Dois jornalistas, um da rádio comunitária e outro de um jornal nacional foram impedidos de fazer a cobertura da cerimónia de tomada de posse do novo director do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI) e de vários quadros da Saúde e da Educação, em Chemba.
A última sexta-feira parecia normal para a imprensa no distrito de Chemba, em Sofala. Tudo mudou para humilhação quando chegou a hora da tomada de posse colectiva.
Na sala de sessões do Governo de Chemba, já decorria a cerimónia por volta das 9 horas. Foram barrados à porta o jornalista da Rádio Comunitária de Chemba, Dias Chinagana, e o correspondente do Jornal Profundus também chefe da Redacção da Rádio Comunitária de Chemba, Rosário Phoinde, mesmo estando devidamente identificados como imprensa e em missão de serviço do interesse público.
Segundo os visados, o impedimento foi imposto por um funcionário do protocolo, sob alegação de falta de vestuário formal, especificamente casaco. Depois de receberem a orientação, os jornalistas deslocaram-se às suas casas para mudar de roupa e regressaram já “casacados”, mas em vão. Quando regressaram, as portas estavam fechadas e o acesso definitivamente negado.
Na cerimónia, tomaram posse, marcando nomeação definitiva, directores de escolas e outros funcionários dos sectores da Saúde e da Educação, num acto público de grande interesse para a comunidade.
População sem informação
A imprensa sabe que a tomada de posse aconteceu após algumas movimentações com destaque para o SDPI. Naquela cerimónia estava o ambiente propício, por exemplo, para ouvir e gravar o testemunho do novo director.
O antigo director do SDPI foi transferido para outro distrito após uma denúncia reportada pelas Redes Sociais e com contraditório do Profundus, em março do ano em curso.
Além do novo director do SDPI, a oportunidade de gravar o testemunho também estava garantida para os outros quadros que juraram servir profissionalmente a população de Chemba. Mas chegado a hora, a imprensa no distrito foi impedida. Não se sabe ao certo se foi estratégia ou mesmo falta de conhecimento do papel da imprensa.
Para os visados, o impedimento já é considerado atentado à liberdade de imprensa e ao direito à informação. Afinal, não impediram os escribas, mas sim à população que quer saber quem são os novos servidores públicos e aos quais devem exigir melhores serviços.
“Fomos humilhados. Cumprimos a orientação, fomos a casa vestir o casaco e quando voltamos fecharam-nos a porta. O povo de Chemba ficou sem saber quem são os novos dirigentes. O que devia contar é a credencial, não o casaco”, defendem os jornalistas.
Administrador contra impedimento à imprensa
O administrador do distrito de Chemba, Bento Conde Zeca, mostrou-se preocupado com o sucedido.
Bento Zeca reconheceu que sentiu a ausência da imprensa na sala que acolheu a cerimónia, mas não sabia dos motivos.
O administrador de Chemba distanciou-se do acto, garantindo que não foi por sua orientação o impedimento da imprensa.
Chemba é um distrito ainda virgem em comunicação, mas não significa que os membros do Governo devem agir como a “caixa torácica” mandar-lhes fazer.
Até ao fecho desta edição, o Governo Distrital não emitiu um pronunciamento oficial sobre o incidente, mas os jornalistas em Chemba exigem que situações do género não se repitam. “A classe jornalística merece respeito”.
Chemba entrou no mapa negativamente contra imprensa. (Rosário Phoinde).
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