Gorongosa: Entre cinco ONGs africanas aprovadas para subsídios históricos no turismo comunitário

A Organização das Nações Unidas, através da sua iniciativa de Turismo em parceria com a TUI Care Foundation – uma organização que apoia associações protectoras do meio ambiente e capacita comunidades em destinos turísticos, vai apoiar directamente com financiamento e técnicas a cinco Organizações Não-Governamentais (ONGs) em toda África, incluindo o Parque Nacional da Gorongosa em Moçambique.

Esta iniciativa é conhecida por Culturas Coloridas, fazendo com que pela primeira vez a ONU Turismo apoie ao nível comunitário as ONGs, o que representa uma mudança significativa em como o nível internacional, os organismos apoiam o desenvolvimento turístico no continente.

A iniciativa movimentou 141 candidaturas de ONGs com propostas, em toda a África, provando a demanda por oportunidades do género.

No âmbito desta iniciativa, as comunidades dos países escolhidos em África, serão capacitadas em como gerar renda sustentável, preservar o património cultural e moldar o seu próprio caminho de desenvolvimento pelo turismo.

O Secretário-Geral de turismo da ONU, Shaikha Al Nuwais destacou a importância de apoiar o turismo liderado pela comunidade em áreas rurais, destacando que os projectos vão fornecerbases importantes para criativos e empreendedores enquanto posicionam o turismo como um motor para o desenvolvimento rural.

Já o Presidente da TUI Care Foundation, Thomas Ellerbeck expressou confiança de que os projectos seleccionados gerariam resultados positivos tanto para as comunidades anfitriãs quanto para seus visitantes.

Portanto, o sucesso desses cinco projectos-piloto pode abrir caminho para uma ampliação do financiamento nos próximos anos.

Os viajantes internacionais buscam cada vez mais cultura autêntica, experiências, os projectos que empoderam artesãos locais e preservam o património cultural tornam-se uma oferta comercialmente relevante que faz operadores e gestores de turismo como oportunidade para incorporar nos seus produtos e serviços.

O turismo comunitário deixou de ser mais um conceito de nicho, tornando-se uma parte reconhecida e valiosa da indústria.

 

Das 141 ONGs africanas concorrentes, apenas 5 aprovadas

O processo rigoroso resultou na selecção de Moçambique pelo Parque Nacional da Gorongosa,Namíbia, Tanzânia e Ruanda com duas ONGs, completando as cinco. Estes países vão receber subsídios sob o programa de pequenas subvenções para turismo ao desenvolvimento rural. Cada projecto foca no fortalecimento de capacidades entre artesãos, mulheres, jovens e comunidades enquanto conectam as suas produções criativas a cadeias de valor do turismo.

Na Namíbia, o fundo vai para astradições no Bwabwata National, projecto de parque, trabalhando com a comunidade Khwe a revitalizar as artes tradicionais e estabelecer um centro cultural. A iniciativa apoiará 50 artesãos Khwe na conquista, visibilidade e conexão com circuitos de turismo sustentável.

Ruanda garantiu dois projectos no âmbito do programa: as Rochas Vermelhas e a Nature Rwanda. A primeira iniciativa vai cooperar com mulheres e jovens no distrito de Musanze, oferecendo treino em artes visuais, empreendedorismo e narrativa global até aproximadamente 100 beneficiários. Enquanto isso, o segundo projecto focará na ecologicamente significativa floresta de Busaga, transformando-se num destino turístico liderado por mulheres e jovens na conservação da biodiversidade, e abrangendo directamente 30 membros da comunidade por meio de experiências guiadas na floresta e artesanato integração.

Na Tanzânia, o programa estabelecerá o Programa Cultural Maasai no distrito de Kiteto, treinando 50 mulheres e jovens locais em artes, ofícios e serviços turísticos. A iniciativa enfatiza preservação cultural enquanto cria caminhos para o empoderamento económico entre as comunidades Maasai.

 

O caso de Moçambique

Em Moçambique, a Associação dos Deficientes Moçambicanos vai implementar um projecto chamado “Vozes e Cores de Gorongosa”. A iniciativa tem como alvo artesãos com deficiência, ajudando-os a desenvolver os produtos e acesso aos mercados turísticos.

O projecto espera beneficiar 110 pessoas, com 60 por cento de mulheres representadas.

Pela Gorongosa, a produção de cestos artesanais, entre outros produtos, tornou-se uma importante fonte de rendimento para as comunidades locais, sobretudo para as mulheres.

Há neste momento, mais de 60 pessoas, maioritariamente mulheres formadas na utilização de materiais locais para criar peças de artesanato, como cestos, cerâmicas e artigos de costura.

Em dezembro de 2025, o Projecto de Restauração do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) entregou o Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma (CCC) projectado para impactar vidas, através da promoção de práticas sustentáveis e financiamento directo aos projectos comunitários. O projecto arquitectónico do Centro inclui alojamento para 30 pessoas, uma sala de treinos com capacidade para 50 pessoas, escritório, refeitório para 70, um anfiteatro aberto, centro de produção e venda de produtos de artesanato fabricados com base em produtos florestais madeireiros e não madeireiros, incluindo produtos de cerâmica. A Gorongosa está pronta.

“Conseguimos apoio do Parque, conseguimos fazer cestos. O dinheiro que ganhamos também nos ajuda a pagar material escolar, atender necessidades e poupar”, explicou Fina José, em entrevista ao “Profundus”, apelando aos jovens a aprenderem a arte e preservarem a cultura.

O Centro das Áreas de Conservação Comunitária de Cheringoma representa um símbolo de esperança, união e compromisso com a conservação da paisagem ao valor da cultura pelo artesanato para o desenvolvimento comunitário.

Para os visitantes da Gorongosa, isso poderá adicionar uma nova dimensão cultural a um destino já conhecido por sua história renomada de recuperação da vida selvagem. (MUAMINE BENJAMIM).


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