Gorongosa gerando auto-emprego juvenil

Leonilde é uma das várias jovens sem oportunidades depois de se formar no ensino superior na área de Agricultura. Desempregada desde a sua formação há 3 anos, a sorte bateu ao seu lado quando recebeu uma máquina de produção de manteiga de amendoim entregue pelo Parque Nacional da Gorongosa (PNG) no âmbito do Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência sobre as Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável”, em inglês Sustanaible Livelihoods Development Program  (SLDP). Hoje, não apenas produz a manteiga, mas também encontrou o autoemprego, projectando-se no empreendedorismo.

Nos seis distritos nomeadamente, Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Muanza, Cheringoma e Marínguè, considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, 640 beneficiários receberam 434 equipamentos entre os quais, quatro moagens, 100 motobombas, 232 debulhadoras de milho, oito armazéns, dez sensores de humidade, 24 balanças, 22 lonas, duas multicultivadoras, nove máquinas de processamento de amendoim, duas máquinas de processamento de farinha de mandioca, além de reabilitar uma represa de água para impulsionar a agricultura e rendimentos financeiros.

Entre os beneficiários, está a Leonilde Celestino, de 28 anos, residente no distrito do Dondo.

A jovem conta que, apesar de não possuir formação técnica na produção de manteiga de amendoim, decidiu enveredar pelo auto-emprego devido à falta de oportunidades de trabalho, procurando alcançar uma independência financeira.

Mesmo enfrentando dificuldades, Leonilde afirma que os dois meses de uso da máquina já trouxeram mudanças positivas na sua vida, embora a produção ainda seja em pequena escala.

Para produzir a manteiga, utiliza amendoim, açúcar e óleo.

Leonilde vem conquistando mercado através da venda e encomendas feitas pelas Redes Sociais e fisicamente, registando actualmente até quatro pedidos em média diária, situação que a motiva a continuar e sonhar com a criação da sua própria marca. “Ainda não tenho ganhos significativos porque estou a conquistar o mercado. E cada vez que vendo deposito o valor para a compra dos produtos”, sublinhou.

A jovem considera que esta oportunidade mudou a sua vida, sobretudo num período marcado pela dificuldade de acesso ao emprego. “Recebo elogios das pessoas, quando perguntam se fui eu quem produziu a manteiga de amendoim. Até agora não tive reclamações sobre a qualidade do produto”, afirmou Leonilde, que vende cada tigela ao preço de 100 meticais.

Leonilde enfrenta sérias dificuldades com a máquina de produção de manteiga de amendoim, uma vez que o equipamento não está a expulsar correctamente o produto produzido, obrigando-a a retirar manualmente com uma colher para encher as tigelas.

Há quem sempre motiva. “Minha mãe incentivou-me muito para iniciar um negócio e disse que eu podia aderir à máquina de produção de manteiga de amendoim”.

Leonilde lembra o passado e o presente, perspectivando o futuro. “Com a máquina estou a dar passos satisfatórios. No início foi um pouco difícil, mas já consigo produzir alguma quantidade nestes dois meses. Antes só ficava em casa sentada e agora já tenho uma ocupação com o meu negócio e faço planos ao amanhecer para comprar amendoim”.

 

Benefícios com resultados permanentes

A técnica de Agricultura do projecto Resiliência, Adelícia Porteiro, explicou que o Parque Nacional da Gorongosa, através das iniciativas do SLDP está a promover meios de subsistência às comunidades e aumentar o rendimento dos produtores, especialmente a camada juvenil e mulheres.

“Ela [a Leonilde] recebeu o equipamento como jovem e como mulher, de forma a incentivar o auto-emprego, com o intuito de produzir e vender localmente. A ideia principal é mostrar à camada jovem que deve criar o próprio emprego e não esperar que alguém lhe ofereça uma oportunidade. Quando produz, pode empregar outras pessoas e ter a sua própria fonte de rendimento”, afirmou Adelícia Porteiro.

Entretanto, os beneficiários que fazem parte do projecto comparticipam com apenas 30% do valor total da maquinaria. O projecto também possui uma componente de financiamento para apoiar os produtores a processarem e comercializarem os seus produtos, ao invés de venderem apenas matéria-prima em estado bruto.

“Além de produzir e ter maior rendimento, temos também a componente de financiamento para conciliar aquilo que eles produzem e depois como vão processar e vender. Em vez de vender o produto bruto, passam a vender o produto processado, criando oportunidade de negócio e auto-emprego”, destacou como sendo culturas de abundância a produção de amendoim na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG.

A responsável explicou ainda que muitos produtores estão habituados a vender mandioca e outros produtos sem qualquer transformação, perdendo oportunidades de agregar valor à produção. “Hoje, existe escassez de emprego e a camada jovem precisa de ser incentivada com equipamento, de modo a tornarem-se autónomos, futuros empresários e independentes financeiramente”, acrescentou.

O projecto pretende responder ao problema do desemprego juvenil em Moçambique, reduzindo também situações de vulnerabilidade social.

“Este foi o primeiro kit entregue em 2026. Em breve vamos beneficiar outros jovens, por forma a tirá-los do desemprego e de situações de vulnerabilidade. A actividade será contínua até ao final do projecto”.

Mesmo depois do fim do projecto, os produtores deverão continuar a produzir e a fortalecer os seus próprios negócios, impactando cada vez mais as comunidades. (Narcísio Cantanha).

 


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