Comunidades projectam-se com a produção de caju em Savane

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através de apoio de vários parceiros para a implementação de programas de desenvolvimento comunitário, está também a incentivar a produção de caju. Os produtores de Mussatue 2 e Emília 20 estão a projectar para melhores colheitas, rendas e transformação das suas vidas no posto administrativo de Savane, distrito de Dondo, província de Sofala.

A iniciativa promovida pelo Parque desde 2017 nas comunidades, tem mostrado resultados encorajadores, o que desperta esperança entre os pequenos produtores locais, que começam a colher os primeiros frutos.

Carlitos Bismato, produtor de Mussatue 2, é um dos rostos dessa mudança e lembra com orgulho o momento em que foi desafiado a plantar as primeiras mudas de caju.

“Fomos incentivados a plantar cajueiros porque no futuro trariam muitos benefícios. Recebemos as mudas e hoje as plantas já estão na primeira fase de produção”, recordou Bismato.

Na primeira fase, Bismato colheu 53 quilogramas de castanha de caju, e apostou mais no plantio.

Os campos, que antes eram apenas de subsistência, agora abrigam fileiras de árvores robustas, que prometem transformar o futuro das famílias que nelas apostaram.

“Ver as árvores a crescer é ver o nosso futuro a crescer também”, disse Carlitos Bismato, enquanto observava as suas plantas em flor.

Carlitos Bismato tem dois hectares de terra, contando com 180 plantas, mas poderá chegar a 200 quando completar o replantio na área.

“Com aquele dinheiro comprei comida e algumas chapas para cobrir a casa. Este ano espero ultrapassar a produção e o rendimento, para comprar uma cama, cadeiras, uma motorizada e terminar a minha casa”, partilha com esperança.

Na ocasião, a esposa, Maria João, acompanha de perto o trabalho do marido e vê na cultura do cajueiro uma fonte de estabilidade financeira para o lar. “Estamos felizes porque aprendemos a plantar cajueiros. O caju tem ajudado muito, vendemos, comemos a castanha e as crianças gostam até de tomar o sumo da fruta”, conta, com um sorriso que espelha orgulho e gratidão.

Além deste casal, com sorriso no rosto, outros agricultores que viram na produção de caju uma oportunidade real de melhorar a vida familiar partilham as experiências.

Alice Luís, outra produtora da mesma comunidade em Savane, tem um campo de produção com 100 plantas numa área de um hectare. Nos últimos anos, colheu o suficiente para encher três sacos e meio de castanha.

“Consegui cerca de 7 mil meticais. Comprei comida, roupas para as crianças, pratos e panelas. O caju já faz parte da nossa vida e hoje sentimos que o nosso trabalho vale a pena”, afirma.

O projecto de fomento do cajueiro é supervisionado pelo Parque Nacional da Gorongosa, que tem investido em acções de sensibilização, capacitação técnica e distribuição de mudas em várias comunidades de Savane no Dondo, bastando cada interessado ter área para produzir.

Segundo o supervisor de Agricultura do PNG, Manuel Sitole, os resultados são animadores.

“Estamos no quarto ano do projecto e o impacto é positivo. No início, a adesão foi difícil, muitos produtores tinham receio de que as árvores atraíssem animais para destruir outras culturas. Mas, com o tempo, perceberam que era uma oportunidade e hoje estão satisfeitos com os resultados”, explica.

O programa conta actualmente com 79 produtores activos, cada um com o mínimo de 100 plantas, totalizando mais de 4 mil mudas distribuídas em Savane.

“O senhor Carlitos é um bom exemplo. Está a expandir a produção e já constrói uma casa coberta de chapas, o que demonstra o impacto positivo do projecto nas condições de vida das famílias”, refere.

Apesar dos avanços, Manel Sitole reconhece que o projecto enfrenta desafios. “As mudanças climáticas têm afectado a floração e a produtividade dos cajueiros. Há também novas doenças das plantas que exigem vigilância e assistência técnica constante. Mas os produtores estão motivados, e isso é o mais importante”, disse.

O Parque quer que “cada produtor veja no cajueiro uma fonte de renda e duradoura. O objectivo é fortalecer a economia local e reduzir a dependência de culturas de ciclo curto, muitas vezes vulneráveis às variações do clima”.

Em Mussatue 2, o cultivo do cajueiro deixou de ser apenas uma experiência, e tornou-se um símbolo de trabalho, paciência e esperança.

Cada caju colhido é mais do que um fruto é o resultado de fé, esforço e visão, e em Savane, essa colheita promete continuar a gerar frutos por muitos anos.

Ainda em Dondo, o Parque está a expandir a produção de caju numa área total de 200 hectares, dos quais 20 hectares já se encontram demarcados de forma faseada. (Narcísio Cantanha).


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