O teste simples para descobrir a idade real do seu cérebro

Pode parecer algo banal, mas a velocidade em que você caminha do ponto A para o ponto B pode trazer grandes revelações sobre o funcionamento interno do seu corpo e da sua mente.

Pesquisas demonstraram que a velocidade dos nossos passos até as lojas, o parque local ou o ponto de ônibus pode prever sua chance de ser hospitalizado, sofrer um ataque cardíaco ou até morrer.

De fato, a velocidade de caminhada de uma pessoa pode ser empregada até para revelar seu nível de envelhecimento cognitivo.

A velocidade dos passos é uma forma de avaliar a capacidade funcional de uma pessoa — ou seja, sua capacidade de realizar tarefas diárias pela casa e manter sua independência.

É normal que as pessoas caminhem com mais lentidão à medida que envelhecem. Mas um declínio acentuado da velocidade de uma pessoa pode indicar que algo mais sério está acontecendo.

“A redução da velocidade normal dos passos de uma pessoa, muitas vezes, está associada à deterioração da sua saúde em geral”, segundo a professora de medicina Christina Dieli-Conwright, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard. Ela estuda os efeitos dos exercícios sobre o prognóstico de câncer.

“É possível que aquela pessoa tenha uma condição crónica, que faça com que ela não se movimente muito ou passe a ser sedentária“, explica ela. “Isso significa que, muito provavelmente, ela sofreu redução da força muscular e da mobilidade das juntas, o que, infelizmente, gera outros declínios de saúde.”

 

Técnica simples

Para realizar o teste de velocidade ao andar, você precisa apenas de um cronómetro e de uma forma de medir a distância, como uma trena.

Existem duas versões do teste. Se você estiver em um espaço aberto, com muito espaço disponível, tente o teste de velocidade andando 10 metros.

Primeiramente, meça 5 metros, seguidos por mais 10 metros. Para começar, recomenda-se andar 5 metros para atingir sua velocidade normal, depois andar nesta velocidade por 10 metros.

Para calcular sua velocidade, simplesmente divida 10 metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância.

 

Se você estiver em casa e o espaço for mais limitado, você pode tentar o teste de velocidade ao andar quatro metros.

Neste teste, meça um metro, seguido por quatro metros. A ideia é usar o primeiro metro para atingir sua velocidade e cronometrar quanto tempo você leva para andar os quatro metros restantes na sua velocidade habitual.

Para calcular sua velocidade, divida quatro metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância.

Existem também muitos aplicativos para celular, que você pode usar para medir sua velocidade ao andar. Eles incluem rastreadores fitness como Walkmeter, MapMyWalk, Strava e Google Fit.

Estes aplicativos usam o GPS para acompanhar a distância e o tempo, permitindo que você calcule sua velocidade.

 

Faça sua comparação

Para ter uma ideia em comparação com outras pessoas, a velocidade média dos passos de uma pessoa com 40 a 49 anos de idade é de 1,39 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens.

Se você tiver 50 a 59 anos, a velocidade média é de 1,31 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens.

Entre 60 e 69 anos, a velocidade média ao caminhar cai para 1,24 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens.

Para as pessoas entre 70 a 79 anos, a velocidade média é de 1,13 m/s para as mulheres e 1,26 m/s para os homens.

E, para pessoas com 80 a 89 anos de idade, a velocidade média dos passos é de cerca de 0,94 m/s para as mulheres e 0,97 m/s para os homens.

Estudos demonstraram que a velocidade dos passos é um indicador significativo da expectativa de vida entre os idosos.

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, reuniram os resultados de nove estudos. Somados, eles acompanharam mais de 34 mil adultos moradores de comunidades com 65 anos de idade ou mais, por seis até 21 anos.

Nos estudos, a velocidade dos passos apresentou associação significativa com a estimativa de vida.

Homens que andavam mais lentamente com 75 anos de idade, por exemplo, tinham 19% de possibilidade de viver por mais 10 anos, em comparação com homens com velocidades mais altas, com 87% de chance de sobrevivência.

Uma explicação é que as pessoas que já não estão bem tendem a perder a mobilidade.

Mas um estudo realizado na França em 2009 concluiu que, mesmo entre adultos saudáveis com mais de 65 anos, participantes que andavam com baixa velocidade apresentaram cerca de três vezes mais probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares durante o período do estudo, em comparação com os que andavam com mais rapidez.

“Andar parece ser algo tão simples que a maioria de nós não pensa sobre isso — nós apenas caminhamos”, afirma a pesquisadora Line Rasmussen, do Departamento de Psicologia e Neurociências da Universidade Duke, no Estado americano da Carolina do Norte.

 

“Mas caminhar, na verdade, depende de muitos sistemas diferentes do corpo trabalhando em conjunto”, explica Rasmussen.

“Seus ossos e músculos carregam e movem você, seus olhos ajudam você a olhar para onde está indo, seu coração e os pulmões circulam sangue e oxigénio e o seu cérebro e os nervos coordenam tudo isso.”

À medida que envelhecemos, segundo Rasmussen, o funcionamento desses sistemas começa a perder velocidade. E andar mais devagar pode ser um reflexo desse declínio geral e um sinal do avanço do envelhecimento.

Este fenómeno não se aplica apenas aos idosos.

Em um estudo de 2019, Rasmussen e seus colegas descobriram que, mesmo entre pessoas com 45 anos de idade, a velocidade dos passos de uma pessoa pode prever o envelhecimento do seu cérebro e do corpo.

Rasmussen e os demais pesquisadores da Universidade Duke examinaram 904 pessoas com 45 anos de idade, que fizeram parte do Estudo Multidisciplinar sobre Saúde e Desenvolvimento de Dunedin.

Trata-se de um projecto de pesquisa longitudinal que acompanhou a vida de mais de mil pessoas nascidas entre 1972 e 1973 na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia. Os participantes tiveram suas funções cognitivas e condições de saúde avaliadas regularmente ao longo de toda a vida.

“Fiquei surpreso com a quantidade de variação verificada na velocidade dos passos entre pessoas que eram todas da mesma idade”, relembra Rasmussen.

“Você talvez esperasse que todas as pessoas de 45 anos estivessem mais ou menos no meio, mas alguns andavam tão rápido quanto pessoas saudáveis com 20 anos de idade, enquanto outros caminhavam com a lentidão de adultos muito mais idosos”, ela conta.

O estudo revelou que pessoas com 45 anos de idade e passos mais lentos exibiram sinais de “envelhecimento acelerado”. Seus pulmões, dentes e sistema imunológico eram inferiores às pessoas que andavam mais rápido.

Elas também possuem “biomarcadores” associados à maior velocidade de envelhecimento, como pressão sanguínea mais alta, altos níveis de colesterol e aptidão cardiorrespiratória inferior.

Os pesquisadores concluíram que as pessoas que andam devagar apresentaram outros sinais de problemas de saúde física, como aperto das mãos mais fraco e mais dificuldade para se levantar de uma cadeira.

Efeitos sobre o envelhecimento do cérebro

Rasmussen e seus colegas também descobriram que as pessoas que andam devagar exibem sinais avançados de envelhecimento cognitivo.

Eles demonstraram, por exemplo, tendência a apresentar resultados inferiores nos testes de QI em geral e desempenho mais fraco em testes de memória, velocidade de processamento, raciocínio e outras funções cognitivas.

Imagens de ressonância magnética também mostraram que esta deterioração cognitiva era acompanhada por mudanças visíveis no cérebro dos participantes.

As pessoas com andar mais lento tinham cérebro menor, neocórtex mais fino (a camada externa do cérebro, que controla o pensamento e o processamento de informações superior) e maior volume de massa branca.

Curiosamente, até os rostos das pessoas que andam mais devagar foram avaliados como envelhecendo mais rapidamente que os demais participantes.

De forma geral, a pesquisa indica que o corpo e o cérebro das pessoas com passo mais lento envelhecem com mais rapidez do que aquelas que andam mais depressa. E houve também indicações de que essas diferenças de saúde estavam presentes desde a infância.

Os pesquisadores conseguiram prever a velocidade de caminhada de pessoas de 45 anos, com base nos resultados de testes de inteligência, linguagem e habilidades motoras, realizados quando os participantes tinham apenas três anos de idade.

“O que mais me surpreendeu foi encontrar uma relação entre a velocidade com que as pessoas andam aos 45 anos e suas capacidades cognitivas na primeira infância”, afirma Rasmussen. “Isso indica que a velocidade dos passos não é apenas um sinal de envelhecimento, mas uma janela para a saúde do cérebro ao longo da vida.”

Os leitores que caminham lentamente não precisam ficar muito desanimados. Existem diversas acções que podemos tomar para aumentar a velocidade dos nossos passos.

Como parte da sua pesquisa para ajudar pacientes com câncer, Dieli-Conwright elabora regimes de exercício para que as pessoas que passaram por quimioterapia recuperem sua resistência.

Ela aconselha os participantes a aumentar a duração e a intensidade do seu exercício de caminhada a cada três a quatro semanas, para melhorar seu preparo físico. E as pessoas podem tomar outras acções, ainda mais simples.

“Aproveite todas as oportunidades que você tiver para andar mais regularmente”, aconselha Dieli-Conwright. “Permanecer fisicamente activo é muito importante.”

Suas dicas incluem estacionar mais longe do seu destino, encontrar-se com os amigos para caminhar socialmente ou levar seu animal de estimação para o parque local.

“É importante reservar intervalos para caminhar, especialmente entre os indivíduos que trabalham de forma mais sedentária”, destaca ela.

“Mesmo que seja um intervalo de caminhada de cinco minutos para ir ao banheiro, ou andar rapidamente por cinco minutos pelo quarteirão. É fundamental interromper aquele tempo que passamos sentados.”

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

Polícia recupera bens roubados em Gorongosa

A Polícia da República de Moçambique (PRM), anunciou a recuperação de bens roubados em diferentes residências do distrito de Gorongosa. Entre os bens recuperados constam plasmas, aparelhos sonoros, bebidas alcoólicas e alguns bens comestíveis, culminando com a detenção de quatro indivíduos.

Segundo o comandante da PRM, Izidro Nhamussua, dos quatro indivíduos, dois são indiciados na prática de roubo nos estabelecimentos comerciais, e dois, na prática de roubo em residências.

Um dos indiciados contou que roubou os bens em zonas diferentes, na ausência dos proprietários das residências.

O indiciado a contas com a PRM diz que escapou da morte porque a população o queria linchar, mas a Polícia chegou a tempo.

Izidro Nhamussua, falando na última semana, explicou que a detenção desses indivíduos deveu-se à denúncia da comunidade e a patrulhas da polícia.

A Polícia apela à comunidade para continuar a denunciar os casos de criminalidade registados nas comunidades. (Ana Cleta Coimbra).

Gorongosa regista aumento de partos institucionais

De janeiro a esta parte, o distrito de Gorongosa, em Sofala, registou 4.785 partos institucionais, contra 4.314 do igual período de 2024. Este é o resultado de palestras do sector da saúde com os respectivos parceiros.

A supervisora distrital de Saúde Materna Infantil (SMI) do distrito de Gorongosa, Telma Cirio, explicou que o aumento dos partos deve-se à intensificação de palestras nas unidades sanitárias, brigadas móveis e nas comunidades.

Segundo Telma Cirio, os partos institucionais evitam riscos obstétricos, garantindo a saúde da mãe e do bebé.

Partos institucionais são aqueles que ocorrem numa unidade sanitária. (Ana Cleta Coimbra).

Acidente de viação deixa 17 feridos entre graves e ligeiros em Dondo

Ontem, domingo, por volta das 17 horas, o distrito de Dondo, na Estrada Nacional Número Seis (EN6), registou um acidente de viação que resultou em 17 feridos, entre ligeiros e graves, já transferidos para o Hospital Central da Beira.

Trata-se de um acidente que envolveu duas viaturas (Toyota), uma tentando fazer uma manobra de contorno sem prestar a devida atenção e um transporte semicolectivo de passageiros (Mini Bus), que se aproximava em alta velocidade vindo da cidade da Beira. Colidiram.

Das 17 vítimas, oito estão em estado grave, por isso, foram transferidos para o Hospital Central da Beira.

Manuel Mateus é uma das vítimas, conta que ao chegar à zona dos Cimentos de Moçambique, a viatura de caixa aberta não respeitou as regras de sinalização e invadiu a faixa rodoviária oposta, o que contribuiu para o acidente.

Mateus relatou que o desrespeito às normas de trânsito é uma preocupação constante na via pública, por isso, espera que este episódio sirva de alerta para maior atenção e responsabilidade por parte dos motoristas.

“Estávamos a sair da Baixa com destino a Mútua [Beira-Dondo]. O carro de caixa aberta é culpado porque não sinalizou ao contornar na zona dos Cimentos. Parece-me que o destino era Mandruzi”.

Luís Domingos João explicou que no momento do acidente estava a dormir. Minutos depois, despertou a ser tirado do carro a sangrar. “Levaram-me para o Centro de Saúde do Dondo, onde levei quatro pontos na cabeça”.

“Recebemos 17 sinistrados, dentro destes tivemos que transferir oito em situações graves”, explicou o médico-chefe do Centro de Saúde do Dondo, José Lópes Figueiredo.

Dos transferidos para o Hospital Central da Beira, está um jovem de 29 anos que sofreu um traumatismo craniano grave. (Narcísio Cantanha).

Karingani constroi sistema de abastecimento de água para mais de 4.500 pessoas em Gaza e Maputo

A Karingani Game Reserve (KGR) está a investir pouco mais de 12 milhões de Meticais na construção de sistemas de abastecimento de água nas comunidades de Cubo, Década da Vitória, Ringane e Phanguene na província de Gaza, distrito de Massingir e Mbacane, em Magude na província de Maputo.

O projecto irá beneficiar cerca de 4.549 pessoas, representando um passo significativo no compromisso da KGR com a melhoria das condições de vida das comunidades vizinhas da reserva. A iniciativa surge em resposta aos desafios enfrentados pelas populações locais no acesso à água potável.

Falando recentemente na cerimónia de Lançamento da Primeira Pedra para a Construção do sistema de abastecimento de água de Cubo, o gestor de relações comunitárias da KGR, Eusébio Mavie, explicou os detalhes do sistema de abastecimento de água de Cubo.

“Vamos instalar uma tubagem de 3,5 quilómetros para transportar água da Barragem de Massingir até à comunidade de Cubo. Na barragem, será colocada uma bomba suspensa, que se ajustará ao nível da água e à direcção do vento, garantindo a extracção contínua de água, mesmo em condições adversas. A água será retirada a 1,5 metros da superfície, garantindo melhor qualidade, passando por um sistema de filtragem antes de ser armazenada num tanque com capacidade para 117 mil litros”, contou.

O sistema actualmente em funcionamento naquela comunidade para além de obsoleto, é alimentado a diesel e está sujeito a frequentes avarias. Com o novo sistema, vai se garantir um fornecimento adequado, ecológico e sustentável.

O tanque deste sistema será vedado para protecção contra pessoas mal-intencionadas e animais, e contará com um sistema de respiração para evitar rupturas. Um sistema de energia solar também será instalado, eliminando a dependência de combustíveis fósseis.

Além disso, serão erguidas torres metálicas no centro da comunidade, equipadas com dois tanques de 10 mil litros cada, assegurando armazenamento e distribuição suficiente de água para os habitantes de Cubo.

A iniciativa destaca-se também pela contratação de mão-de-obra local e pela capacitação comunitária para a gestão e manutenção do sistema. Estão previstos programas de formação para os membros da comunidade, que irão integrar o Comité de Gestão do Sistema de Água e o Comité Técnico de Manutenção, assegurando a sustentabilidade técnica e financeira da infraestrutura a longo prazo. Esta componente será implementada sob a liderança dos Serviços Distritais de Planeamento e Infraestruturas de Massingir.

A administradora do distrito de Massingir, Esmeralda Muthemba expressou a sua satisfação com a iniciativa.

“Estou muito contente com este projecto. Assim como a Karingani já nos apoiou na construção da morgue e de outras infraestruturas, esta nova obra vem reforçar o compromisso com a nossa comunidade. O sistema de água a ser construído vem para nos servir, e devemos cuidar e preservar”, aconselhou na ocasião.

Isac Cubai, líder da Comunidade de Cubo, também agradeceu justificando que o sistema vem solucionar um problema existente há muito tempo.

“Temos a agradecer imenso à Karingani por ouvir os choros desta comunidade pois, a água é um grande problema aqui faz muito tempo. As mulheres percorriam mais de três quilómetros até à barargem, onde algumas foram vítimas de ataques de crocodilos. Então este novo sistema vai resolver esse problema”.

Acrescentou, dizendo que “o sistema de água que usávamos antes consumia muito combustível e não conseguíamos cobrir esse custo”.

A construção do sistema, deverá decorrer até finais de Julho de 2025, com a entrega oficial do sistema prevista para o mês seguinte. Este projecto junta-se a outras iniciativas sociais e ambientais promovidas pela Karingani, reafirmando a sua missão de contribuir para a conservação ambiental integrada ao desenvolvimento humano e para a melhoria das condições de vida das comunidades vizinhas.

“Ficavámos muito tempo sem água aqui, então fico contente por esse projecto, esta é uma boa acção”, disse Simeão Ngovene, um ancião residente naquela Comunidade.

Por sua vez, Cecília Cubai, outra moradora de Cubo, partilhou o constrangimento que passam com o sistema existente.

“Sofremos muito tempo com a falta de água potável. Hoje, vemos nossas preces atendidas. Agradecemos imensamente à Karingani e ao Governo por esta ajuda. Além da água, a Karingani já construiu a escola, a maternidade, e as casas para enfermeiros e professores na nossa comunidade”, exaltou.

Nas restantes comunidades, devido à dificuldade no acesso a água, foram executadas intervenções específicas, ajustadas às necessidades de cada localidade. Na Década da Vitória, aumentou-se a capacidade de abastecimento através da abertura de um novo furo e instalação de um sistema de painéis solares, substituindo o anterior sistema alimentado a diesel, que apresentava avarias frequentes. Em Ringane, incrementou-se a capacidade com a instalação de um novo furo com bombagem feita através de um sistema solar e pela colocação de fontanários nos principais aglomerados populacionais.

Mbacane beneficiou igualmente de um furo de água com sistema de bombagem alimentado por energia solar, bem como de um bebedouro destinado ao gado, respondendo assim às necessidades da actividade pecuária local — essencial para a subsistência das famílias e com um valor sociocultural relevante para as comunidades beneficiárias. Em Phanguene, a intervenção consistiu na reabilitação do furo avariado, aumento da capacidade de captação e extensão da rede de distribuição até ao centro da aldeia, permitindo que todas as famílias tenham acesso facilitado e seguro à água, num sistema igualmente movido à energia solar.

Estas acções, segundo as comunidades beneficiárias trazem água com melhor qualidade para além de aliviar o sofrimento diário provocado pela dificuldade no acesso à mesma.

A Karingani reafirma assim o seu compromisso com a conservação sustentável, demonstrando que os esforços de protecção ambiental devem caminhar lado a lado com o bem-estar das comunidades locais.

A Karingani Game Reserve (KGR) está situada no sul de Moçambique e partilha limites com o Parque Nacional do Limpopo (PNL) e com o Parque Nacional Kruger da África do Sul (KNP). A Karingani Game Reserve (KGR) é uma reserva reconhecida como uma importante área de conservação ambiental para protecção da história e das espécies de mamíferos terrestres, empenhada em promover o turismo, a conservação, o desenvolvimento socioeconómico e em fomentar relações sólidas com a comunidade. Actualmente emprega acima de 422 pessoas, sendo 86.20% provenientes das províncias de Maputo e Gaza onde a reserva está localizada, e 11.54% Moçambicanos provenientes de outras províncias e os restantes 2.26% dos trabalhadores são de nacionalidade estrangeira. Karingani, que significa “contar estórias” em changana, refere-se a uma prática tradicional do povo local da região da reserva. A iniciativa Karingani é mais do que uma simples narrativa; ela evolui continuamente e é inspirada no espírito do respeitado contador de histórias que preserva tradições antigas. Este costume faz parte da cultura moçambicana, sendo valorizado e respeitado pelo projecto. A iniciativa combina essa rica herança cultural com a modernidade da África contemporânea, criando um ambiente inovador para o desenvolvimento do projecto.

Gorongosa e Governo assinam memorando contra conflitos de terras

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) quer travar os conflitos de terra existentes na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável. Para tal, o Parque assinou um memorando de entendimento com o Governo distrital e provincial e com o Centro Terra Viva (CTV), na presença de líderes comunitários, sociedade civil e outros parceiros de cooperação.

A assinatura do memorando ocorreu na última segunda-feira, na vila de Gorongosa, na última segunda-feira, marcando o lançamento oficial do plano distrital do uso de terras no distrito de Gorongosa.

Para o efeito, foi criado um grupo multissectorial que vai dinamizar o plano distrital de uso da terra.

Na ocasião, a Diretora do Departamento de Infraestruturas e Desenvolvimento Urbano do Parque Nacional da Gorongosa, Thais Glowacki disse que o memorando vai ajudar a evitar conflitos, atrair investimentos e direccionar esses investimentos para onde eles devem estar, garantindo o crescimento do distrito sem comprometer o meio ambiente.

Segundo Thais Glowacki, o PNG vai reafirmar o “compromisso de contribuir com este processo como parceiro técnico, vizinho institucional e como Parque vivo de ecossistemas social e ambiental”. Portanto, o “Parque está pronto para contribuir com a experiência acumulada na gestão territorial e ambiental”.

De salientar que a directora provincial do desenvolvimento territorial e ambiental (DPDTA), Beatriz Dias, garantiu o seu envolvimento em todas as fases deste processo, desde a recolha de dados, actuação pública, harmonização, compilação até a entrega formal do plano actualizado.

Beatriz Dias lembra que a missão do DPDTA é garantir que o produto final reflicta o consenso entre os vários actores como o governo, a comunidade, sector privado e parceiros de desenvolvimento. Portanto, o sucesso desse processo de plano distrital de uso de terra depende de todos, apelando assim à participação activa dos líderes comunitários, jovens, mulheres, agentes económicos e a sociedade civil para que tragam ideias, anseios e visões para o futuro do distrito.

Há reclamações das comunidades sobre a delimitação territorial com o PNG. O governo distrital, através da secretária permanente do distrito de Gorongosa, Benita Thomo, antevê que o memorando vai contribuir para resolução de alguns conflitos internos.

O memorando vai ajudar na identificação dos espaços reais para a produção do milho, zonas de realização de prospecção mineral e identificação de áreas para o povoamento de pecuária, disse Benita Thomo.

A liderança comunitária, Alexandre Francisco destaca enormes acontecimentos da sua comunidade, “mas valeu a pena  o lançamento  oficial  do  plano  distrital  de  uso  da terra” com os conhecimentos transmitidos na ocasião.

Para Alexandre Francisco, os desafios da sua comunidade baseiam-se nos conflitos de terra e criação de animais, por isso, espera que com este “memorando se minimizem os conflitos de terra e que o governo use este documento como guia de orientação para materializar o que a comunidade olha como dificuldades”. (Ana Cleta Coimbra).

Sofala: Há novas caras e nomeações de administradores

No início da governação de Daniel Chapo como Presidente de Moçambique, houve nomeações e movimentações de novos directores dos serviços provinciais, em Sofala. Desta vez, a situação envolve administradores distritais.

Trata-se de cinco novos administradores dos 13 distritos da província, nomeadamente, Manuel Jardim Teixeira, para Nhamatanda; José Tomás Lopes – que era secretário permanente de Nhamatanda vai ser administrador de Machanga; Felício Osmane Chiarre, para Maringué; Sérgio Arnaldo Gove, para Chibabava e Nídia Ucama Chavo, para o distrito de Caia.

Já tomaram posse novos administradores na última terça-feira, na cidade da Beira.

Aos novos administradores, a secretária de Estado em Sofala, Cecília Chamutota, que orientou a cerimónia de tomada de posse, espera por uma liderança participativa, capacidade de escuta e boa gestão da coisa pública.

José Tomás Lopes vai para o distrito que viu nascer e servir como administrador o Adamo Abdula Ossumane antes de vir a Nhamatanda.

A movimentação na administração tira Adamo Ossumane, de Nhamatanda vai para o vizinho Dondo; Maria Waite, de Cheringoma para Marromeu; Maria Almija Pulseira, de Maringué para Muanza; Henriqueta de Rosário, de Marromeu para Cheringoma; José Mutoroma, da Beira para Búzi; Bernadete Cipriano Roque, de Dondo para Beira.

Cessaram as funções, Natalia Chivambo, de Machanga; Tomé José de Chibabava que administrou Nhamatanda antes de Adamo Ossumane; Dorteia Ambrósio, de Muanza; Saize Duarte do Búzi; e Nobre dos Santos, de Caia.

Dos 13 distritos, apenas dois não foram tocados: Bento Conde Zeca, que era secretário da Frelimo em Nhamatanda, passando a administrador de Chemba desde 2024, em substituição de Paulo Raposo; e Pedro Francisco Pauta Mussengue, administrador de Gorongosa desde 2022 em substituição de Luís Sidione Makaza Nhanzozo – que agora é secretário da Frelimo em Sofala, porém, Mussengue saiu de Muanza onde exerceu as funções de Chefe da Repartição de Administração e Finanças de Muanza. (Muamine Benjamim).

MISAU E INE: Entre a mentira e verdade nos dados de crianças no País

O Ministério da Saúde (MISAU) diz que vacinou cerca de 19 milhões de crianças com menos de 10 anos contra a poliomielite em todo o país, superando a meta inicialmente prevista de 18,2 milhões, mas estes dados de menores são contrários com os do Instituto Nacional de Estatística (INE), o que coloca em dúvida a qualidade de informação sobre a vacinação nacional.

Esta confusão de dados tira a credibilidade das instituições oficiais.

Os dados indicam que a cobertura administrativa nacional foi de 107%, variando de 96% na província de Maputo, no sul do país, até 111% em Nampula, no norte. Na última segunda-feira, Quinhas Fernandes disse que todas as campanhas de vacinação contra a pólio são avaliadas por equipas independentes, através da metodologia de Avaliação de Qualidade em Lotes.

O “Profundus” solicitou o documento completo do MISAU constando os dados de vacinação de cada província e distrito, para compreender a correspondência dos números anunciados. Com dois jornalistas diferentes baseados no Maputo, cada um a seu pedido em dias e horas diferentes, tiveram o mesmo ofício “Resultados da primeira ronda da campanha nacional de vacinação contra a variante da pólio do tipo 2” com os dados só interessantes a citar:

“(…) Moçambique está a responder a uma emergência de saúde pública desde março de 2022. Foram notificados um total de três surtos da pólio: Poliovírus Selvagem do tipo 1 (8 casos em Tete), as variantes da Pólio do tipo 1 (28 casos na Zambézia e Tete) e tipo 2 (8 casos em Cabo Delgado, Nampula e Manica);

Nestas situações, a vacinação em massa é indicada como a forma mais eficaz para controlar o surto;

Por isso que o país realizou um total de 11 rondas de vacinação contra as formas da pólio do tipo 1;

Como resultado deste esforço, foi controlado e encerrado o surto do Poliovírus Selvagem do tipo 1 em maio de 2024. Assim, o país iniciou neste mês de junho, a vacinação contra a variante do tipo 2.

É por isso que, com duração de cinco (05) dias, teve lugar entre, 2 a 6 de junho corrente, a 1.ª Ronda da Campanha Nacional de Vacinação contra a Variante da Pólio do tipo 2. Esta ronda abrangeu crianças menores de 10 anos de todo o país.

O grupo-alvo total previsto para a campanha, era de 18,2 milhões de crianças, que corresponde ao universo de crianças alcançadas em rondas anteriores (nona ronda).

De salientar que nesta 1.ª ronda foram vacinadas cerca de 19,5 milhões de crianças.

A cobertura administrativa nacional foi de 107%, tendo variado de 96% na província de Maputo até 111% em Nampula.

Todas as rondas de vacinação, ao final, são objecto de uma avaliação independente, para aferir a qualidade da campanha e estimar, de forma robusta, as coberturas.

Este é um requisito fundamental para informar a nossa estratégia de controlo do surto.

Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), todas as campanhas da pólio, são avaliadas por equipas independentes ao nosso sector, através da Avaliação de Qualidade em Lotes (LQAS);

O LQAS é um método probabilístico recomendado pela OMS para aferir a qualidade da campanha (em termos de cobertura), incluindo identificar a idade das crianças que participaram nas campanhas.

Através deste método, no fim da campanha, numa amostra aleatória de 60 crianças por distrito, se houver mais de 3 não vacinadas, significa que o distrito, do ponto de vista epidemiológico, não está bem coberto. Portanto, não passa.

A confirmação da vacinação no LQAS é feita através da marca da pintura do dedo da criança ou da disponibilidade do cartão de vacinação.

Assim, nesta última ronda, os resultados do LQAS indicaram que 131 dos 159 distritos avaliados passaram na avaliação do LQAS, representando cerca de 82%.

Entre os 28 distritos que não passaram, 11 tiveram 4-6 crianças não vacinadas, 6 com 7-9 crianças não vacinadas e 11 com 10 ou mais crianças não vacinadas.

Estes resultados do LQAS são considerados bons, no entanto, para a segunda ronda, devemos lutar para melhorar esta performance. Isto será importantíssimo para controlar o surto da variante da pólio do tipo 2.

Mais importante ainda, será garantir que os distritos que não passaram nesta ronda, tenham melhor desempenho na segunda (…)”.

Entretanto, os números anunciados pelo MISAU correspondem a quase 20% da população total de Moçambique. Ora, o INE publicou na sua página oficial do Facebook, numa mensagem alusiva ao 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, que o país tem 14,7 milhões de crianças com idades entre 0 e 14 anos. Um número bem inferior às estimativas do Ministério da Saúde.

Mais do que isso, no último Censo Geral da População realizado em 2017, o INE estima que existam cerca de 16 milhões de habitantes com menos de 25 anos, indicando 4,8 milhões de crianças entre 0 e 4 anos, 6,8 milhões entre 5 e 12 anos, e 3,1 milhões entre 13 e 17 anos. Em outras palavras, somando as crianças de 0 a 12 anos, o total é de 11,6 milhões, um número significativamente inferior aos 19 milhões apresentados pelo MISAU.

 

Tentativa de esclarecimento da polémica

O MISAU começa por legitimar a preocupação dos diferentes segmentos da sociedade relativamente aos grupos-alvo das campanhas de vacinação, respeitando as opiniões.

“A bem da transparência destes processos, em todas as ocasiões, deixamos claro que os grupos-alvo das campanhas foram sempre ajustados ao realizado ou alcançado em etapas anteriores. Isto é, o GA da ronda 2 foi ajustado ao alcançado na ronda 1 e o da ronda 3 ao alcançado na ronda 2. Esta é a forma pragmática e operacional para não deixar nenhuma criança para trás e aumentar as chances de controlar o surto”, lê-se no documento a que o “Profundus” teve acesso.

“Aferimos a idade com base na informação providenciada pelos pais ou cuidadores, ou com base na identificação quando nos é providenciada. No entanto, a falta de qualquer documento que confirme a idade, não exclui a possibilidade de vacinar”.

O MISAU diz que a sua estratégia inclui, dentre outras abordagens, a vacinação nas fronteiras, de casa em casa, nos aglomerados populacionais, entre outros. “Portanto, os números que apresentamos são de crianças elegíveis e vacinadas, que foram identificadas pelas nossas equipas de vacinação”.

“Por outro lado, queremos realçar que a ocorrência de número de vacinados acima do comunicado pelas estatísticas oficiais, não se verifica apenas em Moçambique, tem ocorrido em outros países da região”, diz o MISAU concluindo:” a nossa missão com saúde é controlar um surto e não produzir estatísticas sociais ou demográficas”.

Diante desta polémica, insistentemente, o “Profundus” solicitou o ofício que contem os dados de cada província e distrito de vacinados, mas a assessora de comunicação do MISAU, Arménia Mucavele, na última quarta-feira, respondeu em mensagem “só tivemos acesso a este documento” citado.

Em Moçambique, a seita religiosa Jhon Marange inicialmente não aceitou a vacina, em algumas áreas das províncias de Tete e Manica.

Estes dados do MISAU contaram com a aplicação dos custos de aproximadamente 15 milhões de dólares (mais de 15 milhões de meticais), envolvendo mais de 80 mil colaboradores.

O MISAU projecta para julho a realização da segunda ronda da campanha de vacinação contra a pólio.

Dondo: Município perde 14 contentores por fogo posto

De 2024 a esta parte, o Conselho Municipal de Dondo, na província de Sofala, perdeu 14 contentores metálicos por fogo posto com munícipes. É um material avaliado em 3,5 milhões de meticais provenientes dos cofres da edilidade. São dados partilhados pelo chefe de secção de recolha de resíduos sólidos na Vereação de Salubridade Urbana e Meio Ambiente, numa entrevista exclusiva ao “Profundus”.

A prática de queimar lixo dentro do contentor não apenas estraga o recipiente, mas reflecte no dinheiro perdido e esforço da autarquia em garantir meios e recolha de resíduos sólidos.

Em Sofala, distrito do Dondo e arredores registam, nos últimos tempos, um elevado número de casos de fogo posto no interior dos contentores de lixo, uma prática que se tornou comum e que resulta, em muitos casos, na sua destruição.

O chefe de secção de recolha de resíduos sólidos na Vereação de Salubridade Urbana e Meio Ambiente, Carlitos Golonga, falando na última quarta-feira, revelou que no total são 14 contentores danificados avaliados em 3,5 milhões de meticais provenientes dos cofres da edilidade, – o grosso número registou-se em 2024 (12) contentores e (2) em 2025.

Entre os que põem fogo nos contentores estão aqueles que exercem actividades informais, confeccionando refeições ou assando maçarocas, ou mesmo espetadas recorrendo a fogão e carvão, principalmente nos bairros Nhamaiabwe e Central. No final do dia deitam a cinza com fogo nos contentores de lixo, provocando queima não apenas dos resíduos sólidos, mas também danificando o próprio recipiente.

Segundo Carlitos Golonga, já estão em curso campanhas de sensibilização dos munícipes contra estas práticas que geram prejuízos avultados à edilidade na reposição do equipamento destruído. Enquanto isso, o município estuda a possibilidade de multar 1.000 meticais a cada infractor.

“O mais caricato é não conseguirmos achar os autores. Quando o contentor é danificado levamos para o espaço de sucataria no Conselho Municipal”.

Na ocasião, Golonga frisou que os incêndios são mais frequentes no inverno, e são promovidos também pelos moradores de rua durante a noite. Isso deve-se a proximidade das fogueiras dos contentores de lixo. O fogo é para se protegerem do frio.

Apesar da persistência dos casos de incêndio, o Município avalia redução ligeira na recolha de resíduos sólidos pela capacidade de resposta comparativamente ao ano anterior – uma situação similar quando os casos de fogo no ano interior de contentores eram reportados diariamente.

Neste momento, “14 contentores estão a dar muita falta naqueles locais”.

Diariamente, o Município de Dondo recolhe cerca de 25, 2 toneladas de lixo através dos 27 restantes contentores espalhados em dez bairros da urbe. (Narcísio Cantanha).

Professor morto por ataque de elefantes em Chemba

No distrito de Chemba, em Sofala, os animais selvagens continuam a somar vítimas, além de destruir várias culturas agrícolas. Desta vez, a vítima é um professor da Escola Primária de Nchena encontrado morto na localidade administrativa de Goê, depois de um ataque de elefantes.

Trata-se de Narciso Caetano Thaio, professor da 6.ª Classe, de 2016 até a sua morte.

Narciso Caetano Thaio foi morto na última segunda-feira, na zona de Nchena. No local tinha manadas com crias.

O director da Escola Primária de Nchena, Paulo Bulande Massale, confirma a morte do professor Narciso Caetano Thaio.

Paulo Massale conta: Um dia antes, os animais pernoitaram próximo da escola. Ao amanhecer saíram para um local pouco distante. Quando eram 16h, os paquidermes regressaram ao local pelas proximidades das residências.

A população recorreu aos métodos tradicionais para afugentar os animais, tocando batuques, latas e outros objectos barulhentos. Na altura, o professor estava a dar aulas, depois quis juntar-se à população. “Mas quando ia para lá, havia outra manada, minutos depois ouviram-se gritos de socorro. Encontraram a vítima estatelada, com todas as costelas quebradas”. Imediatamente foi levado pelos colegas director e adjunto director da mesma escola para o Centro de Saúde de Sena – vizinho distrito de Caia, mas não chegou em vida, morreu no caminho.

O professor de 36 anos deixa quatro filhos e uma viúva.

Antes de tudo, o director havia comunicado ao chefe do povoado de Cado telefonicamente, a pedido de intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) para afugentar os animais. Enquanto se aguardava por intervenção das autoridades, os animais criavam pânico.

Os elefantes, crocodilos e búfalos estão entre os que mais fazem vítimas em Chemba.

Em fevereiro e junho deste ano, os crocodilos atacaram mortalmente duas crianças nas margens do rio Zambeze.

Desde janeiro deste ano, os elefantes estão entre as zonas Nchena, Tito, Matema, Ulir, Macanda, Xavier e Ndaluza, destruindo tudo que encontram e comendo que serve para eles.

As comunidades apontam mais de 20 elefantes, um deles possui o Sistema de Posicionamento Global, Global Positioning System (GPS) no pescoço.

Segundo os relatos locais, os elefantes já chegam às residências seguindo os celeiros entre as residências, o que coloca em perigo a vida das comunidades e a insegurança alimentar.

Ocasionalmente, as comunidades de Chemba recorrem aos frutos silvestres nas ilhas.

 

Junta-se aos outros distritos com mais mortes por animais

Chemba junta aos distritos de Nhamatanda, Marromeu, Chibabava e Caia onde nos últimos 4 anos, os animais mais problemáticos nas comunidades, como elefantes, hipopótamos, búfalos e crocodilos, mataram 133 pessoas e feriram outras 134, segundo o governador de Sofala, Lourenço Bulha.

Lourenço Bulha falou numa reunião de reflexão com os gestores das zonas de Conservadores e da Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) para uma reflexão conjunta na busca de soluções, apontando que cerca de 70% ou 80% dos crimes julgados têm conexão com o conflito fauna-bravia. Esta preocupação aumenta pelas mudanças climáticas que Sofala não é excepção de Moçambique, abrindo uma “janela” de insegurança alimentar e extinção de espécies de animais altamente ameaçadas.

“A morte de cidadãos e a destruição dos seus meios de subsistência não podem ser tratadas como um efeito colateral inevitável. É urgente que se definam mecanismos de resposta e compensação, bem como acções preventivas eficazes”, defendeu Bulha na reunião de abril passado, na cidade da Beira.

Chemba está mais próximo das Coutadas 7, 9 e 12, hoje, numa nova fase de regeneração. (Rosário Ntepa).

Jornal Profundus

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