Clube da Paz da Gorongosa alfabetiza mais de 800 ex-combatentes e familiares

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa Clubes de Paz alfabetizou 856 membros e respectivos familiares, de 2022 a esta parte, nos distritos de Gorongosa, Cheringoma e Nhamatanda, na província de Sofala, região central de Moçambique. Este número não inclui os sem experiência da guerra ou familiares.

A Gorongosa não faz coisas de outro mundo. De acordo com um trabalho de campo, o “PROFUNDUS” constatou que os clubes da paz estão ligados aos centros de alfabetização já existentes – um programa desenvolvido pelo Governo moçambicano e parceiros que visam devolver a todos os moçambicanos que não tiveram oportunidade de estudar, uma nova oportunidade de se reinventar e redireccionar a sua vida.

Nos três distritos, Nhamatanda passou a ser integrado desde 2024.

 

O caso de Cheringoma

O distrito de Cheringoma encerrou na última segunda-feira, a Semana Internacional da Alfabetização. Dirigido pelo director Distrital do Serviço de Saúde, Mulher e Acção Social, Paulo Sousa, em representação da administradora, o Governo e parceiros reforçaram mensagens para a necessidade de manter o processo educativo.

A Directora do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, Julieta Mufume, que também é directora do Movimento de Advocacia, Sensibilização e Mobilização de Recursos para Alfabetização, (MASMA), apresentou 1.601 inscritos na alfabetização para 2026, sendo a maioria mulheres 1.209 mulheres e 309 homens.

O sector da educação fala do número total sem especificar o de membros ou familiares de ex combatentes.

Entre as actividades da semana de alfabetização, constaram as visitas às casas dos alfabetizandos, limpeza dos centros e conversas com líderes comunitários. A ideia, segundo Mufume, foi envolver as lideranças para puxarem mais gente para o subsistema de alfabetização.

Mas nem tudo são flores. A directora reconheceu dois grandes desafios: a fraca adesão dos homens e a resistência de algumas famílias. “Durante as visitas com o MASMA, percebemos que muitos homens ainda não aderem. E temos mulheres que os maridos não deixam participar. Isto trava o nosso trabalho”, lamentou. Com isso, “é um desafio grande. Fazemos a sensibilização e esperamos ser compreendidos”, concluiu.

Na ocasião, supervisor distrital do Programa Clube da Paz, Tomás Macorreia, diante de representantes do Governo, reforçou o compromisso do Parque Nacional da Gorongosa com a alfabetização de jovens e adultos.

“Esta data é um marco. O Parque é parceiro do Governo na educação e hoje viemos lembrar que o adulto também tem direito a continuar a estudar”, afirmou.

Para Macorreia, aprender depois de adulto resolve problemas do dia-a-dia.

“O acesso à educação não tem idade. Quando um adulto aprende, aprende para usar já na sua vida.”

Macorreia destacou outro papel do Parque na inclusão social no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

“No âmbito do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, o PNG apoia a alfabetização para que os ex-combatentes voltem às suas comunidades e vivam em harmonia com todos. Não queremos separação, queremos companhia: sociedade, Governo e Parque juntos”, disse.

De 2022 a esta parte, no distrito de Cheringoma, 348 ex-combatentes foram alfabetizados, sendo 210 mulheres e 138 homens.

“Temos três ex-combatentes que estão no ensino secundário duma forma presencial e outros 16 e estão no Programa de Ensino à Distância (PESD)”.

Em 2022, Cheringoma começou com três Clubes da Paz, abrangendo 12 ex- combatentes e 29 seus familiares, um total de 41 abrangidos.

O desafio agora fica para toda a sociedade para garantir que crianças, jovens e adultos tenham a chance de aprender e construir um futuro melhor.

O Parque, no âmbito do Programa Clube da Paz, não apenas inclui alfabetização, mas também formações de curta duração para jovens. Em 2024, por exemplo, o Programa Clube da Paz, graduou 43 jovens do distrito de Gorongosa, alguns deles familiares dos desmobilizados da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). São cursos de curta duração com um financiamento de 640.000 meticais da Embaixada de Portugal em Moçambique, através do Instituto Camões. (Pavlik Saguate).


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