centro Vocacional de Kura, desafiando para a boa gestão das infra-estruturas e evidenciado o esforço conjunto de parceiros para a solução da população, especialmente, a juventude que representa a maioria em Moçambique. (Muamine Benjamim).

Gorongosa promove educação nutricional para comunidade de Nhanguo 

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, transmite conhecimentos sobre higiene, e técnicas de secagem e processamento de alimentos nas comunidades para conservar os produtos produzidos localmente, combater a desnutrição e a insegurança alimentar. A comunidade de Nhanguo, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda sem condições financeiras para conservar os alimentos frescos por muito tempo, já lhe foi ensinada técnicas simples e sem custos monetários.

As comunidades já sabem que as verduras, feijões, mandioca, batatas e outros alimentos podem ser processados. A forma de conservar ou processar vai depender do tipo de alimento. E a quantidade do produto é que vai ditar o tempo que o produto precisa de levar no seu processo de secagem e processamento, para não perder total propriedade nutricional.

A recente actividade decorreu na semana passada na comunidade de Nhanguo, envolvendo 23 participantes, sendo 16 mulheres e sete homens. A mandioca, Inhame e folha de feijão Nhemba, foram os produtos escolhidos para a demonstração.

Actividade foi moderada pelo promotor de Saúde e Nutrição do Parque Nacional da Gorongosa, Tambula Martinho.

Na ocasião, o promotor explicou passo a passo como conservar e processar os alimentos produzidos na comunidade, sem precisar de levar a uma indústria de processamento de alimentos e sem gastar dinheiro.

Exemplo da mandioca. “Descascamos, lavamos e cortamos em pedaços pequenos e deixamos ao sol. Já seco, podemos pilar para fazer farinha e conservar, como também podemos conservar sem pilar, depois guardamos no pote”, disse Tambula Martinho. O mesmo processo com inhame.

Duas semanas são suficientes para a mandioca secar prontamente num lugar limpo. Podendo moer com pilador para depois ceifar (caso da farinha), ou simplesmente guardar em pedaços secos (para ferver como tubérculo).

A mandioca seca cozida substitui o pão, além de que com a farinha pode se fazer xima.

O objectivo dessas capacitações é ensinar a comunidade a conservarem e processarem os alimentos produzidos por eles. Para garantir a sua dieta alimentar e nutrição.

E já na quarta-feira, a actividade sobre higiene decorreu na mesma comunidade, envolvendo 33 pessoas sendo 11 homens, quatro gestantes, 13 lactantes e cinco jovens.

A actividade tinha como objectivo ensinar a comunidade sobre a higienização dos alimentos e da água.

Na ocasião, Tambula Martinho transmitiu os conhecimentos sobre o processo de higienização da água e dos alimentos, explicando que os alimentos devem ser bem lavados, antes de serem cozidos. “A água deve ser tratada, com o líquido certeza ou cloro, manter limpo os recipientes onde a água é conservada, manter limpo o recinto onde água é buscada, se não tiver cloro ou certeza podemos ferver a nossa para evitar doenças transmitidas por águas contaminadas e alimentos contaminados”, disse.

Tambula apelou à comunidade para continuar a fazer réplicas do aprendizado aos que não participaram dos dois encontros. (Ana Cleta Coimbra).

Aqueduto danificado preocupa munícipes no acesso aos bairros Central e Zanibe em Dondo

Um aqueduto está danificado no posto administrativo de Nhamaiabwe, no distrito do Dondo, província de Sofala, condicionando a transitabilidade no local. Autarquia recorreu a alternativas para garantir mobilidade, enquanto procura por solução definitiva.

As últimas chuvas um pouco por toda a parte da província de Sofala, incluindo o distrito do Dondo, condicionam a transitabilidade de pessoas e bens. O exemplo recente está na via que dá acesso aos bairros Central e Zanibe (expansão), onde um aqueduto quebrou, e a areia é arrastada pelas águas, criando mais buracos. Afinal, as anilhas de betão não suportaram, chegando a quebrar há quase uma semana.

Esta situação continua a gerar preocupação entre autoridades e munícipes, sobretudo devido aos riscos para a circulação rodoviária.

Enquanto isso, o munícipe, Abel António, comerciante das proximidades do local onde o aqueduto está danificado, contou que o problema começou com a passagem de uma viatura ligeira, que abriu um buraco na estrada. “Depois veio uma camioneta carregada de areia, que agravou a situação. Com a chuva, o buraco aumentou, até que outro camião acabou por abrir completamente a cratera”, explicou.

Minutos depois, várias viaturas ficaram atoladas, obrigando à intervenção de populares para retirá-las. A situação torna-se ainda mais perigosa durante a noite, devido à falta de iluminação pública. “Numa quinta-feira, por volta das 23 horas, um carro ficou completamente enterrado”, acrescentou.

O moto-taxista, Buda Laurentino, considera urgente a intervenção das autoridades. “O Conselho Municipal deve agir rapidamente. Durante a noite, alguém pode morrer sem se aperceber do perigo, sobretudo para quem transporta passageiros”, alertou.

Em resposta ao estágio da via, na última sexta-feira, o Vereador de Construção e Urbanização do Conselho Municipal do Dondo, Faruk Gani, ainda não há provas concretas sobre as causas do incidente.

“A estrada é de terra planada e suporta viaturas até 5 toneladas. Acreditamos que a fraca fiscalização contribuiu para a degradação da via”, afirmou, mas suspeita-se que o dano tenha sido provocado por um operador, possivelmente privado, que usou no local uma viatura acima do peso permitido.

Já foi lançada a primeira pedra da obra de pavimentação de dois quilómetros de estrada, abrangendo também o local afectado. O material para a correcção do problema já está assegurado, e será removido o aqueduto danificado.

“Numa fase preliminar, será feita uma intervenção, visto que parte dos materiais para a execução das obras poderá ser canalizado através daquele acesso devido à instalação do estaleiro no posto administrativo de Nhamaiabwe”, afirmou o vereador de Construção urbana do Conselho Municipal do Dondo.

O Conselho Municipal apela à prudência dos automobilistas que circulam pela via, de modo a evitar acidentes que possam resultar em danos materiais e humanos.

A edilidade pede ainda a colaboração da comunidade na denúncia de eventuais casos de desvio de materiais ou sabotagem durante a execução das obras do bairro Nhamaiabwe, vulgo expansão. (Narcísio Cantanha).

TPD lança linha de transporte local com cinco novos autocarros em Dondo

A empresa dos Transportes públicos do Dondo anunciou na última sexta-feira que a cidade de Dondo passará a ter brevemente um transporte urbano unindo bairros. As cinco viaturas fazem parte do primeiro lote de 100 entregue recentemente em Nampula pelo Presidente da República, Daniel Chapo, de um total de 290 por entregar.

A introdução de novo transporte visa melhorar a mobilidade urbana no distrito do Dondo.

A nova rota passa a ligar os bairros de Macharote- Dondo Sede a Zenibe, com uma taxa de 15 meticais por passageiro, medida que promete facilitar a deslocação diária de estudantes, trabalhadores e comerciantes.

“Nós temos já decidido, carros que vão circular na cidade do Dondo. Vamos levar pessoas para Mandruzi e outros pontos”, garantiu o edil de Dondo, Manuel Chaparica, durante a apresentação dos carros.

Por exemplo, as senhoras que vão aos campos de produção agrícola e regressam com trochas na cabeça encontram uma solução no transporte público. “A nossa mamã poderá ir a machamba com facilidade”, disse o edil, mostrando que “estão aqui os carros, estamos a entregar a população e todos os bairros serão beneficiados e até temos iniciativas de introduzir [para a zona de] Savane”.

Dondo não apenas contará com moto-táxi, mas também com transporte público. Entretanto, as vias de acesso são os principais elementos para a mobilidade. Com isso, o edil reconhece que primeiro deve-se avaliar as condições da estrada, “logo que estiverem melhor, um autocarro poderá circular no troço Dondo-Savane.

Na ligação interurbana entre Beira e Dondo, a empresa reforçou a sua frota com mais quatro autocarros, passando a contar agora com um total de oito viaturas em circulação.

A empresa TPD e o Conselho Municipal do Dondo consideram esta iniciativa um passo importante para melhorar o sistema de transporte público local e garantir mais conforto e segurança aos utentes.

“Para nós, não há entrave aumento de combustível, porque sabemos que o governo vai subsidiar e a tarifa vai manter a”, revelou o director-executivo da empresa Transporte Público do Dondo (TPD), Félix Domadoma.

Segundo Domadoma, a estimativa aponta para mais 13 mil passageiros a serem transportados diariamente, respondendo à demanda.

“Serviam, mas para pessoas que saiam da Beira-Dondo vice-versa, dentro da autarquia não tinha nenhum autocarro que circulasse, e a população se via a transportar-se por meio de moto-táxi, o que não era seguro. “Trouxemos segurança, comodidade e mais barato”, disse director executivo dos Transportes públicos do Dondo

A empresa TPD, com esta nova realidade, é desafiada a prestar cada vez mais os serviços com excelência. Sobre novas contratações, Domadoma explicou que, por enquanto, não há previsão de abertura de novo concurso. Afinal, “lançamos um concurso [em 2025 para motoristas e cobradores], tem muitos concorrentes suplentes, vamos, chamando gradualmente até que se esgote”. (Narcísio Cantanha).

Nova investigação revela a cadeia de carvão tóxico da arcelormittal, de moatize a Dunquerque

Uma investigação publicada pela Disclose e pela Socialter revela os custos humanos e ambientais da dependência da ArcelorMittal no carvão extraído em Moatize, na província de Tete, no centro de Moçambique. Este carvão é posteriormente transportado para a fábrica da ArcelorMittal em Dunquerque, a fábrica mais poluente da França, apesar de ter recebido milhões de euros de fundos públicos, destinados especificamente à produção de “aço verde”.

Ar saturado de partículas tóxicas, casas danificadas, terras agrícolas contaminadas, água poluída e meios de subsistência destruídos: os habitantes de Moatize estão a pagar com a sua saúde e o seu futuro pelo aço produzido a milhares de quilómetros de distância — enquanto a empresa transnacional obtém lucros na ordem dos milhares de milhões.

A monitoria da qualidade do ar realizada pela Justiça Ambiental JA! entre setembro e outubro de 2024 registou concentrações de partículas finas de até 340 μg/m³ em Moatize, o que corresponde a sete vezes o limite recomendado pela OMS. Os níveis de zinco eram quase 20 vezes superiores aos limites de segurança na vizinha África do Sul. O vanádio e o manganês, ambos conhecidos carcinogéneos, excederam os limites de segurança em 12 e 7 vezes, respectivamente. Conforme tem sido repetidamente denunciado pelos moradores locais, pelas comunidades afectadas e por organizações da sociedade civil como a JA!, as famílias de Moatize estão a sufocar debaixo da poeira de carvão.

A contaminação vai muito além do ar. Cientistas detectaram concentrações perigosas de metais, incluindo cobre e selénio, nas fontes de água nos arredores de Moatize. As terras agrícolas estão cobertas de poeira de carvão. As explosões na mina racham as paredes das casas na vizinhança. Em Janeiro de 2026, um projéctil de rocha incandescente atravessou a casa de uma família enquanto a mãe e a filha se encontravam lá dentro.

Como sempre, as mulheres e as crianças pagam o preço mais alto. Isabel Graça Correia, de 43 anos, é uma das muitas pessoas que sofrem de tuberculose — uma doença fortemente associada à exposição à poeira de carvão. Foi obrigada a interromper uma gravidez e, desde então, não consegue engravidar.

ArcelorMittal: lucros, dinheiro público, e a arquitectura da impunidade corporativa

O carvão extraído pela Vulcan Minerals, uma subsidiária do conglomerado indiano Jindal Steel e fornecedora directa da ArcelorMittal, é transportado do porto de Nacala, em Moçambique, para a fábrica da ArcelorMittal em Dunquerque, na França. A ArcelorMittal é o segundo maior produtor mundial de aço, com sede em Luxemburgo e controlada pela família bilionária Mittal, com operações em mais de 60 países — e a sua fábrica de Dunquerque é a fábrica mais poluente de França, produzindo 12 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

De acordo com a investigação publicada na última quarta-feira, da Disclose, esta mesma empresa recebeu, desde 2021, pelo menos 244 milhões de euros de fundos públicos franceses, tendo-se comprometido a reduzir a sua pegada ambiental através da produção de “aço verde”, mas acabou por recuar nos seus planos de transição ecológica. Os dois fornos eléctricos prometidos para 2027 passaram a ser apenas um, cuja conclusão está agora adiada para 2029.

Quando confrontada com as conclusões desta investigação, a ArcelorMittal alegou que “não tinha sido identificado qualquer risco significativo, qualquer sinal de alerta nem qualquer observação desfavorável” na avaliação da sua cadeia de abastecimento. Isto é um insulto a todas as pessoas que vivem em Moatize.

Nos termos da lei francesa sobre o dever de vigilância, a ArcelorMittal está legalmente obrigada a prevenir danos graves para a saúde humana e para o ambiente, tanto nas suas próprias actividades como nas das entidades da sua cadeia de abastecimento. As evidências de poluição tanto em Moatize como em Dunquerque apontam para o incumprimento dessas obrigações legais, ao mesmo tempo que a empresa regista enormes lucros financeiros. Os lucros do ano passado ascenderam a 3,15 mil milhões de dólares.

“Esta investigação confirma o que as comunidades de Moatize vêm denunciando há anos. A cadeia de abastecimento de carvão da ArcelorMittal é um caso clássico de extractivismo colonial: uma comunidade marginalizada num dos países mais pobres do mundo arca com a carga tóxica da extracção, enquanto uma empresa transnacional com sede na Europa recolhe os lucros — apoiada por centenas de milhões em subsídios públicos europeus. Não é um acidente, é uma arquitectura, e a empresa responsável chama-lhe “sem risco”. A JA! trabalha lado a lado com estas comunidades e continuará a apoiar a sua luta até que haja justiça.” – Erika Mendes, Justiça Ambiental JA!

“Esta cadeia de abastecimento de carvão tóxico, desde Moatize, em Moçambique, até Dunquerque, em França, não é um caso isolado que falhou. É o resultado intencional de um modelo económico global que extrai riqueza das comunidades do Sul Global para alimentar a produção industrial no Norte Global, protegido por lacunas legais, pela fraca aplicação das leis existentes e pelo apoio activo de governos e instituições financeiras. É inaceitável ver os mesmos padrões a repetirem-se ao longo de décadas, com as comunidades a pagarem o preço enquanto as empresas transnacionais obtêm lucros e até beneficiam de dinheiro público que seria urgentemente necessário para uma transição energética verdadeira e justa.”– Juliette Renaud, Amigos da Terra França

A Justiça Ambiental e a Amigos da Terra França apelam ao governo Francês para que condicione todos os subsídios públicos ao respeito comprovável dos direitos humanos e do ambiente em toda a cadeia de abastecimento;

Ao governo moçambicano para que suspenda imediatamente as operações de extracção de carvão em Moatize até que seja realizada e divulgada uma avaliação independente, com a participação da comunidade, dos custos totais para as pessoas, o ambiente e a saúde; implemente medidas urgentes para monitorar, controlar e reduzir os níveis de poluição; responda imediatamente com medidas de saúde pública destinadas às comunidades afectadas e garanta que estas tenham acesso à justiça, a medidas correctivas e a reparações;

A todos os governos para que apoiem activamente e participem nas negociações em curso para um tratado vinculativo da ONU, forte e eficaz, sobre empresas transnacionais e direitos humanos, que deve estabelecer obrigações executórias e garantir um acesso efectivo à justiça e a reparações para comunidades afectadas, como as de Moatize. (Profundus).

 

Capulanas, brigas, amor e fim de relações amorosas por 7 de Abril

O Dia da Mulher Moçambicana, 7 de Abril, é celebrado em todo o País com cores vibrantes de capulanas, um dos símbolos mais importantes de Moçambique. Este tecido, além de representar identidade, tradição e orgulho, ao mesmo tempo, amor, tornou-se um ícone que une gerações de mulheres, ignorando a idade ou posição social, ou mesmo motivando “guerra” nas relações amorosas.

Actualmente, em Moçambique, a capulana é usada por mulheres de todas as faixas etárias como modelo que representa força, beleza e a diversidade feminina.

No entanto, em algumas relações amorosas, o tecido que deveria ser motivo de celebração e união em homenagem à heroína Josina Machel tem-se transformado em motivo de conflito, o qual a moda pegou.

Discursando em homenagem do dia das mulheres no distrito do Dondo, a representante da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) há relatos de mulheres no País que agridem seus parceiros devido à falta de dinheiro para comprar a capulana, ou seja, à impossibilidade de adquirir modelos ou tecidos mais desejados. Mesmo quando os parceiros conseguem adquirir as capulanas, não é raro que surjam insatisfações.

Em alguns casos, as mulheres exigem sempre um modelo novo ou um tecido mais “afinado”, mesmo que já exista uma mala cheia de capulanas que, são possivelmente usadas apenas uma vez por ano.

“Não considero problema, não ter capulana as mulheres porque nas lojas tem de 50, 70, 90 meticais e não deve agredir seu parceiro em nenhum momento e nem por outra acção que o homem possa fazer não podemos agredir os homens muito menos ao próximo” apelou Nelinha Manteiga.

Segundo Manteiga, esse comportamento, algumas vezes está aliado a “pressões sociais” ou as expectativas de celebrações festivas, o famoso status nas Redes Sociais.

“A capulana não pode ser problema para uma mulher. A mulher de hoje deve ser diferente da mulher de ontem” pela visão”, aconselhou. A título de exemplo, enquanto algumas mulheres trabalham em busca de espaço cada vez mais activo na economia e liderança, outras ainda com os poucos recursos ao seu dispor criam negócios, participam em grupos de associações e integram sistemas de poupança rotativa, conhecidos como ‘xitique’. Mas existe aquela que defende que a capulana que vem do marido carrega símbolo indescritível.

Essa capacidade de adaptação e resiliência é apontada como um dos principais factores que contribuem para a estabilidade familiar. Ainda assim, algumas mulheres reconhecem que persistem desafios, sobretudo relacionados com expectativas sociais e pressões culturais ligadas a datas festivas, onde a capulana assume destaque.

Entre um conselho e argumentos, homem, pode ser pobre, mas faça alguma coisa para o Dia 7 de Abril ou pelo menos seja diferente. (Narcísio Cantanha).

 

A máscara da hipocrisia

“A vida hodierna se tornou uma heresia à essência humana, um desvio da trajectória original que nos foi dada por Deus. A palavra de Deus, que antes era a bússola que guiava nossas acções, agora é substituída pelo ruído ensurdecedor da fofoca e da crítica. O amor, que era o fundamento da nossa existência, se tornou um campo de batalha onde a traição e a desconfiança reinam.

O respeito pelo próximo, que era a base da nossa convivência, se transformou em uma competição feroz onde o desdém e a indiferença são os principais competidores. A paternidade, que era um chamado sagrado para educar e guiar, se tornou numa assistência superficial para os pais, que buscam apenas satisfazer as necessidades básicas de seus filhos.

No local de trabalho, a busca pela excelência e pelo serviço ao próximo se transformou em um centro de conversas maliciosas e críticas destrutivas. Em vez de aconselhamento e apoio, as pessoas se atiram pedras, buscando destruir a reputação e a felicidade dos outros.

Essa é a heresia da nossa época, um desvio da verdade e da essência humana. Mas é também um chamado à reflexão, à conversão e ao retorno aos valores fundamentais da nossa fé. É um convite a redescobrir o amor, o respeito e a compaixão, e a viver de acordo com a vontade de Deus”. (Rosário Phoinde).

“Não aos conflitos conjugais”, dizem mulheres em Chemba

As mulheres em Chemba, na província de Sofala, apresentaram uma mensagem clara no âmbito das Celebrações do 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana: não querem combater os homens, mas juntos desafiarem para o desenvolvimento do distrito e do país.

“Não podemos combater os homens, os nossos maridos e nem dirigentes, mas sim combater os males que retardem para o desenvolvimento do Chemba”, disse.

A representante das mulheres, Ancha Abdul Jai, falou sob a frondosa árvore Ntondo, na margem do Rio Zambeze, e destacou que as mulheres de Chemba estão comprometidas em trabalhar para o desenvolvimento, mas precisam de apoio do governo.

As mulheres pedem soluções para problemas como a falta de um hospital de referência, abastecimento de água potável, manutenção das estradas que ligam Chemba- Tambara província de Manica, Chemba – Marínguè e Chemba – Caia, e oportunidades de emprego.

O problema de água é o mais visível dentro e fora de Chemba pelas mortes resultantes de ataques de crocodilos. Para as mulheres rurais, é um perigo diário. Lembre-se que há 2 anos, uma mulher membro da OMM foi morreu depois de um ataque, quando tentava tirar água do Rio Zambeze, arredores da Sede distrital. (Rosário Phoinde).

Jornalistas: “Continuem a fiscalizar, a investigar e a narrar”, incentiva administrador de Nhamatanda

Comemora-se hoje, 11 de Abril de 2025, o dia do jornalista moçambicano, data que coincide com o 48.º aniversário do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), criado em 1978 como Organização Nacional de Jornalistas (ONJ). Em reconhecimento, o Governo de Nhamatanda, através do administrador, Manuel Teixeira, encorajou a todo jornalista no distrito que, com dedicação e coragem, exerce o nobre ofício de informar.

Em mensagem a que o “Profundus” teve acesso, Manuel Teixeira, reconheceu que “Nhamatanda é um distrito de gente trabalhadora, de campos férteis, mas também de desafios profundos. Das cheias cíclicas [do rio] Púnguè à resiliência das nossas comunidades, passando pelas exigências do desenvolvimento rural, vocês, jornalistas, têm sido os olhos e os ouvidos da verdade. Levam ao país as nossas vitórias, denunciam as nossas fragilidades e, acima de tudo, dão voz a quem tantas vezes não é ouvido”.

Teixeira continua para os jornalistas: “O vosso trabalho vai além da notícia. Ele fortalece a democracia, exige transparência do governo e aproxima o cidadão das decisões públicas. Reconhecemos que, muitas vezes, actuam com meios escassos, arriscam a segurança pessoal e enfrentam pressões de toda ordem. [Mesmo assim], continuam fiéis ao compromisso ético com o rigor e a independência”.

O Governo do Distrito de Nhamatanda reafirma, perante a sociedade, o seu compromisso de respeitar e proteger a liberdade de imprensa, de garantir o acesso às fontes oficiais e de acolher as críticas construtivas como instrumento indispensável para melhor servirmos o nosso povo.

Nesta data, o administrador de Nhamatanda apelou aos jornalistas para continuarem “a fiscalizar, a investigar e a narrar o que se passa nas comunidades, porque um jornalista livre é sinónimo de um governo atento e de uma sociedade vigilante”.

Ao SNJ, “rendemos homenagem pela sua luta incessante na defesa da classe, da ética e da dignidade profissional. Contem sempre com a nossa porta aberta e com a nossa disposição para dialogar e construir, juntos, um jornalismo cada vez mais comprometido com o desenvolvimento local”, disse o chefe do executivo de Nhamatanda, desafiando a imprensa para que “o espírito de 11 de Abril inspire cada profissional a continuar, com paixão e integridade, a missão de informar, educar e transformar”.

Por fim, Teixeira congratulou “a todos os jornalistas moçambicanos, em especial aos que, a partir de Nhamatanda, ajudam a escrever a história do nosso país”.

Nos últimos dois anos, as celebrações nacionais do 11 de Abril decorreram nas cidades de Tete e de Inhambane. Este ano, as cerimónias centrais decorreram na cidade de Nampula, sob o lema “SNJ: 48 anos pela Ética, Liberdade de Imprensa e Justiça Laboral”. (Muamine Benjamim).

 

Jornal Profundus

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