Quando a oportunidade de negócio informal de combustível se torna uma ameaça fatal

A escassez periódica de combustível é uma realidade estrutural Moçambique, particularmente nos períodos de volatilidade dos preços internacionais, perturbações logísticas nas cadeias de abastecimento globais ou crises políticas e económicas como o conflito entre Estados Unidos da América e Irão pelo estreito Ormuz.

Em Moçambique, a dependência de importações, instabilidade cambial e redes de distribuição frágeis torna os episódios de escassez de combustível frequentes e prolongados.

No País, o perfil de risco é agravado pela elevada densidade habitacional em bairros com construção de materiais inflamáveis (madeira, palhota, chapa), a ausência generalizada de sistemas de detecção de incêndio e a normalização cultural de práticas de risco que tornam o comportamento inseguro a norma comunitária e não a excepção.

Como de quem se faz de esperto por algo que não produz, os moçambicanos já recorrem ao armazenamento doméstico de combustível em recipientes impróprios, sifão manual com a boca e proliferação de venda informal em condições sem qualquer controlo de segurança.

A experiência demonstra que estes comportamentos, embora racionais do ponto de vista económico imediato, têm custos humanos gravíssimos.

No distrito de Nhamatanda, província de Sofala, por exemplo, inicialmente pela escassez do líquido, nos postos de abastecimento, dezenas de motociclos, viaturas e pessoas a pé aglomeravam-se para a compra do combustível. Actualmente, passou para a fase de revendedores informais com o mesmo cenário de aglomeração. Mas o que ninguém possivelmente imagina é estarem a criar condições para uma tragédia de proporções potencialmente devastadoras. Afinal, o risco de ficar sem combustível é percebido como certo e imediato, enquanto o risco de incêndio, explosão ou intoxicação é percebido como remoto, improvável, ou coisa que acontece com os outros. Todavia, há como evitar.

O Decreto nº 89/2019, de 18 de Novembro aprova o Regulamento sobre os Produtos Petrolíferos) revogando o Decreto n.º 45/2012, de 28 de Dezembro.

O Decreto, no seu artigo 25, expõe: 1. a armazenagem de produtos petrolíferos é apenas permitida numa instalação petrolífera apropriada e em conformidade com o estabelecido no presente regulamento; 2. as instalações de armazenagem de produtos petrolíferos, devem obedecer às normas técnicas aplicáveis e regulamentos de segurança em vigor; 3. a entrega de produtos petrolíferos a uma instalação petrolífera deve ser permitida apenas se: a) Tiver sido efectuado um registo para a exploração da instalação, nos termos do presente regulamento; b) A entidade que efectua a entrega inscrever o número de registo da instalação respectiva num suporte permanente e a mantenha.

O número 3 do artigo 61 (fixação de formação de preços) aponta que a temperatura de referência para a comercialização de qualquer produto petrolífero, por unidade por unidade de volume do líquido respectivo, deve ser de 20ºC. Mas neste tempo de escassez, nem o comprador e muito menos o revendedor está preocupado na temperatura, aliás, a realidade de Nhamatanda tem sido de combustível vendido no sol pelas estradas, por um lado para maior visibilidade do produto por outro lado por negligência das regras.

Nhamatanda chegou a registar preços de 300 meticais por litro de gasolina, o que antes custava no bolso do cidadão 83 e alguns centavos.

A lei existe, o conhecimento existe, uma vez que o problema existe, apenas falta o elo fazendo entender o risco acessível (comunicação) alternativas práticas, e a convicção colectiva de que sobreviver não é sorte é escolha, neste contexto.

Os revendedores que deveriam ser fiscalizados, alguns deles são orientados nas esquinas por chefes que deveriam fazer o contrário – a intenção é o dinheiro.

Os revendedores deveriam restringir o acesso à área de abastecimento, deixando apenas o veículo em abastecimento e o operador. Mas realidade é outra, em Nhamatanda, por exemplo, onde vendem combustível, você não duvida, há aglomeração.

Não é aconselhável usar garrafas plásticas, bidões alimentares ou recipientes não homologados para combustível. Opte exclusivamente por bidões metálicos certificados, mas a realidade aponta total desorientação.

Desligue o motor, guarde o telemóvel e não fume antes e durante o abastecimento. Em ambientes com vapores de combustível, qualquer faísca pode ser fatal.

Não se aglomere nos postos, aguarde a sua vez à distância segura, sem criar obstáculos à evacuação.

Limite o armazenamento doméstico ao estritamente necessário, em local ventilado e afastado de fontes de calor, nunca dentro do quarto ou cozinha ou onde sempre as crianças têm acesso. Na última terça-feira, um jovem de 24 anos quase perdia a vida dentro da sua residência em Dondo, quando por descuido aproximou-se do combustível num bidão. Outro caso aconteceu em Tete matando um casal.

Em Tete, o marido, que vendia combustível informalmente, aproximou-se ao fogão com um recipiente de gasolina enquanto a esposa cozinhava, gerando uma explosão imediata.

O casal não resistiu à gravidade das queimaduras, mas um dos filhos sobreviveu ao incidente com apenas ferimentos leves.

Nunca faça sifão com a boca, use bomba manual. A aspiração de hidrocarbonetos causa pneumonite química com risco de morte.

Como consumidores, há um teste prático por fazer nos postos de abastecimento de combustível.

Leve dois bidões de cinco litros e peça 10 litros de combustível a dividir nos dois recipientes. Vai entender que possivelmente o litro das máquinas e do bidão são diferentes, apesar do mesmo nome no posto de combustível. A viciação e o regulador estão ali.

Em Manica, vigora a proibição de venda irregular de combustíveis em recipientes (galões). (Muamine Benjamim).

 

 

 

As estrelas em ascensão da Grongosa

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) aponta estrelas em ascensão fruto de profissionalismo nos diversos sectores. São 12 figuras, na sua maioria jovens moçambicanos que aparecem no destaque de 2025.

José Montinho, membro de longa data da equipa da Gorongosa, assumiu em 2025 um cargo de gestão, supervisionando as actividades turísticas em Chitengo (sede do Parque Nacional da Gorongosa). A sua humildade, ética de trabalho e vontade de aprender fizeram dele um elemento de confiança — lidera pelo exemplo e inspira quem o rodeia.

Sandra Fumo e Bachir Chimuaza, membros da equipa destacaram-se este ano pela dedicação e liderança excepcionais na divisão de Aviação.

Sandra Fumo demonstrou uma iniciativa notável na contabilidade, administração e controlo financeiro, assegurando estabilidade operacional durante a expansão da frota e a integração das turbinas. Enquanto Bachir Chimuaza assumiu responsabilidades crescentes em fases críticas de crescimento, mantendo elevados padrões profissionais.

Outros colegas moçambicanos, em operações de voo, manutenção e prontidão aeromédica, exemplificaram a cultura que a Air Gorongosa continua a construir — disciplinada, focada na segurança e comprometida com a excelência

Juvêncio António afirmou-se como um dos líderes agrícolas mais dinâmicos da Gorongosa. Começando na unidade de processamento de mel de Maçombique, reforçou o controlo de qualidade e a coordenação dos agricultores, ajudando a estabelecer o mel da Gorongosa como uma marca de confiança. Em 2025, liderou o desenvolvimento da cadeia de valor do piri-piri, mobilizando mais de 400 agricultores e orientando a produção do campo até ao molho acabado — incluindo a marca e o teste de mercado. Posteriormente, lançou uma iniciativa de fruta desidratada que compra produtos frescos a agricultores locais, os processa localmente e os vende directamente nos mercados moçambicanos.

A liderança de Juvêncio António combina competência técnica, espírito empreendedor e profunda confiança da comunidade, demonstrando como a agricultura sustentável pode capacitar os agricultores, reforçando simultaneamente a economia rural da Gorongosa.

Vanessa Mário Ramos é a estrela em ascensão no Programa de Saúde Materno-Infantil e Nutrição. Como gestora do programa, mantém o trabalho ancorado no que as famílias realmente precisam e assegura que o apoio em saúde sexual e reprodutiva e em nutrição chegue a crianças, adolescentes e mulheres em idade reprodutiva, através das activistas comunitárias mais próximas do quotidiano das comunidades.

A liderança de Vanessa Mário distingue-se pela disciplina: formação prática, acompanhamento regular no terreno e uma via de referência que funciona quando uma rapariga, uma grávida ou uma criança doente precisa de cuidados.

Arque Chirua como Gestor dos Clubes de Professores, motiva os formadores e professores. Dinâmico, colaborativo e orientado para soluções, cultiva uma cultura de aprendizagem contínua, trabalho em equipa e liderança ética, mantendo o programa adaptável, eficaz e ancorado nas necessidades da comunidade.

Richard João Pedro Vidamao promovido a supervisor Sénior de Envolvimento Comunitário, lidera o programa de Gestão Comunitária e Governação dos Recursos Naturais. Nos primeiros seis meses, demonstrou forte liderança, gestão de projectos e coordenação de equipa, sendo reconhecido pelo planeamento claro, pela execução eficaz e pelos relatórios de elevada qualidade.

Adérito Manjate, José Chimbote, Thais Glowacki, Jéssica Hamela, embora grande parte dos seus trabalhos seja visível em salas cheias de alunos, em clínicas a atender famílias e em cidades a planear um futuro mais forte, uma boa parte do que fazem é a infra-estrutura invisível dos bastidores.

Por trás de cada projecto está uma equipa colaborativa que reforçou a capacidade de gerir todo o ciclo de vida dos projectos de infra-estrutura, desde o planeamento e a articulação entre partes interessadas, comunidades e governo, até ao desenho, aprovisionamento, construção, monitorização e entrega. Pequena em dimensão, mas profunda em competência, a equipa entrega infra-estruturas complexas em escala, a tempo, com cuidado e com as comunidades no centro, apoiando, em simultâneo, projectos transversais em Educação, Saúde, Conservação, Ciência e Relações Comunitárias.

Gonçalves Semo Guia, Chefe-Adjunto da região de Chiwawa — onde se encontram as únicas comunidades situadas dentro do Parque, desempenha um papel crítico na prevenção da caça ilegal e da perda de habitat. Trabalhou com as autoridades locais para travar actividades ilegais e liderou mais de 33 patrulhas este ano. Facilitou ainda sessões comunitárias que incentivaram a entrega voluntária de instrumentos de caça ilegal, reforçando a cooperação e os esforços de protecção em toda a região.

João Coelho reconhecido pelas suas amplas contribuições ao Projecto Paleo-Primata, é um exemplo de profissionalismo, colaboração e profundo compromisso com a missão da Gorongosa.

A recente tese de João Coelho sobre detecção remota de sítios fósseis usando inteligência artificial e dados de satélite tem o potencial de preencher lacunas no registo fóssil de hominídeos, avançar a paleoantropologia espacial e colocar questões intrigantes para o futuro.

O trabalho de campo do Coelho como membro da equipa do Projecto Paleo Primata Oxford-Gorongosa está a lançar luz sobre os ecossistemas antigos e as espécies extintas do Parque. Além de trabalhar como paleoantropólogo, João é um brilhante músico, fotógrafo.

Diolinda Mundoza homenageada pelo seu rigor científico e resiliência no terreno, foi seleccionada para um estágio internacional competitivo nos Estados Unidos em 2026 – reflectindo o seu talento e potencial de liderança.

Mundoza desempenha um papel activo no PNG, contribuindo significativamente para a conservação da Biodiversidade, participando em programas de conservação das aves e captura de abutres.

Edson Carneiro, o Gabinete de Programas o reconhece pela sua liderança na coordenação de algumas das iniciativas mais complexas e multiparticipadas do Projecto de Restauração da Gorongosa.

Como Gestor de Impacto em apoio ao Programa de Desenvolvimento de Meios de Subsistência Sustentáveis, ao Gorongosa Business Club e aos programas agrícolas, Edson reforçou o alinhamento entre departamentos, distritos e parceiros externos, assegurando a implementação coordenada de funções transversais de programa.

Com a expansão do SLDP a seis distritos, ajudou a consolidar a presença operacional do GRP, incluindo visibilidade ‘Online’ com diferentes idiomas por uma equipa de jornalistas comunitários (Jornal Profundus e Boletim Informativo PROGRESSUS), orientando processos-chave de gestão do conhecimento e de monitorização e avaliação, incluindo o plano anual de trabalho e orçamento, a revisão intercalar, avaliações e enquadramentos temáticos de implementação.

Quando o SLDP foi lançado num ano de El Niño que perturbou a execução do primeiro ano, Edson liderou os esforços de recuperação e de recuperação de atrasos para restabelecer o ritmo e manter a confiança dos parceiros.

Com o aumento do envolvimento da Embaixada do Reino dos Países Baixos no corredor da Beira, Carneiro desempenhou ainda um papel central na articulação do trabalho do GRP com iniciativas conexas, reforçando a colaboração e o impacto colectivo. A sua gestão serena da complexidade e o seu foco nos resultados fazem dele um pilar da eficácia do Gabinete de Programas. (Muamine Benjamim).

Dois jovens escapam linchamento em Gorongosa por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais

O distrito de Gorongosa viveu ontem, sábado de manhã, momentos de agitação devido a desinformação sobre o famoso “toque mágico” que alegadamente faz desaparecer os órgãos genitais. A Polícia da República de Moçambique (PRM) teve que disparar para o ar como forma de garantir ordem e tranquilidade públicas, ao mesmo tempo segurança aos acusados, em dois casos.

Um dos visados depois de escapar das mãos populares, contou ao “Profundus” como tudo teria acontecido: “Encontrei o acusado numa barraca, nos saudamos. Ele comprou um ovo para mim, comi e comecei a sentir tontura, pensando no que tenho lido e ouvido nas redes sociais, comecei a chorar, acreditando que fosse mesmo o desaparecimento dos meus órgãos genitais. Mas não foi o toque mágico, os meus órgãos não desapareceram e estou bem”, disse Jhon.

Já o acusado contou que encontrou o jovem “na barraca a beber”. Ao se aproximarem, saudaram-se. Pediu ovo, comprei como alguém que conheço, depois de comer, começou a chorar, acusando-me de ter extraviado os seus órgãos genitais”.

O director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, Tatos Benate, esclareceu que ninguém “desapareceu” órgãos genitais. Observamos e está tudo bem, as vítimas admitiram acreditar nas informações das redes sociais”.

O comandante da PRM Isidro Nhamusua, confirmou ter disparado por volta das 10h de ontem, sábado, depois de receber uma denúncia da desordem pública, onde um “suposto atrofiador dos órgãos estava a ser apedrejado pela população e para salvá-lo, tivemos que responder com tiros para dispersar a população. Desencorajamos essa desinformação para a nossa população, porque corremos o risco de matar pessoas inocentes, pedimos que haja partilha dessas informações com a PRM”.

Enquanto no vizinho distrito de Cheringoma, há relatos de morte do jovem, José Paulino Sande, professor licenciado em Ensino de Química com habilidades em Biologia. (Ana Cleta Coimbra).

 

Gorongosa garante água nas comunidades de Divinhar, Mucharuenhe, Tchiro e Nhamacaza

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH), está a construir quatro fontanários em quatro comunidades, nomeadamente, Divinhar, Mucharuenhe, Tchiro e Nhamacaza, interior do distrito de Nhamatanda. São mais de 1.500 pessoas que vão deixar de recorrer aos poços e rios, evitando longas distâncias ao se beneficiarem da água pelos fontanários em construção.

No âmbito do Programa WASH, que visa melhorar o acesso à água potável e saneamento na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque Nacional da Gorongosa, foram realizadas actividades de aberturas de furos de água, especificamente, nas localidades de Matenga e Nhampoca, cujo objectivo é fornecer água segura e de qualidade às comunidades escolares e residenciais, promovendo saúde pública, higiene e bem-estar.

A supervisora de WASH, em Nhamatanda, Carmelinda Mapisse, pretende, através das iniciativas do PNG, incutir uma responsabilidade de apropriação dos furos aos líderes comunitários e a comunidade em geral para a melhor conservação dos furos de água, fazendo manutenção rotineira das bombas e a gestão comunitária, através de capacitações aos comités de água e saneamento. Para tal, recomenda, igualmente, a criação de Comité de Água e Saneamento (CAS) e monitoramento da qualidade da água, garantindo a sustentabilidade das fontes a longo prazo.

Destaca-se, em particular a situação da comunidade do Bairro Macaza, onde a falta de fontes seguras de água obriga os moradores a usarem diariamente a água do rio para as suas necessidades. Esta situação empurra a população a vulnerabilidade a doenças de origem hídricas, além de ataques de crocodilos.

A abertura do furo na comunidade de Macaza representa, portanto, não apenas uma melhoria no abastecimento de água, mas também como intervenção essencial de protecção da vida e redução de riscos.

Os furos já foram feitos entre 12 de novembro a 13 de dezembro de 2025, através de uma empresa especializada.

Na Escola Primária Completa (EPC) Divinhar, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 360 pessoas.

Na EPC Mucharuenhe, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 467 pessoas.

No 3.º Bairro Tchiro, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 317 pessoas.

No 4.º Bairro Nhamacaza, já foi feito o revestimento do furo, limpeza e ensaio de caudal, para beneficiar 397 pessoas.

A supervisora do WASH, em Nhamatanda, avaliou que nos quatro furos, após a conclusão da perfuração e limpeza, foram realizados ensaios de caudal com o objectivo de avaliar a capacidade de produção de água, estabilidade do nível dinâmico e viabilidade das fontes para abastecimento comunitário. Os testes consistiram em bombagem contínua, observando-se a estabilidade da vazão, o comportamento do nível da água e a recuperação após interrupção da bombagem. Portanto, os quatro furos apresentaram resultados satisfatórios, com produção estável de água e boa recuperação do nível freático, indicando que possuem capacidade suficiente para instalação de bombas manuais e abastecimento regular das comunidades beneficiadas.

Por agora, as intervenções para a finalização das actividades onde estão os furos, estão paralisadas devido à quase intransitabilidade das vias de acesso, motivada pelas chuvas.

O presidente do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Matenga, Cadeado Pita, apontou impactos do furo ao estar disponível na comunidade. Por um lado, por fazer mais sentido na sensibilização para a conservação dos recursos florestais porque existem também benefícios nas comunidades com o fontanário; e, por outro lado, por evitar ataques de crocodilo às pessoas na tentativa de tirar água nos rios.

Segundo o presidente do CGRN de Matenga, no dia de fevereiro deste ano, o 1.º bairro de Matenga registou um ataque de crocodilo. E no fim do mesmo mês, mais um ataque em Nhamacaza.

“Quando tivermos um fontanário por perto, a nossa política de sensibilização vai fazer mais sentido ao vermos as vantagens de não destruir o meio ambiente porque o Parque nos ajuda de diferentes formas. E, ao mesmo tempo, contra os ataques de crocodilo”. E quando alguém é atacado por qualquer animal, a comunidade também repara ao CGRN.

O Programa WASH reforça o seu compromisso com a promoção da saúde e do bem-estar, proporcionando acesso seguro à água potável e contribuindo para a melhoria das condições de vida das populações locais. (Muamine Benjamim).

 

Incêndio de combustível numa residência deixa jovem hospitalizado em Dondo

Dino Jhone, jovem de 24 anos, está agora com gesso, depois de uma explosão que o deixou em estado debilitado, na noite da última terça-feira. A vítima, operador de moto-táxi, sofreu queimaduras dentro da sua residência, na zona de TZR no bairro de Mafarinha, no distrito do Dondo em Sofala.

Na altura, estando sozinho em casa, o jovem, na tentativa de acender fogo para preparar o jantar, levou uma vela à procura de plásticos. Por descuido, aproximou-se do combustível e imediatamente a residência pegou fogo. Dino Jhone conseguiu arrastar-se para fora de casa em busca de ajuda.

Os bens materiais do jovem dentro da residência foram reduzidos a cinzas.

“Esqueci, eu sabia que tinha combustível. Ao inclinar com a vela para ver plástico, logo explodiu o combustível”, contou Dino Jhone, que o combustível se encontrava debaixo de estante.

Boaventura Santos, vizinho da vítima, contou que ouviu gritos e veio prestar apoio embora o fogo fosse de grandes proporções. “De repente ouvi, meu vizinho a gritar, pedindo ajuda e quando cheguei, o fogo já estava a arder na casa, e nos deparamos na esquina da casa. Corremos em busca de água e areia”.

A médica no Centro de Saúde do Dondo, Cátia Marisa Simone assegurou que as queimaduras não constituem perigo, embora classificadas do primeiro grau com maior incidência nas costas.

Na quarta-feira, Dino Jhone teve alta hospitalar.

As autoridades recomendam que o combustível deve ser armazenado apenas em locais adequados e com recipientes certificados, evitando colocar em cozinhas, quartos ou espaços sem ventilação.

Ainda sobre combustível nesta fase da sua escassez, um casal morreu carbonizado em Tete, dentro da residência.

A população é igualmente chamada a denunciar situações de risco e a adoptar medidas preventivas para proteger vidas e bens, uma vez que um pequeno descuido pode resultar em morte. (Narcísio Cantanha).

 

Desinformação sobre “encolhimento” de órgãos genitais causa 39 mortos em Moçambique

Ontem, sexta-feira, marcando a abertura do ano lectivo da Escola de Sargentos das Polícia (ESAPOL) Tenente General Oswaldo Assahel Tazama, que coincidiu com os 10 anos de existência da instituição em Metuchira, o Ministro do interior 39 mortes por desinformação sobre atrofiamento de órgãos genitais masculinos no País. Paulo Chacine apontou as províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Niassa, com maior incidência dos crimes.

Relacionada a desinformação de atrofiamento de órgãos masculinos, segundo Paulo Chacine, Moçambique soma 93 casos, resultando em 39 mortes, 74 feridos e 132 detidos.

“Esses dados nos preocupam. São muitas vidas inocentes perdidas por algo que não existe”, disse o Ministro do Interior, apelando à união para combater o mal relacionado a manipulação da informação que está a gerar pânico e desconfiança entre as pessoas.

“Denunciemos às autoridades toda ou qualquer manifestação tendente a perturbar a ordem. As autoridades policiais devem tudo fazer para tempestivamente abordar qualquer tentativa de difusão de informação que propicie a desordem pública”.

Iniciada na segunda semana de abril, a desinformação espalhou-se rapidamente em Moçambique. Portanto, em menos de um mês, são contabilizados 39 óbitos.

A desinformação aponta que com simples toque de alguém, o tocado encolhe os órgãos genitais, alegadamente por magia negra ou feitiçaria. Consequentemente, nenhuma explicação convence os populares, levando-lhes a agredir fisicamente as vítimas até à morte, em alguns casos com intervenção das autoridades para manter a ordem e segurança. (Narcísio Cantanha).

Novo Posto de atendimento de Mafambisse reforça presença do INSS em Sofala

O Instituto Nacional de Segurança Social abriu novas portas com o novo Balcão de Atendimento em funcionamento há uma semana, no contexto de aproximação de serviços públicos de segurança social aos cidadãos. Trata-se de um empreendimento de raiz no posto administrativo de Mafambisse, que custou 11 milhões de meticais, financiado pelo orçamento do Estado.

A construção do edifício iniciou em dezembro de 2024. Tem uma área de 61 m², sala de atendimento aos utentes, gabinetes, alpendre, um gerador de emergência, reservatório de água, balneário e parque de estacionamento de viaturas.

A cerimónia de inauguração foi dirigida pelo secretário de Estado em Sofala, Manuel Rodrigues.

Na ocasião, Manuel Rodrigues reiterou que o novo edifício visa facilitar o acesso aos serviços de aposentadoria, inscrição e esclarecimento de benefícios, reduzindo a necessidade de deslocações para a cidade do Dondo.

A infra-estrutura integra copa, atendimento, análise, sanitários no interior e fora do edifício. Também possui condições para atender pessoas com deficiência, passando a contar com atendimento mais próximo, rápido e eficiente.

Em Mafambisse, o INSS passa a abranger mais de 96 empresas, 3.521 trabalhadores por conta de outrem e 349 trabalhadores por conta própria, que já estão inscritos.

Ainda em Mafambisse, incluindo a localidade de Mutua, o INSS passa a assistir um total de 2.148 beneficiários, sendo 736 por velhice, dois por invalidez e 1.410 de sobrevivência.

O secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, considera que a presença dos serviços do INSS em Mafambisse vai agregar valor ao atendimento dos trabalhadores, incluindo os da Açucareira de Mafambisse, agentes económicos e comerciantes por conta própria, abrangendo também a localidade de Mutua.

Segundo o governante, “não só os que já estão inscritos, também outros irão aderir ao Sistema de Segurança Social, tendo em conta os benefícios que este oferece aos trabalhadores”, destacando o número de postos de atendimento do INSS na província de Sofala com o apoio da Delegação do Dondo.

Na província de Sofala, estão inscritos 20.077 contribuintes (empresas), 355.021 beneficiários (trabalhadores), 8.703 trabalhadores por conta própria e 24.249 pensionistas, subdivididos em 6.162 de velhice, 274 por invalidez e 17.813 de sobrevivência. Com isso, “acreditarmos que Mafambisse é um pólo de desenvolvimento e conta com uma economia vibrante que alimenta Sofala”, sublinhou como acção estratégia do governo de Moçambique. (Narcísio Cantanha).

Pai detido por maltratar filho de 9 anos em Dondo

Um pai está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Dondo por maltratar o filho de 9 anos, no bairro de Mandruzi, cidade do Dondo, em Sofala. Em imagem chocante, o miúdo aparece com braços amarados para atrás com um atador de sapatos.

No último sábado, o menor teria feito necessidades biológicas no interior da casa. O pai reagiu alegadamente para servir de punição.

“Também fui usado [por espíritos malignos]. A medida era para disciplinar. E assumi o erro”, disse o pai, confirmando o acto depois de deixar o filho amarado por mais de uma hora.

O miúdo amarado, pela dor, recorreu a vizinhança que tratou de o socorrer, desatando.

As imagens sensíveis do miúdo postas a circular pelas Redes Sociais culminaram com a detenção do pai pelo Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) na última quarta-feira. E mais tarde, retiraram a guarda do filho incluindo outros menores.

“Com alegações fúteis, nada justifica como pai contra um menor daquela idade. Mas as autoridades não só limitaram-se em responsabilizar este indivíduo criminalmente, mas também retiraram a guarda dos seus filhos”, contou o porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, em conferência de imprensa dada na última quinta-feira, na cidade da Beira.

As autoridades em Sofala condenam o comportamento dessa natureza, apelando não ser a melhor maneira de educar os filhos, ainda que estejam errados ou tenham praticado algo que não vai de acordo com as regras da casa. (Narcísio Cantanha).

 

 

 

 

Cabo Delgado soma 11 mortos por populares depois de acusados de fazer “encolher órgãos genitais”

Subiu de cinco para 11 o número de mortos apenas na província de Cabo Delgado, nos diversos distritos, na sequência de uma onda de violência desencadeada por rumores que associam alegados casos de “encolhimento” de órgãos genitais masculinos a práticas de feitiçaria. Os episódios marcados por pânico colectivo e disseminação de desinformação, têm resultado em linchamentos, outras formas de violência grave e mortes.

Os episódios já estão a acontecer um pouco por todo país.

Em Cabo Delgado, os incidentes foram registados nos distritos de Ancuabe, Mecúfi, Metuge e Montepuez, Mocímboa da Praia e cidade de Pemba. Em todos os casos, as vítimas foram apontadas por membros das comunidades.

A contagem do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), aponta Ancuabe com o maior número de mortes, com quatro vítimas nas localidades de Nanjua, Ntele, Ngeue e Metoro.

Em Mecúfi, foi reportada uma morte na aldeia de Muinde. Enquanto Metuge soma três mortes a igual número de Montepuez, incluindo casos em Mapupulo e nas imediações da vila-sede.

Entre as vítimas mortais consta um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), Simões Mário, subinspector e chefe da Secção de Policiamento Comunitário da 3.ª Esquadra da cidade de Pemba.

Pairam informações segundo as quais, o agente foi acusado por populares de envolvimento no alegado fenómeno enquanto se encontrava numa zona rural, após uma avaria na sua motorizada. Foi cercado e agredido por um grupo de cidadãos, e novamente atacado após procurar refúgio num posto de controlo rodoviário. Apesar de ter sido transportado com vida ao Hospital Provincial de Pemba, acabou por não resistir aos ferimentos.

Os episódios são indicados de maneira informal. Na maioria dos casos envolve alegações segundo as quais, o encolhimento dos órgãos genitais resulta de um contacto físico por quem supostamente faz “desaparecer”.

O cenário cria desconfiança e medo entre as pessoas. Mas em todos os casos, ainda não foram confirmados pelas autoridades de saúde. Pelo contrário, o governador de Cabo Delgado, Valigy Tauabo, já desmentiu.

O CDD chama atenção: “a persistência destes episódios evidencia desafios significativos ao nível da segurança pública, da gestão da informação e da capacidade de resposta institucional em contextos de pânico social. Sem uma intervenção coordenada e eficaz, subsiste o risco de agravamento da violência e de novas violações de direitos fundamentais na província de Cabo Delgado”. (Muamine Benjamim).

 

“Uma casa protege, uma escola ensina, mas uma profissão liberta” – Dino Foi na entrega de Centro de Formação de Kura

Nhamatanda conta com mais um Centro Vocacional entregue pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, no âmbito da reconstrução pós-Ciclone Idai.

O presidente da Tzu Chi em Moçambique, Dino Foi tentou descrever o histórico das intervenções da Fundação de Caridade, especificamente em infra-estruturas. “Primeiro vieram as casas. Nunca vou esquecer a emoção de ver famílias a receber uma chave. Depois vieram as escolas”. Na última quinta-feira, “chegamos a uma nova etapa: inauguramos este Centro de Formação Vocacional”, disse.

“E pra mim, esta é talvez a etapa mais bonita de todas, porque uma casa protege, uma escola ensina, mas uma profissão liberta”, disse Dino Foi.

Orçado em 460 mil dólares (cerca de 34 milhões de meticais), o Centro de Formação Vocacional de Kura tem o objectivo de capacitar jovens em áreas orientadas para o auto-emprego, pelos cursos de curta duração como Cabeleireiro, Corte e Costura, Pastelaria, Agricultura, Informática, Mecânica Básica, Electricidade e Reparação de motorizadas, prevendo mil formados anualmente.

O distrito de Nhamatanda já soma três centros de formação vocacional, localizados na localidade de Metuchira, localidade de Lamego (zona de Ndeja) e no bairro municipal Kura, em bairros reassentado pela Tzu Chi Moçambique.

O Governador de Sofala, Lourenço Bulha foi quem inaugurou o Centro Vocacional de Kura, desafiando para a boa gestão das infra-estruturas e evidenciado o esforço conjunto de parceiros para a solução da população, especialmente, a juventude que representa a maioria em Moçambique. (Muamine Benjamim).