Gorongosa reduz malária de 49.940 para 39.934 casos

O sector da Saúde, no distrito de Gorongosa diz que reduziu os casos de malária, em 20 por cento, no primeiro trimestre de 2025, comparativamente ao igual período de 2024. Os números desceram de 49.940 para 39.934 casos, respectivamente.

O ponto focal da malária em Gorongosa, Domingos Chissiua, explicou que há tendência de redução da doença. No ano passado (2024), o sector da saúde registou um número de “49.940” casos de malária, e tendo este ano reduzido para “39.934”, portanto, uma redução de 20%.

Segundo Chissiua, em Gorongosa, o sector de saúde tem feito palestras em locais estratégicos para a prevenção da malária, desde o uso correto da rede mosquiteira, saneamento do meio até aos cuidados com fármacos.

Apesar da redução dos casos de malária resultantes de boas práticas contra a doença, ainda existem Centros e Postos de Saúde que tendem a aumentar os casos nos últimos dias, geograficamente Centros de Saúde de Madzimachena, de Muera e o de Nhataca, além do Posto de Saúde Chitengo. (Ana Cleta Coimbra).

SOBRE BOAS PRÁTICAS: PNG junta cerca de 200 agricultores para troca de experiências em Cheringoma

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntou 217 participantes entre produtores, líderes comunitários, técnicos do PNG do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) e do Projecto Resilience de diferentes comunidades para uma troca de experiências em boas práticas, no distrito de Cheringoma. Periodicamente, os produtores recebem sementes melhoradas e treinamentos sobre boas práticas agrícolas com vista a aumentar a produtividade e conservação da biodiversidade.

O “dia de campo” envolveu actividades que colocam os produtores numa atenção para a sua solução de dificuldades enfrentadas nos respectivos campos de produção agrícola, baseando-se em experiências de outros produtores na disseminação de tecnologias como, por exemplo, a exposição de insumos agrícolas, vantagens de sementeira em linha, rotação de culturas, preparação do solo, controlo de pragas, informações de como adquirir e usar semente certificada, sistema de irrigação ou máquina de debulhar milho (manual ou a combustível).

O coordenador do PNG em Cheringoma, Edson Chissingue, explicou que o evento junta agricultores para poderem “apreciar boas práticas implementadas nos campos de produção agrícola e trocar experiências com produtores de outras comunidades, saber quais os principais desafios e como ultrapassá-los” facilitando “a mudança de comportamento na medida em que eles adoptam novas formas de produzir”.

Edson Chissingue espera que as boas práticas de produção agrícola ora partilhadas entre produtores sejam replicadas nos respectivos campos de produção.

Edson Chissingue falava no último sábado (10.05), num campo de demonstração de Adamo Lourenço, um produtor que explora uma área de 37 hectares destinados a produção de milho, gergelim, feijão nhemba e mapira.

O PNG, além de instruir em técnicas de produção agrícola, apoia por uma comparticipação para a aquisição de um sistema de irrigação ou máquina de debulhar milho (a manual ou combustível) aos produtores de subsistência.

Ministros da ZAMCOM debatem gestão sustentável da Bacia Hidrográfica do rio Zambeze

A cidade de Windhoek, capital da República da Namíbia, acolhe hoje, quinta-feira, a 12.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comissão da Bacia Hidrográfica do Rio Zambeze (ZAMCOM), uma plataforma de cooperação multilateral composta por oito países da África Austral que partilham o curso de água do Zambeze.

No encontro, Moçambique estará representado pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, para avaliar os progressos da implementação do Plano de Actividades do ano 2024/2025, aprovar o Plano de Acções para o período 2025/2026, bem como o respectivo orçamento da organização. Os Ministros também deverão adoptar recomendações técnicas do Comité Técnico da ZAMCOM (ZAMTEC).

Durante os trabalhos, os representantes dos países membros irão partilhar actualizações sobre projectos estratégicos em curso na bacia, com destaque para a reabilitação da barragem de Kariba (entre Zâmbia e Zimbabwe), as regras operacionais do Esquema de Transferência de Água Chobe-Zambeze, o ponto de situação da barragem de Batoka para produção de energia, projectos de expansão e diversificação da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, em Moçambique, lê-se numa nota informativa do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídrico, a que o “Profundus” teve acesso.

A Bacia do Zambeze, que cobre cerca de 1,4 milhões de quilómetros quadrados, é uma das mais importantes da região e desempenha um papel vital para a segurança hídrica, energética e alimentar dos países ribeirinhos. Para Moçambique, cuja localização a jusante aumenta a sua vulnerabilidade a fenómenos extremos como cheias e secas, a gestão partilhada e sustentável dos recursos hídricos representa um imperativo estratégico.

Nos últimos anos, a região tem enfrentado episódios recorrentes de estresse hídrico, com impactos negativos para a agricultura, pesca e produção de energia. Nesse contexto, os países membros da ZAMCOM reforçarão na reunião, o seu compromisso com a cooperação regional e a implementação de soluções conjuntas que promovam o desenvolvimento equitativo e sustentável da bacia.

Criada em 2011, a ZAMCOM é uma instituição intergovernamental que visa promover a gestão coordenada dos recursos hídricos da Bacia do Rio Zambeze, assegurando benefícios mútuos para os Estados membros: Angola, Botswana, Malawi, Moçambique, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

“Agricultores, verdadeiros heróis do campo” – descreve o Governo de Muanza

O Governo do distrito de Muanza descreve os “agricultores como verdadeiros heróis do campo” pela sua resiliência diante das dificuldades enfrentadas relativamente a mudanças climáticas, acesso limitado de tecnologias modernas e acessos aos mercados. É a avaliação do executivo no “dia de campo”, que reuniu cerca de 70 agricultores para a troca de experiências.
Na ocasião, a directora do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Muanza (SDEJT), Materida Charia, em representação da administradora do distrito, convidou a uma reflexão sobre o impacto do sector agrícola – a base do sustento, do desenvolvimento do distrito e do bem-estar.

Directora do SDEJT -Muanza, Materida Charia,

O agricultor traz esperança para alimentar as famílias e fortalece a economia local com coragem e amor a terra.
‘’Muanza é um distrito que tem a agricultura como uma das suas riquezas pelo solo fértil aliado aos esforços dos nossos agricultores, possibilitando a produção de alimentos essenciais para a subsistência das nossas comunidades e para o mercado. A agricultura é sem dúvida o coração pulsante do nosso desenvolvimento, gerando emprego, renda e promovendo a segurança alimentar’’, disse Materida Charia, chamando a atenção aos agricultores a continuarem empenhados.
Os desafios da agricultura em Muanza, segundo Materida, estão relacionados a mudanças climáticas, acessos limitados de tecnologias modernas [equipamento moderno, sementes melhoradas, irrigação, pesticidas, fertilizantes e esterco], dificuldades de acessos de mercados, por isso, o Governo compromete-se a continuar a trabalhar com o sector para ultrapassar os impasses, valorizando esforço de cada agricultor.
Outros desafios de Muanza como outro distrito de Moçambique, na agricultura, estão relacionados a insuficiência de acesso a aterra e insuficiência de infraestruturas rurais do sector e a sua qualidade de serviços. Entretanto, o agricultor, verdadeiro herói, continua no campo com a esperança de produzir.

O “dia de campo” envolveu actividades que colocam os produtores numa atenção para a sua solução de dificuldades enfrentadas nos respectivos campos de produção agrícola, baseando-se em experiências de outros produtores na disseminação de tecnologias como, por exemplo, a exposição de insumos agrícolas, vantagens de sementeira em linha, rotação de culturas, preparação do solo, controlo de pragas, informações de como adquirir e usar semente certificada, sistema de irrigação, máquina manual e a combustível de debulhar milho, tal como decorreu noutros distritos considerados Zona de Desenvolvimento do Parque Nacional da Gorongosa. (João Almeida Cipriano).

Jornalistas agredidos pela UIR em Nampula

O MISA Moçambique tomou conhecimento, através dos órgãos de comunicação social, que jornalistas em Nampula foram agredidos por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e impedidos de entrevistar o Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), no último final de semana, durante a abertura da semana comemorativa dos 50 anos da polícia, uma actividade pública.

O episódio constitui uma flagrante violação dos direitos fundamentais dos jornalistas, consagrados na Constituição da República, na Lei de Imprensa (18/91) e na Lei do Direito à Informação (34/2014).Os profissionais de comunicação encontravam-se no local no exercício legítimo das suas funções, com o objectivo de informar o público sobre as actividades das autoridades. A tentativa de obter declarações do Comandante-Geral terminou em agressão e intimidação por parte dos agentes policiais destacados para o evento.

O MISA Moçambique tem vindo a acompanhar com grande preocupação o assédio sistemático e as agressões físicas e morais contra jornalistas, sobretudo por parte de agentes da PRM.

Esta prática reiterada configura uma tentativa de silenciar a imprensa e limitar o acesso à informação pública, em claro desrespeito aos princípios democráticos.Perante esta situação, o MISA Moçambique exige das autoridades governamentais que ponham fim às práticas de repressão contra jornalistas e que combatam a impunidade em relação às violações contra a liberdade de imprensa, que se têm tornado recorrentes no país.

O MISA Moçambique reafirma o seu compromisso com a defesa dos direitos dos jornalistas, com a promoção da liberdade de imprensa e com a construção de um ambiente onde o jornalismo possa ser exercido com dignidade, segurança e em conformidade com a lei. Actos de repressão como os verificados em Nampula não podem ser tolerados nem normalizados numa sociedade que se pretende democrática e plural. (MISA).

CMM adia encerramento do Mercado “Grossista do Zimpeto”

O Conselho Municipal da Cidade de Maputo, através do Pelouro das Actividades Económicas e Turismo, adiou o encerramento temporário do Mercado “Grossista do Zimpeto” que entraria em vigor a partir de hoje e amanhã.

Entretanto, a reorganização passou para próxima semana, dia 19 e 20 de Maio.

Segundo uma nota de informação da edilidade, a decisão deve-se à necessidade de assegurar melhores condições logísticas e operacionais para o processo de reorganização interna do mercado, garantindo, assim, uma transição segura e ordeira para todos os envolvidos.

Contudo, o CMM apela à colaboração e compreensão de todos , reiterando o compromisso da edilidade em promover um ambiente de comércio mais digno, organizado e funcional para o muncípes.

ENSINO BÁSICO: Os dilemas de Moçambique para que futuro?

No Ano Lectivo Escolar de 2024 e à semelhança do resto do País, o distrito de Cheringoma, em Sofala, conferiu o Estatuto de Escolas Básicas a 22 Instituições de ensino que estão a leccionar da 1.ª à 9.ª Classes.
Quando em 1978 um grupo de dez estudantes foi movimentado das salas da 9.ª Classe da Escola Secundária Samora Moisés Machel, na província de Sofala para a cidade do Maputo onde se juntariam a outros tantos do País inteiro, a visão era de abertura de um ciclo de formação de professores para o Ensino Básico que seria inaugurado em Moçambique em 1980, ano que o Presidente Samora Moisés Machel havia eleito como o do início da década para lutar contra o subdesenvolvimento.
Iam dez candidatos de cada província à excepção de Maputo que contribuiu com cerca de 20, cuja característica diferenciadora era que os das províncias acabavam de entrar para a 9.ª Classe naquele ano, enquanto os idos de Maputo eram os birrepetentes da 9.ª
O que, porém, se pode dizer é que até terminar a década eleita para esse combate, o Ensino Básico ainda não tinha sido introduzido em Moçambique, pelo menos nos moldes sonhados por Samora e Graça Machel a sua esposa, que era, na altura, a Ministra da Educação e Cultura.
É que nessa altura e segundo se informou aos formandos da Escola de Formação e Educação de Professores (EFEP) Filipe Elija Machava sita no bairro de Malhangalene na cidade de Maputo, foi que quando eles concluíssem a formação iriam introduzir um modelo de ensino da 1.ª a 7.ª Classe na mesma Escola e iriam ser capacitados para leccionar estas classes e respectivas disciplinas dentro desse parâmetro o que constituiria a introdução do Ensino Básico no País.
Muitos conhecem as “vicissitudes” pelas quais o País passou até que apenas fosse possível introduzir este formato na altura que se conseguiu, várias décadas depois do sonho.

O caso específico de Cheringoma
Hoje, fala-se do alargamento das classes do Ensino Básico que entrou a reboque do Sistema Nacional de Educação pela Lei número 4/83 e que seria mais tarde aprimorado pela Lei 6/92 com o advento da democratização de Moçambique. Actualmente, se estende até à 9.ª Classe. Daí que é preciso seleccionar escolas para tal se efectivar pelo País todo.
É assim que Cheringoma, província de Sofala, teve que promover 22 estabelecimentos de ensino que eram na altura Escolas Primárias Completas, nomenclatura que desapareceu para dar lugar à de Escolas Básicas, em 2024.
As informações colhidas junto ao Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Cheringoma indicam que ainda existem duas escolas cujo processo carece de confirmação ministerial para também acederem ao Estatuto. Porém, o que mais uma vez parece ser pretensão de dar um passo maior que a perna é o facto de as escolas seleccionadas terem apenas a indicação de que devem introduzir o I Ciclo do Ensino Secundário, portanto a 8.ª, 9.ª e 10.ª Classes sem que as Instituições sejam dotadas de todos os requisitos básicos para um funcionamento sustentável.
O regulamento relativamente ao funcionamento destas classes indica que, onde houver condições, deve ser introduzido o ensino da Língua Francesa a partir da 8.ª classe, sendo continuada nas duas classes subsequentes, a 9.ª e 10.ª. Já no segundo Ciclo do Ensino Secundário, mais especificamente na 11.ª e na 12.ª Classes, a aprendizagem desta língua é reservada aos que optarem por seguir a Secção de Letras. Mas há disciplinas que não são de introdução opcional na 8.ª classe como nos casos de Biologia, Física e Química que no Segundo Ciclo do Ensino Secundário continuarão a ser aprendidas pelos que optarem por seguir a área de Ciências. Ora, mais da metade das escolas em Cheringoma, não tem professores para estas disciplinas, segundo declarações do Chefe da Repartição de Educação Geral no SDEJT, Marcos Macuengere.
Outro constrangimento é o número de alunos por turma. Na 9.ª classe, um levantamento aleatório de escolas deste nível indica:
A Escola Básica da CETA, dentro da vila que viu o actual Presidente, Daniel Chapo a “nascer” tem três turmas, sendo duas de 50 alunos e uma de 51 alunos;
A Escola 3 de Fevereiro a cerca de cinco quilómetros da vila só tem uma turma de 23 alunos e é a única que tem um número considerável de alunos fora do espaço da vila-sede;
A Escola Básica de Chite a sudoeste do distrito tem uma turma de 12 alunos;
A Escola Básica de Bichote a sudeste conta também com apenas 12 alunos;
Na região norte do distrito, existe a Escola de Nângue com 15 alunos numa única turma e Malongue com 18, igualmente numa turma;
Na região sul, pode-se indicar Nhamatope que tem 13 alunos e uma única turma.
Compilados estes dados, facilmente se conclui que existem escolas em que o número de alunos na turma equivale ao número de professores necessários para se dar cobertura ao plano curricular da 9.ª classe que, em bom rigor, obriga a leccionar 13 disciplinas que são: Português, História, Biologia, Geografia, Matemática, Inglês, Física, Química, Francês, Educação Visual e Tecnológica, Agro-Pecuária, Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e Educação Física.

Exemplos do Norte de Moçambique
Nampula, com mais de 20 distritos, é a província mais populosa do País. Para analisar este fenómeno escolheu-se o distrito de Moma que se situa mais a sul da província e faz fronteira com a região central de Moçambique, através do rio Ligonha que a separa da província da Zambézia.
Moma tem um total de 141 escolas, destas apenas dez são Básicas.
Pode parecer prudente a contenção de proliferação de Escolas Básicas sem que haja condições que justifiquem a sua implantação. João Marino, nome fictício para preservar a identidade, assegura que uma das condições que o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Moma exige para uma escola ascender a este estatuto é que, no ano anterior ao da elevação à categoria de Escola Básica, tenha na 6.ª classe pelo menos duas turmas com um efectivo de alunos acima de 150.
Mesmo com esta introdução gradual de Escolas Básicas, subsistem os problemas semelhantes que Cheringoma, em Sofala, enfrenta: insuficiência de professores habilitados para cobrir todas as escolas e disciplinas obrigatórias. E a situação é tão grave que mesmo na Escola Secundária da sede da vila de Moma que funciona há mais de 10 anos a disciplina de Educação Visual e Tecnológica só cobre o II Ciclo do Ensino Secundário. Isto significa que da 7.ª até à 9.ª Classe, os alunos não têm esta disciplina fulcral para quem no futuro queira abraçar a Engenharia Civil ou a Arquitectura.
Moma, segundo João Marino, chega ao cúmulo de ter duas classes, 8.ª e 9.ª assistidas por apenas três professores que simultaneamente são os gestores da mesma, nomeadamente: o director da escola, director adjunto da escola, o responsável pelo sector Pedagógico da Escola e, no caso da Escola Básica de Jagoma no Posto Administrativo de Moma sede é o Chefe da Secretaria que faz a vez do terceiro professor. As outras duas são as Escolas Básicas de Namiwi e Nailocone nas localidades com o mesmo nome no Posto Administrativo de Chalaua a Noroeste do distrito.

Lacunas resultantes do ensino deficitário
Quando os privados pretendem abrir uma escola de nível secundário é-lhes imposta a condição de apresentar, no mínimo, laboratórios e terrenos ou campos de jogos multiusos. Entretanto, no Estado, mesmo as escolas que já têm o estatuto de Secundárias há mais de 20 anos muitas delas não têm um único laboratório, um microscópio sequer ou um simples bico de bunsen.
Sendo que o plano é que todas as Escolas se tornem básicas sem, no entanto, se envidarem esforços paralelos de criação de condições para que ao menos todas as disciplinas sejam leccionadas, teremos a proliferação de alunos lacunosos no nível médio e no futuro de suas vidas.
O distrito de Cheringoma conta com 719 alunos que frequentam a 9ª Classe em 26 turmas, ainda segundo Marcos Macuengere. Em bom rigor está a ser dito que em 2026, no mínimo 650 alunos estarão a frequentar a 10ª Classe. E, em 2027 Cheringoma terá, pelo menos 575 alunos que só poderão seguir a área de Letras no nível médio porque não terão aprendido nenhuma disciplina da área de Ciências que não seja Biologia e mesmo esta, nalgumas escolas com lacunas, pois não existem professores suficientemente habilitados para cobrir todas as escolas que demandam a sua existência.
É este cenário de Cheringoma que, de certeza, está a ser repetido por cada província moçambicana e que vai permitir o País ascender a bons níveis de competências para uma competitividade regional e internacional que se propala nos Planos Quinquenais e outras Estratégias Nacionais de Desenvolvimento vigentes na governação de Moçambique?
Não é com esta realidade que poderemos um dia afirmar que estamos em condições de caminhar com os nossos próprios pés e sairmos da dominação por aqueles que bafejados por sorte melhor ou nascidos em famílias privilegiadas têm a oportunidade de se formarem fora destes circuitos precários de cuja libertação todos precisam levantar-se para protestar e propor soluções. (Ricardo Mapoissa).

 

SOBRE BOAS PRÁTICAS DE AGRICULTURA Gorongosa junta mais de 300 agricultores para troca de experiências

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) juntou 70 agricultores de Muanza, 110 de Nhamatanda e 125 de Gorongosa, num “dia de campo” em cada distrito para a troca de experiências em boas práticas de agricultura. Nesses encontros, fazem parte as comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável que recebem sementes e técnicas para garantir a produção e produtividade, além de actividades integradas de nutrição, saúde sexual reprodutiva e reflorestamento.
O “dia de campo” envolve actividades que colocam os produtores numa atenção para a sua solução de dificuldades enfrentadas nos respectivos campos de produção agrícola, baseando-se em experiências de outros produtores na disseminação de tecnologias como, por exemplo, a exposição de insumos agrícolas, vantagens de sementeira em linha, rotação de culturas, preparação do solo, controlo de pragas, informações de como adquirir e usar semente certificada, sistema de irrigação, máquina manual e a combustível de debulhar milho, tal como decorreu nos três distritos nos dias 22 de abril, 07 de maio e ontem, quinta-feira, Gorongosa, Muanza e Nhamatanda, respectivamente.
O coordenador do sector de agricultura em Nhamatanda, Orlando Pinto, explicou que o “dia de campo” facilita a troca de experiências para encontrar soluções locais, através de outros produtores localmente identificados e experientes, sem esperar que a intervenção venha de longe, cujo objectivo é de obter “rendimentos” das famílias pela prática de agricultura.
Em Nhamatanda, o campo do produtor campeão, António Chelique, na localidade de Bebedo acolheu o “dia de campo”, mostrando as suas potencialidades de produção de gergelim de cinco hectares e 73 plantas de caju. “Abracem a agricultura”, chamou atenção depois de garantir que este ano contando com a produção toda poderá ultrapassar os 270.000 meticais ganhos em 2024.
Ainda dos ganhos monetários de 2024, António Chelique guardou uma parte da semente para garantir a segurança alimentar e guardar a semente para 2025.
“Comecei a construir a minha casa [melhorada na Vila] de Nhamatanda com o dinheiro que ganhei no ano passado. Continuou a investir na educação dos meus cinco filhos, além de garantir alimentação e outras despesas de casa”, revelou António Chelique. “Este ano, vou terminar a minha, faltam apenas cobertura”, garantiu.
O PNG prepara as comunidades para estarem atentas às mudanças climáticas, através de actividades integradas de agricultura, nutrição, Saúde Sexual Reprodutiva, construção de infraestruturas resilientes abrangendo jovens e agricultores e outros membros da comunidade, com parceiros como Right to Play e Resilience, num Programa designado SLDP, tanto que no “dia de campo” expuseram estas temáticas aos agricultores.
“As sementes são tantas”, mas é preciso avaliar a validade, capacidade de produção e respectiva época, perspectivando a produtividade, chamaram atenção os produtores experientes, igualmente, para evitar a alegação de que as sementes são podres, por isso, não germinam. Exemplo, existem sementes condicionadas em ambientes próprios, se comprar ou receber enquanto não estiver com solo pronto, têm poucas possibilidades de germinar mesmo quando lançadas. Assim, não terá como garantir a segurança alimentar, além de que temporariamente alguns animais invadem os campos, apesar da rotineira fiscalização. São algumas preocupações e técnicas partilhadas entre produtores numa exposição de dúvidas esclarecidas com técnicos de agricultura da Gorongosa, Resilience, Right to Play, governo e agricultores locais experientes.
Em outras palavras, no “dia do campo” não é apenas para se descrever a produção de um produtor modelo ou simplesmente partilhar ideias, mas também haver aprendizagem de o que um agricultor fez de bom e de errado para os outros seguirem o exemplo de boas práticas na melhoria dos respectivos produtos, garantindo produtividade. (Muamine Benjamim).

 

Moçambique: MISA denuncia ano de violência e censura contra jornalistas

O ano de 2024 destacou-se como um dos mais repressivos para a imprensa moçambicana, marcado por agressões por parte da polícia, censura digital e violência física contra jornalistas. É o que revela o Relatório sobre o Estado da Liberdade de Imprensa e da Desinformação em Moçambique – 2024, divulgado pelo MISA Moçambique no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

De acordo com o documento, foram registadas 32 violações contra a Liberdade de Imprensa ao longo do ano, superando os 28 casos contabilizados em 2023. Do total de incidentes, 22 estiveram directamente ligados ao processo das eleições gerais de 9 de outubro — um pleito amplamente contestado, que desencadeou uma onda de manifestações em quase todas as regiões do país.

Neste ambiente de instabilidade, diversos profissionais da comunicação social tornaram-se alvos de violações de direitos, incluindo agressões físicas, detenções arbitrárias, ameaças e intimidações verbais, obstrução da cobertura jornalística e confisco de equipamento de trabalho.

Durante a apresentação do relatório, o director executivo do MISA Moçambique, Ernesto Nhanale, afirmou que a natureza e a gravidade das violações demonstram o despreparo das autoridades para lidar com a imprensa.

“A forma como os jornalistas foram alvo de assédio directo em discursos políticos espelha a situação crítica em que a imprensa tem sobrevivido. Os agentes das Forças de Defesa e Segurança [FDS] demonstraram não estar preparados para lidar com o trabalho jornalístico”, afirmou.

Nhanale apelou à Procuradoria-Geral e a outras instituições de justiça para que responsabilizem os autores dos crimes cometidos contra jornalistas, sobretudo no contexto das manifestações.

“Infelizmente, o Procurador-Geral da República dirigiu-se ao parlamento e, na sua comunicação, não se referiu ao tratamento destes casos. E, para nós, atentar contra jornalistas é atentar contra o Estado de Direito Democrático, porque o jornalista é o guardião do espaço cívico e a voz dos que não têm voz”.

As celebrações do 3 de Maio serviram igualmente como espaço de reflexão, através da realização de seminários de consulta sobre os mecanismos de protecção e segurança dos jornalistas, em dez capitais provinciais.

Os encontros tiveram como objectivo auscultar os jornalistas sobre o grau e os tipos de riscos a que estão expostos e identificar as suas necessidades em matéria de protecção.

Na ocasião, os profissionais da comunicação apelaram ao MISA para o fortalecimento urgente dos mecanismos de protecção aos jornalistas em contextos de elevado risco e defenderam uma abordagem mais inclusiva, com sensibilidade de género, sublinhando que as mulheres jornalistas continuam a ser alvo frequente de assédio, violência simbólica e discriminação no exercício da profissão.

A nível regional, as cerimónias do Dia Mundial de Liberdade de Imprensa vão decorrer na África do Sul nos dias 7 a 8 de Maio, entre os temas debatidos estão a Regulação dos Medias Sociais e Liberdade de Expressão e a Integridade da Informação na Era Digital: acesso a dados, responsabilização de plataformas, verificação de factos e conteúdo de serviço público. (MISA).

Documentadas 8.000 espécies na Gorongosa em duas décadas

No Parque Nacional da Gorongosa PNG), as espécies documentadas aumentaram de menos de 1.500 para 7.942, de 2004 a esta parte. Algumas dessas espécies não são encontradas em mais nenhum lugar na terra. São dados que constam no Mapa da Vida da Gorongosa compilado até dezembro de 2024.

Duas décadas de investigação revelaram até ao momento quase 8.000 espécies, desvelando assim novos conhecimentos sobre os ecossistemas de África, especificamente, Moçambique. Portanto, em termos matemáticos, em média, a Gorongosa revela 400 espécies anualmente.

O PNG “pulsa de vida, desde bactérias microscópicas a elefantes imponentes, todos a prosperarem num dos países mais ricos em espécies de África. A incrível mistura de plantas e animais do Parque – muitos raros ou únicos na área – transforma-o num ecossistema dinâmico onde as espécies interagem e se apoiam umas às outras”, escreve o Parque.
Liderado pelo cientista Piotr Naskrecki, “o Mapa da Vida da Gorongosa está a aprofundar a nossa compreensão dos ecossistemas africanos e a oferecer informações críticas sobre a complexidade e interligação da natureza”, continua o PNG.
Em Gorongosa, uma equipa global de jovens cientistas está a catalogar todas as formas de vida neste laboratório vivo – desde micróbios do solo a elefantes – desvendando uma intrincada teia de vida num ambiente intocado.

O PNG é o único em Moçambique com cursos de Mestrado de Biologia de Conservação num ambiente totalmente natural, iniciado em 2018, além de que dispõe de um laboratório Edward O. Wilson – o pioneiro da biologia evolutiva desde 2014.
“O número de espécies documentadas aumentou de menos de 1.500 em 2004 para 7.942 actualmente, solidificando o estatuto do Parque como líder na ciência da conservação e tornando-o num dos locais com maior biodiversidade em África”.

Para o Parque, “os avanços na identificação de invertebrados e plantas neste ecossistema próspero destacam ainda mais os mamíferos, aves, répteis e insectos do Parque – muitos deles não encontrados em mais nenhum lugar da Terra. Uma variedade de ‘habitats’ – desde zonas húmidas a savanas – nutrem estas espécies e mantêm um equilíbrio delicado entre a vida vegetal e animal”.

Jornal Profundus

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