Por que as instituições financeiras devem educadamente virar as costas ao Coral North FLNG da ENI?

Actualização do ReCommon e da Justiça Ambiental! O investimento do seu projecto Coral North FLNG, mas agora afirma que ainda está em negociações com bancos privados para o financiamento e parece colocar a culpa do atraso nas autoridades moçambicanas. Enquanto isso, um investidor foi processado por uma organização da sociedade civil, e quatro bancos privados já excluíram o financiamento para o projecto.

A Coral North FLNG, uma plataforma flutuante planeada para extrair e liquefazer gás ao largo da costa de Moçambique, ainda está em busca de financiadores. Embora a ENI tenha declarado em Janeiro que estava pronta para tomar a decisão final sobre o investimento do projecto, na semana passada, no contexto da sua AGM, admitiu aos acionistas que “as negociações com as instituições financeiras privadas estão em andamento”. Quando questionada sobre as razões do atraso no fecho do negócio, a ENI apenas respondeu que o plano de desenvolvimento foi aprovado pelas autoridades moçambicanas em Abril de 2025, o que implica que elas seriam as responsáveis pelo atraso.

A ENI lidera o trabalho na Coral South FLNG, o único projecto operacional na Bacia do Rovuma. Trata-se de uma planta de processamento flutuante ancorada em alto-mar que vem exportando GNL desde Novembro de 2022. A Coral North FLNG seria uma réplica, cravando suas garras no fundo do mar a apenas 10 quilómetros de distância, agravando os impactos na ecologia da área.

Respondendo às perguntas durante a AGM, a ENI confirmou também que “parte das necessidades do projecto está planeada para ser financiada por meio de dívida” e com “apoio de diversas Agências de Crédito à Exportação”, como ocorreu com a Coral South FLNG. No entanto, diferentes actores do sector financeiro privado estão se afastando do financiamento do petróleo e gás não convencionais no segmento upstream, a fim de alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Pelo menos quatro dos bancos que apoiaram o primeiro projecto BNP Paribas, Crédit Agricole, UniCredit e ABN Amro, afirmam que não estão mais interessados em financiar a réplica, pois esta não está em conformidade com sua política actualizada sobre mudanças climáticas.

Pouco mais de três anos após a chegada do enorme navio à região de Cabo Delgado, a Coral South tem registado múltiplos casos de queima excessiva – a queima do excesso de gás extraído, que resulta em emissões significativas de carbono. Sendo uma réplica, a Coral Nortth estaria provavelmente sujeita a problemas semelhantes.

Uma investigação publicada em Abril pela organização italiana da sociedade civil, ReCommon revelou que as emissões totais da Coral South foram avaliadas em níveis sete vezes superiores aos declarados na original avaliação de impacto ambiental (AIA).

Somente entre Junho e Dezembro de 2022, as emissões de queima do projecto Coral South FLNG foram responsáveis ​​por 11,2% das emissões anuais de Moçambique, reflectindo um aumento de 11,68% em comparação a 2021.

Prosseguir com o desenvolvimento de gás na Bacia do Rovuma, ignora as conclusões do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, que indicam que o investimento em infra-estrutura adicional de gás é incompatível com o objectivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. A análise da Agência Internacional de Energia também revela que, em um cenário de 1,5 °C, a capacidade existente de exportação de GNL já seria suficiente para atender à demanda actual e futura.

Com a demanda de gás em declínio em todo o mundo, a Coral North apresenta alto risco financeiro, levando a organização da sociedade civil sul-coreana Solutions for Our Climate (SFOC) a tentar interromper o investimento estatal no projecto. Em Fevereiro, a Korea Gas Corporation (KOGAS) anunciou a decisão de investir US$ 562 milhões no projecto por meio de capital próprio e num empréstimo à sua subsidiária, KG Moçambique. Em Março, a SFOC processou a KOGAS, argumentando que o investimento é economicamente arriscado para a Coreia do Sul e que o projecto contribuiria significativamente para os impactos das mudanças climáticas e, portanto, violaria os direitos das futuras gerações a um ambiente saudável. Entre 2008 e Abril de 2024, a KOGAS já havia investido cerca de US$ 1 bilhão no desenvolvimento de gás em Moçambique, mas recusou-se a divulgar o estudo preliminar de viabilidade (PFS) para a Coral North. A SFOC também tem um processo em andamento contra a KOGAS para a divulgação do PFS.

Dois outros projectos na Bacia do Rovuma, estão a planear instalações de processamento em terra significativamente maiores, com a intenção de canalizar gás de poços localizados a cerca de 50 km da costa: a Mozambique LNG e o Rovuma LNG. Os impactos ambientais dos quatro projectos de gás, em conjunto, ao longo de toda a sua vida útil, podem ser devastadores para a Bacia do Rovuma e para o Oceano Índico Ocidental. A Avaliação de Impacto Ambiental do Projecto Coral Norte foi criticada por não cumprir as normas legais e científicas na avaliação dos riscos ambientais e climáticos.

O projecto Mozambique LNG, liderado pela gigante francesa dos combustíveis fósseis TotalEnergies, continua sob escrutínio internacional. O projecto está sob força maior desde Abril de 2021, após um violento ataque de insurgentes. Actualmente, está sob investigação após denúncias de um massacre de civis supostamente cometido perto do complexo de gás de Afungi em meados de 2021, pelas forças de segurança pública. A Mozambique LNG compartilha direitos de uso da terra e algumas infra-estruturas com o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, tendo a ENI e a China National Petroleum Corporation como principais parceiras. O projecto também permanece sem uma decisão final de investimento.

O desenvolvimento de projectos de GNL em Moçambique também apresenta sérias preocupações quanto à erosão da soberania, devido aos acordos legais que limitam a capacidade do governo de regular esses projectos e obter receitas justas. Desde que a exploração de gás começou, por volta de 2010, a indústria tem sido associada a uma dívida significativa motivada pela corrupção, e o Governo apoia a participação da sua empresa petrolífera nacional em projectos de GNL, criando risco fiscal sem retorno garantido. As comunidades locais já perderam terras agrícolas e o acesso ao mar devido ao desenvolvimento da infra-estrutura, e centenas de famílias foram obrigadas a se deslocar.

As receitas do gás até o momento somam pouco mais de US$ 200 milhões, dos quais 40% são destinados ao Fundo Soberano, criado para garantir estabilidade e economia para as futuras gerações. Na semana passada, o Tribunal Administrativo de Moçambique relatou inúmeras irregularidades na Conta Financeira do Estado de 2023, que representam um suposto desvio de US$ 33 milhões das receitas do gás do Rovuma. Além disso, a sociedade civil moçambicana tem levantado preocupações sobre a alocação dos fundos para projectos sociais e económicos, conforme previsto no Orçamento do Estado.

O desenvolvimento da indústria de GNL em Moçambique só promete mais danos — destruição ecológica e impacto das mudanças climáticas, destruição dos meios de subsistência da população e aumento da privação de direitos e desigualdades. Este é um negócio arriscado para investidores financeiros públicos e privados. (JA!).

Última hora: Gorongosa já não vai receber a Chama da Unidade hoje

Informações de última hora indicam que o distrito de Gorongosa, em Sofala já não vai receber hoje a tocha da Chama da Unidade, como antes estava previsto.

O distrito de Gorongosa vai receber a tocha no próximo “dia 6 de junho”, das mãos de Maringué. Confirmou esta manhã o administrador distrital Pedro Mussengue.

Lembre-se que hoje, Nhamatanda recebe a tocha da Chama da Unidade pelas mãos do posto administrativo de Inchope, distrito de Gondola.

Lembre-se que a marcha da Chama da Unidade foi iniciada oficialmente a 7 de Abril, coincidentemente Dia da Mulher Moçambicana, no distrito de Nangade, província de Cabo Delgado. A tocha deverá passar em 154 distritos do país e culminará com 25 de Junho de 2025, no Estádio da Machava, local histórico onde foi proclamada a Independência Nacional há 50 anos.

As celebrações de 50 anos foram lançadas a 25 de Junho de 2024. Segundo o Presidente da República, Daniel Chapo, irão decorrer até ao último dia do mês de dezembro do presente ano, sendo marcadas por actividades de índole sócio-político e económica. (Muamine Benjamim).

Observatório Cidadão para Saúde eleito para liderar coordenação do FMO

O Observatório Cidadão para a Saúde (OCS) foi eleito para assumir a coordenação na liderança do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO). Assim, o OCS – Organização Não Governamental que trabalha na monitoria da transparência e governação na área da saúde – vai liderar a coordenação do FMO durante dois anos.

“Gostaríamos de expressar o nosso profundo agradecimento pela confiança depositada em nós ao elegerem o Observatório Cidadão para a Saúde (OCS) para liderar a nova equipa de coordenação do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO)”, refere a nota do OCS, acrescentando que a organização reconhece que “É com grande sentido de responsabilidade e compromisso que assumimos este novo papel, conscientes da importância estratégica do FMO na promoção da transparência, participação cidadã e responsabilização na gestão das finanças públicas em Moçambique”, lê-se em comunicado do OCS.

O OCS foi eleito na última sexta-feira, na cidade de Maputo.

O OCS reafirma o seu empenho em contribuir para o fortalecimento da missão do FMO, promovendo sinergias, inovação e incidência transformadora que reflicta as vozes e as prioridades dos cidadãos e cidadãs moçambicanas. (Profundus).

Gorongosa refloresta 279 hectares na Campanha 2024-2025

De 2024 a 2025, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de reflorestamento, sector de Relações Comunitárias plantou 279 hectares na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque. São dados colhidos durante as comemorações do Dia Mundial da Biodiversidade, 22 de Maio de 2025, no distrito de Gorongosa, em Sofala.

A comunidade de Nhamissongora-aldeia, no distrito de Gorongosa, acolheu as comemorações do Dia Mundial da Biodiversidade, com o plantio de árvores e mensagens de reflorestamento.

Falando sobre a ocasião, Samuel Figueira disse que o Dia da Biodiversidade visa “consciencializar a comunidade sobre as nossas acções para a Biodiversidade e a natureza”.

O supervisor distrital do Programa de Educação Ambiental, Samuel Figueira, disse que “foram plantados 279 hectares na Campanha 2024-2025 pelo sector de Relações Comunitárias, nos distritos de Maringué, Nhamatanda, Dondo, Cheringoma, Muanza, Gorongosa e respectiva Serra.

O supervisor distrital do Programa de Educação Ambiental em Gorongosa defende que as más práticas contra a Biodiversidade nas comunidades resultam da falta de conhecimento de acções de mitigação ou negligência local. Com isso, o Parque vai continuar a sensibilizar as comunidades.

Aos poucos, “ as comunidades estão a acatar os ensinamentos e estão a entender a missão do Parque” para Conservação sustentável e desenvolvimento humano. (Ana Cleta Coimbra).

ATAQUE A NAVIO RUSSO EM CABO DELGADO: Marinha de guerra prometeu envio de helicópteros para resgate, mas não chegaram

O Centro de Integridade Pública (CIP) revela os contornos, ainda desconhecidos, do recente ataque armado de insurgentes a uma embarcação russa que fazia trabalhos de investigação sobre recursos pesqueiros na costa de Cabo Delgado. A tripulação do navio pediu socorro à Marinha de Guerra de Moçambique, que prometeu o envio de dois helicópteros que nunca chegaram. Os investigadores acusam o Ministério da Defesa e o Instituto Nacional do Mar (INAMAR) de negligência por não terem emitido o alerta de possível ataque naquela região, mesmo depois de envio de pedido de parecer sobre a expedição.

 

Um cenário de terror em alto mar

Uma perseguição aterrorizante! O CIP teve, com exclusividade, imagens audiovisuais do recente ataque armado a um navio russo que fazia pesquisa na costa de Cabo Delgado. João, nome fictício, é investigador e fez parte da equipa dos mais de 40 ocupantes do navio que durante mais de 50 dias liderou uma pesquisa que começou na Ponta de Ouro, em Maputo, até Cabo Delgado. Conta que o navio estava parado a analisar os parâmetros ambientais da água, próximo ao arquipélago das Quirimbas, quando a tripulação – que se encontrava na cabine localizada num ponto alto do navio – notou a aproximação de uma embarcação, por volta das 15h00 do dia 10 de maio.

No primeiro momento, a equipa não desconfiou que se tratava de atacantes “porque tínhamos recebido informação de que haveria uma patrulha militar naquela zona”. Entretanto, as coisas mudaram de rumo quando a equipa se apercebeu das características dos ocupantes da embarcação, “estavam pessoas que pareciam crianças, jovens e adultos vestidos de roupas casuais, com máscaras, armas e catanas e se comunicavam em árabe”, descreveu.

 

Atacante teve um dos investigadores na mira, mas não disparou

A aproximação da embarcação deixou a tripulação russa nervosa e rapidamente emitiu o alerta que chegou aos ocupantes que estavam nos laboratórios e noutros compartimentos. Um dos investigadores esteve a mais ou menos 10 metros de distância dos atacantes e viu um deles a apontar-lhe uma arma. Foi este que alertou aos outros ocupantes, na sua maioria russos, que se encontravam no convés da embarcação sobre o perigo. Até hoje, os ocupantes procuram entender este episódio. Depois de o referido investigador dirigir-se ao encontro dos outros ocupantes e começar a fuga, os atacantes começaram com os disparos. Pelas perfurações, os ocupantes não têm dúvidas de que os atacantes estavam a disparar para matar. Foi por mera sorte que nenhum dos ocupantes foi atingido.

 

Vídeo mostra momento que um projéctil quase atinge membros da tripulação russa

Em apuros, a tripulação iniciou uma tentativa de despistar os atacantes, movimentando a embarcação mais para o alto mar. Os momentos que se seguiram foram de total pânico porque por se tratar de navio, leva algum tempo para ganhar velocidade. Um vídeo do circuito interno da embarcação mostra a preocupação da tripulação em controlar o movimento dos atacantes que, no momento já estavam em duas embarcações. Uma bala entrou pela cabine e atingiu um monitor. Por pouco não feriu ou matou um dos quatro russos no local.

Outro vídeo mostra os atacantes a perseguirem a embarcação, aos tiros, mesmo com o risco de naufrágio. “Eles estavam em embarcações a motor e mostraram que estavam dispostos a imobilizar a embarcação. Efectuaram vários disparos para danificar a embarcação”, recordou João.

 

Marinha de guerra teria prometido resgate através de dois helicópteros que nunca chegaram

Durante a fuga, a tripulação pediu auxílio à marinha de guerra. “Ligou-se para o capitão da marinha de Cabo Delgado que prometeu o envio de dois helicópteros, mas tal ajuda não apareceu”. Enquanto isso, os atacantes continuavam decididos em parar o navio, numa perseguição incessante que durou, estima-se, 20 minutos. Segundo João, os atacantes só desistiram devido à agressividade das ondas, pois havia risco de naufrágio.

Mesmo com o aparente abrandamento dos atacantes, o medo persistia. A noite que se seguiu foi de terror. “Ninguém dormiu. Estávamos todos nervosos, porque não sabíamos se eles tinham capacidade de nos localizar. A tripulação decidiu, por isso, desligar o radar para que o navio não fosse identificado. Este dispositivo só era ligado para controlar navios ao redor. Só ficámos tranquilos quando saímos da zona de Pemba”, lembrou.

Uma imagem mostra o navio em fuga. Nas proximidades, existiam outras embarcações sinalizadas a verde, mas nenhuma respondeu ao pedido de socorro. Entretanto, a grande frustração da equipa é em relação às autoridades de defesa e segurança. “Prometeram envio de ajuda de dois helicópteros que não chegaram. Já na manhã do dia seguinte, começamos a receber chamadas do capitão a procurar saber sobre a nossa localização. Mas até hoje não entendemos o abandono. Eles alegam que não enviaram ajuda porque o nosso navio não estava visível no radar, mas eles poderiam ter-nos contactado da mesma maneira que os contactamos”, entristeceu.

 

As acusações de negligência…

A equipa de pesquisa acusa o Instituto Nacional do Mar (INAMAR) e o Ministério da Defesa Nacional de desleixo. Refere que as duas entidades foram consultadas sobre o roteiro que seria seguido pelos investigadores, mas nada alertaram sobre os riscos de ataques naquela zona. Perante os factos, a equipa só encontra uma explicação. “Achamos que houve negligência do nosso Governo”.

 

Passados mais de dez dias após o ataque: Governo diz não ter detalhes sobre episódio

Desde o dia do ataque até a primeira reacção do Conselho de Ministros passaram-se dez dias, mas, mesmo assim, o Executivo disse não ter informações relevantes sobre o que aconteceu na costa de Cabo Delgado. Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo, disse que a situação ainda estava a ser investigada.

O CIP sabe que a equipa de investigadores e a tripulação foram ouvidos no dia 17 de maio, data de sua chegada a Maputo, por uma equipa da Marinha de Guerra.

Em entrevista à STV, a representante da embaixada da Rússia em Moçambique confirmou o ataque e garantiu que a equipa de pesquisa finalizou os trabalhos com êxito. Esta versão não coincide com a que é apresentada pela equipa de pesquisa que garante que ainda faltavam por escalar dois pontos.

Contradições à parte. A suspeita é que os atacantes tenham saído de uma das ilhas (Tambuzi ou Vamizi), próximas do local do ataque pois Mocímboa da Praia fica atrás delas, isto é, muito mais distante. Na visão de João, os atacantes podem ter suspeitado que a embarcação estava avariada visto que, dada natureza do trabalho, a embarcação faz movimentos de idas e voltas às vezes com paragens.

À luz da Lei do Direito à Informação, o Centro de Integridade Pública enviou cartas para o Ministério da Defesa e para o INAMAR perguntando: Houve ou não negligência do Ministério da Defesa e do INAMAR neste caso? Que acções foram tomadas para socorrer a equipa? O que está a ser feito aferir as circunstâncias da ocorrência e prevenir futuros episódios? Existem ou não equipamentos aéreos para trabalhos de salvamento em alto mar? E qual é o tempo de resposta para situações de busca e salvamento? Entretanto, até ao fecho desta redacção, nenhuma entidade reagiu. (CIP).

Gorongosa leva palestras sobre Biodiversidade para comunidades

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de educação para conservação leva palestras sobre a celebração do Dia Mundial da Biodiversidade para as comunidades da respectiva Zona de Desenvolvimento Sustentável. O distrito de Cheringoma, através da Escola Básica de Nhamatope, acolheu as cerimónias centrais do Dia Mundial da Biodiversidade, 22 de Maio.

Sob o lema “Harmonia com a Natureza e Desenvolvimento Sustentável”, o supervisor distrital do Programa de Educação Ambiental, Lucumane Issufo Agy, explicou que “é possível fazer mudanças do dia-a-dia que impactam o meio ambiente, consciencializando as comunidades sobre o perigo do uso irracional dos recursos naturais, promover e manter o ambiente escolar e das comunidades sempre verde através de plantio de árvores de fruta e de sombra”.

Supervisor do Programa de Educação Ambiental em Cheringoma, Lucumane Issufo Agy

A Escola Básica de Nhamatope reúne diversidades culturais como a Nascente, Grutas de Khodzue, além de outras potencialidades, por isso, a escolha do local para as celebrações do Dia Mundial da Biodiversidade, 22 de Maio, ao nível da Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG.

Na ocasião, representantes do PNG, gestores das escolas, professores, alunos, líderes comunitários e membros da comunidade fizeram o plantio de árvores.

“A Biodiversidade é um conjunto de todas as espécies dos seres vivos existentes no planeta, incluindo todos os ecossistemas tais como terrestres, aquáticos, aéreos e não importa o seu ‘habitat’ e a sua espécie”, defende o supervisor distrital de educação para conservação.

Pretende-se com as celebrações desta data na Escola Básica de Nhamatope, mobilizar as comunidades escolares e locais para uma acção conjunta no processo de preservação e conservação da Biodiversidade, contra as queimadas descontroladas, caça furtiva, agricultura itinerante, garimpo, abate das árvores, pesca ilegal, poluição de água, poluição do solo, poluição do ar e sonora.

A destruição da Biodiversidade resulta na escassez de chuva, deslizamento do solo, desequilíbrio ecológico, entre anormalidades ambientais. Contra estas acções negativas, a Gorongosa, através dos seus programas, envolve as comunidades na promoção da educação ambiental, plantio de árvores, campanhas de sensibilização contra caça furtiva e outras medidas de mitigação de actividades que põem em risco a conservação da Biodiversidade.

Além das sensibilizações para as comunidades, na ocasião, a Gorongosa distribuiu material escolar aos alunos membros do Clube Ambiental da Escola Básica de Nhamatope. (Lucas Singale).

Seminários sobre Dinâmica dos processos eleitorais em Moçambique juntam jornalistas e defensores dos Direitos Humanos

São 80 profissionais dos quais 60 jornalistas e 20 defensores dos direitos humanos a discutirem sobre Dinâmica dos processos eleitorais em Moçambique, numa iniciativa do MISA Moçambique e a Comissão Nacional de Direitos Humanos com o apoio da UNESCO.

Trata-se de seminários que acontecem em três províncias nomeadamente Zambézia, Cabo Delgado e Nampula com o objectivo de capacitar estes profissionais para uma actuação mais informada, crítica e responsável no contexto dos processos eleitorais e pós-eleitorais. Estes encontros visam também promover a reflexão conjunta sobre soluções para a crise política que o país enfrenta.

Nas discussões, os participantes apontam a deterioração das condições de vida e a percepção de desigualdades sociais como causas estruturais da crise actual, sublinhando a necessidade de maior justiça social. Além disso, destacam a urgência de despartidarizar as instituições do Estado, garantir a implementação efectiva da legislação eleitoral e fortalecer a credibilidade das eleições através de maior engajamento cívico e responsabilização por infracções eleitorais.

Os seminários que se realizam sob o lema “Dinâmica dos Processos Eleitorais e Suas Consequências em Moçambique”, acontecem num momento particularmente crítico para Moçambique, que recentemente foi marcado por uma profunda crise política pós-eleitoral alimentada por alegações generalizadas de fraude nas eleições gerais. Como consequência, a instabilidade provocou manifestações violentas, violações de direitos humanos, repressão à liberdade de expressão e ataques a jornalistas e activistas.

É neste contexto, que o MISA Moçambique e a CNDH, com o apoio da UNESCO, buscam através da realização destes seminários, fortalecer o papel dos media e das organizações de direitos humanos como actores essenciais na promoção da transparência, da democracia e da paz social. (MISA).

“Cuidar da Biodiversidade é cuidar do Homem”

É a descrição feita pela professora, Isabel Augusto, da Escola Primaria de Muanza Sede, por ocasião da passagem do Dia Mundial da Biodiversidade que se assinala em todos os anos a 22 de Maio.

Isabel Augusto, falava durante uma palestra diante dos alunos da Escola Primária de Muanza Sede, em Sofala, onde descreveu a importância da Biodiversidade, a título de exemplo, “as florestas protegem as nascentes de água potável que consumimos, amenizam as mudanças climáticas e regulam as chuvas”.

A maior parte das culturas agrícolas também depende do serviço de polinização oferecido por abelhas, vespas, mariposas, besouros e muitos outros animais. Por meio deles, a produção agrícola não é comprometida, enquanto o sistema biológico natural sobrevive, garantindo a vida e prosperidade da população, matéria-prima para o Homem, ‘Habitat’, o equilíbrio dos ecossistemas e a regulação do clima (queda regular das chuvas).

Do Homem, espera-se tudo por insatisfação, incluindo a destruição da Biodiversidade. Como medidas de mitigação, Isabel Augusto defende a necessidade de se evitar a pesca ilegal, evitar a prática do garimpo em áreas proibidas por lei, não matar os animais de pequena espécie, evitar queimadas descontroladas, evitar o abate de árvores, promover o plantio de árvores (nativas e fruteiras), promover a educação ambiental e promover a criação de viveiros escolares.

O Parque Nacional da Gorongosa tem promovido capacitações na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, incluindo professores em matérias de Educação Ambiental. Portanto, a palestra da professora de Muanza é sinal de uma comunidade consciente contra as acções negativas do Homem ao Meio Ambiente que dele depende para sobreviver. (João Cipriano).

Um menor de 8 anos morre afogado no poço em Dondo

Uma criança de 8 anos morreu por afogamento, após cair num poço localizado no quarteirão 13, Unidade Comunal ‘C’ no bairro Mandruzi, na cidade do Dondo, província de Sofala. Jaime encontrava-se a brincar com os seus amigos, quando ocorreu o trágico incidente, a menos de 70 metros da sua residência, onde vivia com os pais.

Mandruzi, um bairro em expansão no distrito de Dondo, tem apenas um fontanário para mais de duas mil residências.

Alguns residentes chegam a percorrer mais de 7 quilómetros para o único fontanário.

A situação leva os residentes a construírem poços caseiros para garantirem o acesso à água, ainda que não potável. Mas longe de se imaginar, um poço em uso há oito anos poderá ser tapado depois desta tragédia.

“Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer”, lamentou Esnol de Jesus, o proprietário do poço.

“Não havia protecção à volta do poço”, reconheceu Esnol, com pretensão de “tapá-lo para evitar futuras tragédias”.

António João, um dos moradores de Mandruzi teve a trágica informação com o pedido de socorro da mãe do menor, na última terça-feira. Entrei ao poço, o corpo começou a flutuar, com ajuda de pessoas conseguimos tirá-lo”, contou.

A mãe da vítima, Beatriz Inácio, contou que no momento do incidente estava no Mercado Mondha, a vender. “Veio uma vizinha a correr, contou-me que ouviu com vizinhos que Jaime estava com outras crianças no poço a tirar água e já não estavam a ver. Daí corri ao poço, [chegado ao local] não achei as crianças, muito menos vestígios. Comecei a gritar socorro, vieram vizinhos, expliquei-lhes o que ouvi, então um deles ganhou a coragem, entrou ao poço, não tardou, tirou meu filho sem vida”, disse. A mãe da vítima e alguns moradores estão indignados pela atitude do líder de Mandruzi, depois do infortúnio, supostamente por obrigar que inventassem a informação segundo a qual o menor morreu por doença, sob pena de prisão a quem participou no resgate. “Em vez de nos confortar, veio ameaçar-nos. Disse que, se não afirmarmos que a criança morreu de doença, seríamos todos presos”.

“Estou muito angustiada com esta situação, tentamos salvar. Queremos explicação”, destapou a mãe da vítima.

O “Profundus” tentou sem sucesso contactar o líder do bairro Mandruzi.

Dondo, de janeiro a esta parte, soma sete mortes por afogamento, sendo quatro no Vale Mandruzi depois do naufrágio, e nos poços, uma no bairro Consito, uma no bairro Nhamainga e uma recente em Mandruzi.

Por que homens se sentem ‘tristes’ quando as suas mulheres ganham mais que eles?

“Você fica com o orgulho meio-ferido quando a sua esposa é quem ganha todo o dinheiro”, conta Dave, pai que cuida dos afazeres domésticos.

“Sabe, quando eu saio com meus amigos… você diz-lhes que fica em casa e… eles acham que você é meio-feminino”, conta Tom.

Ambos participaram de uma pesquisa profunda que entrevistou homens e mulheres sobre o impacto das mulheres provedoras sobre os relacionamentos.

Outro entrevistado, Brendon, tem boas razões para se sentir julgado. Familiares o rotularam de “vadio da casa”.

Estes são apenas três exemplos dos julgamentos vivenciados por homens que não têm empregos fora de casa e cujas parceiras são as principais provedoras da família.

Os homens disseram no estudo que se sentiam julgados, em parte, porque a sociedade considera há muito tempo que os homens são os principais provedores.

Mas cada vez mais mulheres estão ganhando mais do que seus parceiros homens. E este aumento gradual de mulheres provedoras traz impactos influentes e duradouros sobre a dinâmica de poder, tanto em casa, quanto na sociedade como um todo.

Uma razão importante da influência destas mudanças na dinâmica familiar se deve ao fato de que o dinheiro está muito relacionado ao poder.

Homens que não são os principais provedores da casa, como esperam alguns sectores da sociedade, podem se sentir desempoderados. A sua saúde mental é prejudicada e até a probabilidade de divórcio aumenta.

De forma geral, os homens ainda costumam ganhar mais do que as mulheres.

E, entre os casais com filhos, as mulheres cuidam mais da casa e das crianças do que os homens – uma discrepância que persiste em todo o mundo.

Acredita-se que parte do motivo sejam as expectativas de género. Mas, em alguns casos, esta situação pode também reflectir uma necessidade económica, que leva a priorizar a carreira do parceiro que ganha mais.

Com isso, as mulheres são deixadas para trás com mais frequência, em cargos flexíveis de meio período.

Apesar do aumento das mulheres provedoras, as posturas de género em relação ao trabalho remunerado e doméstico vêm mudando de forma mais lenta.

Mesmo quando as mulheres são as principais provedoras, elas ainda cuidam mais da casa e das crianças do que seus parceiros homens, que ganham menos.

E, embora o apoio à igualdade de género tenha aumentado em algumas faixas etárias, a satisfação dos homens ainda é reduzida, quando eles ganham menos que as suas parceiras.

Cada vez mais pesquisas demonstram que uma parceira que ganha mais pode afectar a auto-estima e a felicidade dos homens.

Mas até que ponto este é um problema sério? E o que pode ser feito para ajudar os homens a ajustarem-se à sua nova realidade?

 

‘Pode ser devastador’

Os homens consideram que é um certo tabu até mesmo falar sobre os impactos que surgem quando a sua parceira se torna a provedora da casa.

Eles podem apoiar a carreira da parceira, mas ainda sentir que não estão a cumprir com o seu papel de “provedores”. Afinal, muitas das antigas premissas sobre a masculinidade ainda predominam na sociedade.

Isso ocorre especialmente quando os homens passam a ficar em casa inesperadamente, por motivos de perda de emprego ou realocação, não por escolha própria.

O ex-consultor Harry Bunton, agora, é influenciador de redes sociais em ascensão em Sydney, na Austrália. Ele perdeu recentemente o seu emprego.

Bunton passou a postar nas redes sociais, para milhares de pessoas, que” os seus valores como homem, marido e pai” foram atingidos.

“Faz sentido para mim por que existe um índice tão grande de depressão, e coisas piores, naquela população”, escreveu ele. “Pode ser realmente devastador quando os planos não dão certo e, de fato, isso pode questionar as suas ideias do que significa ser homem.”

“Minha esperança é que, contando esta história, as pessoas possam se identificar com ela e ver que o seu valor não é definido por eventos como este… Eu me sinto quase empoderado para ser o pai que quero ser.”

Bunton assumiu uma visão positiva sobre a mudança do seu estilo de vida. Seu exemplo mostra que a relação entre o salário do homem e os ganhos da sua parceira pode afectar a saúde mental.

Um estudo recente entre casais heterossexuais na Suécia, por exemplo, examinou os seus dados de receita por 10 anos e os seus diagnósticos de saúde mental, em busca de padrões.

Os pesquisadores concluíram que, quando as esposas começaram a ganhar mais que seus parceiros, houve aumento dos diagnósticos de saúde mental entre os homens.

O aumento entre todos os participantes cujos parceiros ganhavam mais (incluindo as mulheres) foi de até 8%, mas a elevação foi mais pronunciada entre os homens, de até 11%.

Para saber mais a respeito, enquanto escrevia o meu próximo livro, Breadwinners (“Provedores”, em tradução livre), conversei com o professor Demid Getik, do Departamento de Economia da Universidade de Durham, no Reino Unido, que liderou este estudo.

Ele me disse que talvez tenhamos deixado de ouvir explicitamente que os homens deveriam ganhar mais do que as mulheres, mas estas expectativas ainda prevalecem.

O aumento dos diagnósticos de saúde mental entre os homens cujas parceiras começaram a ganhar mais do que eles, segundo Getik, também pode ser uma indicação de que estes casais demonstram menos satisfação no relacionamento. Mas seus dados não avaliaram especificamente esta questão.

 

Pressões económicas

Outra pesquisa demonstrou que os maridos de mulheres que ganham mais são mais propensos a traí-las. Os autores afirmam que esta pode ser uma forma de reafirmar a sua identidade masculina, que teria sido ameaçada pelas esposas provedoras.

As pesquisas também indicam que a pressão para que os homens sejam os provedores é um factor que contribui para o seu bem-estar.

Já se demonstrou que, quando estão sem trabalho, os homens apresentam maiores índices de depressão, em comparação com as mulheres desempregadas.

Uma possível explicação é que as mulheres costumam ter laços sociais mais fortes fora do trabalho do que os homens. Por isso, os pais que ficam em casa costumam ficar mais isolados do que as mães na mesma situação.

Para compreender por que o bem-estar apresenta relação tão forte com o nosso salário, é preciso corrigir uma ideia errónea.

As mulheres provedoras, muitas vezes, são estereotipadas como sendo empoderadas e dedicadas à carreira. Mas, em muitos casais, a mulher provedora é consequência da perda de emprego pelo homem, o que gera estresse económico na família.

Isso é particularmente frequente, já que as pesquisas indicam que, em casais onde apenas a mulher trabalha, a renda doméstica média é inferior, em comparação com os casais com provedores homens. Este é um reflexo da disparidade salarial entre homens e mulheres.

Este factor levou a professora Helen Kowalewska, do Departamento de Política Social da Universidade de Bath, no Reino Unido, e a sua equipa a destacar em um relatório de pesquisa que “a maioria dos países não trabalha o suficiente para compensar a penalização sofrida pela mulher provedora”.

Ela defende que os sistemas de assistência social deveriam fazer mais para ajudar nesta situação, que faz com que toda a família acabe tendo renda mais baixa.

 

Nem tudo é ruim

Ainda assim, quando os homens se afastam do trabalho remunerado, pode haver impactos positivos para a família.

No Reino Unido, de forma geral, os pais hoje passam mais tempo com seus filhos do que no passado. E pesquisas indicam que os pais que ficam em casa costumam passar mais tempo de qualidade com as crianças.

Como é esperado, os pais que ficam em casa cuidam mais das crianças do que os pais ou mães que trabalham fora. Mas eles não costumam aumentar a sua parcela de participação no trabalho doméstico, que é praticamente idêntica à das mães neste cenário.

Em todas as outras situações, as mulheres cuidam mais da casa, segundo um relatório com dados dos Estados Unidos, elaborado pelo instituto Pew Research Center em 2023.

 

A licença-paternidade

Muitos países, como o Brasil, oferecem períodos mínimos de licença-paternidade. Mas, quando os pais tiram esta licença, a satisfação do casal pode aumentar, bem como o envolvimento dos pais com as crianças, mesmo quando eles retornam ao trabalho.

Os pais que tiram licença-paternidade demonstram laços mais fortes com seus filhos. E estes, por sua vez, terão mais probabilidade de crescer presenciando uma divisão de trabalho mais equitativa.

Isso significa que a forma em que os pais dividem as tarefas domésticas irá definir o que seus filhos irão esperar na idade adulta. E a divisão mais equitativa do trabalho doméstico também ajuda as mulheres a exercer as suas carreiras com mais facilidade e, com isso, aumentar o seu potencial de ganhos.

Mas os benefícios destas mudanças sociais para as mulheres são ainda maiores.

Um estudo realizado com famílias mexicanas concluiu que, quanto mais oportunidades de trabalho as mulheres têm fora de casa, mais poder elas também detêm em outros sectores.

Em outras palavras, elas ganham maior poder de barganha sobre as decisões financeiras mais importantes.

Outras pesquisas confirmam esta conclusão. Se uma mulher for financeiramente empoderada em locais onde historicamente ocorria o contrário, esta situação pode naturalmente trazer impactos positivos sobre o seu poder aquisitivo, sua autonomia e sua carreira.

A mudança das normas, fazendo com que os homens saiam do trabalho para cumprir com compromissos familiares se torne rotineira, pode aumentar o bem-estar de toda a família.

Dados suecos indicam, por exemplo, que, quando a licença-paternidade foi introduzida no país e os pais ganharam o chamado “mês do papai”, em 1995, o primeiro grupo de homens que participaram desta experiência sofreu redução da estabilidade conjugal e a probabilidade de separação aumentou.

Mas, quando o período de licença aumentou para dois meses, em 2002, isso já não ocorreu.

Actualmente, os pais e mães da Suécia contam com três meses disponíveis cada um, que são perdidos se não forem usados. E os índices de uso do benefício pelos pais, como seria esperado, são altos.

Na verdade, hoje, o tabu para os pais é perder esta licença-paternidade concedida.

 

‘Menos homem’

Apesar da maior conscientização da importância de empoderar as mulheres hoje em dia, as opiniões permanecem polarizadas.

Uma recente pesquisa do instituto Ipsos, realizada pelo King’s College de Londres, concluiu que a geração Z (a mais jovem participante da pesquisa, na época com idades entre 18 e 28 anos) era a mais dividida.

Uma pesquisa global entre quase 24 mil indivíduos concluiu que os homens jovens apresentavam maior probabilidade de concordar que um pai que fica em casa para cuidar dos seus filhos é “menos homem“.

Entre os homens da geração Z, 28% concordaram com esta afirmação, mas apenas 19% das mulheres da mesma geração estavam de acordo. E, em todas as outras faixas etárias, os índices eram mais baixos.

Quando questionados sobre a afirmação “espera-se que os homens façam muito para apoiar a igualdade”, 60% dos homens da geração Z concordaram, contra 38% das mulheres da mesma geração. E, entre os baby boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964), estes índices caíram para 44% e 31%, respectivamente.

A professora de trabalho e emprego Heejung Chung, do King’s College de Londres, é uma das autoras do estudo.

Ela declarou que estas posturas estão a diminuir, em parte, porque as mulheres jovens, agora, recebem maior formação universitária do que os homens jovens.

Talvez por consequência, segundo ela, as mulheres com pouco mais de 20 anos ganham um pouco a mais do que os homens. E, pela primeira vez, existem agora mais mulheres do que homens exercendo a medicina no Reino Unido.

 

“De fato, observamos sinais de paridade de género em certas áreas”, explica Chung.

E estes indivíduos mais jovens talvez não vivenciem a desigualdade maior que muitas mulheres ainda enfrentam hoje em dia, o que leva à visão de que alguns homens jovens “estão ficando para trás”.

Outro motivo desta divisão de posturas em relação à igualdade pode ocorrer porque as ideias sobre o que representa a masculinidade não estão mudando em toda a parte.

Pesquisas da professora de política Rosie Campbell, também do King’s College de Londres, encontraram aumento da polarização de opiniões sobre a masculinidade, particularmente entre a geração mais jovem.

Homens e mulheres discordam, por exemplo, sobre temas como se é mais difícil ser homem ou mulher hoje em dia.

“O feminismo deve tratar da igualdade de géneros, para homens e mulheres”, explica ela. “É claro que a inclusão do termo ‘feminino’ no nome pode soar um tanto excludente.”

Por isso, Campbell defende conversas mais abertas com os jovens, especialmente na escola, sobre o que significam os termos feminismo e masculinidade.

“Precisamos pensar mais em como nos comunicamos com os homens jovens sobre o que é ser homem hoje em dia e qual tipo de modelos eles têm”, segundo ela.

Isso é especialmente importante quando consideramos o aumento das influências misóginas ‘online’, como foi recentemente retratado pela série Adolescência, da Netflix.

 

A ‘masculinidade cuidadosa’

Apesar destas conclusões, a pesquisa mais recente de Chung e seus colegas demonstra que a maioria concorda que é importante atingir a igualdade de género.

Existe um pequeno, mas crescente grupo de pesquisas, demonstrando que os homens estão a mudar a sua compreensão da masculinidade e da paternidade. Estes conceitos estão passando a envolver cuidado, empatia e outras habilidades conhecidas como soft skills, que são consideradas tipicamente femininas.

Esta compreensão substitui a ideia de que a masculinidade significa poder ganhar mais para cuidar da família. São habilidades hoje conhecidas como “masculinidade cuidadosa“.

“Não é apenas questão de homens que fazem coisas agradáveis e são muito recompensados. É questão de que eles participem daquelas partes difíceis e chatas do trabalho”, explica a estudiosa de género Karla Elliott, da Universidade Monash em Melbourne, na Austrália.

Seu trabalho demonstra que assumir uma parcela maior destas tarefas práticas de cuidado e atenção gera uma disposição mais acolhedora.

Elliott explica que, para que este novo conceito de masculinidade se espalhe e os homens assumam mais tarefas deste tipo, eles também precisam rejeitar a dominação e a desigualdade.

Pesquisadores defendem que as políticas que aumentam a licença-paternidade (e que, especificamente, reservem a licença para os homens) podem ajudar a aumentar o foco dos pais nos cuidados. E isso, por sua vez, reduz a responsabilidade dos homens como provedores e ajuda as mulheres a ganhar mais.

 

É preciso tempo

As mudanças políticas podem levar tempo. Por isso, uma solução que todos nós podemos pôr em prática é emitir mensagens positivas sobre a nossa expectativa de mudança dos nossos papéis na sociedade.

“Aqui, existe uma grande oportunidade”, afirma Elliott.

“Se os homens perceberem que os ganhos da sua parceira prejudicam a sua autoestima, esta é uma óptima chance para que eles reflictam sobre os motivos por que se sentem desta forma – e, possivelmente, questionem algumas das ideias enraizadas sobre os papéis de género.”

Como o número de mulheres provedoras está a aumentar, esta mudança económica, com o tempo, pode ser normalizada. Com isso, nos casais com filhos, os homens precisarão se adaptar, aumentando o trabalho flexível e a assistência às crianças.

Esta adaptação, por sua vez, ajudará a empoderar as esposas com salários mais altos a exercer as suas carreiras.

Este processo levará tempo. Mas esta mudança de atitude pode abrir o caminho para minimizar as expectativas sociais sobre o homem provedor e a mulher que cuida da casa.

E é desta forma que será possível aumentar a satisfação nos relacionamentos e criar um equilíbrio de poder mais saudável. (BBC).

 

Jornal Profundus

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