Amanhã de Gorongosa
O amanhã de Gorongosa,
não é de medo, é de luz.
As crianças de hoje,
são o futuro que nos conduz.
Amanhã haverá mais escolas,
mais clínicas, mais pão.
Amanhã haverá mais paz,
mais amor, mais união.
Amanhã de Gorongosa,
eu já te vejo a brilhar.
És o futuro de Moçambique,
que está prestes a chegar.
Semente
Cada criança na escola,
é semente no chão.
Quem rega com amor,
colhe paz e educação.
A semente é pequena,
quase não se vê.
Mas com água e com cuidado,
vira árvore que dá de comer.
Semente de Gorongosa,
cresce, não pares.
O futuro precisa de ti,
para as novas primaveras.
O futuro tem nome
O futuro tem nome de criança,
tem nome de professor.
Tem nome de Gorongosa,
tem nome de amor.
Tem nome de Maria,
tem nome de João.
Tem nome de quem estuda,
com caderno na mão.
Futuro, vem depressa,
que Gorongosa te espera.
Já preparámos a mesa,
com pão, paz e primavera.
Carta a um filho
Filho, estuda, não desistas,
a terra precisa de ti.
Gorongosa espera por ti,
para seres o que eu não fui.
Eu não tive escola,
tu tens.
Eu não tive livro,
tu tens.
Filho, usa o que tens,
para levantar Gorongosa.
O teu diploma é a enxada,
que vai lavrar a nossa rosa.
Beira e Gorongosa
Saí de Gorongosa para Beira,
mas Gorongosa não saiu de mim.
Onde eu for, eu levo,
Gorongosa dentro de mim.
Em Beira eu trabalho,
em Beira eu escrevo.
Mas quando fecho os olhos,
é Gorongosa que eu vejo.
Beira e Gorongosa,
são duas irmãs.
Uma me acolheu,
outra me fez ser quem sou.
Zumbo também é meu
Passei também por Zumbo,
deixei lá um verso meu.
Zumbo também é Gorongosa,
no coração que é teu.
Em Zumbo aprendi,
que a terra é uma só.
Que o povo é o mesmo,
do Rovuma ao Maputo.
Zumbo, não te esqueci,
estás neste livro também.
Gorongosa e Zumbo,
são versos do mesmo poema.
O Poeta Não Cala
Podem calar o poeta,
mas o verso fica no ar.
Gorongosa vive em mim,
ninguém me pode calar.
Podem queimar o livro,
mas a palavra fica.
Podem fechar a escola,
mas a ideia não se apaga.
Poeta da Gorongosa,
escreve, não pares.
O teu verso é a voz,
de quem não pode falar.
Cultura de Paz
Paz não é só silêncio,
é pão, é escola, é perdão.
Cultura de paz em Gorongosa,
é viver de coração.
Paz é dividir o milho,
paz é ouvir o vizinho.
Paz é ensinar a criança,
a amar o seu caminho.
Cultura de paz,
não se aprende num dia.
Aprende-se a vida toda,
em Gorongosa, com alegria.
Perdão
Perdoar não é esquecer,
é soltar a dor no vento.
Em Gorongosa, quem perdoa,
vive sem sofrimento.
Quem perdoa dorme bem,
quem odeia dorme mal.
O perdão é remédio,
que cura o mal.
Gorongosa perdoou,
e por isso renasceu.
Quem perdoa hoje,
amanhã vive no céu.
Um Homem querido
Não quero ser rico,
quero ser querido.
Quero que Gorongosa diga:
ele foi um homem querido.
Rico é quem tem ouro,
querido é quem tem amor.
O ouro acaba,
o amor fica.
Quando eu morrer,
não quero mármore.
Quero que uma criança diga:
ele foi professor, foi querido.
O Giz e a Paz
Com giz na mão eu escrevo,
com paz no coração eu ensino.
Em Gorongosa, o professor,
é o maior peregrino.
O giz é pequeno,
mas escreve o futuro.
A paz é invisível,
mas constrói o muro.
Giz e paz,
são as minhas armas.
Não matam ninguém,
só levantam almas.
O livro que fica
Quando eu já não estiver,
o livro vai ficar.
Gorongosa vai ler,
e vai continuar a cantar.
As páginas vão amarelar,
mas o verso vai viver.
Cada criança que ler,
vai aprender a escrever.
Livro, fica,
não te percas.
Tu és a minha voz,
quando eu já não estiver.
Gorongosa em mim
Gorongosa não é só lugar,
é gente, é dor, é amor.
Gorongosa vive em mim,
como verso de um poeta maior.
Quando eu falo, é Gorongosa,
quando eu choro, é Gorongosa.
Quando eu rio, é Gorongosa,
quando eu vivo, é Gorongosa.
Eu sou Gorongosa,
Gorongosa sou eu.
Somos um só poema,
escrito por Deus.
Oração de Gorongosa
Senhor, abençoa Gorongosa,
abençoa a criança e o velho.
Abençoa quem planta e quem ensina,
abençoa este chão tão belo.
Abençoa a chuva,
abençoa o milho.
Abençoa a escola,
abençoa o filho.
Senhor, fica em Gorongosa,
não nos deixes mais.
Nós já sofremos muito,
agora queremos paz.
Gorongosa renasceu em mim
Eu sou Sousa, sou poeta,
sou professor, sou paz.
Gorongosa renasceu em mim,
e em mim nunca mais se desfaz.
Eu levei Gorongosa para Beira,
levei para Zumbo, para todo lugar.
Onde eu for, Gorongosa vai,
porque ela vive em mim a cantar.
Este livro é Gorongosa,
este verso é Gorongosa.
Eu sou Gorongosa,
e Gorongosa renasceu em mim.
Eu não escrevo Gorongosa porque ouvi falar. Eu escrevo porque vivi.
Vivi em Casa Banana, de pé descalço, com giz na mão. Vivi em Madzimachena. Passei por Zumbo. Hoje estou em Beira, mas Gorongosa nunca saiu de mim.
Gorongosa já foi chamada paraíso perdido. Hoje é chamada milagre. Eu vi esse milagre com os meus olhos: a escola que voltou, a criança que voltou a sorrir, o elefante que voltou ao mato, a mãe que voltou a ter pão.
Estes 62 poemas são a minha gratidão. São para a terra, para o povo, para quem restaurou e para quem ainda vai restaurar.
Se este livro ficar nas mãos de uma criança de Gorongosa, já valeu a pena.(Sousa Artur Sousa Roupa).
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