A crise na Venezuela continua a gerar debates intensos no cenário internacional. Embora muitos a resumam como o colapso de um regime autoritário, a realidade é mais complexa e envolve múltiplas camadas — internas e externas.
Desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999, a chamada Revolução Bolivariana assumiu como missão romper com a dependência histórica do petróleo e com a influência dos Estados Unidos na região. A nacionalização de sectores estratégicos, como o petróleo, e a tentativa de afirmação de soberania provocaram reacções imediatas da comunidade internacional, especialmente de Washington.
Apesar de não haver uma intervenção militar directa por parte dos EUA, sanções económicas, isolamento diplomático e apoio a sectores da oposição têm sido constantes. Especialistas classificam essas acções como parte de uma guerra híbrida, cujo objectivo seria enfraquecer o regime venezuelano e forçar uma mudança de poder.
No entanto, factores internos também agravam a situação. Acusações de corrupção, má gestão económica, repressão política e violações de direitos humanos minam a legitimidade do governo de Nicolás Maduro e aprofundam a crise humanitária.
Analistas recordam que a interferência dos Estados Unidos em países do Sul Global não é novidade. Casos como os de Patrice Lumumba (Congo), Thomas Sankara (Burkina Faso), e Kwame Nkrumah (Gana) ilustram um padrão histórico de desestabilização de líderes nacionalistas e anti-imperialistas.
A situação da Venezuela, portanto, deve ser compreendida como resultado de um embate entre um projecto político soberano e um sistema internacional marcado por interesses geoestratégicos. Resta saber até que ponto o povo venezuelano poderá resistir ao peso combinado da pressão externa e dos próprios erros internos.
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