Moçambique: Há consumo de água imprópria da rede pública – alerta estudo

Vários clientes abastecidos pela empresa pública Águas da Região Metropolitana de Maputo (AdRMM) denunciam o fornecimento de água turva a jorrar das suas torneiras em vários bairros. Os bairros do Alto Maé, Minkadjuine, Munhuana, Bagamoyo; no Município de Maputo, e Tchumene, Malhampsene, Zona Verde; no Município da Matola, por exemplo, estão entre alguns locais que registam casos de águas turvas. Além de turva, há vezes em que a água jorra com odor, contrariando dessa forma os parâmetros (biológicos, físicos e químicos) do índice de qualidade para o consumo humano. A situação está a deixar os consumidores receosos sobre a qualidade do líquido para o consumo, pelo que muitos têm optado por não beber, passando a comprar água purificada. São dados que constam no recente estudo “Fornecimento de Água Contaminada para o Consumo Humano: Quando as Falhas no Tratamento e Fiscalização Colocam em Risco a Saúde Pública” do Observatório Cidadão para Saúde (OCS).

O conteúdo publicado no dia 8 de abril último aponta que a situação de abastecimento de água imprópria na rede pública para o consumo é um problema de dimensão nacional. De várias províncias do país, surgem relatos preocupantes de fornecimento e consumo de água imprópria para humanos. Por exemplo, moradores de vários bairros da cidade de Tete e Moatize têm denunciado que suas torneiras jorram água turva.

Em Tete, trata-se de água contaminada com metais (Manganés e Ferro) devido à exploração de minérios por diversas empresas naquela província. E parte dos poços onde a água da rede pública é captada está localizada em zonas contaminadas por bactérias fecais, bem como em áreas onde a prática da agricultura com recurso a adubos químicos e deposição de resíduos sólidos é recorrente, aponta outro estudo realizado pelo académico Paulo Marcos Sebastião, licenciado em Engenharia Química, Mestrado em Saúde e Doutorado em Energia e Meio Ambiente, em 2022.

Estes casos têm sido frequentemente registados em épocas chuvosas.

Os casos denunciados evidenciam a violação do decreto ministerial n° 180/2004 de 15 de Setembro que regula sobre a qualidade da água para o consumo humano. Perante o cenário crítico de abastecimento de água, os consumidores tornam-se vulneráveis a contrair doenças devido ao consumo de água imprópria, sobretudo para famílias que não têm condições de recorrer à compra de água potável/tratada vendida em galões.

O consumo de água contaminada pode aumentar o risco de algumas doenças, como leptospirose, cólera, hepatite A, egiardíase, parasitoses intestinais, por exemplo, já que os agentes infecciosos responsáveis por essas doenças conseguem se desenvolver na água e se espalhar mais facilmente.

Em Moçambique, por exemplo, a diarreia, cólera, disenteria, além da malária que está directamente ligada à deficiência do tratamento da água de esgoto são doenças de origem hídrica.

Em 2024, cerca de 11.622.191 casos de malária resultaram em 350 mortos. A diarreia ocupou a segunda posição no contexto de doenças de origem hídrica, tendo afectado 479.774 pessoas, das quais 99 perderam a vida.

Ainda no ano passado, foram registados 8.160 casos de cólera, com 46 mortos, maioritariamente da Província de Nampula, além da disenteria que matou cinco pessoas dos 77.248 casos registados.

Apesar dos avanços institucionais e dos investimentos realizados ao longo das últimas décadas, Moçambique ainda enfrenta desafios significativos no acesso universal à água potável e ao saneamento seguro.

Os dados oficiais indicam uma cobertura relativamente elevada nas zonas urbanas, mas a realidade no terreno demonstra que o acesso contínuo à água de qualidade ainda não é uma garantia para grande parte da população.

O aumento da infra-estrutura de abastecimento nem sempre se traduz na melhoria efectiva das condições de vida, pois a distribuição irregular, a falta de manutenção e a baixa qualidade da água comprometem os benefícios esperados. As doenças hídricas, incluindo diarreias e surtos recorrentes da cólera, continuam a ter um impacto devastador na saúde pública, especialmente entre crianças, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil.

A pressão sobre as unidades sanitárias causada por essas doenças poderia ser reduzida significativamente com investimentos mais eficazes em acesso à água segura e saneamento adequado. No entanto, a governança do sector da água e saneamento ainda carece de um compromisso mais estruturado para lidar com os determinantes sociais da saúde, garantindo que os recursos destinados ao sector resultem em impactos reais e sustentáveis.

Diante desse cenário, é essencial que o sector de água e saneamento não se limite a expandir a infra-estrutura, mas priorize políticas e mecanismos que assegurem qualidade, acessibilidade e equidade no acesso.

AdRMM desmente o estudo

A Águas da Região Metropolitana de Maputo (AdRMM) refuta as alegações divulgadas, recentemente, pelo “Observatório Cidadão para a Saúde”, segundo as quais a empresa estaria a fornecer água contaminada e, por isso, imprópria para o consumo humano.

Segundo o director de Manutenção e porta-voz da AdRMM, João Francisco, citado pelo Jornal @verdade, a água fornecida às cidades de Maputo, Matola e aos distritos de Boane e Marracuene está dentro dos parâmetros recomendados internacionalmente, inclusive pelo Ministério da Saúde (MISAU) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo observados rigorosamente, durante o seu tratamento, os mais elevados padrões de qualidade com vista a garantir a remoção de partículas e micro-organismos nocivos à saúde.

A solução de tratamento da água adoptada pela empresa é convencional, com cinco etapas, nomeadamente a pré-cloração, a floculação, sedimentação, a filtração e a oxidação ou desinfecção. Este processo garante que a água distribuída à população seja segura para o consumo humano.

“Em todas estas fases do processo de produção e tratamento, há um controlo de qualidade da água e o que se espera é que ela melhore em cada uma das fases, até a última etapa. Este processo é acreditado e certificado, através da norma ISO 9001, que diz respeito à Gestão de Qualidade. De dois em dois anos, somos auditados para se aferir se efectivamente o processo está a ocorrer dentro dos padrões, ou não”.

Internamente, a AdRMM tem mecanismos de monitoria contínua, dispondo, para tal, de um laboratório acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), que faz a verificação periódica da qualidade da água, sem descurar o facto de o Ministério da Saúde realizar exames regulares para garantir a observância dos parâmetros.

“Nós efectuamos análises laboratoriais diárias, de duas em duas horas, algumas de uma em uma hora, tanto nas estações de tratamento de água de Umbelúzi e de Corumana, quanto nos centros distribuidores”.

“Temos também o regulador, como outra entidade independente, que faz a análise da qualidade da água por nós produzida e fornecida aos consumidores. Todos esses elementos constituem mecanismos de controlo que foram introduzidos no processo para assegurar que a água está com a qualidade desejada. Por isso, gostaríamos de assegurar à população da Região Metropolitana de Maputo que a água que estamos a fornecer é segura”.

Contudo, a empresa admite a existência de factores externos que podem comprometer ou alterar a qualidade da água, tais como perdas na rede, reservatórios domésticos mal conservados e a duração prolongada do armazenamento, que podem resultar em riscos de contaminação. Contra isso, “é necessário que os clientes também tenham hábitos que garantam que, de facto, a qualidade de água se mantenha segura, até ao consumo final. Aconselhamos que os clientes lavem, pelo menos uma vez por ano, os reservatórios e os recipientes que usam. Igualmente, podem adoptar métodos adicionais recomendados pelo Ministério da Saúde sempre que julgarem necessário, como é o caso do uso de purificadores de água”.

Lembre-se que em 2023, “Profundus” reportou a eclosão da cólera no dia 24 de julho do ano, onde a cidade de Nampula registou um cumulativo de 540 casos que resultaram em três óbitos. O consumo do escasso líquido do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), foi apontado pelas autoridades como uma das causas da doença.

A informação foi partilhada pelo administrador do distrito de Nampula, Abdurremane Sulemane, à margem da reunião multissectorial intencionada a monitorar e discutir estratégias de combate à cólera.

Na ocasião, o administrador Sulemane detalhou: “Ao nível do distrito de Nampula, existem furos ou focos de tubagens de água abertas em vários bairros e que os populares tiram a água e consomem-na. E o FIPAG partilhou-nos esta informação cruzada”, disse o administrador, esclarecendo que “quando a água fecha as condutas, [chupam-na] suja que havia sido aglomerada, e quando volta a sair, temos o consumo”, infectando.

Abdurremane Sulemane que falava a jornalistas no dia 31 de agosto daquele ano, disse que as amostras levadas para análise do Laboratório de Águas e Alimentos de Nampula, concluíram que mais de “50 por cento da água daqueles furos é imprópria ao nível do nosso distrito”. Esta informação, igualmente, foi contestada através daquele jornal que o faz hoje. (Profundus).

Ministério da Economia empossa 92 agentes oficiais para fortalecer propriedade industrial em Moçambique

Através do Instituto da Propriedade Industrial (IPI), foram empossados ontem, terça-feira, 92 agentes oficiais da propriedade industrial, na cidade de Maputo, com o objetivo de reforçar a proteção da pertença intelectual no país.

Segundo a Directora-Geral do IPI, Sheila Canda, Moçambique está a tornar-se cada vez mais consciente da importância da proteção intelectual.

Os agentes, antes de serem empossados foram capacitados.

”A formação durou três dias e contamos com mais de 90 candidatos a agentes oficiais da propriedade industrial. Isso demonstra que o país está a avançar e a valorizar as criações do intelecto humano, bem como a proteção das nossas inovações como nação”, explicou Sheila Canda.

Os recém-empossados destacaram o compromisso de disseminar os direitos de propriedade intelectual.

Absalão Manjate, um dos novos agentes, afirmou que “a formação permitiu-nos adquirir novos conhecimentos. Agora, precisamos de sair do campo teórico e aplicar o que aprendemos na prática, protegendo os direitos dos cidadãos e empresas. Esse é o nosso maior desafio, contribuir para a valorização da propriedade industrial em Moçambique.”

Os novos agentes, capacitados em legislação nacional e internacional, têm a missão de assessorar empresas e inventores no registo de patentes, marcas e direitos autorais, além de combater práticas ilegais.(Profundus)

 

 

 

Juiz e ginecologista acusados de corrupção

Um magistrado do Tribunal Judicial do Distrito de Manica e uma médica ginecologista obstétrica do Hospital Geral de Mavalane são acusados de corrupção. Ambos os casos revelados pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), durante a conferência de imprensa, envolvem cobranças monetárias.

Na ocasião, o porta-voz do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Romualdo Johnam, revelou casos de crime envolvendo funcionários públicos.

O magistrado “é indiciado pelo crime de corrupção de magistrados e agentes de investigação criminal, pelo facto de, na qualidade de juiz de instrução criminal, ter solicitado de um director da penitenciária distrital de Manica, com quem tem relação de amizade o montante de 100 mil meticais para decidir favoravelmente. O pedido foi para a redução da caução arbitrada para responder em liberdade provisória”, disse o porta-voz do GCCC, Romualdo Johnam Romualdo Johnam, na semana passada (17.04

O processo conta com um arguido em liberdade, acusado pelo Ministério Público em 2024 e remetido ao tribunal, no passado dia 2 de janeiro do ano em curso.

A médica afecta ao Hospital Geral de Mavalane é indiciada do crime de concussão e de abuso de cargo ou de funções pelo facto de cobrar valores indevidos a uma paciente que veio a perder a vida.

O processo, com arguida em liberdade, foi acusado no dia 25 de fevereiro do ano em curso, remetido ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e à Procuradoria-geral da República da cidade para a respectiva responsabilização pelo crime de homicídio involuntário.

A indiciada alegou para realização de consultas, a aquisição de material e intervenções cirúrgicas, violando as normas e procedimentos legais com finalidade de obter vantagens.

No que diz respeito à actividade do GCCC, o relatório do primeiro trimestre deste ano indica que foram registados 334 novos processos, somando-se a estes os 779 processos pendentes do ano anterior, totalizando assim 1.133, em comparação com os 961 do mesmo período do ano anterior. Os tipos de crime mais comuns incluem corrupção passiva para acto ilícito (130 casos), abuso de cargo ou função (54), peculato (47), corrupção activa (36) e simulação de competências (28 casos). (Profundus).

Gorongosa e parceiros numa “mesa-redonda” sobre uniões prematuras

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), apesar de impactar vidas na sua Zona de Desenvolvimento Sustentável, enfrenta desafios na defesa dos direitos da criança, principalmente da rapariga. São preocupações expostas durante a visita da Embaixadora da Holanda, Elsbeth Akkerman, ao Parque, escolhendo Anita Luís, jovem de Nhamatanda, como “embaixadora de um dia”.

Chegado a Chitengo, no dia 10 de Abril, a Embaixadora da Holanda, Elsbeth Akkerman reuniu-se numa mesa-redonda com as mulheres inspiradoras da Gorongosa para uma reflexão sobre impactos e desafios na de prevenção e combate às uniões prematuras na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG.

A mesa-redonda envolveu a Embaixadora da Holanda, assessora de Género, Juventude e Sociedade Civil, Odília Marques. Da parte do PNG, participou a Presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa, Aurora Malene, e a Directora do Departamento do Desenvolvimento Humano, Elisa Langa, entre outros representantes dos vários departamentos (Desenvolvimento Humano, Conservação, Ciência, Desenvolvimento Agrícola, Comunicação). Também esteve presente no evento a Directora Nacional da organização parceira Right to Play, Daina Mutindi, e Oficial de Capacitação, Arsénia Banze que moderou o evento e duas Oficiais de Género em representação da Resiliência

Na ocasião, a Presidente Aurora Malene defendeu que os desafios apresentados às mulheres desde criança não podem ditar o destino delas. O futuro de cada mulher tem de estar semeado no foco, no sonho e na determinação de cada uma – “não há vento que ajude quem não sabe para onde vai”. Marcou assim o início do evento, convidando a Embaixadora.

Na sua intervenção, a Elsbeth Akkerman falou do seu trabalho enquanto Embaixadora em Moçambique, apontando o compromisso com os Direitos Humanos e a importância da luta e reivindicação dos direitos das mulheres, que ainda continuam menosprezados e ignorados.

Segundo a Embaixadora, as mulheres continuam a trabalhar mais e a receber menos; continuam a ser vítimas da continuada violência machista; e vítimas de estereótipos de género que as colocam num papel secundário na sua própria vida. Isto liga-se aos casamentos precoces e forçados, uma imposição que acontece em tenra idade na vida de uma rapariga e tem consequências muito graves tanto para ela como para a sociedade.

 

Disponíveis cerca de 100 Clubes de Rapariga pela Gorongosa

O primeiro momento apresentado por Joana Diniz, gestora do Programa do Clube de Rapariga, expos a estratégia do trabalho com raparigas vulneráveis em risco de união prematura e desistência escolar. “A vida da mulher nasce com um destino pré-determinado – crescer o suficiente para depois casar, servir um homem e dar-lhes filhos. É muito mais preocupante para zonas rurais”, disse.

Um relatório de 2024, da organização não-governamental (ONG) Oxfam, aponta que 48% das raparigas nacionais casaram-se antes dos 18 anos, e 14% antes dos 15 anos, colocando Moçambique como o segundo em África Austral com mais casos deste tipo.

Nas comunidades em redor ao Parque, a lista de violações de direitos inclui uniões prematuras; gravidezes indesejadas de menores cujo parto pode levar à morte; a ideia de que uma menina menstruada não pode atravessar as ruas, logo, não pode ir à escola; violência doméstica; violência baseada no género; e abuso sexual. Contra estas práticas negativas, a Gorongosa promove cerca de 100 Clubes de Raparigas dirigidos por promotores treinados, ensinando as meninas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, matérias de literacia e numeracia, direitos e deveres da criança. Ou seja, nesses Clubes, as raparigas aprendem a conhecer melhor o seu corpo, aprendem a sonhar, a cuidar da higiene menstrual, afastar-se de comportamentos de risco e aprender a negociar com os pais a dizer “um dia caso-me, mas não já”.

 

Registados 57 casos de risco de união prematura e violência doméstica e sexual

O Programa Clube de Rapariga, implementado desde 2016, cria estratégias para manter a rapariga na escola com sessões de reforço de leitura e escrita, e também sessões de habilidades para a vida que fala directamente aos direitos das Crianças e das redes de apoio e denúncia para algum tipo de violência que podem estar a passar.

É necessário criminalizar todos os que participam, incentivam ou são cúmplices no crime da união prematura e forçada, pela Lei n.º 19/2019 – de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras em Moçambique, de 22 de Outubro.

O Clube de Rapariga trabalha em estreita colaboração com as Escolas, Serviços Sociais e Polícia, capacitando Conselhos de Escola e Comités de Protecção da Criança, divulgando a lei, mecanismos de denúncia, também focada no apoio a vítimas e resgate da rapariga em risco de união prematura.

Em 2024, o Programa Clube de Rapariga esteve envolvido directamente na denúncia e seguimento de 57 casos de risco de união prematura, violência doméstica e/ou sexual. A experiência do que é estar no campo e lidar com estas situações foi partilhada pela supervisora distrital, Fátima Chale, referindo o papel do PNG na colaboração com as entidades nestes casos.

Fátima partilhou dois casos que ocorreram no ano passado, na zona da Casa Banana e outro episódio em Vunduzi, ambos casos de violação sexual contra raparigas menores.

“As autoridades não têm recursos e meios para chegar muitas vezes a comunidades mais distantes, e em ambos os casos, de extrema urgência, o PNG comparticipou com o combustível para as viaturas chegarem e levarem os perpetuadores à justiça.”

A seguir, abriu-se espaço para debate e colocação de questões. A maioria das questões foi direccionada ao impacto e mudança de comportamento das comunidades, e também como se faz o seguimento do resgate e encaminhamento das vítimas.

 

Gorongosa incentiva meninas com 200 bolsas de estudos raparigas

Na ocasião, a Directora do Departamento do Desenvolvimento Humano, Elisa Langa, apresentou duas abordagens de maior impacto:

A intervenção dos conselhos de Escola na matéria das protecção da criança, uma vez que estão lá as mães e pais, alunos, lideranças da comunidade, e que uma vez bem organizados podem ter um impacto muito grande na identificação de casos de violação de direitos das raparigas, assim como casos de desistência escolar. O exemplo disso, é a capacitação do “Homem como parceiro”.

Recentemente, o PNG, através do Programa de Educação da Rapariga capacitou 440 “homens como parceiros” sobre todo o tipo de violência e o seu ciclo, desafiando as uniões prematuras, poligamia, agindo como homem, analisando o poder, o alcoolismo e dando espaço de igualdade para as parceiras. Até ao momento, foram abrangidas 22 Zonas de Influência Pedagógica (ZIP) na Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Cada ZIP teve 20 “homens como parceiros” entre líderes comunitários, religiosos, padrinhos, conselhos das escolas, encarregados de educação e curandeiros, sem excepção, a serem capacitados.

Pretende-se com estas capacitações, consciencializar os homens na mudança de atitudes sobre as matérias relacionadas ao Género, Violência Baseada no Género, uniões prematuras e o que é ser homem para a família e para a comunidade; consciencializar os homens das comunidades sobre a importância de ser um bom homem para a sua família; e promover a auto-estima e mudanças de comportamento e atitudes nos homens das comunidades.

Ora, depois da capacitação, todos os homens submetidos novamente a uma avaliação com as mesmas perguntas, discordaram de tudo sobre as práticas negativas contra a mulher, mas que antes da capacitação achavam correctas. Este é um sinal de que compreenderam que afinal os homens e mulheres têm os mesmos direitos e devem fazer esforços diários para servirem de exemplo nas respectivas famílias e comunidades, tornando uma sociedade harmoniosa.

A segunda estratégia prende-se com o incentivo da permanência na escola e na aposta nos estudos, através das bolsas de estudo para o ensino secundário, profissional e universitário. O Parque Nacional da Gorongosa, na sua história, já ofereceu mais de 200 bolsas de estudo a raparigas da ZDS do PNG, estando com 110 bolsas activas neste momento. O recente caso envolve a menina Jena (do distrito de Maringué) e o menino José (do distrito de Gorongosa), após ganharem o primeiro lugar do concurso de pangolim.

Ora, com esta oportunidade, Jena escapou de uma união prematura ou violência para seguir o sonho de ser fiscal do PNG. Saiu de Subue, Nhamapaza (Maringué) para estudar na vila de Gorongosa.

Inspirado na valorização das comunidades pela Gorongosa, o pangolim, altamente ameaçado e em extinção pela acção humana, o livro a ser apresentado na Espanha, cuja capa integra o desenho da vencedora Jena, leva o leitor para a protecção do mamífero, através de um mundo mágico e de fantasia.

Jena Janeiro Kenade, de 16 anos, enquanto estudava no distrito de Maringué, não se sentia à vontade. Os homens pretendentes andavam atrás dela para torná-la esposa tão criança. Aprendeu sobre os seus direitos, deveres e Conservação no Programa Clube de Raparigas, pediu ao pai para que mudasse para Nhamapaza, mas mesmo assim, a “perseguição” continuou. Hoje ganhou bolsa de estudos pelo PNG, escapando dos homens. Enquanto, nas comunidades, o pai chegou a ser acusado de amante da filha. Hoje, Janeiro Kenade passou a ser pregador das actividades de impacto do PNG, confiando na Jena, depois da primeira filha Elisa decepcioná-lo ao abandonar os estudos, tornar-se esposa e mãe tão cedo.

 

Quem é Anita Luís, embaixadora de um dia?

Anualmente, a Embaixada da Holanda promove a iniciativa “Embaixadora de um dia”, coincidentemente no mês da mulher, abril. Em 2024, Cândida Geraldo foi o destaque. Para 2025, contou com Anita Luís Américo, também de Nhamatanda.

A jovem Anita Luís Américo foi membro do Programa Clubes de Jovens do PNG, a partir de Nhamatanda. Como “Embaixadora de um dia”, assumiu o papel de líder, partilhando as preocupações da jovem mulher na zona rural face ao empoderamento feminino.

Antes de Chitengo, (Gorongosa), Anita Luís Américo reuniu-se com o edil da Cidade da Beira, capital de Sofala, Albano Carige. A jovem focou-se no combate às uniões prematuras, das respectivas desvantagens ao maior risco de perda de vida (violência sexual, doméstica, psicológica, gravidezes indesejadas e a saúde sexual reprodutiva).

No PGN, a “Embaixadora de um dia” participou de uma mesa-redonda e conheceu outras mulheres inspiradoras, além de visitas à comunidade Madzimachena, no distrito de Gorongosa.

Anita Américo é experiente em programas de criança. Conhecendo as histórias de muitas meninas submetidas a uniões prematuras na Zona de Desenvolvimento Sustentável do PNG, partilha a sua experiência contra esta má prática condenada por Lei.

Contudo, falar da luta contra uniões prematuras para o PNG, é como uma “gota de água” nos benefícios para as comunidades, desde a construção de infra-estruturas como escolas, centros de saúde, actividades integradas de agricultura de conservação com várias culturas, atribuição de bolsas de estudos, capacitações ao desenvolvimento humano. (Luísa Franque).

Sociedade Civil boicota Fórum de Consulta sobre Terras

As organizações nomeadamente, Acção Académica para Desenvolvimento das Comunidades Rurais – ADECRU, Alternativa Acção pela Emancipação Social, Associação dos Jovens Combatentes do Monte Errego – AJOCME, Justiça Ambiental – JA!, Missão Tabita, Natural Justice, Plataforma da Sociedade Civil da Província de Manica (Sociedade Civil), anunciam a sua decisão de se abster de participar na X Sessão do Fórum de Consulta sobre Terra, alegando irregularidades no processo de revisão da Lei de Terra.

Sob lema “Por um acesso equitativo, posse segura, uso sustentável da terra e outros recursos naturais, ao serviço da sociedade moçambicana”, a X Sessão do Fórum de Consulta sobre Terras (FCT) já decorre desde manhã desta segunda-feira, na cidade de Maputo, capital moçambicana.

Um comunicado da Justiça Ambiental (JA!) explica que este “boicote resulta das irregularidades persistentes no processo de consulta pública para a revisão da Lei de Terras (Lei 19/97, de 1 de Outubro), pois apesar da participação activa e o esforço daquelas desde o início do processo e da insistência na melhoria e cumprimento de normas relativas ao processo de consulta pública, particularmente a consulta às comunidades rurais, pouco ou nada tem sido acolhido ou discutido pela Comissão de Revisão da Política Nacional de Terras.

A decisão das OSC decorre de falhas críticas no processo de revisão, que comprometem a transparência, a inclusão, descentralização, prestação de contas e cumprimento das normas constitucionais, legais e dos padrões internacionais relativos a participação pública”.

As principais preocupações incluem:

– Marginalização das comunidades rurais: As consultas têm sido centradas nas zonas urbanas, excluindo mais de 65% da população rural de Moçambique, incluindo mulheres e pessoas deslocadas em regiões como Cabo Delgado. Este facto viola o direito constitucional dos moçambicanos e moçambicanas à participação na vida da Nação (Artigo 73 CRM) e a obrigação do Governo de criar mecanismos adequados para assegurar a participação pública, e sobretudo das comunidades locais, na elaboração de políticas e legislação sobre recursos naturais (artigo 8 da Lei N.20/97, de 1 de Outubro – Lei do Ambiente).

– Falta de transparência: A informação sobre o processo é de difícil acesso, disponível apenas em Português e em linguagem sofisticada, portanto, inacessível à grande maioria da população. Os documentos relevantes não estão disponíveis ao público em geral, na sua maioria são partilhados apenas via internet, uma vez mais inacessível a grande parte da população. Os contributos do público são habitualmente ignorados sem justificação e os documentos essenciais, como o glossário do AnteProjeto 3 da Lei de Terras, continuam indisponíveis, impedindo um envolvimento significativo.

– Consultas superficiais: O processo dá prioridade a resultados pré-determinados, como a digitalização do registo predial, em detrimento de um diálogo genuíno. A dependência do governo em relação às OSC para financiar e facilitar a participação rural, associada a um calendário de consultas irrealista, torna o Fórum de Consulta sobre Terras uma formalidade e não uma plataforma de co-criação de políticas.

– Ausência de mecanismos de prestação de contas (accountability): O Draft a ser apresentado ao Fórum de Consulta sobre Terra não reflete nem as contribuições das Organizações da Sociedade Civil que conseguiram participar do processo, nem ao relatório de consultas públicas elaborado pela Comissão de Revisão da Política Nacional de Terras, o que demonstra total falta de interesse na participação pública, preparação para receber contribuições do público e cultura democrática.

Ademais, nenhuma das propostas de artigos do Draft submetido ao Fórum de Consulta sobre Terra porta fundamentação.

– Riscos de violação de disposições constitucionais e de direitos humanos: o Anteprojecto de Lei de Terras introduz disposições copiadas da Lei Angolana de Terras mas se esqueceu de verificar as disposições supremas da Constituição Angolana. A título de exemplo, o Anteprojeto de Lei de Terras copiou da Lei Angolana os domínios privados e particulares de terras sem sequer verificar os arranjos constitucionais feitos por aquele país para permitir a criação de regimes dominiais privativos. A Constituição moçambicana dispõe sobre domínio público, do Estado, das Autarquias Locais e Comunidades Locais. Para que uma lei criasse tais domínios privativos e particulares, dever-se-ia, antes de mais assegurar que a Lei suprema do Estado, cria condições para tal.  Outros riscos resultam dos artigos 137º, 139º e 140º do Anteprojecto que permitem que os projectos privados extingam os direitos de uso da terra existentes (DUAT), arriscando deslocações forçadas e contradizendo as protecções constitucionais (Artigo 111º CRM) incluindo o próprio texto do Anteprojecto que pretende dar garantias do direito de propriedade ao DUAT, de apenas ser limitado em caso de interesse, utilidade e necessidade pública. A eliminação do Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), previsto nas versões anteriores põe ainda mais em risco os direitos das comunidades.

O Fórum de Consulta sobre Terra, tal como está actualmente estruturado, não cumpre os padrões básicos de inclusão e transparência. Enquanto organizações da sociedade civil que defendem direitos e inclusão, não vamos participar nem tão pouco legitimar o processo até que o governo se comprometa com um processo genuinamente participativo que respeite os direitos de todos os moçambicanos.

“Não podemos legitimar um processo que exclui as próprias comunidades cujas vidas dependem da terra”.

As OSCs exigem que ao Governo de Moçambique e aos financiadores do processo, entre estes o Banco Mundial para a:

– Suspensão do Fórum e definição de uma metodologia e calendário de consultas públicas que possa assegurar a inclusão das comunidades rurais, garantindo a equidade de género e a acessibilidade linguística;

– Publicação de toda a documentação detalhada e uma metodologia para incorporar os contributos do público, em linguagem acessível e nas principais línguas locais;

– Assegurar que o processo de revisão da Lei de Terras, resulte numa Lei de Terras que reflicta e defenda os interesses legítimos dos moçambicanos e salvaguarde os direitos históricos das comunidades sobre a terra.

Nossa Terra Nossa Vida!

Nada Para Nós Sem Nós! (Profundus).

Sensibilizações comunitárias resultam na redução de caça furtiva no distrito de Gorongosa

A matriz apresentada no dia 24 de Fevereiro de 2025, pela comunidade de Canda indica uma tendência de redução da caça furtiva e respectivas armadilhas no Parque Nacional da Gorongosa e sua ZDS. De 2021 a 2024, a diminuição foi tão significativa que chegou a ter zero em alguns casos, como resultado de sensibilizações comunitárias de animadores no Posto Administrativo de Nhamadzi- Canda.

Amélia Melo, membro do Comité de Gestão de Recursos Naturais de Canda, apresentou estes dados durante a visita de campo da equipa de implementação do Programa “Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência sobre as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa”, (SLDP), mostrando os resultados das actividades impactantes na vida das comunidades.

Em (2021), registaram 92 casos de caça, reduzindo para 60 (2022); 37 (2023) e 13 (2024). Detalhadamente, a partir de 2021, reduziram as armadilhas mecânicas, de 11 para 9 (2022), 7 (2023) e 5 (2024); de 8 ratoeiras diminuíram para 7, 4 e 2; de 12 redes de pesca baixaram para 9, 6 e 3; de 11 pás para 8, 5 e 2; de 9 cerras de madeira para 7, 4 e 1; de 6 cabos de aço para 3, 1 e 0; e de 35 pranchas de madeira para 17, 10 e 0, correspondentemente.

Estas apreensões resultaram do aumento de membros sensibilizados nas comunidades por ano. Ora, em 2021, foram realizadas 600 palestras por 15 animadores alcançando 1.867 homens e 1.344 mulheres; 2022, com o mesmo número de animadores e palestras alcançaram 2.141 homens e 1.786 mulheres; 2023, com o mesmo número de animadores e palestras abrangeram 2.264 homens e 1.821 mulheres; e já em 2024, o número de animadores aumentou para 55 e 2.200 palestras alcançando 28.359 homens e 19.625 mulheres.

As comunidades também reflorestam as áreas degradadas. Nos últimos dois anos, produziram 13 mil mudas e plantaram-nas em 12 hectares, para além da realização do manejo de regeneração em 3,7 hectares nas zonas de Domba, Magala, Nhandar e Canda. Já para 2025, a produção deverá ser de 17.500 mudas para plantar pelo menos 8.000 numa área de 6 hectares.

 

“Havia muito desmatamento, mas agora não há”

“Na Serra da Gorongosa, havia muito desmatamento, mas hoje graças aos fiscais e ao Comité, as comunidades já estão cientes de não cortar as árvores, até mesmo [contra] a caça dos animais. Significa que a população já sabe [porque deve conservar] ”, descreve o substituto do Chefe do Posto Administrativo de Nhamadzi – Canda, António Tomás Vernijo, apontando as vantagens das árvores onde habitualmente decorrem reuniões, que dão sombra.

O líder comunitário de Domba em Canda, João Juvêncio Paulo, também descreve o impacto da Conservação, envolvendo a sua comunidade. Neste momento, colhe as sementes enquanto “planta as mudas em coordenação com o Comité de Gestão de Recursos Naturais”. (Progressus).

COBRADOS PROPINAS SEM AULAS: Estudantes querem manifestar na UNILÚRIO

Os estudantes querem manifestar em cinco dias, a partir de hoje, segunda-feira, pacificamente contra a paralisação das aulas. Se inscreveram e pagaram as propinas mensais na Universidade Lúrio (UNILÚRIO), província de Nampula, norte de Moçambique, mas não estão a estudar mesmo depois de vários encontros sem solução.

“Os estudantes dos cursos pós-laborais de Enfermagem Geral, Psicologia Clínica e Administração e Gestão em Saúde da Faculdade de Ciências de Saúde da Universidade Lúrio –Nampula, vem mui respeitosamente comunicar a Exma Senhora Directora da Faculdade […] que quer irão fazer manifestação pacifica num período de cinco dias intercalados, uma vez por semana” a começar hoje, “segunda-feira das 8h-12h”, lê-se numa nota informativa dos estudantes.

“As aulas tiveram o seu início em março, mas os estudantes não estão a ter”, apesar de serem “exigidos a se inscrever e pagar propinas mensais de março e abril. A Direcção está a cobrar as mensalidades aos estudantes sabendo que não está a dar aulas”, reconhecem os lesados.

A carta datada de 25 de abril, igualmente foi encaminhada à Faculdade.

O documento a que o “Profundus” teve acesso aponta que “os estudantes já tiveram vários encontros com a Direcção da Faculdade de Ciências de Saúde, mas sem soluções plausíveis”.

“Existem estudantes de famílias oriundas das outras províncias do país que arrendam casas, mas os seus sonhos ou mesmo os objectivos [estão a ser] fracassados”, lamentam. (Profundus).

VIJARONA CANDA: Uma prova de impacto para melhoria de vida das comunidades através da agricultura

Vijarona  imortaliza o nome de Canda como filho nativo da terra do mesmo nome, no Posto Administrativo de Nhamadzi, distrito de Gorongosa. É pai de oito filhos e agora projecta a sua família para o futuro depois de conseguir 236.200 Meticais ganhos pela prática de agricultura.

Vijarona Canda tornou-se beneficiário do projecto de agricultura em Setembro de 2023. Desde então, recebe assistência técnica e treinamento em boas práticas culturais, além de receber sementes de milho, gergelim, feijão vulgar e feijão boer para a estação de sequeiro, e tomate, repolho, cebola e quiabo na estação irrigada.

Vijarona, no total, tem 4 hectares de área onde produz diversos alimentos, na sua maioria para vender, e os lucros servem de ajuda para formar os seus filhos.

Na última temporada irrigada, Vijarona  Canda conseguiu produzir 8.750 kg de repolho, desta quantidade, vendeu 8.715 kg, lucrando 24.900,00Mt; produziu 4.095 kg de tomate, vendeu 4.072 kg que lhe renderam um valor de 36.200,00Mt; produziu 75 kg de cebola e obteve uma renda de 1.500,00Mt pela sua venda de 50 kg. O resto destes produtos usou para o consumo familiar, garantindo a segurança alimentar e combatendo a desnutrição.

Uma parte dos lucros foram aplicados para pagar a primeira parcela do co-financiamento da bomba solar fornecida pelo SLDP. Enquanto a outra parte aplicou nas despesas da formação do seu filho no Instituto Agrícola de Púngue.

Ainda em 2024, na estação de sequeiro, Canda produziu 5.500 kg de milho, dos quais comercializou 4.000 kg ganhando 80.000,00 Mt. O restante 1.500 kg consumiu, mas reservou a semente para a produção de 2025 a qual está projectada para ultrapassar os ganhos passados.

Na mesma época, produziu 250 kg de gergelim, tendo comercializado 235 kg, rendendo-lhe 14.100,00 Mt, e os restantes 15 kg para o consumo e semente na próxima produção; dos 400 kg de feijão-fradinho, vendeu 350 kg ganhando 52.500,00 Mt, e os 50 kg restantes consumiu; dos 150 kg de feijão-boer, vendeu 135 kg, tendo lucrado 27.000,00 Mt, e os restantes 15 kg guardou para usar como semente. Os lucros destas vendas o ajudaram a comprar um terreno na zona de Mapombué, na vila municipal de Gorongosa, pagar as despesas da sua machamba, garantindo subsídio dos seus trabalhadores sazonais, comprar sementes de milho para continuar a produção e atender algumas necessidades domésticas.

Canda está focado nas iniciativas do SLDP porque quer melhorar a vida, apostando na formação dos seus filhos e a construir a sua casa moderna, através da agricultura.

Vijarona  Canda é uma evidência de que os projectos bem aplicados transformam a vida das comunidades praticando por exemplo, agricultura – uma grande oportunidade contra a pobreza em Moçambique. (Progressus).

Dia do Trabalhador: Trabalhadores da Tmcel antecipam “indisponibilidade” por insatisfação interna

Os trabalhadores da Tmcel anteciparam a sua indisponibilidade para as comemorações do Dia Internacional do Trabalhador, 1 de Maio, próximo. Esta decisão resulta da insatisfação na concertação social, carreiras profissionais da Tmcel e harmonização salarial, subsídio de férias 2023, 13º salário e processos disciplinares a parte dos trabalhadores que se manifestaram, entre outros.

O documento dirigido ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações de Moçambique (SINTELMO), com Ref08/CE/TMCEL/2025 do Comité da Tmcel, datado de 17 de abril, antecipa:

“Os trabalhadores decidiram em assembleia que não estarão disponíveis para participar nas cerimónias comemorativas do Dia Internacional do Trabalhador, a realizar-se no dia 1 de Maio de 2025, pelo facto de não reunirem condições psicológicas e morais para o efeito, que deriva do incumprimento na satisfação dos seus direitos, dos quais:

  1. Concertação social;
  2. Carreiras profissionais da Tmcel e harmonização salarial,
  3. Subsídio de férias 2023,
  4. 13º Salário e
  5. Processos disciplinares a parte dos trabalhadores que se manifestaram, entre outros.

Os trabalhadores reconhecem que estão cientes da perda de oportunidade ao não fazerem parte deste evento histórico, mas a degradação contínua do clima e ambiente institucionais contribuem para este desfecho. (Profundus).

LAM: Redução de aeronaves força reajuste de voos

Desde última terça-feira, as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) passaram a operar com apenas três aeronaves, no território nacional. A decisão resulta da retirada das aeronaves CRJ 900.

Desde o dia do anúncio, a LAM integrou “uma aeronave Embraer 145, passando a contar com três aeronaves que vão assegurar as ligações aéreas nos próximos 15 dias”. Entretanto, a companhia não avança o número de aviões retirados e respectivas causas.

“Foram igualmente reforçadas as equipas técnicas para assistência de qualidade ao cliente, bem como dos mecanismos de comunicação, que incluem as redes sociais da empresa”.

Há anos que a companhia estatal LAM (bandeira de Moçambique) enfrenta problemas operacionais pela redução e insuficiência de investimentos. (Profundus).

Jornal Profundus

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