A edição 35 do Campeonato Africano das Nações ficará eternamente marcada na história do futebol moçambicano. Mais do que resultados, Moçambique despede-se de três ícones de uma geração que elevou o nome do país no continente. Dominguez, Mexer e Reinildo Mandava anunciaram o encerramento do seu ciclo na Selecção Nacional, no culminar de uma campanha memorável no CAN Marrocos 2025.
Os três jogadores sublinharam que a decisão representa o fim de uma etapa, mas também a abertura de uma porta para os mais jovens.
Reinildo Mandava foi o primeiro a tomar a palavra, num momento carregado de simbolismo e emoção, assumindo a despedida como um acto de responsabilidade e amor à Selecção Nacional. Referência desta geração, falou não como quem sai, mas como quem entrega o testemunho, sublinhando a honra e o peso que é envergar a camisola dos Mambas. A sua liderança, feita de exemplo, sacrifício e coragem, marcou profundamente este ciclo histórico, deixando um legado de união, ambição e compromisso que ultrapassa resultados e continuará a orientar o futuro da Selecção Nacional de Moçambique.
Estas decisões aconteceram depois dos Mambas perdem ontem, segunda-feira diante da Nigéria (4-0).
“Este foi o meu último jogo, a minha última campanha. Agora é tempo de dar força aos mais novos. A Selecção sempre foi uma terapia para mim. O meu coração estará sempre aqui”, partilhou Mexer Sitóe, com forte emoção traduzindo o peso humano e simbólico da despedida depois de afirmar que a decisão tinha sido tomada anteriormente em conversas com o seu colega e companheiro de longa caminhada, o capitão Dominguez. Lê-se no comunicado emitido pela manhã de hoje, pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF).
Mexer, um dos rostos maiores desta geração, deixou uma mensagem de esperança e responsabilidade: “Com esta geração vamos fazer coisas bonitas, acreditem. Eu, o Reinildo e o Dominguez partimos daqui, mas a Selecção Nacional continua. Corram sempre uns pelos outros, ainda que tenham desavenças fora do campo. Muito obrigado por estes anos, por partilharem este momento. Amamos todos vocês e vou sentir muita falta.”
Do capitão Dominguez saiu pouco em palavras, mas tudo em significado. Visivelmente emocionado, com a voz a quebrar e lágrimas nos olhos, resumiu uma vida inteira dedicada à Selecção Nacional numa única expressão de gratidão. Não houve discurso longo, nem frases ensaiadas, apenas o silêncio pesado de quem deu tudo pelo país, de quem carregou a braçadeira com honra em momentos bons e difíceis, e que naquele instante deixou falar o coração. A sua despedida foi o retracto mais puro do amor à pátria: contida, sincera e profundamente humana, capaz de tocar todo um balneário e de ficar gravada na memória de uma geração.
O Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, não escondeu a dificuldade do momento, assumindo-o como um dos mais duros da sua liderança. “Foi tudo surpreendente. Tenho conversado várias vezes com o Reinildo e fiz de tudo para que isto não acontecesse. Se eu estou aqui é porque eles também quiseram. É um golpe duro, é como perder um membro da família”, confessou.
Num discurso profundamente humano, o técnico destacou que mais do que jogadores, Dominguez, Mexer e Reinildo são homens que marcaram o grupo: “Tudo o que sei como treinador aprendi convosco. Foram sempre dignos de representar uma nação. Aos mais jovens, peço que segurem este legado, porque ainda há muito por fazer. A minha admiração por vós nunca se vai perder.”
“É um momento de gratidão. Estamos tristes, mas profundamente orgulhosos daquilo que os Mambas fizeram. O país está orgulhoso. Conseguiram o que muitas gerações não conseguiram”, disse o Vice-Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Paito Mucuana, apelando ao Mandava que reconsiderasse a sua decisão, pela sua juventude, peso desportivo e simbólico da sua presença. (PROFUNDUS).
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