Dondo, à semelhança de vários distritos, enfrenta desafios significativos no que diz respeito ao emprego juvenil, na província de Sofala. Muitos jovens terminam a formação académica ou técnico-profissional, mas com sérios problemas de trabalho. Tal como “Profundus” sugeriu em reflexão de 2024 a Nhamatanda sobre a necessidade de Porto Seco, o vizinho distrito avançou com a iniciativa: Porto Seco: Um olhar económico para Nhamatanda – Jornal Profundus
Em Moçambique, a falta de iniciativas próprias limita o acesso ao financiamento para impulsionar projectos que muitas vezes assemelha-se a doenças crónicas dependendo de doações.
Com o Porto Seco, na exportação há vantagem na admissão/recepção de mercadoria, pesagem de veículos, cargas e volumes, movimentação e armazenagem, unitização de carga, entrega de mercadorias à empresa contratada para transportar a carga após o desembargo aduaneiro.
Manipulação de mercadorias que encontram-se sob o regime de entreposto aduaneiro para embalagem, ré-embalagem, marcação, remarcação, numeração e renumeração de volume, conserto, reparo ou restauração de embalagem, adaptação e eventuais exigências do mercado externo.
Já na importação, o Porto Seco permite a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, oferece tomadas para conteineres refrigerados, admissão de bagagens desacompanhadas e de mercadorias sob regime de trânsito aduaneiro, pesagem de veículos, carga e volumes, movimentação e armazenagem de mercadorias.
Actualmente, diante de um cenário bastante disputado, as empresas, independente do ramo a actuar, têm de buscar inovações, serviços exclusivos, tratamento individualizado, dentre outros pontos para se destacarem no mercado competitivo.
O caso de Dondo
A ausência de indústrias de grande porte limita a absorção da mão-de-obra local, obrigando movimentos migratórios para outras cidades em busca de oportunidades. Nisso, a actividade informal é um refúgio, apesar de reduzir a perspectivas da económica local.
É neste contexto, o Porto Seco de Dondo em Sofala é visto como janela de esperança, podendo gerar empregos directos e indirectos, prestação de serviços, transporte, comércio, restauração, logística e pequenas e médias empresas ligadas à cadeia de valor dos projectos.
Durante a apresentação pública do megaprojecto na última sexta-feira no distrito do Dondo, o administrador distrital, Adamo Ossumane, reforçou a visão estratégica do Dondo.
“Não podemos continuar dependentes. É hora de produzirmos, implementarmos nossas próprias iniciativas e assumirmos os desafios para transformar o Dondo numa cidade económica.”
Entre os projectos em curso, esta o Porto Seco, na zona de Muzimbite, e o projecto de Águas Profundas, em Savane, ambos concebidos para impulsionar os megaprojectos na província de Sofala.
A implementação destas iniciativas visa criar empregos, melhorar a qualidade de vida e abrir oportunidades para empresários e agentes económicos emergentes.
“Queremos ouvir sirenes às 7 horas, ver os nossos jovens e mães a correr para os seus postos de trabalho, e às 17 horas regressarem às suas casas, como acontece nas grandes cidades. Temos recursos, temos força humana e capacidade. Precisamos de assumir este desafio”, acrescentou, reiterou Ossumane.
“Os primeiros beneficiários destes projectos somos nós. Se houver emprego, haverá salários ao fim do mês, melhores casas, filhos na escola e mais negócios a crescer”, concluiu.
Dondo projecta-se com a ambição de reduzir a dependência de doações, fortalecer o comércio e consolidar-se como referência económica regional, transformando o Porto Seco num símbolo de desenvolvimento sustentável e oportunidade para a população.

O Conselho de Ministros, através da resolução n.º 48/2025, de 4 de Dezembro, autorizou a negociação directa com os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), para a implementação do projecto, em parceria com a empresa Union Portlink Capital Lda.
O projecto terá igualmente impactos económicos e sociais relevantes, para além de criação de empregos nas fases de construção e operação, atracção de indústrias exportadoras, redução dos custos de transporte e incremento das receitas do Estado ao longo dos 25 anos de concessão, com reversão do empreendimento ao Estado em 2052.
A medida é resposta aos principais desafios logísticos do Corredor da Beira, marcada por congestionamento portuário, longas filas de camiões na Estrada Nacional Número Seis (EN6) e atrasos operacionais.
A concentração de empresas prestadoras de serviços perto de portos, aeroportos, pontos de fronteira, cada qual tende a inovar. Assim, o caso de Dondo poderá possibilitar outros serviços diferenciados, como por exemplo, casas de aluguer, incentivo para outros serviços socialmente aceites mas que antes eram ignorados. Dai passarem a prestar de perto com tratamento exclusivo, qualidade, eficiência, redução de custos e nível de serviço elevado. Consequentemente, com os demais serviços haverá lucros e excelente desenvoltura e performance do seu cliente.
Actualmente, na EN6, cerca de 1.700 veículos entram diariamente ao Porto da Beira, passando pelo distrito de Dondo.
Os principais factores que fazem do Porto Seco um sucesso são os investimentos maciços em pessoas, acessibilidade, infra-estrutura, tecnologia, inovação e nível de serviço. Dondo tem essas capacidades e está a intensificar (geopolíticas).
As obras poderão iniciar a 1 de abril deste ano, com a duração de 12 meses, estando o início das operações previsto para 1 de maio de 2027. (Narcísio Cantanha e Muamine Benjamim).
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