Um casal e os seus quatro filhos menores enfrentam a dura realidade no interior do distrito de Dondo, (UC-F), zona de Três Tanques, bairro Muzimbite. Dormem ao relento, desafiando todas as condições que a natureza “proíbe” nesta época de frio. Não é por escolha, mas as condições financeiras obrigam para a família desempregada e camponesa.
O incêndio destruiu praticamente todos os bens da família, incluindo a cobertura da residência, mobília, roupa, alimentos e material escolar das crianças. Sem condições de chapas de cobertura a família amara estacas, bambú e plásticos. Mas qualquer apoio neste momento pode fazer muita diferença.
A família tinha onde se esconder numa casa de material precário. Os meninos tinham onde escrever o A,B e C e um futuro a seguir passos como de qualquer criança rural. Mas agora tudo está a recuar.
Parecia julho normal, mas não. O dia 26 provou isso, em pleno domingo, quando a família preparava-se para a “Casa do Senhor”. O fogo começou na sala da casa e rapidamente alastrou-se pelos compartimentos da residência sem que fosse possível controlar a tempo.
Luísa Faquira, mãe das quatro crianças, recorda os momentos de aflição vividos naquela manhã: “eram 9 horas, estava no quarto a procurar roupa para ir à Igreja”, uma das filhas viu o fogo do lado de fora e começou a gritar “mamã fogo em cima [no tecto]. Saí a gritar socorro, mas quando veio a ajuda já era tarde”, contou.
Apesar das dificuldades, os filhos continuam a frequentar a escola, graças ao apoio de familiares e da comunidade. “ A minha sobrinha ofereceu-lhes cadernos, e fui informar ao professor sobre a situação”.
Neste momento a família prova resiliência. “Assim estamos a tentar recuperar a casa, por isso, peço apoio de chapa”.
A cobertura da casa era de plástico, por isso, o fogo foi tão rápido alastrar-se na casa, queimando tudo.
Diante das perdas e da incerteza, a família Aníbal demonstra resiliência e determinação para reconstruir a sua vida, um esforço que simboliza a força de muitas famílias moçambicanas na luta por um futuro melhor para os seus filhos.
O chefe da família, Aníbal Meque procura agora por estacas e caniço para reconstruir.
Os objectivos de Aníbal Meque estão longe, mas se o limite do possível se concretizar, será para a sua família.
Enquanto mantém esperança de apoio de pessoas de boa vontade, instituições ou organizações, a família conta apenas com a solidariedade de familiares, com apoio de alimentos, roupa, cobertores e alguns materiais básicos.
Aníbal Meque já procurou por oportunidades na cidade da Beira, capital provincial, mas não conseguiu. Qualquer oportunidade de emprego digno ou mesmo biscate, ajuda ou onde a “porta” se abrir, estará lá para sustentar a família. (Narcísio Cantanha).
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