O Parque Nacional da Gorongosa, através de uma equipa multissectorial, está a visitar as comunidades beneficiárias do Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis, Sustainable Livelihoods Development Program (SLDP), no âmbito da sua monitoria. A breve constatação é de bons serviços e impactantes localmente, mas é preciso fazer melhor do que ontem, o que significa melhor coordenação para objectivo comum: comunidades sustentáveis.
Nos seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Marínguè, Cheringoma, Dondo e Muanza, onde o SLDP é implementado, a equipa de monitoria escolheu estrategicamente apenas três, o distrito de Nhamatanda (localidade de Bebedo, Gorongosa (comunidade de Mucodza & Mapombue e Cheringoma (localidade de Mazamba).
A equipa multissectorial é composta pelo Director de Programas, Simião Mahumana; Gestor de Impacto, Edson Carneiro; Adjunta da Comunicação, Larissa Sousa; e o Gestor de subsídios, Aires Mavie, do Programa.
Pretende-se com a monitoria, interagir com os beneficiários do SLDP e partes interessadas; realizar verificação documental e de campo/factual das actividades relacionadas às despesas do SLDP no campo; trabalhar com os directores do GRP e as equipas de implementação para avaliar até que ponto as actividades do SLDP estão a contribuir para os resultados departamentais e globais do GRP; confirmar os beneficiários apoiados pelo SLDP e a sua visibilidade no campo; produzir evidências documentais e de trabalho de campo das actividades como treino de beneficiários, assistência técnica, aplicação de práticas, mudanças na vida das pessoas/famílias, verificar o nível de utilização das ferramentas do ciclo de gestão de projectos pelos implementadores, verificar o desempenho relativamente aos planos e relevância das estratégias e abordagens utilizadas.
O caso de Nhamatanda
A visita aos distritos decorreu inicialmente na última terça-feira, na localidade de Bebedo, distrito de Nhamatanda, sem Aires Mavie.
A interacção começou com Jaime Nguirate Buramo, que através da venda de sementes pretende aumentar com o seu armazém, mas devido a fraca produção aliada a mudanças climáticas dificultam-lhe. Desde 2002, este comerciante não pára de abastecer a localidade, e ganhou destaque em 2007 pela maior produção. O seu sonho é obter um financiamento.
Ainda sobre agricultura, a monitoria abrangeu alguns campos de produção agrícola do grupo liderado por Carlinda Daniel, para avaliar o ponto de situação dos beneficiários após receberem a primeira e a segunda semente antes e pós-inundações de dezembro de 2025, respectivamente. Neste momento, preparam-se para semear na segunda época.
Todas as actividades são coordenadas pelo Governo local. Com isso, a monitoria multissectorial incluiu uma breve avaliação do chefe da localidade e do técnico do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), José Simão Saize e António Félix Nsona, os quais apontaram o impacto das actividades integradas do PNG: “Superam as espectativas”.
Ainda em Bebedo, Elias Carimo é um produtor líder e beneficiário das actividades do sector de nutrição do PNG. Num teste prático, ele provou que nem sempre consome água potável (fervida ou tratada com cloro, ou Certeza). Exemplo, quando lhe pediram água para beber, a família tirou do poço caseiro e directamente para o copo servido, quando devia ser ao contrário: tratar num outro recipiente antes do consumo. Além de mínimas noções de nutrição, através da produção de horticultura que deve ser para o consumo e uma parte à venda como forma de garantir dinheiro para suprir outras necessidades.
A monitoria terminou no povoado de Antoninho, dentro de Bebedo, no viveiro de produção de plantas nativas.
Na ocasião, o presidente do Comité de Gestão dos Recursos Naturais, Alberto Zacarias, apresentou o histórico do CGRN criado em 2009.
O CGRN de Bebedo foi criado em 2009 com poucos intervenientes, mas hoje, conta com 28 homens e 27 mulheres, 20 animadores, 15 facilitadores e 15 fiscais, responsáveis na sensibilização contra caça furtiva, queimadas descontrolada, poluição, roubo e contra os desobedientes das melhores práticas sustentáveis. Com isso, as más práticas tendem a reduzir.
Na transição de 2024 para 2025, o CGRN de Bebedo conseguiu transportar 27 mil mudas para cerca de 3 mil hectares.
Afinal, este ano, o CGRN ultrapassou as 30 mil mudas planificadas. Uma vantagem de seis. Mas devido às inundações de dezembro último, 17 mil mudas foram destruídas.
Contudo, os resultados do SLDP são encorajadores pelas actividades integradas com impactos do sector da saúde, educação, agricultura, além de construção de infra-estruturas resilientes nas comunidades.
O Director de Programas do PNG, Simião Mahumana, desafiou aos intervenientes do PNG para também se preocuparem com os resultados dos outros sectores. Ou seja, se numa actividade, notar-se uma situação que envolve outro sector, é preciso alertar o colega. Afinal, o que se pretende com a Fundação Greg Carr é tornar as comunidades sustentáveis. E a sustentabilidade envolve acções coordenadas.
Por vezes, a falha de um projecto não está apenas no financiamento, mas também na forma como os vários sectores coordenam para objectivo comum.
Os resultados do SLDP são encorajadores, mas “não deve se parar por aí. É preciso reforçar”, como dizia o gestor do SLDP, Edson Carneiro.
Nos dias seguintes, a monitoria continuou no distrito de Cheringoma (quarta-feira) e quinta-feira, no distrito de Gorongosa.
O SLDP centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros em 5 anos (2022-2027). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 Produtores do Sector Familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH). (MUAMINE BENJAMIM).
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