Enquanto muitos mestrados acontecem entre quatro paredes, no do Parque Nacional da Gorongosa é o próprio ecossistema que é o grande mestre. Nos dias 8 e 9 de junho, o Consórcio BioEducação alinhou no acampamento de Chitengo a 5ª edição do único Mestrado em Biologia da Conservação ministrado integralmente dentro de uma área protegida em Moçambique.
O veredicto é simples: se quiser salvar a biodiversidade, tem de estudar onde ela respira. E em Gorongosa ela respira fundo.
Coordenado pela Universidade Zambeze, o consórcio junta Universidade Lúrio, Instituto Superior Politécnico de Manica, Universidade de Lisboa e o Parque Nacional da Gorongosa. No terreno, os professores deixam o PowerPoint e vão ao campo: laboratórios, áreas experimentais e trilhas de pesquisa viram sala de aula.
Ali, ensina-se conservação. Ensina-se com pegada de elefante e com a borboleta que sobrevoa no lago Urema. O aluno dorme no Chitengo e acorda num dos laboratórios naturais mais importantes de África.
O “Mestrado da Gorongosa” dura 18 meses em regime intensivo. É formação avançada, mais investigação aplicada e trabalho de campo. Resultados: quatro gerações já formadas, 48 mestres espalhados por Moçambique e além-fronteiras – profissionais que hoje geram reservas, restauram mangal e enfrentam o tráfico de fauna.
O objectivo da formação é simples: Formar profissionais que não só descrevem o problema da biodiversidade, mas também resolvem.
O Mestrado da Gorongosa não forma só biólogo. Forma gente que entende que desenvolvimento sem árvore de pé é empréstimo que a natureza cobra com juros, por isso, a 5ª edição está garantida, a natureza está pronta, falta o início em breve, depois das inscrições. (Muamine Benjamim).
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