Gorongosa: Quando a agricultura é assistida para impacto

A família Amós Arabione está a construir uma casa dos seus sonhos, do tipo III, graças à agricultura que lhe fez ganhar 154.000 meticais, na comunidade de Nhaufo, no Posto Administrativo de Mafambisse, no interior do distrito de Dondo. A construção tornou-se destaque local, com intenção de terminar este ano, e sair da casa de material precário, através da produção agrícola que também ajuda na nutrição familiar e despesas da casa.

A mudança de vida começou em 2024, através do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), especificamente, o Programa de Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis para Comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, Sustainable Livelihoods Development Program  (SLDP).

Amós aperfeiçoou as técnicas agrárias, incluindo a produção de adubo com material local para evitar pragas às culturas. Como resultado, hoje, “estou feliz porque estamos a construir a casa de bloco. Vamos sair desta casa de pau-a-pique para uma casa melhorada. O Parque oferece-nos sementes de milho, couve, cenoura, cebola, gergelim e tomate. Com a nossa produção, dividimos para comer e vender no mercado de Mutua”, explicou a esposa de Amós, Joana Gerusse, de 55 anos.

Com duas áreas de produção para as culturas de tomate, couve, milho e gergelim, a família Amós consegue comparar o antes e depois do SLDP.

Com os ganhos na agricultura, Amós começou a poupar parte dos seus ganhos até conseguir reunir o valor necessário para construir uma casa de bloco estando na fase de acabamento.

“Graças ao Parque Nacional da Gorongosa, estou a construir a minha casa. Tem três quartos, uma sala e despensa, tudo fruto da poupança das vendas que consegui fazer, no valor de 154 mil meticais”, conta Amós, de 61 anos, separando os ganhos na sua maioria 78.800 meticais na horticultura.

A nova residência representa, segundo Amós, mais do que uma simples construção: é o resultado de anos de trabalho, esforço e dedicação à agricultura.

A nova residência representa, segundo Amos, mais do que uma simples construção: é o resultado de anos de trabalho, esforço e dedicação à agricultura, sustentando alguns dos seus filhos que frequentam o ensino secundário na cidade do Dondo e Beira. Um filho já concluiu o curso de medicina na cidade de Chimoio.

“Por exemplo, no tomate consegui colher 12 caixas e consegui um valor de 22 mil meticais numa área de meio hectare. Agora consigo pôr os meus filhos a estudar”, relata.

A história demonstra como a agricultura e a produção contribui para melhorar a renda das famílias e permitir investimentos em habitação, educação e outras necessidades básicas, além de segurança alimentar porque se consegue ter dinheiro, também consegue comprar comida.

Para Amós, a construção da nova casa é resultado de anos de trabalho e dedicação à agricultura, mas também uma oportunidade para proporcionar melhores condições à sua família.

Amós está a beneficiar-se de uma represa de retenção de água, para reduzir as dificuldades enfrentadas durante o período de estiagem, sobretudo na irrigação das culturas.

“Começámos a cavar na quarta-feira da semana passada. Neste período de verão temos tido problemas de água. Precisamos de chegar a uma profundidade de cinco metros, mas tudo faremos para concluir a tempo, porque temos motobombas para tirar a água que vai saindo da terra”, afirma.

O ano de 2025 não foi produtivo devido aos efeitos do El Niño. Entre o final do ano passado e início de 2026, as culturas de Amós foram afectadas severamente com as inundações, tendo ganho na horticultura apenas 25.000 meticais.

O agricultor acredita que a represa poderá aumentar muito a capacidade da produção. “Quando eu colocar viveiros aqui, vai ajudar na irrigação. Muitas vezes usava regador à mão e não facilitava quase nada, e a produção algumas vezes baixava. Assim, com essa represa, vou cultivar hortícolas a todo momento, sem pensar no problema de água”, explica.

Com a represa pronta, Amós prevê ganhar no mínimo 30.000 meticais na horticultura.

Amós, sempre produziu no vale do Rio Púnguè (um hectare) e na comunidade de Nhaufo (quatro hectares), anualmente.

Segundo o técnico de agricultura do PNG, Manuel Sitole, uma das vantagens da represa será reduzir a distância à procura de água muitas vezes no poço.

A mesma represa vai beneficiar um grupo de 25 agricultores, Amós como líder.

Nas comunidades, são formados grupos de 25 membros para aprenderem as melhores técnicas de agricultura. Fazem machambas-modelo onde aplicam a aprendizagem, e individualmente fazem nos seus campos de produção.

“ Ficamos felizes por ver o senhor Amós conseguir produzir e usar parte do rendimento da agricultura para construir uma casa de bloco. Para nós, isso é um ganho”, afirmou Sitole.

A história de Amós Arabione mostra como a agricultura com devida assistência, contribui para a renda das famílias e permite investimentos em habitação, educação e melhoria das condições de vida. E há um nome nisso: Gorongosa. (Narcísio Cantaha).


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