Nas ruas, nas machambas, nas escolas, sente-se um movimento diferente. A Administração por Manuel Moreno Teixeira Jardim decidiu trocar discurso por trabalho. Está a “regar esperança”. Nhamatanda precisa de líderes, não discursos; líderes que correm, não acomodados; líderes que se mergulham na lama, não os bons em medir o limite de longe. O distrito precisa de quem tem “peito”, é uma escola.
Regar esperança é abrir furos de água onde a mulher andava cerca de três quilómetros à procura do precioso líquido. As comunidades de Divinhar, Mucharuenhe, Tchiro e Nhamacaza já têm o líquido, faltando apenas a inauguração em breve com apoio do Parque Nacional da Gorongosa; alunos já estudam em escolas que desafiam níveis qualidade máxima de infra-estruturas pela Fundação de Caridade Tzu Chi. É o resultado de uma continuação de boa colaboração com vários intervenientes no distrito.
Quem não comete, não teme. Jardim acompanha o “Mundial” com jovens na Praça dos Namorados, acima da hora. E isso não é apenas simplicidade.
Nos bastidores, desde o cargo de secretário da Frelimo em Chibabava, era visto como um dos melhores jardineiros, politicamente. A imprensa não esquece, documenta. É a vez de Nhamatanda, pela primeira vez como administrador.
Pessoalmente o que diz o Jardim?
Poucos dias depois do seu empossamento como administrador, em Nhamatanda, no dia 13 de setembro de 2025, Jardim concedeu uma entrevista na qual assumiu que o distrito é uma potência.
“Nhamatanda é uma potência em várias áreas (ecológicas para agricultura, mineração e alguns exploram de maneira ilegal”. É um monstro, se calhar muitos residentes podem não se aperceber”.
A transformação de Nhamatanda conta com aqueles que têm força: a juventude. Mas antes “a juventude tem que ter fé; ouvir os seus dirigentes; ouvir os que já praticam essa área; sem fé, não vamos persistir, e veremos sempre como problema”, onde não há.
Em Nhamatanda, “podemos crescer quase para todos os lados: da terra fértil, dos rios, da mineração…”, chama atenção aos críticos ao distrito.
Não temos recursos financeiros para fazermos tudo que queremos, mas temos a água, a terra e recursos humanos. O que falta é continuar com programas e projectos…” e “continuarmos corajosos”.
Esperança sem acção é miragem.
Os jornalistas, os combatentes os professores documentaram Jardim recentemente pelos feitos como homenagem pela primeira vez no distrito. Mas antes, isso passou da aprovação da “co-administradora” esposa com quem selou em março último com a cerimónia “nihah”- casamento islâmico. Factos documentados geram mérito e confiança, consequentemente, projecção de sucesso. E Nhamatanda é uma escola, onde quem passa por ali na gestão assume grandes “pastas” sucessivas.
Jardim rega também a fé. As igrejas conhecem-no. A católica, por exemplo, chegou a acolher um apoio de 10 mil meticais. Teixeira é muçulmano, reza ali na vila – os detalhes são demais.
Entretanto, há um ingrediente. Detrás de Jardim está a esposa que o rega: Carmina Moisés António.
Carmina Moisés António é o gabinete invisível: o administrador resolve o problema do distrito das 7:30 às 15:30 ou mais, legalmente. A mulher resolve o problema dele das 15:30 às 7:30;
Ela ouve as queixas, os medos e as chatices que ele não pode contar para ninguém. É conselheira, psicóloga e parede para desabafar. Afinal, um líder sem paz em casa, não traz paz para o Gabinete e ao distrito.
Quando o administrador está em reunião no Maputo, ela está na mesquita, no mercado, no velório em Nhamatanda, etc. O povo conta-lhe, filtra o que é fofoca e o que é dor de verdade, e leva para o marido. Consequentemente, a administração fica com os “pés no chão”, não fica só no papel.
Ela é a dama que trabalha, emprestando o marido ao povo. Não é título. É serviço.
Visita centro de saúde, organiza mulheres, apoia órfãos, fala de higiene e confraterniza-se. Enquanto ele vai asfaltar a estrada, ela vai abrir o coração das mulheres. Regar esperança acontece nas duas frentes: ele na infra-estrutura, ela no social, afinal, também é presidente do Movimento de Advocacia, Sensibilização e Mobilização de Recursos para a Alfabetização (MASMA) no distrito.
Ele governa Nhamatanda, enquanto ela governa o coração dele. Juntos administram a esperança.
Desafio
A boa intenção está lá. A corrida mantem e a esperança está a se projectar. Mas há que repensar na comunicação. Afinal, tudo comunica para o sucesso de qualquer actividade.
O próprio governante assumiu num encontro do Conselho Distrital de Segurança Alimentar e Nutricional (março último) sobre a necessidade de fortalecer a Comunicação Organizacional Institucional (COI), o que remete a uma interacção entre instituições ao serviço das mesmas comunidades. Principalmente, uma comunicação dos projectos para a máquina (administração) em termos de dados.
A instituição ou projecto vira corpo sem cabeça. Cada membro anda para um lado. Regar esperança, não funciona se o cano está furado. A mensagem não chega.
O resultado recai no sofrimento das comunidades. Por vezes, os projectos falham não por falta ou insuficiência de fundos, mas porque não resolvem o problema real. Cada um no mesmo local quer correr e ganhar sozinho, deixando ou ignorando outros implementadores. Consequência: furos de água estragados e quase esquecidos, os casos do sistema de abastecimento de água da EPC Metuchira e sistema de abastecimento de Bie-pie em Chirassicua. Este é um exemplo de água, mas podem existir outras áreas com essas fragilidades.
A COI deve ser fortalecida da hierarquia ao último beneficiário (da administração à comunidade).
Acção com povo é colheita. Jardim está a plantar. Historicamente, quem governa Nhamatanda passa por qualquer tipo de exame. O distrito tem gente que trabalha, mas a maioria é da oposição dispersa para também comer. Falta um despertar, prontos, ai revelar-se-ão, não apenas pelo histórico de tensão-político-militar.
Diga-se que Nhamatanda é um distrito cinzento, jornalisticamente.
O povo de Nhamatanda não pede milagres. Pede presença. É aí onde se encaixa Jardim. Na semana passada, de visita a Bebedo, o administrador prometeu estrada asfaltada, a partir da localidade de Metuchira, mais tarde até ao 4.º bairro, Vinho – comunidade limítrofe do rio Pùnguè. E mais, disse que quando chegar a vez vai se “doar para estar de perto. Hei-de vir fazer estradas com vocês” para viver de perto a sensação comunitária.
Quando o líder mergulha na lama com o povo, a esperança germina.
Bêbedo não apenas conecta a estância turística Parque Nacional da Gorongosa, passando pelo interior de Nhamatanda, mas também garante uma parte da produção agrícola que alimenta 60% a cidade da Beira, capital provincial onde está o Porto eficaz e eficiente da África Austral, segundo a classificação do Banco Mundial.
A energia para Bebedo apenas falta ligar o fio à corrente, os postes e fios estão ali.
Ainda há muito por fazer. Mas quando algo está bem, Nhamatanda volta a acreditar que com “Jardim” pode mesmo florescer. (Muamine Benjamim).
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