Elisa Chico Bonjesse tem histórico, desde que o Clube da Rapariga do Parque Nacional da Gorongosa iniciou em 2016. Foi a primeira pessoa a ingressar ao Clube na sua comunidade, resistindo a tantas tentações até de união prematura já planificada sem o seu consentimento. Ganhou bolsa de estudos pelo Parque, e hoje, projecta-se para ser jornalista e inspirar outras mulheres sem condições financeiras para estudar.
Na comunidade onde vivia Elisa, muitas meninas que ingressaram ao Clube da Rapariga, “abandonaram o ensino primário para se unirem prematuramente, assumindo o papel de mãe, esposas e noras, mas hoje estão arrependidas”, depois de fazerem o contrário do que aprenderam no Programa do Parque.
Quando estava no Clube da Rapariga, “eu conseguia dividir o tempo” entre o da escola, actividades domésticas, apoiar a família no campo de produção agrícola e o de aprendizagem no Programa.
O Clube de Raparigas ensina as meninas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, matérias de literacia e numeracia, direitos e deveres da criança. Ou seja, nos vários Clubes de Raparigas, as meninas conhecem o seu corpo, sabem tratar da higiene menstrual, afastar-se de comportamentos de risco e aprender a negociar com os pais a dizer um dia caso-me, mas não já, tal Elisa.
Nas comunidades ao redor do Parque, ainda há mitos, um deles é de que a mulher nasceu para actividades domésticas, fora disso existe o marido para juntos multiplicarem-se. Mas, Elisa rodeada de raparigas por inspirar, partilha a sua experiência de fuga a um homem para apostar nos estudos, depois de aprender no Clube da Rapariga e perceber o seu potencial como menina com sonhos.
Quando fazia a 7.ª Classe, alguns pais na comunidade induziram um jovem para manter relações com Elisa como garantia da união, ainda que prematura.
“Num dia desses, mandaram um moço da zona para me violar, quando saía de um ensaio do Clube para apresentar uma actividade no Parque. Perseguiu-me, corri muito, cheguei numa casa vizinha. Aquela vizinha levou-me para casa. No dia seguinte se resolveu, mas não desisti dos meus sonhos”, continuou Elisa.
O caso foi levado à liderança comunitária para uma reunião juntando os pais, no qual o jovem pretendente confessou que foi induzido ao crime.
Depois desse episódio, a comunidade passou a julgar Elisa como a miúda com espíritos malignos por recusar homens. Aliás, “diziam que estou a perder tempo no Programa Clube da Rapariga”, conta a rapariga.
Mas a surpresa de todos veio depois, através do mesmo Clube da Rapariga, alimentando-lhe a esperança. Elisa saiu da sua comunidade para estudar na Escola Cristo Rei (Vila de Gorongosa), tudo sob responsabilidade do Parque que lhe atribuiu uma bolsa de estudos.
“Agora, todas as minhas amigas e antigas colegas já me falam mal. Porque estou a gingar, estou a mudar muito, falo a Língua Portuguesa” entre outras qualidades apreciáveis pelo comportamento apreciável” como resultado dos estudos.
Elisa é uma das meninas que vive nas comunidades, sem condições financeiras, induzidas a uniões prematuras, mas com sonhos por alcançar. Num local onde tudo parece o fim, o Clube da Rapariga alimenta a esperança de acreditar em si e suportar as dificuldades.
“Se tem objectivo, tem-se que motivar, eu consigo, não pode duvidar. Vai dar certo. Deve dar vontade aos pais” e a Gorongosa pelo apoio, por isso, “estou determinado a ser jornalista. Sou Elisa, Sou Rapariga, Sou Mudança”, evidenciando o lema. (Muamine Benjamim/PROGRESSUS).
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