A Ministra Conselheira da Embaixada da Noruega em Maputo visitou os campos de caju no Posto Administrativo de Savane no distrito do Dondo, para acompanhar os progressos das iniciativas apoiadas pela Noruega e ouvir os produtores sobre os benefícios e desafios da actividade. Para Camilla Ramos Fjellvang, os produtores ouvidos durante a visita relataram que as receitas da venda da castanha de caju têm ajudado a responder a despesas familiares, incluindo a aquisição de alimentos e de materiais escolares para melhorar as habitações.
A equipa técnica do Projecto de Restauração da Gorongosa distribui as mudas de caju aos agricultores, dão-lhes assistência técnica e posteriormente auxiliam no processo de venda do caju, com um financiamento da Embaixada da Noruega em Moçambique.
No terreno, Camilla Ramos Fjellvang, primeiro, conversou com os técnicos implementadores, depois, com os produtores, partilhando experiências de melhores práticas, desafios e benefícios comunitários.
Segundo Camilla Ramos Fjellvang, os resultados do envolvimento comunitário demonstram como é importante continuar com as iniciativas, sobretudo no contributo prestado na vida das famílias beneficiárias.
“Este projecto é relevante para as nossas prioridades e, por isso, continuamos a apoiar estas iniciativas. Estamos também a apoiar os Clubes de Raparigas, que apresentam bons resultados. Estamos a ver que os projectos têm um valor real na vida das pessoas e das comunidades, e estamos orgulhosos por continuar a apoiar o Parque Nacional da Gorongosa”, disse no terreno, no dia 28 de setembro do ano em curso.
O Projecto de Restauração da Gorongosa foca-se na segurança alimentar, conservação da biodiversidade, igualdade de género e criação de oportunidades de emprego.
Em Dondo, o campo de produção de semente policlonal de caju, possui 12 hectares com cerca de 724 plantas. Neste segundo ano de produção, espera-se um rendimento de duas toneladas, que possibilitará a produção de 320.000 mudas, permitindo assim a expansão das áreas de produção dos produtores na Zona de Desenvolvimento Sustentável.
Nestas oportunidades que envolve a Noruega, Camila Fernandes destacou a necessidade de igualdade de género. “É crucial que, nas comunidades, as pessoas tenham direitos iguais, tanto os homens como as mulheres. Essa é a nossa visão e, por isso, a componente de igualdade de género está presente em quase todos os projectos que apoiamos, incluindo os desenvolvidos em parceria com o Parque Nacional da Gorongosa”, explicou.

O plano do Projecto de Restauração da Gorongosa é de garantir benefícios duplos de comercialização da castanha de Caju e processamento da pera do caju em derivados (sumo, cajuína, doces e farinha de caju).
No domínio da produção de caju, a responsável salientou que a renda familiar constitui um dos resultados que justificam a continuidade do apoio às comunidades da zona tampão. A visita permitiu observar ouvir os relatos dos técnicos e dos produtores que permitiram conhecer os progressos e os desafios da actividade.
Como forma de garantir a sustentabilidade do Programa, o Projecto de Restauração da Gorongosa adoptou o mecanismo de comparticipação dos produtores no processo de tratamento fitossanitário dos cajueiros em 30% dos custos desta actividade. Esta medida surge numa altura em que o Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM) retirou o seu apoio na totalidade de fornecimento de químicos necessários para esta actividade crucial na garantia da produção de Caju.
Carlitos Bismato, com dois hectares de terra, já é testemunho dos ganhos depois de vender a castanha e caju. “Com aquele dinheiro comprei comida e algumas chapas para cobrir a casa. Este ano espero ultrapassar a produção e o rendimento, para comprar uma cama, cadeiras, uma motorizada e terminar a minha casa”, partilhou a sua experiência no campo de produção, na companhia da sua esposa.
Numa primeira fase, “consegui cerca de 7 mil meticais. Comprei comida, roupas para as crianças, pratos e panelas. O caju já faz parte da nossa vida e hoje sentimos que o nosso trabalho vale a pena”, disse Alice Luís, outra produtora, em Dondo.
Para a cooperação norueguesa, o acompanhamento directo das iniciativas permite compreender melhor o impacto dos investimentos realizados e identificar os benefícios que os projectos proporcionam às populações abrangidas.
Os resultados de hoje têm um histórico. Desde 2017, a Noruega apoia projectos implementados pelo Projecto de Restauração da Gorongosa que promovem a melhoria das condições de vida e a criação de oportunidades de geração de rendimento para as comunidades locais.
A produção de caju assume, assim, um papel importante na promoção do desenvolvimento local no distrito do Dondo, ao oferecer às famílias uma oportunidade de geração de renda e de melhoria das suas condições de vida.
Contudo, até 2028, o Projecto de Restauração da Gorongosa espera alcançar 7.000 produtores em toda Zona de Desenvolvimento Sustentável. Actualmente, o Programa conta com 4.957 produtores, dos quais 1.802 mulheres com cerca de 217.217 plantas, sendo 87.998 plantas em fase de produção. (Narcísio Cantanha).
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