Entre o manto verde que cobre a famosa Serra da Gorongosa está o café. Não são simples folhas, plantas e sementes, mas a esperança de mudança de vida e a união de um povo que tanto viveu de ódio (colonialismo e guerra civil). Hoje, as famílias projectam-se, graças também ao impacto desta produção motivada pelo Parque Nacional da Gorongosa (PNG).
“Comecei a produzir o café como voluntária no Parque Nacional da Gorongosa, na altura sem remuneração. Cheguei a pensar em desistir”, revelou a produtora Fatiança Paulino, desconfiando se daria certo a produção.
Hoje, Fatiança Paulino apresenta surpresas. “Consegui formar a filha, construir casa melhorada, comprar motorizada e muitos bens”.
A produção do café, inicialmente numa fase experimental em 2011, passou a integrar oito produtores até 2015, motivando outros integrantes. Com o passar do tempo, a produção provou aposta, motivando as comunidades ao seu envolvimento. Hoje, conta com acima de 1000 produtores de café. E 12 trabalhadores na fábrica.
Manuel Manejo Machessa é produtor de café desde 2019. Conta que antes de começar a produzir, a vida estava difícil, não porque não produzia outras culturas, mas as outras culturas não eram muito rentáveis como a do café. Este é um dos motivos do nome sonante, Gorongosa.
“Quando apostei na produção do café, a vida começou a melhorar. Já consegui dinheiro, o que antes era impossível”. Começou a viver momentos de “milagres” na sua vida: “consegue investir nos estudos dos filhos, e investir na formação no curso de saúde da minha filha, além de outros bens e casa melhorada que já conseguiu construir”, revelou o produtor.
Para 2026, Manuel Manejo Machessa não quer garantir apenas a cadeia de valores, mas sair de produtor para tornar-se empresário de sucesso. No ano passado, dos quatro hectares, conseguiu colher mais de 8 toneladas. Já este ano projecta 14 hectares. Esta projecção resulta da fábrica inaugurada em dezembro de 2025.
A fábrica visa fortalecer a cadeia de valor do café, impulsionar os rendimentos dos pequenos agricultores e aprimorar a segurança alimentar. Além disso, contribuirá para os esforços de restauração da montanha Gorongosa.
Quando quase todos se fugiam ou se desconfiavam como resultados da guerra, o café veio juntar as comunidades, desde a produção, aprendizagem de melhores práticas agrícolas, encontros com admiradores e/ou financiadores desta iniciativa, comercialização, partilha de experiências a maneira de pensar para melhores condições de vida.
Isabel Verniz resume o Projecto de Restauração da Gorongosa, sendo produtora do café. “Também, estão a me ensinar a usar as técnicas de produção, além da ajuda com fertilizantes, há 7 anos. “Quando comecei a apostar na produção de café, a minha vida começou a melhorar. Já tenho uma casa melhorada, filha formada, corrente eléctrica na residência, motorizada, plasma e mobília na minha casa”.
“O Projecto de Restauração da Gorongosa é um grande ganho, tenho a certeza que os parceiros [financiadores] não irão se arrepender, porque as famílias estão a mudar de vida. Agradeço pela oportunidade e incentivo aos outros a apostarem na produção do café”.
A plantação e produção de café é vista como uma actividade alternativa para as famílias evitarem a agricultura itinerante.
Os objectivos da Fundação Greg Carr, através do Projecto de Restauração estão ainda longe, mas se o limite do possível se concretizar, será no Parque Nacional da Gorongosa. Hoje, o Parque é um destaque da África, não pelas guerras anteriores, mas pela gestão de impacto local, envolvendo programas integrados e participativos (agroflorestamento; acesso ao mercado e cadeias de valor; saúde sexual e reprodutiva; nutrição; Escolinhas, Clubes de Raparigas, Clubes de Jovens, Clube de Professores; bolsas de estudos; construção de infra-estruturas como escolas e centros de saúde resilientes que servem de refúgios em ventos extremos entre outros) para o desenvolvimento humano. (Ana Cleta de Lopes Coimbra e Muamine Benjamim).
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