O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do seu parceiro doador Reino dos Países Baixos, em coordenação com o Governo do distrito de Gorongosa, inaugurou uma fábrica de processamento de café, na vila de Gorongosa. A unidade fabril que funciona oficialmente, desde a última terça-feira, sobe de 50 para potenciais 1000 toneladas de café processado por ano, além de garantir oportunidades para as comunidades.
O Governo de Moçambique e a Fundação Carr firmaram uma parceria público-privada para a gestão conjunta do PNG, através da implementação do Projecto de Restauração da Gorongosa (PRG), ocupando uma área de cerca de 4000 km² e implementando programas de desenvolvimento socioeconómicos que integram a componente de conservação da biodiversidade, em seis distritos, nomeadamente, Cheringoma, Dondo, Gorongosa, Maringué, Muanza e Nhamatanda.
Na sua estratégia de longo prazo, o PNG prioriza a melhoria de vida da população que reside na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável. Para tal, envolve parceiros estratégicos para a construção de infra-estruturas resilientes e de impacto sinérgico – um esforço na melhoria do bem-estar das comunidades e dessa forma contribuindo para a conservação da biodiversidade. Foi neste contexto que o Reino dos Países Baixos, através da Embaixada da Holanda em Moçambique, investiu de 350.000.00 euros (cerca de 25.900.000 meticais) destinados à expansão da fábrica e à aquisição de novos equipamentos de processamento, incluindo dois silos de secagem e uma nova linha de processamento de café.
A iniciativa visa fortalecer a cadeia de valor do café, impulsionar os rendimentos dos pequenos agricultores e aprimorar a segurança alimentar. Além disso, contribuirá para os esforços de restauração da montanha Gorongosa.
O corte de fita, na última terça-feira, simbolizando a inauguração da fábrica, foi marcado pela Vice-Ministra de Cooperação da Embaixada do Reino dos Países Baixos, Pascalle Grotenhuis e o administrador de Gorongosa, Pedro Mussengue, no bairro Mapombwé, na vila municipal de Gorongosa.
Na ocasião, o administrador do distrito de Gorongosa, Pedro Mussengue reconheceu que “muito tem sido feito [pelo Parque], mas ainda clamamos pela água para as nossas comunidades. [E] com esta fábrica é desafio do Governo de Moçambique, em particular de Gorongosa, tirar do desemprego a cerca de 115 mil mulheres e cerca de 77 mil jovens”, disse Mussengue, provocando também para a necessidade de processamento da macadâmia” naquele distrito e exploração de outras potencialidades de impacto comunitário.
A Vice-Ministra de Cooperação da Embaixada do Reino dos Países Baixos, reiterou a amizade com Moçambique e juntos para continuar a impactar vidas através de iniciativas coordenadas. Sendo a primeira vez a visitar Gorongosa, Pascalle Grotenhuis apreciou a beleza natural e potencialidades, mas dispensa no futuro um plano para o caso da macadâmia, “mas já é bom que já existe a fábrica de mel e [hoje, terça-feira] a fábrica de café”.
A visita da Vice-Ministra para Cooperação Internacional dos Países Baixos, Pascalle Grotenhuis, é no âmbito das comemorações dos 50 anos de parceria entre Moçambique e o Reino dos Países Baixos. A visita enquadra-se nos esforços de fortalecimento das relações bilaterais e económicas entre os dois países, baseadas em parcerias mutuamente benéficas, com ênfase no desenvolvimento do sector privado.
A produção do café, inicialmente, com oito produtores, motivou outros integrantes com o passar do tempo. Afinal, as comunidades sentiram as vantagens do seu envolvimento nestas actividades. Hoje, conta com acima de 1000 produtores de café. E 12 trabalhadores na fábrica.
Mais do que um símbolo de sucesso agrícola, o café da Gorongosa representa uma mudança estrutural na economia da província de Sofala. A produção já emprega directamente mais de 1.500 famílias, além de aumento de empregos indirectos criados pelas actividades de colheita, transporte e comercialização.
Manuel Manejo Machessa é produtor de café desde 2019. Conta que antes de começar a produzir esta cultura, a vida estava difícil, não que não apostasse outras culturas, mas porque não eram muito rentáveis como o café. Com os ganhos no café e outros produtos, começou a viver momentos de “milagres”. Já conseguiu formar a sua filha e ainda investe em estudos dos outros filhos, além de construir uma casa melhorada. “Meu desejo é sair da fase de produtor de café, para empresário”. Até 2026, “pretendo ocupar uma área uma área de 14 hectares, depois que colhi 8,125 toneladas de café”, disse em entrevista ao “Profundus”, antes mesmo da visita na qual também prestou testemunho.
Nos últimos 3 anos, o processamento do café passou de 6 para 40 e 50. Mas com a nova fábrica, existe capacidade para processar 1000 toneladas anualmente, com 12 trabalhadores, sendo sete mulheres e cinco homens.
A inauguração foi marcada pela recepção da comunidade com dança tradicional, simbolizando o “bem-vindo à terra mágica da Gorongosa”.
Enquanto isso, em 5 anos (2022-2027), o Projecto de Restauração da Gorongosa, em parceria com duas organizações, nomeadamente, a Right To Play e a Resilience, implementa um programa denominado “Desenvolvimento de Meios de Vida Sustentáveis”, Sustainable Livelihood Development Program (SLDP), financiado pela Embaixada do Reino dos Países Baixos (EKN Moçambique), o qual se centra na melhoria das condições socioeconómicas das comunidades da Zona de Desenvolvimento Sustentável, aplicando um financiamento de 20 milhões de Euros (cerca de 1.280.000.000 de meticais). O plano é abranger 45.000 beneficiários directos, dos quais 15.000 produtores do sector familiar e 30.000 membros das comunidades alcançadas pelas campanhas de sensibilização em matérias de Nutrição e Água, Saneamento e Higiene, Water Sanitation and Hygiene (WASH), além de contribuir no reflorestamento e conservação da biodiversidade. (Ana Cleta de Lopes Coimbra e Muamine Benjamim).
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