“Como Gorongosa, continuamos aqui”

Parece simples frase, mas não é. É um dos impactantes trechos da Presidente de Restauração da Gorongosa, na sua intervenção durante o encontro, em Chitengo, entre os implementadores do Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência sobre as Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável”, em inglês Sustanaible Livelihoods Development Program (SLDP) e o respectivo financiador Embaixada dos Países Baixos (EKN em Moçambique) nos primeiros dois dias de abril de 2026. Para um financiador, este discurso significa investimento seguro, continuidade e retorno social (entregar resultados); para o Governo: lealdade e compromisso a longo prazo; e para as comunidades: presença, acções e impacto, juntos.

Para todos os actores, a frase “como Gorongosa, continuamos aqui”, analiticamente, representa os três pés (3Ps): Presença, Permanência e Propriedade, atributos do Parque Nacional da Gorongosa.

Aurora, serena, mas por dentro dorme um “monstro” dos sectores bancário e financeiro para desenvolvimento, com mais de 30 anos de experiência, incluindo tempo no privado e governamental, tanto nacional quanto internacional.

Malene também tem diploma em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Politécnica –Maputo, Moçambique. Além de certificados em Gestão de Projectos pela Universidade de Cidade do Cabo e em Mindfulness pela “Escola Transpessoal” de Portugal.

Não parou por aí. Aurora cofundou o Projecto de Desenvolvimento Infantil Kids-Kruppa”; conseguiu diploma em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Politécnica – Maputo, Moçambique, além de certificados em Gestão de Projectos pela Universidade da Cidade do Cabo, e em Mindfulness pela “Escola Transpessoal” de Portugal, e mestrado em Finanças para o Desenvolvimento, pela Universidade de Stellenbosch – Cidade do Cabo, África do Sul.

Nomeada em 2024 como Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), dois anos depois, Aurora Malene, usa a sua experiência para chefiar o Parque com presença e liderança.

 

Contexto

Nos dias 1 e 2 de abril do ano em curso, os implementadores do SLDP, nomeadamente, Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Resilience e Right To Play (RTP) reuniram-se para compreender, onde saíram, como estavam, onde estão, como estão, e prever aonde vão, com as múltiplas actividades integradas e coordenativas na frente do financiador.

O encontro aconteceu depois de visitas do campo onde o financiador não apenas questionou, mas viu in loco o que acontece no terreno com o seu investimento.

No terreno, os beneficiários contaram com apropriação da “coisa”, falando do antes e depois do SLDP nas suas vidas, e motivando outros a participarem. Por exemplo, os visitantes ouviram os depoimentos de produtores, família modelo, Pedro Vurande, em actividades integradas, especialmente, nutrição, e o comité de Gestão de Recursos Naturais.

Na ocasião, depois da reflexão conjunta, Aurora Malene resumiu como impactos do SLDP:

“No capítulo de agricultura o que me alerta é que conhecendo Moçambique pela história, sabemos que é de vários investimentos”, poucos são os resultados visíveis. Mas “a intervenção com o apoio da Embaixada da Holanda, trouxe resultados, que valem a pena”.

Nas comunidades, o SLDP “incorpora melhorias, capacitações, inclusão em cadeias comerciais”, lembra a Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa.

Com estes ganhos, há “relevância de partilharmos a experiência e torná-la mais pública porque esses resultados são válidos todos. Quando partilhamos histórias de sucesso num local tão remoto e difícil [como Tazaronda, interior do distrito de Gorongosa] estamos a mandar uma mensagem clara para o País que é possível fazer coisas [maravilhosas]; não podemos perder esta base”.

Em 2021, o Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG) abordou a Embaixada dos Países Baixos (EKN em Moçambique) para a implementação de um Programa de Segurança Alimentar e Nutricional (FNS) na região centro de Moçambique. Com os seus parceiros, Right to Play (RTP) e Resilience, submeteu uma proposta denominada “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência para as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa ZTG”, SLDP, que foi aprovada pela EKN em Julho de 2022.

O SLDP centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros em 5 anos (2022-2027). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 Produtores do Sector Familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e WASH.

Num período de cinco anos para o SLDP, de 2022 a esta parte como fase de implementação, “atingimos o patamar, mas não é ainda o ideal. Temos que nos comprometer ainda mais. São passos que vamos ter de discutir e repensar”, desafiou à equipa implementadora do Programa.

Os resultados alcançados compõem uma “experiência rica”. Os resultados encorajam-nos. Mas sobretudo, ficamos mais ricos com a experiência de ter tido a oportunidade de colaborar com parceiros [também] experientes, com tecnologia e metodologias que certamente enriqueceram maneiras como fazemos e o que fazemos”.

“Temos também que reconhecer que a escolha de uma instituição nacional [PNG] presente neste local com experiência de trabalho com as comunidades, foi exactamente uma grande valia, não apenas para o PNG, mas também para o país”. Isso “porque quando olhamos para aspectos de desenvolvimento, um dos requisitos fundamentais, são instituições saudáveis, resilientes, que fazem diferença para que o país se desenvolva. E quando um parceiro [internacional] investe nas instituições nacionais está certamente a contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do país. [Pois], essas instituições conhecem a cultura, conhecem as prioridades, e sobretudo compõem pessoas experientes. A cada intervenção, a cada suporte, [todos] saem fortalecidos para fazerem a diferença”.

Num único Programa SLDP inclui quase todas as áreas, desde agricultura e respectivas infraestruturas à saúde nas comunidades, com o apoio da Embaixada dos Países Baixos (EKN em Moçambique).

Por isso, “quero muito e em especial reconhecer esta abordagem que a Holanda trouxe e foi certamente valia para nós que nos dá a certeza de que não estamos sozinhos neste caminho desafiante. Devemos continuar porque sempre a carga é leve quando temos alguém que nos ajuda a carregar. E nós sentimos isso. Nós sentimo-nos abraçados pela Embaixada dos Países Baixos. Agradecer por esta parceria, esta colaboração”.

“Como Gorongosa, nós continuamos aqui. Nós estamos presentes, vamos continuar presentes ao longo de muitos anos porque afinal de contas somos uma instituição nacional”, fechou a Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa, merecendo a “cancão do administrador do PNG, Pedro Muagura, intitulada “: Parceiro organizado, sempre vencerá”.

 

Análise comunicacional

“Continuamos aqui”: significa continuidade dos impactos do SLDP.

Os financiadores odeiam projecto que acaba e tudo morre. O discurso “como Gorongosa, nós continuamos aqui” significa garantia de sustentabilidade igual a segurança para o investimento.

“Muitos anos”: impacto de longo prazo.

“Vamos continuar presentes ao longo de muitos anos porque somos instituição nacional”. O parceiro entende que o dinheiro não vai cair no vazio. O Estado moçambicano está ali, na Serra, nas comunidades de Muanza, em Nhamatanda, Dondo, Cheringoma e Marínguè. Não há abandono do território. Há governação, há conservação, há futuro. E para parceiros, isso é sinal verde para continuar e até aumentar apoio, por reduzir riscos de conflito e aumentar legitimidade. A Gorongosa tem tudo.

Hoje, o PNG é um destaque da África e seguro para investimento. Os objectivos de Greg Carr estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. (Muamine Benjamim).


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