Subiu de cinco para 11 o número de mortos apenas na província de Cabo Delgado, nos diversos distritos, na sequência de uma onda de violência desencadeada por rumores que associam alegados casos de “encolhimento” de órgãos genitais masculinos a práticas de feitiçaria. Os episódios marcados por pânico colectivo e disseminação de desinformação, têm resultado em linchamentos, outras formas de violência grave e mortes.
Os episódios já estão a acontecer um pouco por todo país.
Em Cabo Delgado, os incidentes foram registados nos distritos de Ancuabe, Mecúfi, Metuge e Montepuez, Mocímboa da Praia e cidade de Pemba. Em todos os casos, as vítimas foram apontadas por membros das comunidades.
A contagem do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), aponta Ancuabe com o maior número de mortes, com quatro vítimas nas localidades de Nanjua, Ntele, Ngeue e Metoro.
Em Mecúfi, foi reportada uma morte na aldeia de Muinde. Enquanto Metuge soma três mortes a igual número de Montepuez, incluindo casos em Mapupulo e nas imediações da vila-sede.
Entre as vítimas mortais consta um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), Simões Mário, subinspector e chefe da Secção de Policiamento Comunitário da 3.ª Esquadra da cidade de Pemba.
Pairam informações segundo as quais, o agente foi acusado por populares de envolvimento no alegado fenómeno enquanto se encontrava numa zona rural, após uma avaria na sua motorizada. Foi cercado e agredido por um grupo de cidadãos, e novamente atacado após procurar refúgio num posto de controlo rodoviário. Apesar de ter sido transportado com vida ao Hospital Provincial de Pemba, acabou por não resistir aos ferimentos.
Os episódios são indicados de maneira informal. Na maioria dos casos envolve alegações segundo as quais, o encolhimento dos órgãos genitais resulta de um contacto físico por quem supostamente faz “desaparecer”.
O cenário cria desconfiança e medo entre as pessoas. Mas em todos os casos, ainda não foram confirmados pelas autoridades de saúde. Pelo contrário, o governador de Cabo Delgado, Valigy Tauabo, já desmentiu.

O CDD chama atenção: “a persistência destes episódios evidencia desafios significativos ao nível da segurança pública, da gestão da informação e da capacidade de resposta institucional em contextos de pânico social. Sem uma intervenção coordenada e eficaz, subsiste o risco de agravamento da violência e de novas violações de direitos fundamentais na província de Cabo Delgado”. (Muamine Benjamim).
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