Depois de uma morte, “ponte” 4.º- 9.º bairros cortada impede alunos de estudar na Vila de Nhamatanda

A ponte sobre o rio Nhamatanda, dando acesso à maior escola secundária do País, Escola Secundária Geral de Nhamatanda (ESGN) inaugurada no final de fevereiro, dentro da vila municipal, ganhou visibilidade negativa preocupante pela morte de um jovem na última quarta-feira, pelo custo da obra 13.143.144,42 meticais proveniente do Fundo de Estradas e pela demora do término.

Dois alunos da maior escola secundária do País, regressando a casa, de motorizada, depois das aulas, caíram, tentando atravessar na ponte improvisada e estragada, já que do outro lado, as obras da verdadeira ponte de mais de 13 milhões de meticais estão paralisadas em 2025, mesmo após o pagamento de cerca de 6 milhões pela factura emitida no final do ano. Sucede que os alunos caíram para a água tentando atravessar. Outro aluno quis ajudar, ficou preso entre a motorizada e os tubos submersos, levou quase uma hora para ser salvo. Outro jovem tentou ajudar, mas morreu.

Enquanto isso, as alunas quando se aperceberam da situação entraram em pânico, relembrando o histórico de desmaios e choros antes e depois de atravessar. Professores e pais e encarregados de educação amotinaram-se no local para certificar se não se tratava dos seus filhos e educandos.

O Presidente da República, Daniel Chapo veio de helicóptero, não passou daquela ponte, talvez seria a única maneira de avaliar o risco que os cidadãos passam diariamente. Aliás, durante uma semana de preparação, o visual do 9.º bairro –Eduardo Mondlane mudou, da principal via de acesso à escola, pura limpeza para mais visibilidade da escola construída pela Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, e inaugurada pelo Chefe de Estado no dia 28 de fevereiro.

Ponte de 4 meses passou para quase 2 anos

Inicialmente, a construção da ponte estava prevista de 18/10/2024 a 18/01/2025 com fiscalização da COTOP. Foi “construída” apenas no papel. Terminado o tempo, prometeram construir já com outro fiscalizador Stang Consult, mas com o mesmo empreiteiro SL Construções & Investimentos, de 24//01/2025 a 24/04/2025 – naquela fase conseguiram destruir a ponte resiliente anterior e colocar pilares. Mas desde o primeiro semestre de 2025, as obras estão paralisadas.

O orçamento é de 13.143.144,42 meticais do Fundo de Estradas para aquela pequena ponte, mas o que já foi construído, ainda que não terminado, levanta dúvidas entre a qualidade que se espera e o dinheiro envolvido. Não precisa chamar perito para avaliar.

O atraso do término da construção da ponte é aliado também pela demora de pagamento da factura emitida pelo empreiteiro antes da paralisação das obras em 2025.

“O empreiteiro arrancou com a construção da ponte com os seus fundos. Sabemos o critério da Administração Nacional de Estradas (ANE). Aquela ponte é financiada pelo Fundo da ANE. Ele [empreiteiro] fez tudo por tudo, conseguiu levantar os pilares, chegou ao meio, submeteu a factura [e] e ainda não tem resposta da factura, ele não tem como avançar. Estamos à espera”, explicou o edil de Nhamatanda, António João Charumar, em novembro de 2025, durante a entrega da outra ponte que conecta o 1.º e 5.º bairros, sobre o mesmo rio, com outro financiador, Banco Mundial.

Ainda que a placa sobre a ponte indicasse Fundo de Estradas, o edil mantinha o discurso de apontar a ANE como instituição financiadora.

Mas antes, em outubro, o “Profundus” fez um cruzamento de informação, na qual o director provincial da ANE negou ser a sua instituição financiadora da ponte que dá acesso à maior escola. A equipa não parou, foi ter com o delegado provincial do Fundo de Estradas em Sofala, António Mambo – confirmou a sua instituição como financiadora, mas que na altura enfrentava dificuldades de pagamentos não apenas para a ponte de Nhamatanda, devido alegadamente a situação económica que o País enfrenta.

Já em novembro, o director provincial do Fundo de Estradas confirmou o pagamento de cerca de 6 milhões de meticais em cheque.

Obras da ponte paralizadas em 2025

A ponte entre 4.º bairro-25 de Setembro e 9.º bairro-Eduardo Mondlane evidencia o impacto da formação, ao dar acesso ao instituto Politécnico Ideias, ao ocupar sete das 30 antigas salas da Escola Secundária Geral de Nhamatanda, oferecendo, a partir deste ano, os cursos de Educação de Infância; Administração de Trabalho; Contabilidade; Gestão Autárquica e Gestão de Logística. Enquanto as restantes salas acolhem a Escola Primária Nhamissenguere a qual recebe a maioria dos alunos residentes no mesmo bairro.

“Mas qual foi o motivo de destruir a antiga ponte, se mesmo a que está em construção já aparenta qualidade duvidosa? Com esses 13.143.144,42 meticais, o Município de Nhamatanda seria capaz de construir noutra zona, enquanto a antiga facilita a circulação de pessoas e bens”, desabafou Júlio Mendes.

“Removeram ferros das linhas-férreas na antiga ponte para na nova usarem varões duvidosos”. Afinal, qual é a intenção? Questiona-se Linda Morreira, suspeitando que corre o risco de fazerem ponte bonita, mas não resiliente, como a anterior”.

Ciclicamente, os alunos e professores ficam impedidos de atravessar o rio Nhamatanda para A, B e C na Escola Secundária Geral de Nhamatanda, sem aulas. E, ao mesmo tempo, os residentes do 9.º bairro desprovidos de acessibilidade de serviços básicos localizados na outra margem. Apesar de tudo, mantém-se a esperança de que um dia a construção termine e evite tragédias.

Não se sabe quando será retomada a construção da ponte de mais de 13 milhões de meticais.

Diante deste problema, foi improvisada a quase 30 metros da infra-estrutura paralisada, outra ponte – é como quem tenta forçar palavras, mas não é ponte (saibro ao nível das águas quando o rio enche ou simplesmente pedrinhas e areia de baixo de tubos/anilhas), na esperança de ser usada temporariamente enquanto se constrói a obra de milhões. Mas ali, onde aconteceu a tragedia na última quarta-feira. E hoje, sexta-feira, os alunos, e professores estão divididos nas duas margens do 4.º bairro e 9.º bairro, sem aulas.

Ciclicamente, os dois bairros ficam isolados, consequentemente, os residentes do 9.º bairro desprovidos de acessibilidade de serviços básicos localizados na outra margem.

Uma tragédia com rosto. Uma alma perdida, uma família de luto, alunos em pânico, um presente que amanhã será um passado assustador e quiçá revelador sobre a ponte. Entretanto, uma ponte, uma solução definitiva. (Muamine Benjamim).

 


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