A unidade nacional é um valor fundamental em Moçambique, um ideal que busca unir os cidadãos em torno de um objectivo comum: o desenvolvimento e a prosperidade do país. No entanto, a realidade é que esse ideal está a ser comprometido pela exclusão e pelo nepotismo que impera nas instituições públicas e privadas, particularmente em relação aos nativos de certas regiões do país (tribalismo).
A questão não é apenas sobre a injustiça e a desigualdade que esses comportamentos geram, mas também sobre a perda de talento e potencial que isso representa para o País. Quando as oportunidades de emprego e nomeações são baseadas em relações pessoais e afiliações políticas, em vez de mérito e competência, estamos a privar Moçambique de líderes capazes e visionários.
A pergunta que se faz é: onde está a unidade nacional? Será que existe apenas para acomodar os familiares e amigos dos chefes e dirigentes políticos? Ou será que é um ideal que busca promover a igualdade e a justiça para todos os cidadãos, independentemente da sua origem ou afiliação?
A resposta é clara: a unidade nacional é um ideal que deve ser defendido e promovido, mas não pode ser usado como uma desculpa para justificar a exclusão e a marginalização de certos grupos. É necessário que os líderes e dirigentes políticos sejam exemplos de integridade e justiça, que promovam políticas e práticas que garantam a igualdade de oportunidades para todos, independentemente da sua origem geográfica ou afiliação política.
As nomeações e oportunidades de emprego e transferências não devem observar que estes são dos distritos de Nangade, Balama, Namuno, Angoche, Nacala-Velha, Lichinga, Cuamba, Lago, Dere, Chinde, Mupeia, Chemba, Maringue, Caia, Muanza, Mutarara, Dowa, Zumbo, Gondola, Manica, Guro, Cidade de Inhambane, Funhalouro, Guvuro, Chibuto, Xai-Xai, Limpopo, Boane, Cidade de Maputo e Manhiça. São apenas alguns exemplos.
A unidade nacional é um ideal que deve ser construído sobre a base da igualdade e da justiça, e não sobre a exclusão e o nepotismo. É necessário que os líderes e dirigentes políticos sejam conscientes da sua responsabilidade em promover a unidade nacional e em garantir que todos os cidadãos tenham acesso às mesmas oportunidades.
A unidade nacional é um reflexo da nossa capacidade de trabalharmos juntos, de respeitar as diferenças e de promover a igualdade e a justiça. Se não formos capazes de fazer isso, então o ideal da unidade nacional será apenas uma quimera, um sonho distante que nunca se realizará.
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