O comboio n.º 1201, que transportava 18 vagões vazios com destino a Moatize (Tete) saindo da cidade da Beira (Sofala), descarrilou na manhã de ontem, provocando prejuízo de 2 milhões de dólares (cerca de 128 milhões de meticais) após a remoção de pandróis e o corte da linha férrea (vandalização) por indivíduos ainda não identificados, no distrito do Dondo, em Sofala.
Trata-se do segundo descarrilamento por vandalização em menos de um mês no mesmo distrito. O primeiro caso foi registado no dia 2 deste mês, na Linha de Sena (troço Dondo-Milha 8), quando descarrilou o comboio de carga n.º 1863, rebocando 36 vagões vazios com destino à Moatize. Os criminosos efectuaram corte da linha férrea e removeram os pandrois que servem para fixar a linha às travessas, tendo provocado danos no material circulante e da própria via, designadamente; 1) 2 Locomotivas e 3 vagões tombados, ii) 4 vagões atravessados; iii) 1 vagão semi-tombado e um vagão descarrilado; iv) diversas travessas e outros materiais danificados, traduzidos num prejuízo de cerca de 7 milhões de dólares norte-americanos.
No caso recente, presume-se que a vandalização tenha ocorrido por volta da meia-noite do sábado, afectando duas locomotivas na manhã do domingo.
O engenheiro civil da ferrovia nos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Jorge Mavissa, mostra-se preocupado com as vandalizações em vários pontos.
“Estamos numa situação de vandalismo total [afectando oito dos 18 vagões transportados]. São recorrentes e isso nos preocupa bastante. Para além deste caso, registámos hoje [domingo] duas ocorrências: uma no km 1-500 e outra no km 21-200, onde aconteceu exactamente o mesmo.”
Mavissa garantiu que a empresa não desconfia de ninguém, mas apelou às autoridades para encontrarem mecanismos que permitam identificar os verdadeiros culpados e responsabilizá-los judicialmente.
“São pessoas com alguma noção do funcionamento de uma [linha] férrea, mas não posso acusar directamente sem provas.”
“Para provocar o descarrilamento, removeram cerca de 146 metros de pandróis e as barras de união, conhecidas como eclisas. Com isso, “tudo será feito para garantir a segurança dos comboios de passageiros.”
“O comboio encontra-se neste momento na estação Emilia 8, aguardando a reposição da linha.” As equipas técnicas da CFM estão já no terreno, a trabalhar na recuperação da via.
A reposição da linha e o restabelecimento da funcionalidade estão previstos para dentro de 24 horas. (Narcísio Cantanha).
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