Susana Carvalho é a nova Directora de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa

A Professora Susana Carvalho que desempenhava as funções de Directora Interina desde agosto de 2025, passou a ser Directora de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa, desde a última quarta-feira, sucedendo ao falecido Dr. Marc Stalmans. O anúncio é do Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), uma parceria público-privada entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr.

Aurora Malene, Presidente do PRG, declarou “a Professora Susana Carvalho traz uma liderança científica excepcional, um profundo compromisso com Moçambique e uma comprovada capacidade de ligar a investigação, a educação e a conservação. O seu trabalho reflecte a própria essência daquilo que a Gorongosa representa: a ciência ao serviço das pessoas e da natureza.”

 

Histórico

Susana Carvalho é paleoantropóloga, primatóloga e arqueóloga com duas décadas de experiência de investigação em África, incluindo os últimos 11 anos na Gorongosa. Antes de se dedicar integralmente à Gorongosa, foi professora de Paleoantropologia na Universidade de Oxford. É licenciada em Arqueologia (Universidade do Porto), mestre em Evolução Humana (Universidade de Coimbra) e doutorada em Antropologia Biológica (Universidade de Cambridge).

Susana Carvalho é autora de 100 publicações científicas com revisão por pares e recebeu prestigiadas distinções, incluindo o Prémio Philip Leverhulme em 2016 e a Bolsa de Meio de Carreira da Academia Britânica em 2021. A sua carreira tem sido reconhecida pelo seu foco na melhoria das oportunidades de educação através de acções locais e globais.

Na Gorongosa, Susana Carvalho liderou iniciativas científicas pioneiras, entre as quais o Projecto Paleo-Primata (2016- 2025), um programa de investigação interdisciplinar que envolveu aproximadamente 40 investigadores de todo o mundo.

O trabalho de Susana Carvalho aprofundou a compreensão das origens, ecologia e comportamento dos primatas, além de abrir novas fronteiras na descoberta de fósseis e na investigação evolutiva em Moçambique.

Para além da investigação, Carvalho contribuiu de forma significativa para a educação e o desenvolvimento de capacidades. Fundou a Escola de Campo Interdisciplinar da Gorongosa em 2018, tendo formado até à data cerca de 100 alunos, metade deles de Moçambique. A sua filosofia educacional tem sido “equilibrar e conectar”. Ao dirigir a escola de campo, promoveu a proporção de 50% de alunos de Moçambique e 50% de outros países do mundo (equilíbrio), com alunos de diferentes origens a trabalhar para alcançar objectivos comuns com a mentoria de colegas e investigadores (conexão). Tem supervisionado pesquisas estudantis, pioneiras em novas abordagens para o estudo das origens humanas com temas que integram a ecologia, o comportamento e a evolução.

Entre 2016 e 2025, a Professora Carvalho orientou 11 doutorandos e 15 mestrandos. Actualmente, orienta oito jovens investigadores de Moçambique, incluindo quatro estudantes de pós-graduação com bolsas de estudo na Europa. Alguns destes estudantes são pioneiros nas suas áreas (por exemplo, o primeiro primatologista moçambicano). Os alunos de Carvalho são autores ou co-autores de cerca de 30 publicações científicas revistas por pares, baseadas na investigação sobre a Gorongosa.

Desde 2018, Susana Carvalho orientou 24 teses ou dissertações sobre investigação relacionada com a Gorongosa e obteve grande sucesso na angariação de fundos para estas iniciativas de investigação e educação junto de uma vasta gama de instituições financiadoras, incluindo a Academia Britânica e a Fundação Leakey.

A Professora Carvalho dedica a sua carreira à mentoria de estudantes de países de baixo rendimento e à construção de ligações impactantes entre a educação, a ciência, a conservação e o desenvolvimento humano. Com a sua experiência como investigadora de campo, coordenadora de museu, professora e directora de investigação que desvenda o património natural da região da Gorongosa, está a desenvolver a ideia de “Safaris em Tempo Profundo” para destacar a história dinâmica do ecossistema da Gorongosa e para chegar às comunidades locais, aos visitantes do parque e aos cientistas de todo o mundo.

A investigação científica é parte integrante do plano a longo prazo para a restauração do ecossistema da Gorongosa. Um conhecimento aprofundado do ecossistema da Gorongosa ajudará a gestão do Parque a tomar melhores decisões sobre a sua conservação.

O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson, inaugurado em março de 2014, posicionou a Gorongosa como um dos centros de investigação mais avançados da África Austral. O laboratório atraiu a atenção nacional, regional e internacional. Cientistas de mais de 70 instituições realizaram investigação no Parque, incluindo a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Lúrio, em Moçambique; as Universidades de Coimbra e de Lisboa, em Portugal; as Universidades de Oxford e Kent, no Reino Unido; e a Universidade de Harvard, a Universidade de Princeton e a Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos.

Uma das funções do Departamento de Ciência é formar a próxima geração de cientistas moçambicanos no Parque e encaminhá-los para as universidades para a obtenção de títulos académicos avançados. Os jovens das comunidades vizinhas e das escolas técnicas regionais recebem apoio financeiro total ou parcial do Departamento de Ciência e estudam em universidades e escolas secundárias, preparando-se para carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório. (Muamine Benjamim).

 

 

 

 

 

 

 

Relatório revela padrão enraizado de violações da liberdade de imprensa por agentes do Estado

O MISA Moçambique denuncia a existência de um padrão enraizado na cultura política e institucional de violações da liberdade de imprensa por parte de agentes do Estado, com destaque para membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS).

A conclusão consta do Relatório sobre o Estado da Liberdade de Imprensa em Moçambique 2025, apresentado na última quarta-feira, em Maputo, durante um debate público que reuniu jornalistas, investigadores, representantes da sociedade civil e parceiros de cooperação.

O documento alerta para o agravamento das violações contra jornalistas e órgãos de comunicação social no país. Para além de ameaças, intimidações e assédio, o relatório aponta uma tendência crescente de violência física contra profissionais da comunicação social.

Na abertura do evento, o Presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, afirmou que os ataques contra jornalistas representam uma ameaça directa ao direito dos cidadãos à informação.

“A liberdade de imprensa é um direito fundamental consagrado na Constituição da República e não serve apenas os media, mas toda a sociedade”, afirmou.

Jeremias Langa apelou ainda ao reforço das garantias de protecção dos jornalistas e dos órgãos de comunicação social, defendendo a necessidade de um ambiente livre de censura, medo e intimidação.

Já o Chefe da Equipa de Governação da Delegação da União Europeia em Moçambique, Michele Crimella, destacou que a liberdade de imprensa continua a ser um elemento essencial para o fortalecimento da democracia, reconhecendo que o país enfrenta desafios persistentes ligados à segurança dos jornalistas, acesso à informação, sustentabilidade económica dos media e combate à desinformação.

O debate contou com intervenções do pesquisador do MISA Moçambique, Armando Nhamtumbo; Directora Executiva do FORCOM, Ferosa Zacarias; e dos jornalistas Estácio Valoi e Hugo Firmino.

Durante a discussão, os participantes questionaram a capacidade do Estado moçambicano de garantir segurança aos jornalistas durante manifestações e protestos públicos, defendendo maior responsabilização pelos crimes cometidos contra profissionais da comunicação social.

Os intervenientes foram unânimes em considerar que a impunidade continua a contribuir para o agravamento das violações da liberdade de imprensa no país. (Luísa Franque).

JACINTO MATHE: Da infância ao novo líder do Laboratório E.O. Wilson da Gorongosa

O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson, no Parque Nacional da Gorongosa (PNG), anunciou uma transição histórica na liderança, marcando tanto o culminar de um capítulo de sucesso como o início de uma nova era inspiradora para a ciência da conservação em Moçambique. Saiu Dr. Piotr Naskrecki e entrou o 1.º cientista moçambicano em Paleontologia, Dr. Jacinto Adriano Mathe.

 

Infância e percurso

Jacinto, filho de Adriano Mathe e de Puresa Ngomane, nasceu no dia 22 de novembro de 1992, com uma infância na aldeia Mahungo, localidade de Maqueze, distrito de Chibuto, província de Gaza, sul de Moçambique.

Jacinto fez o ensino primário na escola de Mahungo e terminaria o nível na Escola Primária Completa de Maqueze, sede da localidade. Foi o melhor aluno na Escola Secundária de Chibuto na 10.ª e 12.ª Classes em 2009 e 2011, respectivamente.

Já na renomada Universidade Eduardo Mondlane, Jacinto fez o curso de Veterinário na Faculdade do mesmo nome, até conhecer o Parque Nacional da Gorongosa.

Na Gorongosa, Jacinto Mathe Adriano colaborou em trabalhos de recolha, análise e preservação de ossadas de animais. Nessa altura, destacou-se pelo rigor científico e pela curiosidade em compreender de que forma o registo fóssil ajuda a explicar a evolução da biodiversidade africana.

Inicialmente com estágio, em 2016, Jacinto passou a interessar-se pelos ossos e fósseis começou na Gorongosa, após entrar como veterinário.

Ainda na Gorongosa, em 2017, Jacinto tornou-se bolseiro de pesquisa, “ano em que entrei na área da Paleontologia”.

Ao lado de Jacinto, esteve sempre Norina Vicente, uma mulher entomóloga dedicada e focada na sua carreira. De colega de estágio na Gorongosa passou a ser noiva, depois de se conhecerem na Gorongosa.

Norina Vicente, de Tete, iniciou também como estagiária na província vizinha Sofala, onde se localiza o Parque Nacional da Gorongosa, saindo do Instituto Superior de Manica.

Jacinto chegou de vários prémios, começando com bolsas como da Universidade Eduardo Mondlane pelo Governo de Moçambique em 2012; a bolsa de pesquisa em Biodiversidade Gorongosa em 2016; o prémio de conservação de primatas da Sociedade Internacional de Primatologia em 2018; a bolsa de início de carreira da National Geographic em 2018; incluindo a Bolsa Gulbenkian em 2019.

O Dr. Mathe é licenciado em Medicina Veterinária pela Universidade Eduardo Mondlane (2017) e mestre em Antropologia Forense pela Universidade de Coimbra (2020).

Jacinto Mathe nasceu com a doença do Pé Boto Bilateral. A sua condição despertou a atenção do cirurgião ortopedista, Nuno Craveiro Lopes, que o operou em 2018, no Hospital Cruz Vermelha, em Portugal. Onde no mesmo País, dois anos depois (2020) viria fazer mestrado em Antropologia Forense pela Universidade de Coimbra. Mas antes, a sua longa ligação à Gorongosa começou como Investigador Associado no Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson (2016 – 2017).

Desde 2017 integra a equipa do Projecto Paleo-Primata contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a profunda história evolutiva de Moçambique.

A Universidade de Oxford ou do original University of Oxford é uma instituição de ensino superior pública situada na cidade de Oxford no Reino Unido. É a mais antiga do mundo anglófono e a segunda mais antiga da Europa. É ali onde Jacinto Mathe doutorou-se em Paleontologia, tornando-se o primeiro moçambicano a alcançar este título.

Moçambique ganhou novo significado com Jacinto ao se tornar o primeiro especialista de doutoramento numa área central para o estudo da evolução humana.

 

Mathe, novo líder na Gorongosa

Edward O. Wilson, biólogo e autor que efectuou um trabalho pioneiro sobre biodiversidade, insectos e natureza humana – e ganhou dois prémios Pulitzer ao longo da sua caminhada – morreu num domingo (26.12.2021) em Burlington, Massachusetts, Estados Unidos da América (EUA), mas as suas obras o imortalizam na Gorongosa e no mundo.

O biólogo norte-americano afirmava possuir “um vínculo especial” com o PNG, que ajudou a salvar, e onde um laboratório com o seu nome foi inaugurado em março de 2014 e colocou Gorongosa como um dos centros de investigação mais avançados da África Austral.

Considerado pela National Geographic Society “o maior naturalista do nosso tempo”, o cientista documentou a história do parque moçambicano e publicou-a em livro, com fotografias de Piotr Naskrecki.

Desde a última terça-feira, “numa iniciativa que sublinha o compromisso duradouro da Gorongosa com a liderança local e o desenvolvimento de capacidades, o Dr. Piotr Naskrecki deixou o cargo de Director do Laboratório e o Dr. Jacinto Adriano Mathe foi nomeado para o cargo. O Dr. Mathe, cientista moçambicano com uma década de experiência no Parque Nacional da Gorongosa, teve o Dr. Naskrecki como seu primeiro mentor em 2016, e concluiu recentemente o seu doutorado em Biologia Antropológica pela Universidade de Oxford, no Reino Unido”.

Jacinto Adriano Mathe é um explorador da National Geographic baseado no PNG. Alcançou o doutoramento sob a supervisão de René Bobe e Susana Carvalho na Universidade de Oxford.

O Dr. Naskrecki, entomologista e conservacionista reconhecido internacionalmente, continuará o seu trabalho na Gorongosa como consultor, ao mesmo tempo que expandirá o seu foco em iniciativas globais de conservação e investigação em biodiversidade. Durante o seu mandato, o Dr. Naskrecki transformou o Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson num dos centros de investigação mais dinâmicos e produtivos de qualquer parque nacional africano. Sob a sua orientação, o Laboratório tornou-se um pólo de ciência de ponta em biodiversidade, recebendo investigadores de todo o mundo e construindo uma compreensão abrangente dos ecossistemas da Gorongosa — desde os insectos e as plantas aos grandes mamíferos.

Entre os seus principais contributos, conta-se a co-fundação, pelo Dr. Naskrecki, do Programa de Bioeducação da Gorongosa, uma iniciativa inovadora que capacitou estudantes moçambicanos através de formação científica prática. Este programa acabou por se tornar o primeiro mestrado em ciências do mundo realizado inteiramente numa área protegida — um feito que contribuiu para posicionar o consórcio do mestrado e da Gorongosa como líderes globais na educação para a conservação.

Através destes esforços, o Dr. Naskrecki ajudou a formar uma nova geração de líderes moçambicanos na área da conservação — cientistas, educadores e gestores ambientais que desempenham agora papéis vitais na protecção do património natural do país. A equipa do Laboratório documentou a biodiversidade na Gorongosa a uma escala sem precedentes, registando e mapeando populações de mais de 8.000 espécies de animais e plantas, o que levou à descoberta de mais de 100 espécies novas para a ciência e contribuiu significativamente para o avanço da compreensão global dos ecossistemas tropicais. Para homenagear esta contribuição excepcional, a Gorongosa decidiu nomear a colecção científica de zoologia como “Colecção Naskrecki”.

A investigação científica é parte integrante do plano a longo prazo para a restauração do ecossistema da Gorongosa. Um conhecimento aprofundado do ecossistema da Gorongosa ajudará a gestão do Parque a tomar melhores decisões sobre a sua conservação.

A nomeação do Dr. Mathe marca um momento histórico e de orgulho para o Parque Nacional da Gorongosa. Sublinha o investimento de longa data do Parque no talento moçambicano e a sua visão de conservação liderada localmente. Tendo crescido através dos próprios programas estabelecidos na Gorongosa, o Dr. Mathe representa o sucesso de um modelo que integra a educação, a ciência e o desenvolvimento comunitário.

“Jacinto personifica o futuro da conservação em Moçambique”, disse o Dr. Naskrecki. “A sua formação científica, o seu profundo conhecimento da Gorongosa e o seu compromisso com o país posicionam-no de forma ideal para contribuir de forma significativa para o próximo capítulo do Laboratório.”

Uma das funções do Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson é fornecer formação à próxima geração de cientistas moçambicanos do Parque e enviá-los para as universidades para obterem graus académicos avançados. Os jovens (das comunidades vizinhas do Parque ou das escolas técnicas da região) recebem assistência financeira total ou parcial do Laboratório e estudam em universidades e escolas secundárias para se tornarem profissionais da Medicina Veterinária, ecologistas e técnicos de laboratório.

O Laboratório atraiu a atenção nacional, regional e internacional. Cientistas de mais de 70 instituições realizaram investigação no Parque, como as Universidades Eduardo Mondlane (UEM) e Lúrio (UNILURIO), em Moçambique; as Universidades de Coimbra e de Lisboa, em Portugal; as Universidades de Oxford e Kent, no Reino Unido; e as Universidades de Harvard, Princeton e Berkeley, nos Estados Unidos da América (EUA).

 

Colhendo o que plantou

“O meu maior sonho é ver mais moçambicanos representados nos vários cantos do mundo. Somos um povo muito inteligente e resiliente; no entanto, as ferramentas utilizadas pelo ocidente para medir a nossa inteligência nem sempre são adequadas à nossa realidade. Avante Moçambique”, disse o cientista.

Jacinto deixa mensagem de motivação para jovens moçambicanos:

“O milho leva cerca de três meses até a colheita; o eucalipto, entre 15 a 20 anos. Tudo tem o seu tempo. Mas não deixem de semear em vós próprios e na vossa carreira, porque um dia a colheita falará por si mesma. Sejam dedicados nas pequenas coisas, pois são nelas que se prova a prontidão e a responsabilidade para assumir os grandes desafios da vida. Das pequenas coisas nascem as grandes conquistas”.

Jacinto já é uma das figuras centrais do PNG. Nada sairá, ou se fará no Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson sem o conhecimento dele.

Mathe é um exemplo de jovem, de oportunidade, de dedicação e de inspiração. (Muamine Benjamim).

Nigéria condena ex-ministro da Energia a 75 anos de prisão por corrupção

O juiz James Omotosho considerou Mamman culpado de 12 acusações relacionadas com o desvio de fundos públicos, totalizando aproximadamente 33,8 mil milhões de nairas, segundo a imprensa local.

Omotosho ordenou que todos os fundos e bens recuperados ao ex-ministro sejam confiscados pelo Governo Federal e que o fugitivo pague uma dívida de 22 mil milhões de nairas referente a projectos hidroeléctricos no oeste e sudeste do país.

O juiz emitiu ainda um mandado de detenção contra Mamman, solicitou que todas as agências de segurança do país se coordenem com a Interpol para garantir a sua captura e determinou que a pena comece a ser cumprida no dia da captura.

“As provas da acusação são esmagadoras em comparação com a escassa e quase inexistente defesa do arguido. O arguido não apresentou provas credíveis para refutar as acusações”, afirmou Omotosho.

“Em vez de deixar um legado para resolver o problema do fornecimento intermitente de electricidade no país, o arguido viveu à custa dos cidadãos comuns. Não admira que os nigerianos continuem às escuras até hoje”, acrescentou.

A Comissão de Crimes Económicos e Financeiros demonstrou aos tribunais federais que o antigo ministro desviou fundos públicos destinados à engenharia, indemnização de terrenos e licitação das centrais hidroeléctricas de Mambilla e Zungeru através de casas de câmbio, que converteram o dinheiro em moeda estrangeira e o entregaram ao réu.

O projecto hidroeléctrico de Zungeru, no rio Kaduna, no estado do Níger, está em funcionamento, enquanto o projecto de Mambilla, no rio Dongo, no estado de Taraba, está paralisado devido a uma acção de arbitragem multimilionária contra a Nigéria junto do Tribunal Internacional de Arbitragem em Paris.

Mamman desempenhou as funções de Ministro da Energia entre agosto de 2019 e setembro de 2021, durante o Governo do falecido ex-Presidente Muhammadu Buhari (2015-2023), e foi responsável pelas duas maiores e mais importantes iniciativas de infra-estruturas energéticas da Nigéria, que visavam resolver o défice crónico de electricidade do país. (NT)

 

Gorongosa promove educação nutricional para comunidade de Mandire

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, juntou 48 mães, pais, jovens e crianças numa capacitação para transmitir conhecimentos sobre higiene, avaliação adequada dos alimentos incluindo os produzidos localmente e a importância de uma nutrição equilibrada nos períodos antes, durante e pós-parto como forma de garantir a saúde da mãe e do bebé. A comunidade de Mandire, no interior do distrito de Marínguè é uma delas que, ainda precisa de saberes sobre a saúde da mulher e da criança.

A acção que envolveu mães, pais, jovens e crianças insere-se no conjunto de iniciativas comunitárias promovidas pelo Parque, que visam melhorar as condições de vida das populações locais, aliando a conservação ambiental ao desenvolvimento social.

Na comunidade de Mandire, durante o treinamento, os participantes receberam orientações práticas sobre como identificar alimentos nutritivos, combinar grupos alimentares e adoptar hábitos saudáveis na preparação e conservação dos alimentos, tendo em conta os produtos produzidos nos campos de produção agrícola e disponíveis nas suas próprias comunidades.

O promotor de Saúde e Nutrição do Parque Nacional da Gorongosa, Geremias Amaral, explicou que estas acções fazem parte do compromisso da instituição em promover o bem-estar das comunidades locais, contribuindo para a redução de problemas de saúde associados à má alimentação.

Como parte prática do treinamento, a actividade contou também com uma demonstração culinária, onde foram utilizados produtos locais para a preparação de refeições nutritivas. A iniciativa permitiu às participantes aprenderem, na prática, formas acessíveis e saudáveis de alimentar as suas famílias, valorizando os recursos disponíveis na região.

A participante, Amélia Bernardo, reconheceu que uma alimentação equilibrada é essencial para prevenir doenças e garantir o crescimento saudável das crianças, sobretudo nos primeiros anos de vida. “O conhecimento transmitido pode contribuir significativamente para reduzir os índices de desnutrição nas comunidades”, tentou resumir o aprendizado.

As participantes referiram que, antes da implementação deste tipo de iniciativas, era comum o registo preocupante de crianças doentes por desnutrição, resumidamente, menores com baixo peso, doenças recorrentes e fraco desenvolvimento. Contudo, com os novos conhecimentos e a adopção de práticas alimentares mais adequadas, a situação tende a reduzir significativamente.

Dona Isabel Bento lembra o passado: “sofríamos muito porque não sabíamos como preparar bem os alimentos que tínhamos. As crianças adoeciam com frequência e ficavam muito fracas, algumas até sem vontade de brincar”, relatou.

Nos locais como Mandire em que o acesso aos serviços de saúde continuam como desafio, a educação nutricional é importante. Com isso, Joana Luís, outra mãe participante, sublinhou a importância da disseminação das boas práticas aprendidas, incentivando as outras mulheres a partilharem os conhecimentos em famílias, de modo a ampliar o impacto positivo da iniciativa.

A situação era agravada pela falta ou insuficiência de conhecimento sobre melhores práticas alimentares, mesmo com a produção local dos alimentos. Mas agora, as comunidades já sabem que, por exemplo, os alimentos nutritivos como papas enriquecidas – uma mistura de açúcar, farinha de milho, água, óleo, folhas de moringa e amendoim, postos a cozer são bastantes para uma criança mal nutrida recuperar-se ao se alimentar desta culinária. Normalmente, são produtos facilmente disponíveis e na sua maioria produzidos localmente. (Eugénia Carlos).

Cinco autocarros vão conectar bairros, distritos e províncias a partir da Vila de Nhamatanda

Pela primeira vez na história de Nhamatanda, transporte público vai conectar bairros, distritos e províncias. Os munícipes de Nhamatanda já não vão depender apenas dos transportadores, na sua maioria “mini busies” ou comboio escalado, para viagens interdistrais, mas também dos machimbombos que a autarquia já dispõe tal como outras edilidades no País que receberam através do Chefe de Estado Daniel Chapo.

A grande diferença está nos preços baixos para dentro da vila, a outros distritos da província de Sofala, além de conectar a vizinha região de Manica.

Estava prevista a entrega dos autocarros ainda hoje localmente, mas o Chefe de Estado já o fez em Nampula, juntando com os de outras províncias.

Comparativamente aos actuais preços de combustíveis, resultando em preços altos aos táxi-motos, a proposta da edilidade aparece como solução. Com isso, já existe uma empresa municipal de transportes para a gestão.

Por exemplo, de moto-táxi vulgo “txopela”, na rota Escola Secundária Geral de Nhamatanda e Escola Secundária Geral de Kura, já custa 50 meticais o que antes estava nos 30 meticais. Mas os machimbombos aparecem com 15 meticais.

Por exemplo, de Nhamatanda (Sofala) a Gondola (Manica), os preços variavam de entre 120 a 130 meticais, com tendência de aumentar nesta crise de combustíveis. Entretanto, a autarquia aparece com os preços de 90 meticais, conforme a tabela e quilómetros.

Se de Nhamatanda para a capital de Manica, Chimoio, o munícipe gastava 170 meticais, vai passar a gastar 130 meticais, contados 90 meticais do autocarro do ponto de partida, e 40 meticais de Gondola com qualquer mini busy para diante.

Na vila, a novidade é também para os alunos e professores da Escola Secundaria Geral de Nhamatanda e Escola Secundária de Kura, incluindo os que residem nesta rota. Vão usar o transporte público. Entretanto, os desafios aliados às vias de acesso são de “coçar cabeça”, principalmente na época chuvosa onde o teste das obras é natural.

Para Charumar como o é popularmente conhecido, tudo passa por manutenção. “Vamos trabalhar agora para poder ver as nossas vias [de acesso] e fazer manutenção” por onde vão passar os carros.

Em entrevista depois da II Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da Vila de Nhamatanda, na qual também foi apresentada a proposta de criação da empresa que vai gerir os transportes e de respectivos preços para rotas internas, interdistritais e interprovincial, na última terça-feira, Charumar previu comprar outros carros através das receitas resultantes das cinco viaturas.

O distrito de Nhamatanda abastece quase 60% de horticultura ao Porto mais eficiente da África Austral, segundo a classificação do Banco Mundial (2023).

As rotas internas do distrito dão acesso aos campos de produção agrícola, fora da vila municipal, portanto, uma oportunidade para escoar produtos, mas o edil esclarece contra qualquer interpretação: “aqueles carros não vêem com bagageira, para dizer que não é para levar um saco de milho, mas com a sua pasta pode viajar”

Em Sofala, os municípios de Nhamatanda, Dondo e Beira receberam cinco viaturas cada. (Muamine Benjamim).

Gorongosa promove educação sobre Género e Higiene para alunos em Muanza

Gorongosa promove educação sobre Género e Higiene para alunos em Muanza

O Parque nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Educação juntou 82 crianças numa palestra sobre Higiene e Género cujo objectivo é de consciencializar para melhores práticas contra a Violência Baseada no Género, contra Violência Sexual e Outros Tipos de Violência e como prevenir-se destes males, além de aprenderem a produzir em casa os pensos reutilizáveis no distrito de Muanza, província de Sofala. O evento decorreu no bairro 07, na sede do distrito de Muanza, juntando crianças de diferentes escolas e comunidades, especificamente, alunos da Escola Primária 13 de Janeiro e da EPC Muanza, sede.

Segundo o supervisor do Clube da Rapariga e Clube de Professores, em Muanza, Luscídio Meque, o objectivo de juntar as crianças para transmitir estas matérias é para garantir a saúde através da higiene. “É preciso que as pessoas tenham noção sobre o que é Género, enquanto são pequenas, e os mecanismos de denúncias”.

“Deixemos com que as nossas crianças cresçam com esse conhecimento e que evitem se envolver em uniões prematuras e em casos de violência”, mas também a denunciarem, explicou Luscídio Meque, reiterando que “seja criança do Clube, seja criança da comunidade, qualquer situação de violência as crianças devem conhecer as vias de denúncia”.

O PNG trabalha em coordenação com as autoridades policiais para combater e prevenir casos de Violência Baseada no Género.

Na ocasião, o chefe do Gabinete de Atendimento de Família Menor Vítima de Violência em Muanza, Cossa Joaquim Manuel, descreveu os temas sobre Género e Saúde Sexual e Reprodutiva muito importantes para a sociedade. Afinal, são casos que “ocorrem em todas as comunidades”.

O agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) terminou a sua intervenção apelando “STOP Violência, Sim ao Diálogo” do que “agredir, pode acabar morrendo”.

Algumas crianças dizem ter conhecimento sobre Género e Saúde Sexual e Reprodutiva, já que fazem parte dos Clubes da Rapariga implementados pelo PNG nas comunidades, mas não sabiam como produzir os pensos reutilizáveis através de capulanas e como denunciar para ajudar as vítimas.

“Hoje estamos a falar da Violência Baseada no Género também, aquilo que alguém faz, e o outro não gosta na função da mulher e homem. Aprendi também que nós não podemos bater o outro porque ele também não gosta de ser batido. Caso aconteça violência nas nossas comunidades, vamos denunciar para o líder comunitário, para a polícia e para a comunidade também saber”, explicou Francisca António, rapariga do Clube, da Escola Primária Muanza sede.

Francisca António provou que não apenas aprendeu sobre assuntos da mulher e género, mas também “no Clube aprendo sobre Biodiversidade, como conservar o meio ambiente: Bio é vida, Diversidade é variedade”, disse.

Para Inês Gaute Wacha, a violência é quando um tio bate numa criança. “Nós aprendemos sobre violência. Uniões prematuras, os direitos das crianças e os deveres. União prematura é quando um tio manda casar uma criança de menor de idade”, explicou como compreendeu as matérias.

“Saímos com mais um conhecimento de como fazer penso usando capulanas, assim vamos passar a fazer pensos porque não se gasta nada e é de baixo custo”, explicou prometendo “transmitir para os outros, sobre principalmente a violência porque tem pessoas que estão sofrendo na comunidade, devemos denunciar”.

“Eu não sabia que existem vários tipos de denúncias, mas através desta palestra já tenho conhecimento de denúncia formal, anónima, restrita e sigilosa”. E nos Clubes da Rapariga, aprendemos mais com jogos divertidos: a natureza, os animais, e como podemos conservar”.

O evento da última segunda-feira, não contou apenas com a participação das escolas, mas também dos técnicos de saúde, da educação e PRM.

O PNG vai continuar com a promoção de palestras sobre as melhores práticas de higiene, género e saúde sexual e reprodutiva, em todos os seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente, Cheringoma, Dondo, Nhamatanda, Gorongosa, Muanza e Marìngué, para garantir o desenvolvimento humano. (João Cipriano).

MARIA LISBOA: Mulher que quebra barreiras na Mecânica Automotiva em Dondo

Aos 12 anos, Maria Lisboa, residente no Bairro Munhonha no posto administrativo de Mafambisse, distrito do Dondo em Sofala, descobriu a sua paixão pela mecânica. Aos 14 anos, aprendeu com o pai a desmontar e montar pneus, e hoje, não apenas ganha dinheiro, mas também sustenta a sua filha.

No mundo da mecânica automotiva, nas comunidades, são raras mulheres cada vez mais presentes, desafiando estereótipos e mostrando que têm um lugar de destaque nessa indústria dominada pelos homens.

Actualmente, com 23 anos, Maria Lisboa revelou que abraçou a área por inspiração do seu pai, mecânico auto com larga experiência em reparação de automóveis.

A jovem com a 10.ª classe concluída sentiu o seu destino limitado por tornar-se mãe e dona de casa, mas decidiu fazer a diferença apostando na mecânica.

Maria Lisboa, sem vergonha ou receio de que as pessoas a vejam anormal, repara normalmente câmaras-de-ar, motores de veículos, desmonta e monta pneus de camiões e tractores com muito amor, embora sem ter passado por uma formação técnica. Ela segue os passos do pai.

“Aprendi esse trabalho aos 14 anos com o meu pai. Ao invés de brincar com amigas, gostei da mecânica até hoje”, explicou Maria, exercendo a profissão com paixão e fonte de renda.

Maria continua a trabalhar com o pai na oficina e a inspirar outras mulheres a abraçar uma profissão vista na comunidade como somente para os homens.

A jovem está disposta a transmitir a sua experiência, enquanto sonha em ter a sua oficina.

“Gostam de me ver a trabalhar e outras mulheres pedem para lhes ensinar”. O chefe de posto de Mafambisse, por exemplo, “costuma-me ver e tirar foto”.

“Gostaria de ter apoio para ter o meu local e começar com esse trabalho porque aqui estou com o meu pai”, disse Maria, detalhando alguns passos para a colocação de pneus na viatura levando apenas 40 minutos.

A mecânica apela às outras mulheres a não terem vergonha em iniciar um negócio ou empreendedorismo. Maria ultrapassa 500 meticais num único trabalho pelos seus serviços. “Devem fazer qualquer coisa, podem vender laranja, bananas porque é muito para ajudar a família”, sublinhou Maria Lisboa.

Chico Lisboa, pai da jovem, lembra o histórico da oficina implantada em 2000. Inicialmente, os trabalhos eram feitos com bomba de mão, mas agora evoluiu.

“Ficava olhando de longe, e em 2024 admirei quando certo dia ela começou a tirar pneus de carros como Freightliners, Hiace e Quantum”.

Para Chico Lisboa, a atitude da filha é motivo de orgulho para toda a família, sendo que ela gere igualmente o negócio da oficina. (Narcísio Cantanha).

Edil de Nhamatanda reconhece que “ainda falta por fazer”

O Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda apresentou um relatório segundo o qual o seu desempenho pelas várias actividades integradas na vila, durante os últimos três meses do ano em curso é positivo. O edil, António Charumar João, reconhece desafios ainda por enfrentar.

“A avaliação que eu faço é positiva porque estamos a atender às preocupações dos nossos munícipes. Não é fácil, cada vez mais, eles [munícipes] têm preocupações. Se resolver hoje uma preocupação, amanhã será outra preocupação”, disse, apresentando exemplos: depois de garantir água potável aos munícipes, e depois das chuvas intensas, as nossas vias de acesso ficaram danificadas. Então precisa de muito trabalho para melhorar as vias” – é outra preocupação que também faz parte do rol de recomendações apresentadas pelo partido.

“Se nós estamos aqui é para resolvermos os problemas dos nossos munícipes”, disse o edil, reconhecendo os seus feitos através da sua equipa multissectorial do Município da Vila de Nhamatanda.

A vila de Nhamatanda antes do segundo mandato de Charumar, consumia água salubre, mas desde outubro de 2024, os munícipes têm também água não salgada puxada pelo rio Muda. Desde o primeiro trimestre de 2026, o edil estuda mecanismos de expansão prioritária do precioso líquido para o bairro como Ramos (9.º – Eduardo Mondlane) onde passou a tubagem, mas que ainda não beneficiou a maioria dos munícipes.

Ainda no primeiro trimestre de 2026, a autarquia conseguiu colocar lâmpadas para a iluminação pública em algumas ruas; entrega de ‘kit’ escolar a 300 crianças; início da pavimentação da rua popularmente conhecida por Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) a Estrada Nacional Número Seis (EN6) no 5 bairro −25 de Junho; sensibilização a moto-taxistas para condução prudente; sensibilizações aos vendedores a não se fazerem nas bermas da estrada, entre outras realizações.

Entretanto, o edil disse que ainda “falta por fazer”, desafiando a “continuar a trabalhar para melhorar as condições de vida” dos munícipes.

Nhamatanda é típico de críticas e elogios sobre a gestão dos dirigentes dos diversos sectores públicos como qualquer zona com um povo misto.

O edil de Nhamatanda louva os munícipes pela união intencional de elevar a vila à categoria de cidade. “Devem continuar dessa forma para cada vez mais estarmos unidos”, exortou António Charumar João.

Noutra abordagem sobre as preocupações da vila, o edil apelou aos munícipes de modo a “prepararem as machambas para a segunda época agrícola”. E para aqueles que já preparam, melhor ainda, “continuem” para garantir a segurança alimentar em Nhamatanda.

Charumar, como o é popularmente conhecido, reagiu na primeira quinzena de abril passado, após a avaliação do partido Frelimo sendo gestor da autarquia politicamente.

O Conselho Municipal da Vila de Nhamatanda (CMVN) cumpriu 63,57% do plano de actividades e alcançou 26,12% de cumprimento do Manifesto Eleitoral referentes ao primeiro trimestre de 2026. São dados que constam na avaliação do partido Frelimo sobre a gestão do Conselho Municipal da Vila de Nhamatnda (CMVN), em Sofala.

Entre os temas expostos no balanço da Frelimo que decorreu na primeira quinzena de abril último, constaram a Apresentação e Debate do Relatório do CMVN, com incidência do Plano Quinquenal e Manifesto Eleitoral; Apresentação e Debate das Actividades de Impacto Realizadas pelo CMVN; e Apresentação e Debate do Relatório da Bancada da Frelimo na Assembleia municipal composta por 23 membros, sendo 18 do partido no poder.  (Muamine Benjamim).

Tentando descrever o Plano Estratégico do Projecto da Gorongosa para impacto comunitário

1.O Projecto da Gorongosa é uma organização sem fins lucrativos que co-gere o Parque Nacional da Gorongosa com o Governo de Moçambique. Também trabalha com o Governo no apoio às comunidades que vivem perto do Parque numa Zona de Desenvolvimento Sustentável, antes designada Zona Tampão.

O PNG tenta proteger um dos reservatórios de biodiversidade mais importantes do mundo, o extremo sul do Grande Vale do Rift de África — do rio Zambeze ao rio Pungue — incluindo a Serra da Gorongosa e as encostas leste e oeste do Rift. Esta região rica em biodiversidade é um tesouro mundial e, à medida que a salvamos, beneficiará os humanos durante séculos e milénios.

O ecossistema intacto absorve água numa inundação e retém humidade numa seca. Purifica o ar e a água. A Gorongosa proporciona emprego aos moçambicanos, inspiração e conhecimento ao mundo inteiro. A flora e a fauna do Parque preservam os valores culturais e espirituais da população local. Muitas das nossas espécies não podem ser encontradas em mais nenhum lugar do mundo, e o Parque serve de refúgio a milhares de espécies que estão ameaçadas ou extintas noutras partes do continente. As nossas populações de vida selvagem ajudam a repovoar outras áreas protegidas em Moçambique com animais nativos.

O Parque quer criar a melhor infra-estrutura científica de qualquer parque nacional do mundo e gerar conhecimento científico de ponta para aconselhar a nossa própria gestão dos ecossistemas do Parque e promover amplamente o conhecimento sobre biodiversidade, ecologia e paleontologia. O nosso objectivo é que a Gorongosa se torne o principal centro científico de África para a investigação e educação em conservação da natureza, ecologia e ciência climática. Já produzimos investigação de ponta, revista por pares e com a maior visibilidade internacional.

A Gorongosa é uma fonte de desenvolvimento económico baseado na natureza para as comunidades que partilham o ecossistema mais vasto do Parque e somos um modelo de desenvolvimento sustentável em África.

A Gorongosa quer catalisar actividades que permitam aos vizinhos sair da pobreza.
A Gorongosa empenha-se neste desenvolvimento sustentável porque:

a). É a coisa certa a fazer.

b). Se as pessoas tiverem um emprego adequado, machambas, educação, cuidados de saúde e oportunidades para uma vida digna, não terão de explorar recursos dentro dos limites do parque nacional. Mas poderão utilizar estes recursos como fonte de emprego, informação, inspiração e recreação.

“Queremos educar e capacitar os moçambicanos para se tornarem cientistas, conservacionistas e profissionais empenhados numa economia verde. Estamos a formar uma geração de jovens moçambicanos para levar este trabalho avante nos próximos 50 anos e mais além. Por sua vez, estes jovens continuarão esta missão treinando as gerações que os seguirão. O nosso impacto não se limita à região alargada da Gorongosa. Cientistas Moçambicanos formados pelo nosso Projecto estão agora a fazer contribuições em todo o país”, diz a Gorongosa, reiterando a inclusão.

“Garantimos que as mulheres recebem as mesmas oportunidades que os homens. O nosso objectivo é que 50% dos nossos colaboradores e beneficiários sejam mulheres. Há muitas pesquisas que demonstram que uma comunidade é tão forte quanto as suas mulheres. Para tal, “privilegiamos a contratação de moçambicanos e oferecemos formação e mentoria; e os nossos colaboradores seguem um código de conduta ética. Lideramos com integridade e transparência. Abordamos as interacções com positividade e compaixão”.

O Projecto da Gorongosa tem sete departamentos: Conservação, Ciência, Desenvolvimento Humano, Agricultura, Finanças, Infra-estruturas e Comunicações.

 

  1. Sem fins lucrativos

O Projecto da Gorongosa (sem fins lucrativos) colabora com uma empresa com fins lucrativos chamada MozCapital (“MozCap”). A MozCap cria negócios com fins lucrativos que utilizam os terrenos do parque nacional e a zona de desenvolvimento sustentável adjacente e beneficiam da utilização da marca Gorongosa e de outros apoios prestados pelo Projecto da Gorongosa. A MozCap entrega 10% das suas receitas ao Projecto da Gorongosa em troca destes benefícios. Este é o nosso modelo de sustentabilidade a longo prazo (e um ciclo virtuoso): a MozCap cria empregos baseados na natureza na agricultura, turismo e silvicultura. Partilha parte das suas receitas com o Projecto da Gorongosa que, por sua vez, ajuda as comunidades locais (a força de trabalho da MozCap) com a saúde e a educação.

 

  1. Procuramos conectar um mosaico de tipos de uso do solo:

a). O Parque Nacional da Gorongosa. Podemos expandir os limites em áreas críticas, como a antiga coutada 12, o que criará um corredor de biodiversidade a norte do rio Zambeze.

b). Áreas de Conservação Comunitárias. Podem ser co-geridos pela MozCap e pela comunidade.

c). Concessões Florestais. São propriedade da MozCap.

d). Terras agrícolas. Ajudaremos os nossos vizinhos a empregar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis.

A vida selvagem pode atravessar muitas das áreas terrestres conectadas listadas acima. Implementámos métodos para proteger as explorações agrícolas da vida selvagem, como vedações ou métodos naturais, como cercas de colmeia/cercas de piri-piri. Esta rede de áreas cria o ‘habitat’ perfeito não só para espécies grandes e icónicas, mas para todos os elementos da flora e fauna moçambicanas, muitos dos quais prestam serviços de ecossistema essenciais para os ambientes naturais e humanos.

O nosso Projecto tem uma Área definida. Trabalhámos com o nosso parceiro — o Governo de Moçambique — para definir as metas para as categorias a, b, c & d.

 

  1. O sucesso do Projecto continuará indefinidamente.

Isso acontecerá através de:

a). Envolvimento contínuo de uma equipa altamente competente de conservacionistas moçambicanos, gestores de recursos naturais, especialistas em desenvolvimento rural, engenheiros, especialistas em educação, gestores de empresas, especialistas em logística, etc., que estão actualmente a ser formados e a adquirir experiência prática.

b). O estatuto jurídico dos tipos de uso da terra.

c). A contribuição financeira das empresas com fins lucrativos da MozCap.

d). Relações de confiança e cooperação com as comunidades locais.

 

  1. As empresas com fins lucrativos da MozCap incluem:

a). Turismo. Realizado na área central do Parque e na Serra e em áreas de conservação comunitária, quando aplicável. Oferecemos abordagens inovadoras ao turismo africano que destacam os aspectos únicos da Gorongosa, como as nossas estratégias de restauração bem-sucedidas e os conjuntos de animais e plantas excecionalmente ricos.

b). Agricultura. As culturas incluem (entre outras): café, castanha de caju, mel, piri-piri, frutas e especiarias.

c). Silvicultura. Construímos mobiliário, materiais de construção, carteiras escolares, obras de arte e muito mais. Parece agora provável que as empresas responsáveis ​​em todo o mundo paguem para restaurar e proteger as florestas nativas.

O nosso objectivo é que as empresas da MozCap sejam as maiores doadoras do Projecto da Gorongosa até 2030.

 

  1. Apoio socioeconómico às comunidades que partilham o ecossistema mais vasto do Parque.

a). Educação. Da pré-escola ao ensino secundário, com algum apoio para bolsas de estudo universitárias. Construímos escolas, formamos professores e oferecemos clubes extracurriculares para raparigas e rapazes, com um foco especial nas raparigas vulneráveis ​​ao casamento prematuro. Juntamente com várias instituições de ensino superior Moçambicanas, criámos o único programa de pós-graduação do mundo conducente ao grau de Mestrado em biologia da conservação, realizada inteiramente dentro dos limites de um parque nacional. Os nossos estudantes concluem o programa totalmente preparados para assumir funções de liderança na gestão de outras áreas protegidas em Moçambique. Fazemo-lo em colaboração com o Ministério da Educação do Governo de Moçambique.

b). Assistência médica. Trabalhamos em conjunto com o Ministério da Saúde do Governo de Moçambique para disponibilizar clínicas de saúde fixas e móveis, bem como para formar e apoiar todo o efectivo de profissionais de saúde e voluntários. Começamos a planear um novo hospital que iremos construir na capital distrital da Gorongosa, tendo como parceiros o Ministério da Saúde de Moçambique e a Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh.

c). Relações Comunitárias. Respeitamos as estruturas governamentais tradicionais das comunidades locais. Ajudamo-los a criar Comités de Recursos Naturais que gerem as suas terras de forma sustentável.

d). Apoiamos as famílias de agricultores locais com o sector “Meios de Subsistência” dentro do nosso Departamento de Desenvolvimento Humano. Ajudamos os agricultores a obter um maior rendimento nas suas culturas e ajudamos a vender a sua produção a um preço justo no mercado. Oferecemos formação, informação e — quando apropriado — agregamos os seus produtos para obter uma melhor alavancagem de negociação no processo de vendas. As empresas afiliadas da Gorongosa (Projecto e MozCap) são agora o maior empregador na província de Sofala. No entanto, reconhecemos que a sociedade local será mais resiliente se existirem muitas empresas de sucesso, propriedade de empresários locais. Através do nosso sector de Meios de Subsistência, apoiaremos a criação de pequenas e médias empresas.

e). Estamos a criar uma Vila Modelo com o Município de Vila da Gorongosa que se foca na melhor prestação de serviços, sustentabilidade e resiliência climática. Reconhecemos que muitas pessoas preferem escolher um estilo de vida diferente da agricultura de subsistência. As áreas urbanas oferecem acesso à educação e à saúde, serviços financeiros, emprego, mercados e entretenimento. À medida que as explorações agrícolas se expandem nas comunidades próximas do Parque (menos agricultores, explorações maiores) e uma parte da população opta por viver no Município, a pressão sobre os recursos naturais nas zonas rurais será reduzida. As mulheres têm um acesso mais equitativo à educação e ao emprego quando vivem em áreas urbanas.

f). Acreditamos que as nossas actividades colectivas contribuirão para uma paz duradoura na nossa região. Realizamos “Clubes da Paz” para ajudar os ex-combatentes a reintegrarem-se com sucesso na sociedade.

g). As nossas actividades económicas aninhadas na MozCap apoiarão a conservação e o desenvolvimento ao proporcionar empregos equitativos e de alta qualidade, baseados em serviços de ecossistemas.

Em síntese, a Gorongosa é uma organização liderada na maioria por moçambicanos. “Estamos a criar um modelo de conservação integrada e de desenvolvimento humano que pode ser replicado noutros locais. Estamos a ajudar a população local a alcançar as aspirações dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas”, escreve a Gorongosa sobre o Plano Estratégico.

A Gorongosa é a prova viva de que um ecossistema devastado pelas piores tendências da humanidade pode ser reabilitado por pessoas que exemplifiquem as melhores tendências da humanidade; estamos a liderar uma mudança transformadora, afastando-nos do pensamento puramente preservacionista e caminhando para um modelo esperançoso de resiliência e renovação na interface entre a natureza selvagem e a sociedade. Ao continuar a implementar este modelo único da Gorongosa, criaremos e sustentaremos um reservatório de biodiversidade de valor inestimável no extremo sul do Grande Vale do Rift de África, onde a nossa própria espécie começou.

Jornal Profundus

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