RIO ZAMBEZE: Menor atacado por crocodilo continua desaparecido em Chemba

Um dia depois das comemorações de 1 de Junho, no distrito de Chemba, um menor foi atacado por um crocodilo nas bermas das águas do rio Zambeze, província de Sofala.

Na última segunda-feira, depois das festividades do Dia Internacional da Criança, o miúdo de 6 anos encontrava-se a brincar com amiguinhos no areal. Ao lado, estava a mãe da vítima com a amiga lavando roupas na margem das águas do rio Zambeze, na ilha de Madagáscar, quando de repente o crocodilo atacou, arrastando-o para as águas profundas.

O ataque ocorreu por volta das 16 horas, mas a comunidade teve a informação duas horas depois, devido à distância com o local do ocorrido.

O líder da zona Pauserere, Saphanda Henriques disse que até hoje o corpo do menino ainda não foi achado, mesmo com a equipa de resgate que já esteve no local.

Lembre-se que no dia 1 de fevereiro do ano em curso, outro menor de 7 anos foi atacado por crocodilo nas águas do rio Zambeze, quando tentava mergulhar junto de outros três meninos. Dos quatro rapazes, dois saíram ilesos, um ficou ferido, mas Bráz não escapou do animal selvagem, depois de ser arrastado durante o ataque. (Rosário Phoinde).

Gorongosa leva “soluções para a poluição plástica” nas comunidades

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), na última quinta-feira, em comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 Junho, levou “soluções para a poluição plástica” nas comunidades. Entre jovens, adultos, idosos, instituições governamentais e privadas, em massa, confiaram na máscara, luva, bota, vassoura, ancinho, pá, contentores de lixo entre outros materiais para fazer a limpeza e recolha de todos os plásticos e outros resíduos sólidos na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque.

O PNG tem implementado actividades rotineiras para consciencializar as comunidades locais sobre os recursos escassos e a sua gestão sustentável, protegendo o Meio Ambiente. Só ontem, por exemplo, nos seis distritos considerados Zonas de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Cheringoma, Dondo e Maringué, envolveram-se em actividades de sensibilização através de palestras, limpeza nas comunidades, peças teatrais sobre as melhores práticas ambientais, plantio de várias espécies de árvores, além de marcha com mensagens sobre a conservação do meio ambiente.

O Dia Mundial deste ano celebrou-se sob o lema: “soluções para a poluição plástica”Estas soluções existem localmente sem precisar de recorrer a altos custos de investimentos, contando com o envolvimento de membros das comunidades e todos os outros utilizadores dos recursos naturais disponíveis.

Na ocasião, o Clube de Jovens fez uma peça teatral revelando como de forma prática pode-se conservar o lixo em lugares próprios, especificamente o plástico que dura cerca de 400 anos para apodrecer.

Uma das principais fontes de poluição por plástico são os produtos de plástico de uso único, que não circulam na economia, sobrecarregam os sistemas de gestão de resíduos e acabam por chegar ao ambiente. Alguns dos produtos mais comuns são garrafas de água, recipientes dispensadores, sacos de takeaway, talheres descartáveis, sacos de congelamento e embalagens de esferovite.

Em Nhamatanda, o supervisor de Relações Comunitárias do Parque Nacional da Gorongosa, Chico Júlio Fagema, destacou a importância de encontros de sensibilização comunitária, enfatizando que o Parque, sozinho, não consegue gerar todas as mudanças necessárias.

Esses encontros são cruciais para comunidades como o bairro de reassentamento de Kura, que ainda enfrenta os impactos das mudanças climáticas decorrentes do ciclone Idai em 2019. O principal objectivo é consciencializar os participantes de que a responsabilidade ambiental é partilhada. A ideia é que, se cada indivíduo fizer a sua parte, será possível construir um ambiente saudável e livre de plástico.

As partículas de plástico podem abrandar o crescimento do fitoplâncton marinho, a base de muitas cadeias alimentares aquáticas. Além disso, muitos peixes ingerem plásticos por engano, enchendo os seus estômagos com fragmentos não digeríveis e acabando por morrer de fome.

Segundo as Nações Unidas, em 2024, o mundo gerou cerca de 400 milhões de toneladas de resíduos plásticos no último ano. Este fluxo contínuo de de garrafas de água e frascos de champô, recipientes dispensadores, camisolas de poliéster, tubos de PVC e outros produtos de plástico faz parte de uma crise de poluição por plástico que, segundo especialistas, está a devastar os ecossistemas, a expor as pessoas a poluentes potencialmente nocivos e a agravar as alterações climáticas.

O ciclo de vida do plástico também contribui para as alterações climáticas. A produção de plástico, um processo com elevada exigência energética, foi responsável por mais de 3% das emissões globais de gases com efeito de estufa em 2020, segundo estimativas.

A forma de combater a poluição por plástico é ir além da reciclagem e encontrar formas de limitar os impactos ambientais e de saúde causados por esta poluição. Isto implica analisar todas as fases da vida dos produtos – produção, concepção, consumo e eliminação – através de uma abordagem de ciclo de vida. Na prática, significa reduzir a dependência de plásticos de uso único, redesenhar produtos para que sejam mais duradouros, seguros, reutilizáveis e recicláveis, procurar alternativas e evitar que estes escapem para o ambiente.

Neste momento, a Gorongosa espera que as actividades implementadas no Dia Mundial do Meio Ambiente, os munícipes de Kura repliquem-nas, sendo um novo bairro no Município de Nhamatanda. “Desde o plantio de árvores nativas e fruteiras [ao uso de material reciclável – o caso de saco de capulana ao invés de plástico].

Os resíduos tais como, máscaras, garrafas, pontas de cigarro, papel, sacos e plásticos juntam-se aos 9 milhões de toneladas de lixo lançado todos os anos nos rios, lagos, mares e oceanos, o que representa 285 quilos por segundo, onde, 80% destes resíduos provém da terra e é transportada para os oceanos pelos rios.

Se nada for feito para travar este fluxo, estudos científicos e estatísticas da ONU prevêem que, em 2050, haverá mais plástico do que peixe nos oceanos. É por isso que é tão importante tomar medidas e colocar os resíduos no seu lugar e chamar à consciência de cada um para ser vigilante e responsável pela limpeza do ambiente em que se encontra inserido.

A Gorongosa através do Programa de Educação para Conservação pretende que as comunidades tenham informações relevantes sobre os impactos das acções do Homem sobre o Meio Ambiente e que estejam conscientes relativamente ao uso dos recursos naturais, por isso, cada ano, um tema é debatido amplamente, incluindo campanhas que mobilizam não apenas o cidadão comum, como também governantes, sector privado e empresas para boas práticas ambientais. (Muamine Benjamim).

 

Nhamatanda: Livaningo junta munícipes sobre “soluções para a poluição plástica”

O Projecto Kukwuiza é implementado por duas Organizações-Não Governamentais, nomeadamente, Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistências (ADRA) e Livaningo, mas ambas diferem na actuação – a primeira focada na agricultura e comercialização, enquanto a segunda, na gestão ambiental e género. Está a criar mecanismos de resposta a vários problemas locais com envolvimento das comunidades, desta vez através de sensibilizações sobre “soluções para a poluição plástica” em Nhamatanda, no âmbito do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de Junho.

Ontem, quinta-feira, entre jovens, adultos, idosos, instituições governamentais e privadas, em massa, com máscara, luva, bota, vassoura, ancinho, pá e contentores de lixo fizeram a recolha de resíduos sólidos, incluindo plásticos na vila municipal de Nhamatanda.

Na ocasião, o técnico ambiental Osório Belchior desafiou aos participantes a apresentarem desvantagens de um plástico e vantagens de uma sacola feita de capulana, tornando-lhes mais consciente sobre os riscos do material não reciclável. “Há soluções locais para proteger o meio ambiente”, disse.

A poluição plástica é um contribuinte significativo para poluição da água. O descarte inadequado de resíduos plásticos, como garrafas, sacolas e materiais de embalagem, faz com que esses itens entrem em rios, lagos e oceanos. A durabilidade do plástico significa que ele pode persistir em ambientes aquáticos durante séculos. A acumulação de detritos plásticos representa uma ameaça directa à vida marinha, uma vez que os animais podem ingerir.

Uma das principais fontes de poluição por plástico são os produtos de plástico de uso único, que não circulam na economia, sobrecarregam os sistemas de gestão de resíduos e acabam por chegar ao ambiente. Alguns dos produtos mais comuns são garrafas de água, recipientes dispensadores, sacos de takeaway, talheres descartáveis, sacos de congelação e esferovite de embalagem.

Com as sensibilizações e o plantio de árvores, a Livaningo pretende minimizar o uso de plásticos que normalmente leva cerca de 400 anos para decompor-se e garantir o reflorestamento em Nhamatanda.

Nas comunidades, a  Livaningo apoia os Comités de Gestão de Recursos Naturais (CGRNs) – espaços de diálogo e tomada de decisões sobre a utilização dos recursos naturais, promovendo a participação e o empoderamento das comunidades.

A Livaningo, através do técnico ambiental Osório Belchior avalia que “até ao momento, nos sentimos orgulhosos porque certas actividades não aconteciam nessas comunidades, por exemplo, uso massivo de fogões melhorados (fogão poupa-lenha ou poupa carvão), incluindo [treino sobre a produção usando material local e acessível] ”, além de que as comunidades já estão mais conscientes sobre as desvantagens de destruir o meio ambiente e “sentem a sua responsabilidade” de protegé-lo.

Gorongosa e parceiros juntam raparigas sobre higiene e gestão menstrual

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em colaboração com o Serviço Distrital da Educação, Juventude e Tecnologia de Dondo e Município de Dondo (SDETJ) juntaram cerca de 100 alunos em palestras sobre a higiene e gestão menstrual nas escolas secundárias, cujo objectivo é consciencializar para adopção de boas práticas nas idades entre 11 a 16.

Além das palestras nas escolas de Dondo, nas comemorações do Dia Mundial da Higiene e Gestão Menstrual assinalada a 28 de Maio, as raparigas receberam kits de higiene pessoal, contendo dez calcinhas e dez pensos.

Na ocasião, a responsável de Género no SDETJ – Dondo, Josefa Francisco Patele, explicou que a rapariga “precisa de ter conhecimentos quando atinge a idade menarca (inicial para menstruação), visto que a mente precisa de ser capacitada que eu estou nesta fase e como mulher o que preciso saber. [Por exemplo], o corpo da rapariga precisa de manter uma higiene pessoal nas partes íntimas através do uso do penso”.

Josefa Francisco Patele Josefa Francisco Patele critica alguns pais e encarregados de educação que desinformam as raparigas sobre os primeiros sinais de menstruação, “impedindo-as de exercerem algumas actividades de casa, brincar com outras crianças e frequentar a escola, alegadamente podem contrair doença; para uma família sem conhecimento sobre a menstruação, a menina quando entra de período informa sua mãe, o pai começa a traçar algumas medidas como não pode colocar sal na comida para papá, seus irmãos’ , não pode saltar seus irmãos, não bater amigos nas costas se não vão ter problemas de hérnias”. São simplesmente mitos.

A rapariga com menstruação pode fazer todas as actividades de casa ou escolar, bastando usar correctamente o penso; caso de suspeitas na demora deve aproximar a uma unidade sanitária; não é motivo de a menina faltar a escola, deve participar nas aulas de educação física; e brincar normalmente, mas antes deve saber usar para sentir-se confortável”.

Vacelisa Agustinho Fernando, aluna da 12.ª classe na Escola Secundária de Dondo garantiu que aprendeu bastante para garantir uma boa saúde menstrual, por isso, encoraja para o uso diário. “Deve usar correctamente o penso, sem que as pessoas se apercebam; sendo reutilizável, usar três a quatro vezes no máximo. Se for penso descartável deve encontrar o melhor local para a deposição”.

“Depois de usar o penso reutilizável, devemos lavar e pôr ao sol para matar possíveis baterias no estendal coberto com a capulana, para que os nossos pais não possam ver. Como experiência vou praticar tudo na minha vida, porque eu não fazia e já sei dizer que o período menstrual não é doença, toda a mulher em idade fértil apanha e eu vejo que deve ir à escola mesmo assim”, descreveu Edita Abílio Tole, 17 anos, lembrando como era antes temia e tendia ao isolamento quando estivesse de período.

A jovem Célia Torrés, de 18 anos, descreve o aprendizado. “Aprendi a maneira correcta de usar o penso reutilizável. Se sujar devo tirar e lavar com sabão; aprendi que tendo mesmo a menstruação podemos ir à escola”. Mas lamentou a falta de conhecimentos de alguns encarregados de Educação que contribui negativamente ao limitarem as raparigas em menstruação.

A primeira menstruação, chamada menarca geralmente ocorre entre os 11 e 16 anos. A menstruação costuma cessar definitivamente com a menopausa, que acontece, em média, entre os 45 e 55 anos.

Este evento resulta de uma iniciativa do Parque Nacional da Gorongosa, através do sector de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH), em coordenação com os parceiros para tornarem as comunidades actores na melhoria do acesso à água potável, a cuidados de higiene e serviços de saneamento nas comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável.

O PNG não apenas sensibiliza para as boas práticas de saúde sexual e reprodutiva, também continua a ajudar os comités de saneamento WASH através da reparação e construção de novos furos; mobilização para práticas melhoradas de higiene e saneamento através da construção de latrinas, dispensas, aterros sanitários e sistemas de drenagem na Zona de Desenvolvimento Sustentável. (Narcísio Cantanha).

Dondo prevê vacinar 142 mil crianças contra poliomielite

Lançada na última segunda-feira, a primeira ronda da Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio, no distrito de Dondo, em cinco dias vai abranger de 142 mil de crianças menores de 10 anos, no âmbito dos esforços para a erradicação da doença que causa paralisia infantil no país.

A informação foi partilhada pelo director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, Azarias Manhenje, em representação da administradora de Dondo durante o lançamento da primeira ronda da Campanha Nacional de Vacinação contra a variante da pólio do tipo 2.

Segundo Manhenje, a vacinação será porta-a-porta como estratégia primária e entre outros pontos de maior concentração populacional.”

Para permitir uma melhor avaliação na Campanha, as crianças que forem vacinadas serão marcadas, na unha do dedo mínimo da mão esquerda, com tinta apropriada e receberão cartão de vacinação, que deverão conservá-lo consigo.

Esta Campanha conta com 152 colaboradores para cobrir o distrito, 37 supervisores, 19 coordenadores, um logístico e 375 profissionais entre vacinadores, mobilizadores e registadores, contando com as 20 unidades sanitárias de Dondo. (Narcísio Cantanha).

Gorongosa prevê vacinar mais de 126 mil crianças contra Poliomielite

Lançada ontem segunda-feira, a primeira ronda da Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio, no distrito de Gorongosa, em cinco dias vai abranger cerca de 18,2 milhões de crianças menores de 10 anos.

A vacina contra Pólio, no distrito de Gorongosa, província de Sofala, vai abranger 126.722 crianças dos 0 a 9 anos. Para tal, existem 137 equipas de profissionais.

O administrador de Gorongosa, Pedro Mussengue, falando hoje, segunda-feira, na Escola Básica 1º de Maio, durante o lançamento da campanha de vacinação, disse que conta com o apoio de todos

Segundo Pedro Mussengue, a criança não vacinada fica sempre parecendo de enfermidade e pode contagiar outras na comunidade.

Mussengue desencoraja a desinformação sobre a pólio, por isso, pede aos que já levaram as suas crianças a um posto de vacinação para informarem os outros que ainda não fizeram. (Ana Cleta Coimbra).

Gorongosa e IIAM capacitam agricultores em técnicas de colheita e pós-colheita

As comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa são ensinadas a produzirem com técnicas agrícolas, apesar das mudanças climáticas, mas perdem quantidades significativas neste processo, da sementeira a pós-colheita, por isso, o Parque em coordenação com o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) capacita 201 produtores em técnicas de colheita e pós-colheita de cereais e leguminosas.

Segundo dados da Embrapa, até 40% da produção agrícola pode ser perdida devido a práticas inadequadas na colheita e pós-colheita. O tratamento pós-colheita é evidente na redução de perdas e desperdícios, que podem ocorrer devido a factores como deterioração, infestação por pragas e doenças, e danos mecânicos. Com a aplicação de técnicas adequadas, é possível prolongar a vida útil dos produtos, permitindo que os agricultores e distribuidores maximizem os seus lucros e ofereçam alimentos frescos e de qualidade ao mercado.

Os profissionais do IIAM treinam a equipa técnica do PNG e os produtores em tecnologias pós-colheita de milho, mapira, gergelim, feijão-vulgar e feijão-bóer para reduzir as perdas resultantes das más práticas de colheita pós-colheita.

Com estas capacitações, pretende-se reduzir as perdas e desperdícios que ocorrem durante a colheita e pós-colheita; garantir a qualidade dos produtos que chegam ao consumidor final, mantendo as suas características nutricionais e sensoriais; e aumento da vida útil dos produtos colhidos.

No total, são 201 produtores a serem capacitados em Gorongosa (54), Nhamatanda (54), Dondo (21), Muanza (21), Cheringoma (29) e Maringué (22). Todos os capacitados são líderes de grupos compostos por 25 membros com respectivos campos de demonstração agrícola onde todos aprendem as técnicas para replicar nos campos de produção individual.

No distrito de Nhamatanda, as capacitações decorreram em quatro dias, entre 22 a 25 de maio de 2025, juntando os produtores de Dondo.

O milho, a mapira e o gergelim são alimentos produzidos na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, mas perdem-se em quantidades significativas quando erradamente as técnicas de colheita e pós-colheita são aplicadas. Para evitar este desperdício, o especialista do IIAM, Domingos Dias, aconselha:

O milho deve ser colhido na época correcta ou na maturação fisiológica – mudança da coloração onde o cereal fica mais branco, mostrando sinais de secagem, mas não está tão seco. Nesta fase, as pragas estão adormecidas esperando o aumento da humidade e do calor para atacar.

A secagem natural é o método mais tradicional e de menor custo. Consiste em espalhar os grãos em terreiros ou lonas, expondo-os à acção do sol e do vento.

O milho quando está pronto para a colheita apresenta sinais específicos tais como folhas amareladas e secas, os grãos endurecem e adquirem superfície brilhante, as espigas com cascas secas inclinam-se para baixo sobre o caule e aparece uma camada preta onde o grão de milho se liga à espiga.

Por outro lado, os sinais de que a mapira está pronta para a colheita incluem uma humidade de cerca de 17 e 14% com secagem artificial. Sem recursos para secagem artificial, a colheita só poderá ser feita quando a humidade cair para 12 a 13%. Depois da colheita, dever-se estender por uma a duas semanas após as quais se faz a debulha. Depois de debulhar, tem que secar ainda mais por duas semanas de sol para mais tarde, fazer o tratamento do grão com produtos químicos recomendados.

Um armazenamento adequado é crucial para manter a qualidade dos grãos. Recomenda-se armazenar os grãos em silos limpos, secos e bem ventilados, com monitoramento constante da temperatura e humidade.

Nas comunidades rurais, é normal as famílias armazenarem o milho em celeiros onde por baixo faz-se cozinha, possibilitando que o fumo proteja o milho dos insectos.

Para avaliar a secagem, existem métodos práticos de baixo custo, por estalido, mordendo os grãos de milho, gergelim e feijões para aferir a sua dureza ou usando o sal não iodado, numa garrafa fechada hermeticamente, para evitar a entrada de ar e um pouco dos grãos para agitar. Se o sal colar pelas paredes do recipiente, significa que o milho continua húmido, mas se os grãos e o sal caírem ou a garrafa ficar limpa, os grãos já estão prontos para o tratamento e o seu subsequente armazenamento.

Não é aconselhável os produtores colherem o milho seco e armazenarem-no com espiga porque não estão a resolver o problema das infestações e infecções que na sua maioria, aparecem ainda no campo. Afinal, a pupa do insecto está na espiga e por mais que pulverizem, mais tarde vai atacar o alimento armazenado. Portanto, “é preciso debulhar antes do armazenamento”, aconselhou o especialista do IIAM.

Domingos Dias explicou que as capacitações são auxiliadas por matérias audiovisuais, brochuras, incluindo exemplos práticos de como aplicar as técnicas de colheita e pós-colheita de cereais e leguminosas pelas comunidades. No final, será entregue o manual de procedimentos sobre colheita e pós-colheita a cada um dos beneficiários do treinamento.

 

Produtores garantem mudança nas comunidades

Além de produtos químicos, os produtores, antes desta capacitação, foram instruídos a produzirem adubos e pesticidas com base no material local e disponível.

Como produzir pesticida, por exemplo? Levamos um pouco de piripiri, pilamos, misturamos com um pouco de tabaco, pedaço de sabão, se a machamba for grande, mistura com um quilo de açúcar e pouco de alho, misturando com água e conserva entre dez a quinze dias. Depois disso já pode pulverizar”, explicou o líder produtor de Bebedo, Fernando Amisse.

“Estou muito feliz com esses ensinamentos, parece que estudei muito, até ultrapassar o próprio técnico de agricultura. São pequenas capacitações que me deram mais conhecimentos, isso é um grande desenvolvimento para nós”, descreve o produtor, prometendo que vai aplicar todas as técnicas: “Vou aplicar tudo que aprendi, irei chamar os 25 membros, testando o meu milho, para aprenderem, da produção ao armazenamento, a partir do próximo ano”.

“O milho bem seco é esse que dá para guardar, mas para guardar, devemos usar medicamentos [produto químico], se não tiver condições financeiras de comprar, é só usar cinza misturada com milho, a seguir ensaca o milho e guarda para consumir nos próximos dias”, explicou Amina Martero Alfinete, líder de grupo de produtores da localidade de Bebedo, reconhecendo que há muito tempo não fazíamos isso, colhíamos o milho e o armazenamos no celeiro com cascas e espigas, mas perdíamos grandes quantidades do produto.

Amina Martero Alfinete conta que com as técnicas anteriores de colheita e pós-colheita do milho, em número de dez sacos, perdíamos em média dois sacos por apodrecimento ou invasão de insectos. Mas “já não vou perder nenhuma quantidade com aquilo que aprendi”.

Inácio Queface diz que esta capacitação impulsionou os conhecimentos antes adquiridos não apenas da fase de colheita, mas também os passos que antecedem, do preparo do solo, sementeira num espaçamento de entre 60 a 90 centímetros, colheita, secagem, debulho, armazenamento, consumo e garantia da próxima época agrícola.

O líder produtor, Inácio Queface, de Bebedo, partilha o aprendizado. “Quando as folhas do milho estiverem amarelas significa que o milho já está a ficar pronto para colheita. Não podemos deixar o milho ficar muito seco na machamba, ao colher, se assim for, corremos o risco de carregar com o insecto e respectivos ovos e vão se reproduzir no nosso celeiro. É preciso colher conforme a coloração das respectivas folhas, deixar secar em casa, peneirar bem e espalhar o produto químico recomendado pelos técnicos ou mesmo usar a cinza no acto do armazenamento”.

Esta capacitação decorre num momento certo porque é o período pós-colheita do milho. Então, ainda há tempo de se aplicar o aprendizado e garantir a semente para a próxima época de produção agrícola, uma vez que as comunidades, às vezes, queixam-se de demora de entrega de sementes de apoio. (Muamine Benjamim).

Dondo: Rapariga achada morta uma semana depois do seu desaparecimento

Uma rapariga de 10 anos foi achada morta, ontem domingo, com sinais visivelmente de violência sexual, no bairro Macharrote, arredores da cidade do Dondo, em Sofala.

Desaparecida há sete dias do convívio familiar, Ana Manuel Liquelique foi achada morta, em estado avançado de decomposição, numa machamba.

Ana desapareceu às 16 horas, no dia 24 do mês passado, no quarteirão 12, no seu bairro residencial, Consito. A situação preocupou familiares, vizinhos e conhecidos.

A família de Ana conta que a criança estava a brincar com outras menores e não regressou à casa. As diligências foram feitas junto das autoridades locais na tentativa de encontrar a menor.

Segundo Inoque Eduardo, quem descobriu o corpo, estava na machamba de arroz, quando de repente os cães começaram a latir aproximando-se do local.

“Suspeitei e decidi aproximar para ver do que trata, vi uma parte do membro superior com dúvidas de ser humano ou animal, daí comuniquei as autoridades locais”.

O pai de Ana, Manuel Liquilique recebeu um telefonema de que havia sido achado um corpo sem vida numa machamba com sinais de agressão física, o que leva a crer que o acto do violador não teria acontecido no local onde o corpo foi achado.

“Quando cheguei ao local, já tinham feito o enterro, desenterramos, vi que se tratava da minha filha. Decidiu-se levar o corpo a um cemitério local”.

O chefe da Unidade Comunal ‘E’ no Dondo, Doliz José, lamentou o acto macabro que envolveu a menor afirmando que após tomar conhecimento houve diligências para comunicar às estruturas e com apoio de jovens locais foi possível remover o corpo que se encontrava enterrado numa machamba, próximo ao cemitério.” Situação muito triste”.

As autoridades policiais trabalham para identificar os culpados do crime que chocou o distrito de Dondo. (Narcísio Cantanha).

Karingani reforça compromisso com formação e inserção profissional de jovens moçambicanos

A Karingani Game Reserve realizou, nos distritos de Magude e Massingir, a cerimónia conjunta de recepção dos 23 novos estudantes que iniciaram o programa de formação em 2025 e de despedida dos 23 jovens graduados em 2024. Esta dupla celebração assinala mais uma etapa no programa de capacitação financiado pelo Karingani, em parceria com o SA College for Tourism (SACT) e a Wildlife Tracker Academy, na África do Sul, que tem como objectivo formar e integrar jovens das comunidades locais no sector do turismo e conservação.

Os graduados de 2024, provenientes dos distritos de Magude e Massingir, foram já integrados, com contratos de trabalho, em diferentes instituições, incluindo o Karingani Game Reserve, o Parque Nacional da Gorongosa, o Drostdy Hotel e a própria Wildlife Tracker Academy, na província do Eastern Cape, África do Sul.

Esta alocação representa uma nova fase na trajectória profissional daqueles jovens e um contributo concreto para o desenvolvimento das comunidades de origem.

O programa de formação tem a duração de dois anos e é dirigido a jovens com, pelo menos, a 10.ª classe, oriundos das comunidades vizinhas da reserva. Ao longo do percurso formativo, os participantes adquirem competências técnicas nas áreas de hospitalidade e conservação da vida selvagem, aumentando significativamente as suas perspectivas de empregabilidade num dos sectores estratégicos para o futuro de Moçambique.

“A nossa missão vai além da simples conservação e do turismo sustentável, temos um compromisso sólido com o desenvolvimento socioeconómico local e procuramos, constantemente, fortalecer as relações de cooperação com as comunidades vizinhas. O nosso objectivo é restaurar, preservar e melhorar os processos ecológicos naturais e a biodiversidade da nossa reserva, por meio de uma parceria eficaz e sustentável entre o Governo de Moçambique, investidores privados e as comunidades locais”, afirmou Mateus Mutemba, Director Executivo do Karingani Game Reserve.

Durante a cerimónia, a Governadora da Província de Gaza, Margarida Mapanzene, destacou a importância da massificação deste tipo de iniciativas.

“Temos que continuar a cultivar esta forma de fazer, para que continuemos a dar mais oportunidades, quer seja de emprego, outros objectos ou infraestruturas sociais que possam ajudar essas comunidades. Mas para que isso aconteça, a comunidade e a Karingani Game Reserve têm de estar em estreita articulação, coordenação e colaboração”, defendeu.

Por sua vez, o Secretário de Estado na Província de Gaza, Jaime Neto, salientou o impacto transformador da formação.

“Acreditamos que a educação e a formação são os pilares de qualquer sociedade próspera. E a Karingani Game Reserve tem se destacado por investir em seu maior recurso, as pessoas. Abracem com responsabilidade esta oportunidade de emprego que a Karingani Game Reserve vos dá”, ajuntou.

Na ocasião, os líderes locais também partilharam as suas recomendações.

“Quando forem à escola, esqueçam de nós, vossos progenitores, e foquem-se nos vossos professores. E agora, que vão trabalhar, façam o mesmo: foquem-se no vosso trabalho e obedeçam aos vossos chefes”, aconselhou Isac Cubai, líder da Comunidade de Cubo, que falou em representação dos líderes comunitários do distrito Massingir.

Sofia Celestino, por sua vez, falando em nome dos encarregados de educação, enalteceu o papel da formação dos jovens e agradeceu pelo projecto.

“Eduquemos os nossos filhos para podermos colher frutos continuamente. Se as educarmos, elas vão fazer crescer o nosso país. Em vez de as lobolarmos, mandámo-las para a escola, e porque estavam preparadas beneficiaram-se desta bolsa e hoje estão formadas e prontas para trabalhar e ajudar-nos a nós seus pais. Por isso apelo, caros pais: mandemos as nossas filhas para a escola, esse é um investimento mais sólido do que o casamento prematuro.”, defendeu.

“Agradeço à Karingani e ao nosso Governo, que abraçou o projecto da Karingani Game Reserve, um projecto que está a fazer crescer o Posto Administrativo de Mapulanguene”, acrescentou.

Em representação aos bolseiros de 2025, Nélio Mujovo mostrou-se entusiasmado com os desafios futuros que lhes esperam. “A nossa expectativa é aprender mais e vemos isto como uma oportunidade para muitos jovens. E também é de muito benefício, vai ajudar a comunidade como tal”, apontou.

Falando em nome do Parque Nacional da Gorongosa, o Gestor do Chicari Camp, Test Malunga, destacou a importância e os resultados desta parceria com a Karingani Game Reserve.

“Estamos orgulhosos da nossa parceria com a Karingani e a SACT para desenvolver a próxima geração de profissionais de turismo moçambicanos, através da oferta de contratos de trabalho a 8 mulheres graduadas deste programa.

Estas jovens juntamse a uma equipa de mais de 30 pessoas que estão agora empregadas no nosso novíssimo Chicari Camp, demonstrando o enorme potencial do turismo de safari para criar empregos de alta qualidade para jovens moçambicanos agora e no futuro”, revelou.

O Karingani Game Reserve mantém o compromisso de apoiar a capacitação da juventude moçambicana, alinhando-se com as políticas do Governo para a formação de quadros qualificados no sector do turismo. Com esta iniciativa, não só se garante empregabilidade a curto prazo, como também se contribui na criação de um modelo sustentável de desenvolvimento para as comunidades locais.

O OSA College for Tourism (SACT) foi criado em 2001 pelo Dr. Anton Rupert como um programa de desenvolvimento de capacidades de operações de serviços de hospitalidade para alunos de comunidades marginalizadas na África do Sul e alunos de antecedentes semelhantes noutros países membros da SADC.

Em 2010, a SACT introduziu a formação de batedores no seu âmbito de formação para a preservação da arte indígena de batedores da África Austral que, após milhares de anos, poderá em breve perder-se para as gerações futuras.

A Karingani Game Reserve (KGR) está situada no sul de Moçambique e partilha limites com o Parque Nacional do Limpopo (PNL) e com o Parque Nacional Kruger da África do Sul (KNP).

A Karingani Game Reserve (KGR)é uma reserva reconhecida como uma importante área de conservação ambiental para protecção da história e das espécies de mamíferos terrestres,empenhada em promover o turismo, a conservação, o desenvolvimento socioeconómico e em fomentar relações sólidas com a comunidade.

Actualmente emprega acima de 422 pessoas, sendo 86.20%provenientes das províncias de Maputo e Gaza onde a reserva está localizada, e 11.54% Moçambicanos provenientes de outras províncias e os restantes 2.26% dos trabalhadores são de nacionalidade estrangeira.

Karingani, que significa “contar estórias” em changana, refere-se a uma prática tradicional do povo local da região da reserva.

A iniciativa Karingani é mais do que uma simples narrativa; ela evolui continuamente e é inspirada no espírito do respeitado contador de histórias que preserva tradições antigas. Este costume faz parte da cultura moçambicana, sendo valorizado e respeitado pelo projeto.

A iniciativa combina essa rica herança cultural com a modernidade da África contemporânea, criando um ambiente inovador para o desenvolvimento do projecto.

NOVO GUIÃO DE LITERACIA E NUMERACIA: Gorongosa treina 126 promotores dos Clubes da Rapariga

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) capacitou entre os dias 26 e 30 de maio de 2025, 126 promotores dos Clubes da Rapariga existentes nas comunidades dos seis distritos da Zona de Desenvolvimento Sustentável (ZDS) do Parque. O treinamento ocorreu simultaneamente em três localidades diferentes, com a mesma agenda e objectivos de treinar os promotores nos novos currículos de alfabetização e numeracia do Clube de Rapariga.

Os promotores de Maringué e Cheringoma serviram em Inhaminga, os promotores da Gorongosa foram capacitados na Gorongosa, e os promotores dos distritos de Dondo e Muanza juntaram-se a Nhamatanda.

Em Nhamatanda, o treinamento que termina hoje, sexta-feira, juntou 18 mulheres e 16 homens promotores jovens dos distritos de Nhamatanda, Muanza e Dondo, com a equipa de formadores do Clube da Rapariga e técnicos do SDEJT, somando no total 124 promotores na ZDS.

“Os antigos guiões não estavam bem desenvolvidos”, revelou o supervisor de educação para Muanza e Dondo, Luscídio Luís Alexandre Meque, além de que os manuais já estavam em número reduzido depois da passagem do ciclone Idai em 2019 o qual afectou igualmente a Gorongosa.

Supervisor de educação para Muanza e Dondo, Luscídio Luís Alexandre Meque

Para Luscídio, no novo manual, as crianças vão aprender baseando-se em jogos muito mais o vocabulário, fluência e compreensão na língua portuguesa- classes gramaticais sinonímia, antonímia, adjectivos. Já na numeracia, o guião inclui cálculos simples, com imagem e linguagem mais acessível.

As crianças não têm muito tempo para estarem a escutar um promotor semelhante ao professor, por isso, com o novo guião as crianças “farão as próprias sessões, tornando-lhes activas pela aprendizagem baseada em jogos”.

Para toda a Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, o supervisor distrital espera que as comunidades mandem as crianças para a escola e Clube de Rapariga.

Além da apresentação do novo plano de sessão dos Clubes de Rapariga, baseado nos guiões de Literacia e Numeracia, as sessões incluíram partilha de experiências dos promotores sobre matérias de protecção e salvaguarda da criança e o reforço do respectivo código de protecção; acordos de voluntariado; revisão dos métodos activos e participativos (círculo duplo, mesa redonda, toalhinha de mesa, mapa de conceito e cadeia de fala); criação de grupos para a planificação e simulação de sessão com conteúdos de literacia e numeracia, com utilização de material didáctico e técnicas de inclusão de conteúdos sobre Meio Ambiente.

 

Prontos para educar raparigas  

O manual expõe “qual é a actividade a iniciar, o que vamos finalizar, as crianças já não vão recorrer aos cadernos para apontamentos. Vão aprender mesmo em forma de brincadeiras, não pressionar a rapariga como acontece nas escolas”, revela a promotora do Clube de Raparigas da comunidade de Mueredzi –Muanza, Ana José Fombe, acrescentando que por vezes recorria aos livros da escola para as instruções, como já não será necessário fazer mais.

Promotora do Clube de Raparigas da comunidade de Mueredzi –Muanza, Ana José Fombe

O promotor do Clube da Raparigas da comunidade de Nhampoca –Nhamatanda, Daniel Lucas Jemusse descreve a diferença nos dois manuais. “O antigo manual deixava o promotor a dar as sessões. Já com o novo manual, o promotor irá orientar as sessões sendo dadas pelas raparigas, o que irá possibilitar mais compreensão delas.

Promotor do Clube da Raparigas da localidade de Nhampoca –Nhamatanda, Daniel Lucas Jemusse

A promotora Albertina Luís Chicote, da localidade de Nhampoca- Nhamatanda, diz que o manual está muito compreensível. “Ao ler e interpretá-lo será mais fácil para as 40 raparigas e 10 rapazes membros” do seu Clube compreenderem.

Promotora Albertina Luís Chicote, de Nhampoca- Nhamatanda

Nas comunidades em redor ao Parque, a lista de violações de direitos inclui uniões prematuras; gravidezes indesejadas de menores cujo parto pode levar à morte; a ideia de que uma menina menstruada não pode atravessar as ruas, logo, não pode ir à escola; violência doméstica; violência baseada no género; e abuso sexual. Contra estas práticas negativas, a Gorongosa promove cerca de 100 Clubes da Raparigas dirigidos por promotores treinados, ensinando as meninas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, matérias de literacia e numeracia, direitos e deveres da criança. Ou seja, nesses Clubes, as miúdas conhecem o seu corpo, aprendem a sonhar, sabem tratar da higiene menstrual, afastar-se de comportamentos de risco e aprender a negociar com os pais a dizer um dia caso-me, mas não já.

Existem histórias de impacto resultantes desses Clubes. O caso recente é de Jena Kenade. Com 16 anos, recusou várias tentativas de união prematura. Conseguiu escapar para a vila de Gorongosa pela bolsa de estudo atribuída com apoio do PNG e a Cruzada por Los Niños.

Portanto, o Clube no qual Jena aprendeu, também vai ter um novo guião de literacia e numeracia.

Jornal Profundus

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