Após 16 dias internada no Hospital Central da Beira, Zaidinha Duarte, a última integrante do grupo de crianças vítimas de engenho explosivo, recebeu alta, mas ainda apresenta sequelas, incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagamente o ocorrido, em Dondo, província de Sofala.
As quatro crianças reunidas tentaram acender fogo num buraco feito no chão, colocando carvão e o objecto explosivo por cima para derreter. Depois de derreter, o ferro seria vendido na sucataria, com intuito de fazer dinheiro. Mas explodiu atingindo gravemente três vítimas que depois foram transferidas do Centro de Saúde de Dondo para o Hospital Central da Beira.
Rabio e Inês estão entre as crianças que também contraíram ferimentos graves no passado dia 4 de março, no bairro de Mafarinha, Unidade Comunal I (UC-I), no distrito do Dondo, nas proximidades do cemitério da Mozalite, numa residência. No dia 13 de março, os dois receberam alta hospitalar, após a equipa médica considerar que estavam fora de perigo, embora apresentem dificuldades visuais e lacrimejamento constante, além de limitações na leitura, o que dificulta o regresso à escola.
Uma semana depois, no dia 20 do mesmo mês, Zaidinha Duarte também foi considerada fora de perigo. No entanto, apresenta sequelas incluindo dificuldades visuais, visão reduzida (enxergando apenas com o olho direito) e amputação de dedos de um dos braços, além de recordar vagarosamente o ocorrido. A quarta vítima não sofreu danos graves.
“Estávamos a brincar quando vi meus amigos a cozinhar. Quando me aproximei, houve uma explosão. O objecto foi trazido pelo pai do José”, contou Zaidinha, acrescentando que tudo aconteceu de forma repentina.
Segundo Felisberto Duarte, pai de Zaidinha, o momento foi extremamente traumático. “Foi um momento muito difícil. Quando soube do ocorrido, fiquei abalado psicologicamente, pois não estava presente e tive de correr para ver de perto”, disse.
“Ela foi submetida a uma cirurgia no dia seguinte, devido aos ferimentos no braço”, acrescentou o pai, referindo que durante as duas semanas de internamento os médicos acompanharam de perto a evolução do estado clínico.
“Ver uma criança naquela situação foi muito doloroso. Rezei muito sem saber se voltaria para casa com vida. Graças a Deus, ela sobreviveu”, afirmou.
Apesar da alta, a recuperação continua a ser um desafio. A amputação de dedos da mão direita poderá comprometer a sua vida escolar. “Estamos a pensar em treiná-la a usar a mão esquerda para poder voltar à escola e não perder o ano lectivo”, explicou.
O caso já segue trâmites na procuradoria distrital. Um dado que levanta preocupação, segundo a família, é o facto de o homem apontado pelas crianças como responsável pelo objecto explosivo ter mudado de residência há cerca de duas semanas, coincidentemente na altura da alta hospitalar da última vítima.
Entretanto, o miúdo que não sofreu tanto e foi quem trouxe o objecto defende o pai, alegando que apanhou ao lado de um cemitério quando regressava da escolha e não o pai que teria o dado. Afinal, o pai trabalha numa das empresas de limpeza contratadas pela empresa Caminhos de Ferro. Em entrevista ao “Profundus” negou todas as alegações. (Narcísio Cantanha).
Discover more from Jornal Profundus
Subscribe to get the latest posts sent to your email.







