Nhamatanda: Lançada a Associação Mãos Unidas para impactar vidas

Já foi lançada a Associação Mãos Unidas (AMU) como nascimento de uma nova etapa de compromisso com as comunidades moçambicanas. Esta agremiação gerida totalmente por moçambicanos entra no lugar da Organização Não-Governamental, Dorcas Moçambique que impactou vidas no país, em particular no distrito de Nhamatanda, com mais de 20 anos.

Na ocasião, a Directora Dorcas International, Agnes Kroese, destacou que a “formação da AMU é o cumprimento de uma promessa: transferir poder, liderança e visão para mãos locais.”

Agnes Kroese está confiante na gestão dos jovens moçambicanos da AMU para a implementação da Associação, usando os conhecimentos práticos adquiridos durante anos na Dorcas. “Não é abandono [da Dorcas Moçambique], mas uma forma de dar um passo para trás e deixar que os moçambicanos também façam [acontecer pela AMU], reiterou.”

Antes de Nhamatanda, a AMU foi igualmente lançada no distrito de Chimoio, na vizinha província de Manica.

Com o lançamento da Associação Mãos Unidas, “celebramos não apenas a inauguração de uma organização, mas o nascimento de uma nova etapa no nosso compromisso com as comunidades moçambicanas”, disse o Director Executivo da AMU, Florêncio Marerua.

De forma prática, no âmbito das construções, a Dorcas Moçambique já fez intervenções com construções resilientes em Sussundenga, Gondola e Nhamatanda, além de reflorestar áreas degradadas e trazer alternativas no sector agricultura com as comunidades, portanto, a AMU vai dar continuidade.

Florêncio Marerua acredita no conhecimento das comunidades, portanto, quer levar a AMU para juntos implementarem iniciativas focadas no reforço da resiliência comunitária, garantia de água segura e saneamento, apoio de meios de vida sustentáveis, influência nas políticas públicas e contextualizando as intervenções.

O lançamento oficial da Associação Mãos Unidas contou com as autoridades locais, provinciais, parceiros estratégicos e as respectivas comunidades impactadas em Nhamatanda, deixando testemunhos de como a Dorcas Moçambique mudou os beneficiários pela implementação das suas iniciativas locais.

André Chachau é criador de galinhas e produtor agrícola impactado pelas iniciativas da Dorcas Moçambique. “Mudou a minha vida porque comecei a comprar galinha, três meses depois já tinha ovos para ter lucro. Comecei a vender os ovos até chegar a formar a minha filha” [num curso técnico-profissional].

Neste momento, André Chachau está a preparar-se “com o material de construção para construir uma casa melhorada” através dos ganhos da produção de galinhas, contando com o aprendizado e acompanhamento agora da Associação Mãos Unidas.

André Chachau é um dos exemplos de impacto da Dorcas Moçambique, que pede a continuidade do sucesso com a Associação Mãos Unidas.

Além de Manica, a Associação Mãos Unidas também impacta vidas em Sofala, especificamente, nos distritos de Caia, Nhamatanda, Maringué e Chemba, com a liderança e necessidades locais para soluções personalizadas. (Muamine Benjamim).

APRENDIZAGEM BASEADA EM JOGOS: Um caso prático de Muanza pela Gorongosa e RTP

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) e o seu parceiro Right To Play (RTP), envolvendo o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT), encontraram uma nova forma de educar as comunidades baseando-se em jogos, através do envolvimento comunitário – é um método que está a ser louvado por professores experientes no ensino tradicional. A recente intervenção decorreu no distrito de Muanza, juntando 448 crianças, além de professores e promotores de Clubes de Raparigas, durante as comemorações do Dia Internacional de Brincar, 11 de Junho, numa competição focada ao combate das diarreias com um tratamento caseiro como primeiros socorros.

O distrito de Muanza faz parte da Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, onde igualmente são implementadas actividades integradas do Parque, através do respectivo Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência para as Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável”, em inglês Sustanaible Livelihoods Development Program (SLDP).

Na Zona de Desenvolvimento Sustentável da Gorongosa, ainda existem mitos ao se abordar conteúdos relacionados à vida da mulher, combate a doenças e intervenções que por vezes criam exclusão ou desigualdade na comunidade. Portanto, a Aprendizagem Baseada em Jogos entra como oportunidade de inclusão e igualdade de maneira entretida (nas brincadeiras) no qual todos abordam sem receios os variados temas sensíveis.

O Parque Nacional da Gorongosa e o seu parceiro Right To Play (RTP) promoveram palestras sobre o saneamento do meio ambiente para a erradicação de doenças como diarreia, cólera e malária, as que mais afectam o distrito de Muanza.

Nas comunidades, por exemplo, as crianças ainda têm o receio de recorrer aos hospitais por estigma, tradições e crenças ou mesmo por falta de conhecimento, por isso, então, a Aprendizagem Baseada em Jogos (ABJ) ganha espaço. É possível educar enquanto se joga – o caso prático de Muanza.

 

Competição entre escolas contra as diarreias

O supervisor de Water Sanitation and Hygiene (WASH), Francisco Bene, fala de benefícios. Brincar promove a resiliência, a criatividade e a inovação nos indivíduos. Para as crianças, em particular, brincar ajuda a construir relações e melhora o controlo, a superação e resolução de problemas.

A ABJ não apenas proporciona um envolvimento significativo e motivador para os alunos, mas também permite o desenvolvimento de habilidades essenciais como pensamento crítico, colaboração e resolução de problemas.

A ABJ abre um leque de possibilidades para uma aprendizagem mais rica e diversificada. Isso inclui a oportunidade de personalizar as estratégias de ensino para atender às diferentes necessidades e estilos de aprendizagem dos alunos, especialmente em ambientes inclusivos. Os jogos oferecem um espaço onde os alunos podem experimentar, fazer escolhas e reconhecer as suas conquistas, elementos fundamentais para o fortalecimento da auto-estima e da autoconfiança.

Em Muanza, além de palestras, a Aprendizagem Baseada em Jogos envolveu uma competição entre as crianças da Escola Primária Muanza-Sede e Escola Primária 13 de Janeiro, contra o combate às diarreias com uma mistura caseira (água, sal e um pouco de açúcar) como primeiros socorros.

O jogo consistia em interpretar a reacção da mistura caseira contra a diarreia, envolvendo garrafas dentro de um quadradinho de dois lados iguais.

As garrafas representavam as diarreias e as bolas representavam a mistura caseira. Entre os competidores, quem acertasse e fizesse cair a garrafa pelas bolas dentro dos quadradinhos, significava uma reacção efectiva da mistura caseira contra as diarreias, usando os primeiros socorros.

Entre as duas escolas, a primeira a fazer cair todas as garrafas venceu – foi assim que a Escola Primária Muanza-Sede ganhou um troféu, um caderno para cada aluno e uma medalha (de ouro) personalizada com design da Gorongosa para cada aluno. E para motivar os alunos da Escola Primária 13 de Janeiro, igualmente foram premiados com a diferença de medalha de bronze. Este jogo simboliza que o vencedor conseguiu fazer uma mistura eficaz para os primeiros socorros contra as diarreias enquanto recorre a uma unidade sanitária. Portanto, as crianças estão envolvidas de forma prática contra as diarreias – uma preocupação de Muanza.

Para o gestor da Right to Play, Resende Thomo, “as nossas actividades são feitas na base de brincadeiras, mas são brincadeiras lúdicas, brincadeiras que ensinam às crianças, têm uma reflexão no fim. São diferentes das outras, de outros tipos de brincadeiras, onde as crianças só correm, tiram o calor e tudo mais. Mas as nossas brincadeiras no fim têm um ensinamento, têm uma conexão com a vida”.

Em Muanza, a gestão correta do lixo mantem limpo o ambiente. A Aprendizagem Baseada em Jogos ajudou as crianças a desenvolverem as competências cognitivas, físicas, criativas, sociais e emocionais na Conservação do Ambiente, mantendo limpo tudo que os rodeia, desde pequeno. E assim criar uma cultura de higiene de geração para geração.

Os alunos evidenciam o impacto da Aprendizagem Baseada em Jogos. Por exemplo, Jeremias Filipe, da EP de Muanza-Sede, disse que aprendeu que “quando é algo importante é preciso fazer esforço para vencer”, o que o levou a ganhar a competição.

Além disso, a aplicação de diferentes abordagens de avaliação, como a avaliação formativa, dentro do contexto da ABJ, constitui uma alternativa eficaz para monitorar e fomentar o desenvolvimento dos alunos de maneira holística. Isso permite que os educadores identifiquem os pontos fortes e as áreas que precisam de suporte, promovendo um feedback contínuo e construtivo. Ao valorizar o progresso individual e colectivo, a ABJ contribui para a construção de um ambiente de aprendizagem mais justo e acolhedor.

A implementação da ABJ em ambientes inclusivos requer a selecção de jogos acessíveis e formação de professores. (João Cipriano).

PR defende criação de nova arquitectura financeira internacional

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta segunda-feira, em Sevilha, Espanha, a criação de uma nova arquitectura financeira internacional mais inclusiva, sustentável e equitativa, colocando o financiamento climático, a industrialização inclusiva e a capacitação estratégica no centro das prioridades mundiais.

O Chefe de Estado moçambicano falava durante a primeira Reunião Plenária da IV Conferência Internacional das Nações Unidas sobre o Financiamento ao Desenvolvimento (FFD4), que decorre até 3 de Julho, e saudou a aprovação do Compromisso de Sevilha, nova estratégia global de financiamento ao desenvolvimento.

O estadista destacou que, apesar de Moçambique ter registado crescimento económico assinalável nas últimas duas décadas, choques internos e externos têm contribuído para a desaceleração da economia.

“O terrorismo no norte do país, especialmente em alguns distritos da província de Cabo Delgado, e eventos climáticos extremos, como cheias, inundações e ciclones, têm provocado instabilidades sociais”, disse.

Nesse contexto, o estadista moçambicano apresentou a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, ancorada em cinco pilares interligados: boa governação, infra-estruturas estratégicas, industrialização, capital humano e sustentabilidade ambiental.

“Temos reforçado o nosso compromisso com reformas estruturantes e com uma visão clara de transformação económica”, afirmou Chapo citado no comunicado da Presidência.

Daniel Chapo defendeu, igualmente, uma maior inclusão no acesso ao financiamento e a adopção de instrumentos inovadores como o financiamento misto.

Sublinhou ainda a urgência de fortalecer Bancos Nacionais de Desenvolvimento como plataformas catalisadoras do investimento, particularmente na industrialização, Pequenas e Médias Empresas e agricultura.

O Chefe de Estado referiu que, no plano interno, Moçambique está a priorizar a expansão da base tributária, a modernização fiscal —incluindo a tributação digital — e a implementação de uma Estratégia Nacional de Financiamento Climático, com a meta de tornar o país num exemplo regional em finanças verdes até 2035.

Chapo apresentou cinco propostas estratégicas que Moçambique leva à conferência: uma nova Parceria Global para Financiamento Climático Baseado em Resultados; a criação de bancos de desenvolvimento voltados à industrialização rural; uma plataforma continental de inclusão financeira digital; mecanismos multilaterais para gestão sustentável da dívida; e um compacto global para formação de capital humano.

“Estamos confiantes de que, com a colaboração da comunidade internacional e de boas práticas, podemos construir um futuro mais justo, resiliente e sustentável para todos”, declarou.

Daniel Chapo apelou à construção de uma nova arquitectura financeira internacional que veja os desafios africanos não como limitações, mas como oportunidades de transformação partilhada a nível global.

A IV Conferência Internacional sobre o Financiamento ao Desenvolvimento, que decorre sob a égide das Nações Unidas, visa renovar os compromissos globais em torno da mobilização de recursos.

CONTRA POLUIÇÃO PLÁSTICA: Gorongosa instrui alunos a produzirem vasos ecológicos

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do departamento de Relações Comunitárias, em parceria com as escolas da Zona de Desenvolvimento Sustentável situadas no distrito do Dondo, treina membros dos Clubes ambientais na produção de vasos ecológicos com vista a responder a problemática da poluição plástica nas comunidades.

O PNG juntou alunos da Escola Primária Completa de Nhaufo, para ensinar a produzir os vasos ecológicos – uma solução contra a poluição plástica. Esta aprendizagem deverá ser replicada nas comunidades, desde criança a futura geração.

Trata-se do Clube Ambiental de Nhaufo composto por 30 alunos daquela escola, já habilitado em matérias de produção de vaso ecológico para a sua adopção como uma das medidas urgentes na redução do uso do vaso plástico.

O plástico é prejudicial ao meio ambiente porque leva entre 100 a 400 anos para a sua decomposição, além de que a sua aquisição depende de dinheiro. Os vasos plásticos também oferecem uma protecção menor contra as mudanças de temperatura: no verão, o sol directo pode causar danos se for muito intenso; no inverno, o frio pode congelar a água dentro da panela e afectar as raízes. Enquanto o vaso ecológico leva cerca de três meses para a sua decomposição, servindo de estrume da própria planta sem custar dinheiro.

O supervisor de educação ambiental, Valdemiro Ozobra, explicou os passos de como fazer o vaso ecológico. “Arranja-se folhas secas de bananeiras, usamos um molde ao meio e por sua vez sai o desenho, amarramos a volta, e prontos”.

Segundo Valdemiro Ozobra, pretende-se com esta iniciativa de vaso ecológico, extinguir o vaso plástico, da sementeira ao plantio.

Fernando Zacarias, de 14 anos, aluno da 6.ª Classe, contou que aprendeu como produzir os vasos ecológicos que podem facilitar na produção de composto através do processo de decomposição. “As folhas de bananeiras tornam-se estrumes para a planta -é fácil fazer”.

Fina Rui João, de 12 anos, da 6.ª Classe, explicou que o plástico depois do uso não é reaproveitável, acabando muitas vezes prejudicando o ambiente, dura muito na sua decomposição. “Então aconselho às comunidades a desenvolverem vasos ecológicos que são eficazes – são bons para o ambiente, reduzindo a poluição plástica”.

Na ocasião, a professora da Escola Primária Completa de Nhaufo, Minoria Luís, garantiu que os alunos do Clube Ambiental estão a desenvolver na prática a produção de vasos ecológicos para levar às comunidades. “O vaso ecológico não se rasga como o plástico e uma das vantagens é o estrume que dá para a própria semente, com base no estrume, a planta fica mais desenvolvida”.

No dia, 30 alunos produziram 143 vasos ecológicos e lançaram-nos sementes de Tambarinhos e Panga-Panga, que depois serão plantados nas comunidades de Dondo.

O encontro com os alunos decorreu no dia 12 deste na comunidade de Nhaufo. (Narcísio Cantanha).

 

Mulheres defendem iniciativas cooperativas modernas em Sofala

A promoção do empoderamento feminino e da sustentabilidade económica das mulheres em Sofala é uma necessidade urgente. Este reconhecimento da Secretária-Geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), durante a visita da província de Sofala, mostrou o interesse na materialização de iniciativas de género.

De visita a Sofala, depois de Manica, Cidália Chaúque destacou a relevância de projectos de cooperativas que visam fortalecer as iniciativas de mulheres nas áreas de agricultura e finanças.

Para Cidália Chaúque, estas cooperativas não apenas representam uma oportunidade de desenvolvimento económico, mas também um caminho para a transformação social e a equidade de género, formação de redes de apoio e troca de informações ou experiências.

Em Sofala, a Secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana, Cidália Chaúque, manteve encontros com as mulheres da cidade da Beira e dos distritos de Nhamatanda, Gorongosa, Búzi e Dondo, com actividades de carácter social e humanitário.

A implementação deste projecto, com ênfase na adaptação ao sistema de produção local, pode resultar na melhoria da renda e na promoção de uma produção mais eficiente e produtiva. Isso é essencial num contexto onde muitas mulheres enfrentam barreiras significativas para o acesso de recursos e oportunidades no mercado.

O apoio governamental mencionado por Chaúque é um passo crucial para a viabilização dessas iniciativas. As políticas de capacitação são indispensáveis para garantir que as mulheres não apenas participem das cooperativas, mas que ocupem posições de liderança e tomada de decisão. “O secretariado nacional tem este programa das cooperativas a nível nacional com apoio total e todas elas já estão registadas, vai iniciar a formação para que estas cooperativas funcionem”, garantiu.

Para a Secretária da OMM, o fortalecimento das competências técnicas e gerenciais permitirá que as cooperativas se tornem sustentáveis e impactantes, contribuindo para o desenvolvimento económico, local e regional. Portanto, é fundamental que as mulheres em Sofala continuem a exigir e a articular iniciativas de desenvolvimento que não apenas tratem da questão económica, mas que também promovam um ambiente que respeite os direitos e o potencial das mulheres.

“Dissemos que o objectivo neste momento é ter sustentabilidade da Organização para que nos tornemos mais sustentáveis com capacidade para formar, sustentar tanto a Organização como as próprias mulheres”, defende Chaúque.

Os projectos devem ser desenvolvidos em colaboração com as próprias mulheres e as comunidades locais, garantindo que as suas vozes sejam ouvidas e que as suas sugestões sejam integradas. Isso pode incluir a formação em áreas específicas que fortaleçam a capacidade das mulheres, desde habilidades empreendedoras até conhecimento em direitos humanos e legislação sobre igualdade de género.

Além disso, é importante que as acções propostas nos projectos sejam adaptadas às realidades locais de cada província. A diversidade cultural e as diferentes situações socioeconómicas exigem abordagens específicas que considerem as particularidades de cada região.

Para o sucesso dos projectos, deve-se também incluir mecanismos de monitoramento e avaliação que permitam medir a eficácia das acções e realizar ajustes conforme necessário. Assim, a sustentabilidade das iniciativas dependerá não apenas de recursos financeiros, mas também da criação de redes de apoio que fortaleçam a autonomia e a capacidade de organização das mulheres. Isso inclui o combate a Violência Baseada no Género e feminicídio.

Contudo, o fortalecimento da OMM e de outras organizações de mulheres em Moçambique passa necessariamente pela promoção de projectos inclusivos, que valorizem as especificidades locais e que garantam o empoderamento das mulheres, criando um caminho para a promoção da igualdade de género e do desenvolvimento sustentável. (Narcisío Cantanha).

Fundação Kingsley junta turismo com apoio às comunidades ao redor da ‘Grande Gorongosa’

A Fundação Kingsley da África do Sul, de visita ao Parque Nacional da Gorongosa (PNG) apoiou com redes mosquiteiras, bolas de futebol, cestos e bolas de netbal, botas, arte sobre a vida selvagem e óculos às comunidades de Nhamatanda, Gorongosa e Cheringoma da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque. É uma junção do turismo com apoio humanitário aos locais necessitados – uma expedição apelidada de ‘Grande Gorongosa’.

As comunidades de Mussinhã, Serra da Gorongosa e Canda (Gorongosa); Khozue e Inhaminga (Cheringoma) e Vinho (Nhamatanda) receberam da Fundação Kingsley, um total de 1.350 redes mosquiteiras entregues a mulheres gravidas e mulheres com recém-nascidos, 400 óculos de leitura aos idosos, arte sobre a vida selvagem para 3.000 crianças, dez bolas de futebol, cinco cestos e respectivas bolas de netbal e 265 pares de botas ao igual número de fiscais do Parque.

São actividades que decorreram entre os dias 9 e 23 deste mês no PNG e respectiva ZDS.

Nas comunidades de Khozue e Inhaminga (Cheringoma), a expedição ‘Grande Gorongosa’ decorreu nos dias 17 e 19 deste mês.

Segundo o gestor sénior de Educação Ambiental do PNG, Zondai Hlunguani, Fundação Kingsley entra a Moçambique com a missão de sensibilizar as comunidades sobre a conservação do meio ambiente e apoio na luta contra a malária, por isso, ofereceu óculos de leitura para os idosos com problemas de visão e as redes mosquiteiras.

O objectivo da iniciativa foi de entregar as redes mosquiteiras às mulheres grávidas e outras com bebés para se protegerem contra a malária, considerando que a doença já matou cerca de “80” pessoas em Cheringoma este ano. Com estas distribuições, “esperamos que haja redução significativa de casos de malária”, antevê Zondai Hlunguani.

Aos beneficiários de óculos de leitura também se espera que garantam a esperança para os idosos enxergarem. Desporto para a saúde pela entrega de bolas e a conservação do meio ambiente, começando com a educação das crianças e protecção dos mamíferos em extinção com apoio de fiscais equipados.

Assiminha Mário beneficiária de uma rede mosquiteira em Khodzue disse que a sua comunidade tem registado casos de malária. “Estamos muito agradecidos porque as redes chegaram no momento certo, esperamos fazer o uso correcto”.

“Prometemos intensificar a limpeza ao redor dos nossos quintais, eliminando os charcos de água nas comunidades para não voltarmos mais a sofrer pela mesma doença”, garante Domingas António, depois de receber a rede mosquiteira em Khodzue.

Nas comunidades, igualmente, a Fundação Kingsley visitou locais turísticos, incluindo escolas, além de conhecer as culturas locais. Em Cheringoma, por exemplo, os turistas visitaram as grutas de Khodzue.

Nas comunidades, igualmente, a Fundação Kingsley visitou escolas, além de locais turísticos – o caso das grutas de Khodzue – numa mistura de turismo, humanismo (desenvolvimento humano), conservação do meio ambiente e valorização das culturas locais. (Lucas Singale).

EPF Nhamatanda acolhe olimpíadas juntando 800 atletas em celebração dos 50 anos da Independência

A Escola de Professores do Futuro (EPF) de Nhamatanda, sob tutela da ADPP Moçambique, foi palco de uma vibrante celebração desportiva no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional. O evento reuniu, nas instalações da escola em Lamego, cerca de 800 atletas provenientes do distrito e da província vizinha de Manica, promovendo o desporto, a inclusão e a convivência comunitária.

A iniciativa de juntar os atletas reforçou os laços entre a escola, a comunidade e os valores da cidadania activa.

Em dois dias, sexta-feira e sábado últimos, os participantes competiram em diversas modalidades, como futebol, ginástica e jogos lúdicos em grupo. A competição foi marcada por momentos de superação e espírito desportivo, com destaque para os atletas que conquistaram os lugares mais altos do pódio. Paralelamente, a programação incluiu uma exposição sobre o projecto de educação inclusiva implementado na escola, apresentações de danças tradicionais e declamação de poesias.

“Os jogos olímpicos são muito mais do que uma competição para o sector da educação de Nhamatanda. Pretendemos incutir nos estudantes a importância do desporto como complemento à educação formal, abrindo janelas para oportunidades futuras, promovendo saúde e união nesta data tão simbólica para o país”, afirmou a chefe da Repartição do Ensino Técnico-Profissional e Tecnologia do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Nhamatanda, Deolinda Jacinta João.

A realização do evento nas instalações da EPF reflecte o compromisso contínuo da ADPP em fortalecer os vínculos com as comunidades e impulsionar o desenvolvimento local. A organização destaca-se por implementar iniciativas que estimulam mudanças positivas na vida das pessoas, capacitando-as para superar desafios e construir um futuro mais promissor.

Com 43 anos de presença em Moçambique, a ADPP continua a trabalhar em prol da educação, saúde e desenvolvimento económico sustentável, especialmente junto às populações mais vulneráveis. A EPF Nhamatanda integra a rede de 11 escolas de formação de professores criadas pela ADPP, que desde 1993 já formaram mais de 26 mil docentes para o ensino primário em todo o país.

Ao acolher as Olimpíadas da Juventude, a EPF Nhamatanda reafirma o seu papel como centro de formação e transformação social, celebrando o desporto como ferramenta de inclusão, bem-estar e cidadania. (Muamine Benjamim).

Acidente de viação mata 3 e fere outros 17 passageiros em Nhamatanda

Pela manhã de hoje, quinta-feira, o distrito de Nhamatanda, na província de Sofala, registou um acidente de viação envolvendo um carro minibus, transportador semicolectivo.

Do incidente, três morreram no local e 17 contrairam ferimentos entre graves e ligeiros transportados para o Hospital Rural de Nhamatanda e outros em estado crítico para o Hospital Central da Beira.

Na Estrada Nacional Número Seis (EN6), o transporte de passageiros fazia o trajecto Tica-Beira. Ao chegar ao local, estourou o pneu, criando desequilíbrio do veículo e consequentemente a triste notícia.

O director clínico do Hospital Rural de Nhamatanda, Nelson Salvador confirma a entrada de “17 pacientes” e três corpos de pessoas que faleceram no local do acidente.

“Dos 17 pacientes, quatro com lesões graves foram transferidos para o Hospital Central da Beira, sendo dois dos quais com traumatismo craniano cefálico e os restantes dois com fracturas no fémur, razão pela qual resolvemos transferí-los”.

Os outros doentes continuam a receber assistência no Hospital Rural de Nhamatanda.

Até ao momento da entrevista, hoje à tarde, o Hospital Rural de Nhamatanda pretendia dar alta a três pacientes.

Do outro lado, o distrito acolhia o evento de apresentação pública do novo administrador de Nhamatanda, Manuel Moreno Teixeira Jardim. (Muamine Benjamim).

Mais de 800 alunos beneficiam de material escolar no distrito de Gorongosa

Mais de 800 alunos do ensino primário, receberam material escolar no distrito de Gorongosa, província de Sofala.

A iniciativa não apenas incentiva a educação, mas garante a responsabilidade social de uma Organização- o caso da Paramount Holding Limitada.

Trata-se de material produzido na base de cascas de gergelim, cadernos, borracha e entre outros materiais, entregue aos alunos da Escola Básica de Nhambondo, na última terça-feira (24.06).

O oficial administrativo da empresa Paramount, Claudino Wilson, explicou que a doação enquadra-se no acto da responsabilidade social que simboliza uma iniciativa de sustentabilidade em busca de um futuro melhor, bem como para unir laços e criar uma colaboração entre as instituições.

O director da Escola Básica de Nhambondo, Jaime Damocha, disse que a oferta chegou num momento exacto, porque vai aliviar as despesas dos pais e encarregados de educação.

Entre os beneficiários está o aluno da 4.ª. Classe, Zindoca, o qual agradece pela recepção do material que vai aliviar os custos de compra pelos pais, incentivar os estudos.

Zindoca é de família carente financeiramente, além de ser pessoa com deficiência física das mãos. Recorre aos pés para escrever, por isso, pede mais atenção para continuar a estudar.

Parque Nacional do Zinave recebe 10 rinocerontes-pretos

O Parque Nacional do Zinave, no distrito de Mabote, provincia de Inhambane em Moçambique, recebeu esta semana mais 10 rinocerontes-pretos — uma espécie criticamente ameaçada — translocados com sucesso da África do Sul.

Trata-se da primeira população fundadora da espécie desde a sua extinção local há cerca de 50 anos. Os animais, cinco machos e cinco fêmeas, foram doados pela Ezemvelo KZN Wildlife, entidade de conservação da província de KwaZulu-Natal, em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Peace Parks Foundation, com apoio financeiro dos contribuintes da UK People’s Postcode Lottery.

Segundo o Director Geral da ANAC, Pejul Calenga, este marco representa mais um passo importante na construção de um produto turístico sólido dentro das áreas de conservação em Moçambique, com potencial para atrair investimentos privados para o Parque Nacional do Zinave.

“Testemunhámos a translocação dos rinocerontes e a colocação de colares satélites que permitirão o seu monitoramento. Esta etapa simboliza a implementação da estratégia nacional para a conservação do rinoceronte. Estamos confiantes de que estamos a criar as condições necessárias para que o Zinave se afirme como o único Parque Nacional com os ‘big five’ em Moçambique, posicionando-se como uma área prioritária para investimentos na economia da vida selvagem”, disse Director Geral da ANAC, Pejul Calenga.

Os dez rinocerontes foram descornados por razões de segurança e equipados com colares de rastreamento por satélite, que permitirão a sua monitoria contínua.

Com 37 rinocerontes já reintroduzidos e em bom estado de adaptação, a iniciativa reforça o compromisso com a biodiversidade e consolida o Zinave como o único Parque Nacional com os “big five” em território moçambicano. Esta conquista estabelece um novo padrão de conservação e restauração ecológica no país.

Pejul Calenga aproveitou a ocasião para convidar os turistas nacionais e internacionais para visitarem o Parque Nacional do Zinave, bem como, o empresariado nacional para mobilizar os recursos necessários para investir no Parque, porque em termos de ofertas turísticas tem o capital natural para calvanizar o turismo na vida selvagem.

O acordo de co-gestão de longo prazo entre a ANAC e a Peace Parks Foundation, estabelecido em 2015, visa restaurar o ecossistema do Parque através da reintrodução de populações viáveis de fauna bravia, promovendo o turismo e fortalecendo os meios de subsistência das comunidades locais. Até ao momento, foram introduzidos 2.540 animais de 16 espécies diferentes em Zinave.

A criação de uma população saudável de rinocerontes representa o auge do programa de reintrodução e um passo essencial para a sobrevivência da espécie.

Ao devolver a fauna a habitats históricos, restaura-se a biodiversidade e reforça-se a resiliência ecológica. A preservação dos ecossistemas naturais é uma das estratégias mais eficazes para enfrentar as alterações climáticas, uma vez que funcionam como “sumidouros de carbono” naturais, com capacidade de absorver até 12 vezes mais carbono da atmosfera.(Nota informativa).

Jornal Profundus

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