Avaria afecta cerca de 67 mil consumidores de água nas cidades da Beira e Dondo

Cerca de 67 mil consumidores das cidades da Beira e do Dondo estão com o abastecimento de água condicionado devido à ruptura de uma conduta na zona de Mutua, no posto administrativo de Mafambisse, província de Sofala.

Um problema técnico que, somado ao volume de água das chuvas, transformou ruas lamacentas em obstáculos para os que tentam reparar o abastecimento. A avaria foi detectada após a redução da pressão nas linhas de operação.

Na última terça-feira, devido à gravidade da situação, a empresa Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), responsável pelo fornecimento, colocou uma equipa no terreno. Mesmo sob chuva, realizam manobras de bombagem e descargas controladas para minimizar o impacto.

Em conferência de imprensa, o Coordenador Regional Centro de Águas de Moçambique, Adelson Manuel, explicou que as equipas começaram a actuar ainda na noite anterior, incluindo a interrupção do processo de bombagem e descargas controladas, para permitir a intervenção na infra-estrutura danificada.

“Ocorreu uma fuga de água e, quando tivemos conhecimento da situação nas nossas linhas de operação, apercebemo-nos que a pressão estava a baixar. Toda a equipa está mobilizada para efectuar as manobras necessárias e reparar a conduta”, explicou Manuel.

As chuvas e o terreno lamacento na zona de Mutua estão a dificultar os trabalhos, mas o coordenador regional garantiu que todos os esforços estão a ser feitos para repor o abastecimento o mais rápido possível.

“Sabemos que as cidades da Beira e do Dondo estão a ser afectadas, mas estamos a trabalhar para restabelecer o fornecimento de água com a maior brevidade possível.”

Enquanto isso, milhares de famílias olham para os seus reservatórios, calculando cada litro de água restante, conscientes de que o uso racional é a única forma. As cidades estão entre ansiedade e paciência, cada torneira seca lembra a importância da água. No meio disso, há um conselho “usar a água com responsabilidade, manter a calma e confiar que o esforço humano está a ser feito para devolver a normalidade ao dia a dia.”

Além do impacto directo sobre os consumidores, a situação também representa prejuízos operacionais para a empresa, uma vez que a interrupção do serviço reduz o volume de abastecimento a cerca de 67 mil clientes nas duas cidades. (NARCÍSIO CANTANHA).

Parque Nacional da Gorongosa entrega sementes de feijão a 975 famílias em Muanza

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do sector da agricultura, entregou 4.575 quilogramas de semente de feijão-manteiga a 975 famílias no distrito de Muanza. Este apoio faz parte do kit da primeira parte (milho e gergelim) ora entregue em novembro de 2025 ao igual número de famílias das diversas comunidades num total de 1.350 beneficiários por assistir.

Em Muanza, a distribuição da semente decorreu no dia 3 de março de 2026 no bairro 07 de Abril.

“Estamos a dar continuidade para satisfazer aquele que é o nosso kit de insumos do ano passado. Tivemos a época passada, que não foi das boas. Então, ao trazermos essa semente de feijão, é para tentar responder aquilo que foi a incidência do sol na época passada, vamos aproveitar a semente que temos, é uma semente de boa qualidade, tem um bom poder germinativo e se falhou o milho, pelo menos vamos ter feijão”, disse o coordenador de agricultura do PNG, Massaremba Eugénio, baseado em Muanza.

Com a semente de feijão-manteiga, “podem aproveitar também para produzir hortícolas para comercializar e assim vão acrescentando a sua renda. Este é o apelo que nós temos como Parque Nacional de Gorongosa aos nossos produtores presentes”, disse.

Ainda para o ano 2026, o coordenador de agricultura do PNG garantiu que vai iniciar com o novo registo de outros beneficiários, cuja intenção é alcançar novas pessoas. “Mas não porque a nossa assistência com os antigos beneficiários vai terminar. Vamos continuar com os treinos, os nossos técnicos ainda vão continuar a vir e dar informações de boas práticas agrícolas. E isso é para darmos espaço aos novos produtores”, explicou.

O acto da distribuição da semente do feijão-manteiga, contou com a participação da directora do Serviço Distrital da Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) de Muanza, Materiada Charia, em representação da administradora do distrito.

“Agradecemos ao nosso parceiro por trazer aos nossos produtores a semente, porque com base na semente que nós estamos a receber hoje, nós aumentamos a produção e a produtividade. Queríamos mesmo, de viva voz, como o governo do Distrito, agradecer ao nosso parceiro e dizer que vamos continuar assim”, louvou o Governo de Muanza, apelando aos beneficiários: “esta semente que nós estamos a receber hoje é mesmo para fazermos a nossa produção, é mesmo para nós semearmos nas nossas machambas e não para usá-la para outros fins, como, por exemplo, vender ou, usarmos como alimento, é para nós podermos lançar para aumentar a nossa produção e produtividade e, com isso, continuarmos a combater a fome”.

Em gesto de reconhecimento do apoio, os beneficiários já preparam as zonas baixas para a sementeira da segunda época.

“Estamos muito agradecidos por recebermos esta semente. Vamos procurar uma boa terra para semear, [apesar das mudanças climáticas] ” que impactaram negativamente na primeira época, disse Maria White. É um dos factores de não haver colheita esperada na primeira época de 2026.

Cada família recebeu 5 kgs de sementes de feijão-manteiga, o que corresponde a 4.575 quilogramas a 975 famílias. E ciclicamente, os mesmos beneficiários recebem sementes de hortícolas, incluindo a assistência, desde a preparação do solo a pós-colheita, incluindo aprendizagem de processamento e secagem de produtos para o consumo em épocas de escassez, garantindo alimentos nutritivos. Estas habilidades incluem programas integrados do PNG.

“No ano passado abri um campo de três hectares. Com este esforço que o Parque está a fazer, deveríamos nos reforçar mais. Afinal, esta semente veio nos reforçar”, disse João Francisco Jequecene, esperançoso na segunda época de produção agrícola.

O PNG, além do apoio com sementes, dá assistência em melhores práticas de agricultura, desde a sacha ao acesso aos mercados, incluindo cofinanciamento. (JOÃO CIPRIANO).

Cinco detidos por suposto envolvimento na venda de droga e tráfico de marfim em Dondo

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve cinco homens, sendo dois irmãos jovens (uma mulher e um homem) pelo crime de venda de droga pertencente ao pai já em parte incerta, e três na posse de troféus de marfim de elefante.

Sobre os dois irmãos, a detenção ocorreu numa residência localizada na localidade de Mutua, posto administrativo de Mafambisse, no distrito do Dondo, no âmbito do plano operativo de combate ao tráfico e consumo de drogas na província.

No local, foram detidos os dois irmãos de 19 e 22 anos, supostamente por estarem a comercializar a droga na sua residência, com alegações da orientação do pai ausente.

As autoridades apreenderam 512 gramas de cannabis sativa, vulgarmente, “suruma”.

Um adolescente de 15 anos também foi encontrado na residência, mas foi dispensado pelas autoridades por ser menor de idade. Os jovens detidos negam o esquema de venda e apontam o pai como o cabecilha.

“Eu não fumo e sou menor de idade. Nesse dia eu estava em casa quando o SERNIC apareceu e levou-me com o meu irmão. Quem estava a vender naquele dia era o meu irmão, porque o meu pai deixou para ele”, relatou a jovem indiciada.

Segundo o porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, o principal suspeito terá transformado a própria casa num local de venda de droga e, quando não estava presente, deixava os filhos a atender os clientes.

“Quando não tinha tempo para vender, deixava a droga com os seus filhos para atenderem os clientes na residência”, afirmou, classificando a atitude como irresponsável e criminosa.

O SERNIC afirma que decorrem diligências com vista à localização e responsabilização criminal do pai, apontado como principal suspeito.

Entretanto, no mesmo balanço, o SERNIC anunciou também a detenção de três moçambicanos encontrados na posse de troféus de marfim de elefante.

“Estamos diante de três indivíduos indiciados pela prática do crime de porte de espécies proibidas. Estavam na posse de troféus de elefante e realizámos diligências que culminaram com a detenção destes indivíduos”, explicou Sitoe.

Os suspeitos não transportavam todos os troféus, mas apenas uma parte que serviria de amostra para um suposto comprador. “As pontas de marfim pesam cerca de 10 quilogramas e seriam vendidas por cerca de 300 mil meticais, sendo que cada ponta custaria cerca de 30 mil meticais, enquanto o intermediário teria uma margem de cerca de 50 mil meticais”, detalhou.

Os três homens negam do seu envolvimento ao crime.

As autoridades acreditam que existem mais pessoas envolvidas no esquema, estando neste momento em curso investigações para localizar os restantes suspeitos e recuperar a outra parte do marfim. (Narcísio Cantanha).

Dondo: 300 famílias recebem meios agrícolas

Mais de 400 camponeses perderam grande parte das suas culturas devido às chuvas intensas seguidas de seca, que afectaram principalmente as plantações de arroz, milho e mandioca em Dondo, na província de Sofala. Como resposta, só naquele distrito, 300 famílias camponesas foram apoiadas na última segunda-feira, ao receberem um tractor e diversos insumos agrícolas na localidade de Mutua, posto administrativo de Mafambisse.

O apoio é do Conselho Executivo Provincial de Sofala, através do Programa Inclusivo de Desenvolvimento da Cadeia de Valor Agro-Alimentar (PROCAVA), financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Parque Nacional da Gorongosa.

Das 300 famílias, consta uma associação local que recebeu um tractor com respectivas alfaias, nomeadamente charruas, grade e atrelado.

“Devemos deixar de pensar apenas em nós e pensar também nos outros. As associações existem para ajudar os membros, não para agir como comerciantes que querem apenas ganhar dinheiro. Quem recebeu o tractor deve praticar preços normais”, orientou o governador da província de Sofala, Lourenço Bulha, durante a sua intervenção da ocasião.

Na ocasião, foram igualmente entregues 300 kits de sementes compostos por 5 quilogramas de milho, dois quilos de feijão vulgar e 50 gramas de sementes de hortícolas, incluindo tomate, couve, cebola, alface e quiabo a cada família.

O apoio inclui ainda 33 debulhadoras de milho, sendo oito movidas a gasolina e 25 manuais; dez sistemas de irrigação; uma máquina de processamento de farinha de mandioca e duas máquinas para o processamento de amendoim.

Segundo o governador, os equipamentos agora entregues deverão contribuir para recuperar os campos e reforçar a produção.

Bulha explicou que o objectivo do governo é impulsionar a transição da agricultura de subsistência para uma agricultura familiar mais produtiva e mecanizada, através do uso de equipamentos modernos.

Com o recente apoio, estão previstas 358 toneladas de diversos produtos agrícolas em Dondo.

A modernização da agricultura é uma das prioridades do Plano Quinquenal 2025-2029, que visa aumentar a produção e produtividade, promover a transformação local da matéria-prima, criar empregos e fortalecer a cadeia de valor agrícola.

“Reconhecemos que a enxada de cabo curto já não é suficiente para produzir alimentos em grande escala para a nossa população, por isso, estamos a introduzir tractores e outros insumos para melhorar a produção”, destacou.

A associação de mulheres beneficiárias do tractor deverá cumprir com a sua comparticipação de 20% do valor de aquisição do equipamento, conforme acordado no âmbito do projecto.

As chuvas seguidas de seca afectaram a produção principalmente nos distritos de Dondo, Búzi, Nhamatanda, Gorongosa, Machanga e Chibabava. Portanto, a campanha agrícola está a ser de muitos desafios, considerando que muitos produtores perderam várias culturas. (Narcísio Cantanha).

ASTER TOMÁS: Dos cerca de 7 kms diários a pé a bolsa de estudo inspirando comunidades pela Gorongosa

Aster Xavier Tomás cresceu numa família numerosa de sete filhos, composta por quatro homens e três mulheres, num agregado familiar cuja principal fonte de sustento é a agricultura de subsistência.

Desde a infância, Aster esteve ligada ao trabalho doméstico e agrícola intensivo, realidade comum a muitas raparigas das comunidades rurais.

Muitas vezes, essas responsabilidades eram priorizadas em detrimento da escola.

Ainda assim, Aster esforçou-se para conciliar os estudos com as tarefas domésticas, enfrentando dificuldades significativas num contexto comunitário em que se acreditava que apenas os rapazes deviam estudar.

Determinada a mudar o seu destino, Aster percorreu diariamente cerca de sete quilómetros a pé para chegar à escola, durante vários anos.

Ao longo desse percurso, enfrentou situações de violência doméstica associadas ao incumprimento de actividades de casa, mas nunca abandonou a caneta e o caderno.

A educação tornou-se, para ela, um instrumento de resistência, esperança e transformação.

A viragem na sua vida aconteceu com a sua entrada ao Clube das Raparigas do Parque Nacional da Gorongosa, na localidade de Gravata. Nesse espaço, Aster passou a aprender sobre direitos da rapariga, igualdade de género, conservação do meio ambiente e desenvolvimento pessoal, experiências que fortaleceram a sua auto-estima e ampliaram a sua visão de futuro.

No Clube de Raparigas, Aster aprendeu a negociar com os pais, chegando a decidir “caso-me, mas não para já. Por agora, o foco é estudar.

O Clube contribuiu decisivamente para a sua transformação psicológica e social.

Graças ao seu bom desempenho escolar, dedicação e participação activa, Aster Xavier Tomás foi reconhecida como uma das melhores raparigas do ano, distinção que lhe garantiu uma bolsa de estudos para o ensino secundário atribuída pelo Parque Nacional da Gorongosa.

Esta conquista não só mudou a sua vida, como também transformou a percepção da comunidade relativamente à educação da rapariga.

Actualmente, Aster frequenta a 10.ª classe sem ter que se preocupar com condições financeiras para ter o material escolar, com firme determinação de concluir os seus estudos.

O Clube da Rapariga não é simples lugar onde as meninas aprendem conteúdos de literacia, numeracia, mas também a diversificação de habilidades para a vida, aprendem a sonhar e a seguir sonhos, a se inspirar, a dizer não a união forçada e prematura. Afinal, serve de refúgio para quem pensa que o mundo é tão cruel sem saída.

O Clube da Rapariga, também inclui as meninas arrependidas por decisões anteriores decepcionantes, mas que agora servem de exemplos práticos para as outras a seguirem os sonhos.

Olhando para o futuro, Aster sonha formar-se e tornar-se veterinária, com o objectivo de cuidar dos animais, contribuir para a conservação da fauna e apoiar o desenvolvimento sustentável da sua comunidade, alinhando o seu sonho profissional com a missão do Parque Nacional da Gorongosa.

Hoje, Aster é respeitada na comunidade de Gravata e vista como um exemplo de superação, inspirando outras raparigas a acreditarem que a educação abre caminhos e torna possíveis sonhos que antes pareciam inalcançáveis.

A história de Aster Xavier Tomás mostra que investir na educação das raparigas é investir num futuro mais justo, sustentável e promissor para todos.

Dos 102 Clubes de Raparigas disponíveis em diferentes comunidades, 45 são apoiados pela Carr Foundation, 45 pela Noruega, seis pelo Canadá e seis pela Alexander Gruner Foundation.

No Clube da Rapariga, desde cedo, as meninas ganharam bolsas para o ensino secundário. Só em 2025, o Parque tinha 108 bolsas activas, sendo 68 no Gorongosa, incluindo Aster, e 40 raparigas no distrito de Cheringoma, incluindo meninos. (EUGÉNIA CARLOS).

 

Elevação canónica da nova Diocese de Caia é um marco de maturidade pastoral e de esperança

A elevação canónica da nova Diocese de Caia é um marco de maturidade pastoral e de esperança para os distritos de Caia, Chemba, Cheringoma, Marínguè, Marromeu (província de Sofala); Chinde, Luabo, Morrumbala, Mopeia (província da Zambézia); Tambara, Mutarara e Doa (província de Tete). Estes e outros pronunciamentos foram apresentados pela mandatária do Presidente da República de Moçambique, a ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Filomena Tovela, numa cerimónia de erecção canónica e tomada de posse do primeiro bispo da nova Diocese de Caia, bastante concorrida, nesta última Quarta-feira do dia 25 de Fevereiro de 2025, na Vila autárquica de Caia e mesmo distrito.

Para a mandatária do Chefe do Estado Moçambicano, aquele acto traduz um reconhecimento de crescimento do espírito pastoral e abre Novas possibilidades de um acontecimento mais próximo das realidades sociais e sobretudo as realidades educativas dessas três províncias e reconhece que a igreja Católica tem um papel preponderante ao longo desses anos, na formação de Crianças, Jovens e adultos.

E também reconhece que durante anos de guerras, a Igreja Católica foi promotora da Paz e Reconciliação do povo moçambicano, para além da formação dos jovens nas diversas áreas profissionais. (Rosário Phoinde).

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE MEIOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS: Monitoria revela bons serviços integrados, mas ainda por coordenar

O Parque Nacional da Gorongosa, através de uma equipa multissectorial, está a visitar as comunidades beneficiárias do Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis, Sustainable Livelihoods Development Program  (SLDP), no âmbito da sua monitoria. A breve constatação é de bons serviços e impactantes localmente, mas é preciso fazer melhor do que ontem, o que significa melhor coordenação para objectivo comum: comunidades sustentáveis.

Nos seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque, nomeadamente, Gorongosa, Nhamatanda, Marínguè, Cheringoma, Dondo e Muanza, onde o SLDP é implementado, a equipa de monitoria escolheu estrategicamente apenas três, o distrito de Nhamatanda (localidade de Bebedo, Gorongosa (comunidade de Mucodza & Mapombue e Cheringoma (localidade de Mazamba).

A equipa multissectorial é composta pelo Director de Programas, Simião Mahumana; Gestor de Impacto, Edson Carneiro; Adjunta da Comunicação, Larissa Sousa; e o Gestor de subsídios, Aires Mavie, do Programa.

Pretende-se com a monitoria, interagir com os beneficiários do SLDP e partes interessadas; realizar verificação documental e de campo/factual das actividades relacionadas às despesas do SLDP no campo; trabalhar com os directores do GRP e as equipas de implementação para avaliar até que ponto as actividades do SLDP estão a contribuir para os resultados departamentais e globais do GRP; confirmar os beneficiários apoiados pelo SLDP e a sua visibilidade no campo; produzir evidências documentais e de trabalho de campo das actividades como treino de beneficiários, assistência técnica, aplicação de práticas, mudanças na vida das pessoas/famílias, verificar o nível de utilização das ferramentas do ciclo de gestão de projectos pelos implementadores, verificar o desempenho relativamente aos planos e relevância das estratégias e abordagens utilizadas.

 

O caso de Nhamatanda

A visita aos distritos decorreu inicialmente na última terça-feira, na localidade de Bebedo, distrito de Nhamatanda, sem Aires Mavie.

A interacção começou com Jaime Nguirate Buramo, que através da venda de sementes pretende aumentar com o seu armazém, mas devido a fraca produção aliada a mudanças climáticas dificultam-lhe. Desde 2002, este comerciante não pára de abastecer a localidade, e ganhou destaque em 2007 pela maior produção. O seu sonho é obter um financiamento.

Ainda sobre agricultura, a monitoria abrangeu alguns campos de produção agrícola do grupo liderado por Carlinda Daniel, para avaliar o ponto de situação dos beneficiários após receberem a primeira e a segunda semente antes e pós-inundações de dezembro de 2025, respectivamente. Neste momento, preparam-se para semear na segunda época.

Todas as actividades são coordenadas pelo Governo local. Com isso, a monitoria multissectorial incluiu uma breve avaliação do chefe da localidade e do técnico do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), José Simão Saize e António Félix Nsona, os quais apontaram o impacto das actividades integradas do PNG: “Superam as espectativas”.

Ainda em Bebedo, Elias Carimo é um produtor líder e beneficiário das actividades do sector de nutrição do PNG. Num teste prático, ele provou que nem sempre consome água potável (fervida ou tratada com cloro, ou Certeza). Exemplo, quando lhe pediram água para beber, a família tirou do poço caseiro e directamente para o copo servido, quando devia ser ao contrário: tratar num outro recipiente antes do consumo. Além de mínimas noções de nutrição, através da produção de horticultura que deve ser para o consumo e uma parte à venda como forma de garantir dinheiro para suprir outras necessidades.

A monitoria terminou no povoado de Antoninho, dentro de Bebedo, no viveiro de produção de plantas nativas.

Na ocasião, o presidente do Comité de Gestão dos Recursos Naturais, Alberto Zacarias, apresentou o histórico do CGRN criado em 2009.

O CGRN de Bebedo foi criado em 2009 com poucos intervenientes, mas hoje, conta com 28 homens e 27 mulheres, 20 animadores, 15 facilitadores e 15 fiscais, responsáveis na sensibilização contra caça furtiva, queimadas descontrolada, poluição, roubo e contra os desobedientes das melhores práticas sustentáveis. Com isso, as más práticas tendem a reduzir.

Na transição de 2024 para 2025, o CGRN de Bebedo conseguiu transportar 27 mil mudas para cerca de 3 mil hectares.

Afinal, este ano, o CGRN ultrapassou as 30 mil mudas planificadas. Uma vantagem de seis. Mas devido às inundações de dezembro último, 17 mil mudas foram destruídas.

Contudo, os resultados do SLDP são encorajadores pelas actividades integradas com impactos do sector da saúde, educação, agricultura, além de construção de infra-estruturas resilientes nas comunidades.

O Director de Programas do PNG, Simião Mahumana, desafiou aos intervenientes do PNG para também se preocuparem com os resultados dos outros sectores. Ou seja, se numa actividade, notar-se uma situação que envolve outro sector, é preciso alertar o colega. Afinal, o que se pretende com a Fundação Greg Carr é tornar as comunidades sustentáveis. E a sustentabilidade envolve acções coordenadas.

Por vezes, a falha de um projecto não está apenas no financiamento, mas também na forma como os vários sectores coordenam para objectivo comum.

Os resultados do SLDP são encorajadores, mas “não deve se parar por aí. É preciso reforçar”, como dizia o gestor do SLDP, Edson Carneiro.

Nos dias seguintes, a monitoria continuou no distrito de Cheringoma (quarta-feira) e quinta-feira, no distrito de Gorongosa.

O SLDP centra-se na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros em 5 anos (2022-2027). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 Produtores do Sector Familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de nutrição e Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene  (WASH). (MUAMINE BENJAMIM).

Chemba: Ensino secundário geral do 2.º ciclo chega à Mulima

O administrador de Chemba, Bento Conde Zeca, anunciou a introdução do Ensino Secundário Geral do 2.º Ciclo na Escola Secundária de Mulima, durante a cerimônia de abertura do ano lectivo de 2026, realizada na Escola Secundária de Chemba. A medida visa promover a educação e reduzir a distância que os alunos percorriam de Mulima para a Sede do distrito para concluir o nível médio geral.

“A introdução do Ensino Secundário Geral do 2.º Ciclo é um passo importante para aproximar os serviços de educação da população e garantir que os nossos jovens tenham acesso a uma educação de qualidade”, afirmou Bento Conde Zeca.

O Chefe executivo de Chemba também destacou a importância do Governo moçambicano ter introduzido no ensino uma disciplina de Educação Moral e Cívica, como forma de educar os alunos.

“A educação parte da casa e na escola os professores só fazem complementaridade. É importante que os pais ou encarregados de educação trabalhem arduamente para garantir melhor educação dos seus filhos”, aconselhou Bento Conde Zeca.

A Escola Secundária de Mulima funciona nas instalações da Escola Primária de Mulima. Afinal, as obras da Escola Secundária de Mulima estão abandonadas em 2020 e o empreiteiro continua impune enquanto os alunos e pais e encarregados de educação continuam esperançosos para usar aquelas salas. Muitos dirigentes já fizeram promessas para o término das obras, mas a verdade é uma: abandonadas.

Entretanto, o director distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Chemba, João Fernando Sadique Paulino, agradeceu o desempenho dos professores no ano passado e anunciou que alguns deles receberão prémios e distinções, incluindo colchões, baldes, jogos de pratos, ventoinhas, ferro de engomar, entre outros produtos, provenientes do apoio do projecto Mozlearnig, financiado pelo Banco Mundial para o Ministério da Educação e Cultura.

Já a directora anfitriã, Elsa José Figueiredo, apontou algumas dificuldades do sector: “falta de uma sala condigna para aulas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e de sala e equipamentos para aulas práticas laboratoriais”. (ROSÁRIO PHOINDE).

Chemba precisa de 69.379 livros escolares

O distrito de Chemba, na província de Sofala, enfrenta uma carência de 69.379 livros de caixa escolar, segundo informações divulgadas na I sessão ordinária do Governo Distrital, realizada em janeiro do ano em curso.

Actualmente, existem 27.450 livros de caixa escolar disponíveis nas escolas.

O porta-voz do governo distrital da ocasião e director do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE), Cândido Patrocínio Zeca,  informou que o processo de distribuição de livros escolares em Moçambique está em andamento, com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a trabalhar para garantir que todos os alunos tenham acesso a livros gratuitos até ao final do primeiro trimestre.

Em Chemba, o governo distrital apela à mobilização de todos os sectores para garantir que os livros sejam distribuídos às escolas e os alunos tenham acesso à educação de qualidade.

A falta de livros escolares é um desafio que afecta a qualidade do ensino e a aprendizagem dos alunos. (ROSÁRIO PHOINDE).

Dondo: Administrador desafia para gestão autónoma de projectos “chega de pedido”

Dondo, à semelhança de vários distritos, enfrenta desafios significativos no que diz respeito ao emprego juvenil, na província de Sofala. Muitos jovens terminam a formação académica ou técnico-profissional, mas com sérios problemas de trabalho. Tal como “Profundus” sugeriu em reflexão de 2024 a Nhamatanda sobre a necessidade de Porto Seco, o vizinho distrito avançou com a iniciativa: Porto Seco: Um olhar económico para Nhamatanda – Jornal Profundus

Em Moçambique, a falta de iniciativas próprias limita o acesso ao financiamento para impulsionar projectos que muitas vezes assemelha-se a doenças crónicas dependendo de doações.

Com o Porto Seco, na exportação há vantagem na admissão/recepção de mercadoria, pesagem de veículos, cargas e volumes, movimentação e armazenagem, unitização de carga, entrega de mercadorias à empresa contratada para transportar a carga após o desembargo aduaneiro.

Manipulação de mercadorias que encontram-se sob o regime de entreposto aduaneiro para embalagem, ré-embalagem, marcação, remarcação, numeração e renumeração de volume, conserto, reparo ou restauração de embalagem, adaptação e eventuais exigências do mercado externo.

Já na importação, o Porto Seco permite a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, oferece tomadas para conteineres refrigerados, admissão de bagagens desacompanhadas e de mercadorias sob regime de trânsito aduaneiro, pesagem de veículos, carga e volumes, movimentação e armazenagem de mercadorias.

Actualmente, diante de um cenário bastante disputado, as empresas, independente do ramo a actuar, têm de buscar inovações, serviços exclusivos, tratamento individualizado, dentre outros pontos para se destacarem no mercado competitivo.

 

O caso de Dondo

A ausência de indústrias de grande porte limita a absorção da mão-de-obra local, obrigando movimentos migratórios para outras cidades em busca de oportunidades. Nisso, a actividade informal é um refúgio, apesar de reduzir a perspectivas da económica local.

É neste contexto, o Porto Seco de Dondo em Sofala é visto como janela de esperança, podendo gerar empregos directos e indirectos, prestação de serviços, transporte, comércio, restauração, logística e pequenas e médias empresas ligadas à cadeia de valor dos projectos.

Durante a apresentação pública do megaprojecto na última sexta-feira no distrito do Dondo, o administrador distrital, Adamo Ossumane, reforçou a visão estratégica do Dondo.

“Não podemos continuar dependentes. É hora de produzirmos, implementarmos nossas próprias iniciativas e assumirmos os desafios para transformar o Dondo numa cidade económica.”

Entre os projectos em curso, esta o Porto Seco, na zona de Muzimbite, e o projecto de Águas Profundas, em Savane, ambos concebidos para impulsionar os megaprojectos na província de Sofala.

A implementação destas iniciativas visa criar empregos, melhorar a qualidade de vida e abrir oportunidades para empresários e agentes económicos emergentes.

“Queremos ouvir sirenes às 7 horas, ver os nossos jovens e mães a correr para os seus postos de trabalho, e às 17 horas regressarem às suas casas, como acontece nas grandes cidades. Temos recursos, temos força humana e capacidade. Precisamos de assumir este desafio”, acrescentou, reiterou Ossumane.

“Os primeiros beneficiários destes projectos somos nós. Se houver emprego, haverá salários ao fim do mês, melhores casas, filhos na escola e mais negócios a crescer”, concluiu.

Dondo projecta-se com a ambição de reduzir a dependência de doações, fortalecer o comércio e consolidar-se como referência económica regional, transformando o Porto Seco num símbolo de desenvolvimento sustentável e oportunidade para a população.

O Conselho de Ministros, através da resolução n.º 48/2025, de 4 de Dezembro, autorizou a negociação directa com os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), para a implementação do projecto, em parceria com a empresa Union Portlink Capital Lda.

O projecto terá igualmente impactos económicos e sociais relevantes, para além de criação de empregos nas fases de construção e operação, atracção de indústrias exportadoras, redução dos custos de transporte e incremento das receitas do Estado ao longo dos 25 anos de concessão, com reversão do empreendimento ao Estado em 2052.

A medida é resposta aos principais desafios logísticos do Corredor da Beira, marcada por congestionamento portuário, longas filas de camiões na Estrada Nacional Número Seis (EN6) e atrasos operacionais.

A concentração de empresas prestadoras de serviços perto de portos, aeroportos, pontos de fronteira, cada qual tende a inovar. Assim, o caso de Dondo poderá possibilitar outros serviços diferenciados, como por exemplo, casas de aluguer, incentivo para outros serviços socialmente aceites mas que antes eram ignorados. Dai passarem a prestar de perto com tratamento exclusivo, qualidade, eficiência, redução de custos e nível de serviço elevado. Consequentemente, com os demais serviços haverá lucros e excelente desenvoltura e performance do seu cliente.

Actualmente, na EN6, cerca de 1.700 veículos entram diariamente ao Porto da Beira, passando pelo distrito de Dondo.

Os principais factores que fazem do Porto Seco um sucesso são os investimentos maciços em pessoas, acessibilidade, infra-estrutura, tecnologia, inovação e nível de serviço. Dondo tem essas capacidades e está a intensificar (geopolíticas).

As obras poderão iniciar a 1 de abril deste ano, com a duração de 12 meses, estando o início das operações previsto para 1 de maio de 2027. (Narcísio Cantanha e Muamine Benjamim).