“Caçador de feitiçaria” agita Mercado Municipal de Consito em Dondo

Um homem que supostamente exerce actividades de magia negra, popularmente curandeirismo, proveniente do norte de Moçambique, província do Niassa, agitou uma multidão com a prática de “caça à droga ou feitiçaria”, na passada sexta-feira, no Mercado Municipal de Consito, no distrito do Dondo, província de Sofala, centro do País.

O Mercado Municipal de Consito, uma infra-estrutura moderada com mais de 20 bancas fixas e lojas, regista há anos fraco movimento de clientes à procura de bens, situação que preocupa os vendedores, que se queixam da escassez de compradores.

Actualmente, o mercado resiste com cerca de três bancas e uma loja em funcionamento. Muitos ex-vendedores acusam um suposto chefe do mercado, também comerciante, de atrair clientes para si ou de contribuir para a falência de várias bancas, alegadamente por meio de práticas de magia negra.

Após o consenso entre os vendedores na busca de uma solução, o curandeiro realizou um ritual que consistiu em escavar a entrada do mercado e outros pontos considerados estratégicos de acesso, acompanhado por uma multidão de vendedores e curiosos.

“O objectivo era retirar uma suposta ‘droga’ ou feitiço que estaria a prejudicar o desenvolvimento das actividades comerciais neste mercado”, referiu o vendedor no local, Lisboa Sulemane, acrescentando que a “coisa” teria fugido em direcção ao Cemitério Santa Ana.

Horas depois, o curandeiro anunciou ter encontrado um recipiente com dinheiro nas proximidades de uma empresa de serralharia conhecida como “Serração dos Chineses”.

“Disseram que ele já tinha feito um trabalho no Mercado do Bairro 25, onde tirou uma cobra e saiu muito dinheiro. Aqui disse que vinha retirar uma droga escondida que faz com que os vendedores não se desenvolvam. Muitas bancas fecham porque as vendas são fracas”, afirmou Sulemane, que, embora tenha apontado a existência de um suposto responsável pela alegada prática, não identificou nomes, referindo apenas que seriam pessoas de fora a minar o mercado.

O chefe do Mercado Municipal de Consito no Dondo, António Njinga, confirmou que acompanhou o trabalho e explicou que o objectivo era esclarecer acusações que recaem sobre a sua pessoa.

“Havia comentários de que o mercado não se desenvolve por causa de ‘droga’ e que eu estaria envolvido. Chamámos o curandeiro para esclarecer isso. Cavou na entrada, depois na zona da estrada de Mandruzi, onde retirou um barro com dinheiro. Trouxe ao mercado e distribuiu. Recebi 200 meticais e outros receberam 50”, explicou.

À semelhança do Mercado Municipal de Consito, também o Mercado Municipal de Nhamaiabwe enfrenta dificuldades, embora existam projectos em curso para a sua dinamização, apesar de estar localizado num bairro de expansão.

A iniciativa deixou parte dos vendedores aliviados, embora o episódio tenha dividido opiniões entre crença e cepticismo. O caso reacende o debate sobre o impacto das crenças tradicionais na dinâmica comercial, num contexto em que muitos vendedores continuam a enfrentar dificuldades económicas no Mercado Municipal de Consito, no Dondo. (Narcísio Cantanha).

 


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