PRODUÇÃO PELA GORONGOSA: Caju sobe de duas para potenciais mais de cinco toneladas por ano

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) está a expandir a produção de caju numa área total de 200 hectares, dos quais 20 hectares já se encontram demarcados de forma faseada, no posto administrativo de Savane, em Dondo, província de Sofala. Este ano, só naquele distrito, a previsão é de produzir 5.223 quilogramas de caju (5 toneladas), ultrapassando os 2.460 (duas toneladas) de 2025 e 540 kgs (metade de uma tonelada) de 2024.

Recentemente, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Dondo, procedeu com o campo de plantio de mudas num campo dividido em blocos de 10 hectares, separados por arruamentos de 10 metros, com demarcação feita a um compasso de 5 por 5 metros. E cada hectare com 400 cajueiros. Estas técnicas permitem o alinhamento, o controlo e a fácil contagem das plantas, além da pretensão de maximizar a produtividade e facilitar a gestão agrícola.

A iniciativa insere-se no programa de fomento agrícola do PNG e visa reforçar a produção do caju, garantir o alinhamento técnico das plantas e maximizar a produtividade.

Nos 200 hectares para o plantio de mudas de caju, serão 80 mil plantas no terreno. As técnicas a serem aplicadas

Segundo o Coordenador do Programa de Agricultura em Nhamatanda e Dondo, Orlando Pinto, o projecto tem um forte impacto socioeconómico e visa essencialmente melhorar as condições de vida das famílias da Zona de Desenvolvimento Sustentável.

Orlando Pinto falando no campo de plantio de mudas de caju, explicou que “o objectivo principal é melhorar o rendimento familiar através da venda da castanha de caju. Não temos uma meta fixa de beneficiários, porque cada produtor entra no programa por livre vontade, desde que tenha pelo menos um hectare disponível para a produção”, afirmou Orlando Pinto.

Em dezembro de 2023, o PNG assinou um memorando de entendimento de 5 anos com o Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM) que permitirá a colaboração através de três principais linhas estratégicas de actuação: promoção da cultura do caju por meio da produção orgânica; processamento e agregação de valor através da instalação de uma fábrica que aumentará o uso total de caju; cooperação técnica entre as partes com foco nos produtores nos distritos abrangidos.

Inicialmente, o PNG previa a instalação de uma unidade de processamento de castanha de caju no distrito de Gorongosa. Mas por agora, primeiro, “atacamos dois objectivos-chave: o aumento da renda das famílias e o reflorestamento da Zona Tampão [ou Zona de Desenvolvimento Sustentável”, sublinhou Orlando Pinto.

Os técnicos do Parque Nacional da Gorongosa distribuem as mudas de caju aos agricultores e dão-lhes assistência técnica e posteriormente auxiliam no processo de venda do caju, com um financiamento da Embaixada da Noruega em Moçambique.

O plano da Gorongosa é garantir que haja um benefício duplo ao abrir a fruta, caju, para extrair amêndoas a exportar aos mercados americano e europeu. E a castanha, extrair os óleos como o CSNL (Cashew Nuts Shell Liquid) para exportar ao mercado asiático. Além da ideia de se fazer sumo de caju a partir das frutas.

O PNG estabeleceu uma parceria com a empresa Condores, sediada na província de Gaza, responsável pelo processamento da castanha produzida pelas famílias da Zona Tampão.

“Toda a castanha produzida e transportada para a Companhia que faz a transferência dos valores monetários ao Parque. E o Parque procede ao pagamento às famílias produtoras”, explicou o coordenador.

A produção de castanha acontece os seis distritos considerados Zona de Desenvolvimento Sustentável ou Zona Tampão do PNG e com impacto na vida das comunidades. Em 2024, por exemplo, a produção foi de 540 kg, evoluindo para 2460 kg (2025), já para 2026, o Parque prevê produzir 5.223 quilogramas (5 toneladas).

“No passado, as comunidades da zona tampão não tinham hábito de produzir caju porque não conheciam o seu valor comercial. Hoje, os produtores que já colhem e vendem grandes quantidades estão a servir de exemplo para outros, o que explica a grande procura pelo programa”, destacou Orlando Pinto.

Nesse contexto, os produtores comparticipam nos custos de assistência. “Os beneficiários comparticipam com 20 a 30 por cento nos custos de polinização, tratamentos e assistência técnica, e no momento da comercialização contribuem com 30 por cento do valor da venda da castanha”, explicou, afinal, apesar dos avanços, o programa enfrenta limitações de recursos.

Carlitos Bismato, com dois hectares de terra já é testemunho pelos ganhos depois de vender a castanha e caju. “Com aquele dinheiro comprei comida e algumas chapas para cobrir a casa. Este ano espero ultrapassar a produção e o rendimento, para comprar uma cama, cadeiras, uma motorizada e terminar a minha casa”, partilhou a sua experiência no campo de produção, na companhia da sua esposa.

Numa primeira fase, “consegui cerca de 7 mil meticais. Comprei comida, roupas para as crianças, pratos e panelas. O caju já faz parte da nossa vida e hoje sentimos que o nosso trabalho vale a pena”, disse Alice Luís, outra produtora, ainda em Dondo.

O projecto do caju começou em 2017 com o objectivo de reflorestar as comunidades à volta do Parque e de aumentar a sua renda.

O projecto arrancou com 50 mil mudas para beneficiar e trabalhar com cerca de 3.800 agricultores das quais 34 por cento são mulheres da zona tampão. Mas hoje, o número subiu para 4.542 produtores, sendo 1.660 mulheres e 70.144 cajueiros em idade reprodutiva. E 2025 inclui a previsão de 7.000 agricultores emergentes, além do foco nos mercados internacionais.  (Muamine Benjamim e Narcísio Cantanha).


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