Quinhentas toneladas de ajuda alimentar para crianças desnutridas apodrecem em Dubai após fim do apoio dos EUA

O governo Trump se viu em um dilema na quarta-feira (16), após revelações da imprensa americana de que toneladas de alimentos destinados a 27 mil crianças desnutridas do Paquistão e Afeganistão serão incinerados por estarem vencidos, em um momento em que os Estados Unidos estão reduzindo drasticamente sua ajuda internacional.

Na quinta-feira (17), por esforços da Casa Branca e da comissão Doge criada por Elon Musk, o Senado dos EUA aprovou um projecto de lei que permitirá ao governo evitar gastos de cerca de US$ 9 bilhões em fundos públicos, principalmente destinados à ajuda internacional.

Michael Rigas, chefe de administração e pessoal do Departamento de Estado, foi questionado sobre esse assunto perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado. Pressionado pelo democrata Tim Kaine, ele reconheceu que essa ajuda alimentar seria de fato destruída.

“Sabendo há meses que esses alimentos têm data de validade, por que o Departamento de Estado decidiu queimá-los em vez de distribuí-los a crianças famintas?”, criticou o senador. “Não tenho uma resposta satisfatória para essa pergunta, estou tão angustiado quanto você”, respondeu Michael Rigas.

US$ 130 mil serão gastos para incinerar US$ 800 mil em alimentos

O senador Kaine disse que havia levantado a questão com o secretário de Estado Marco Rubio já em março e lamentou o facto de que nada havia sido feito, com o governo “preferindo manter o depósito fechado, deixar os alimentos expirarem e depois queimá-los”, acusou.

Michael Rigas finalmente reconheceu que isso era uma consequência directa do fechamento da USAID. Diante dos senadores, ele prometeu investigar a polémica.

De acordo com a revista The Atlantic, os Estados Unidos compraram pacotes de biscoitos no final do governo de Joe Biden por cerca de US$ 800 mil. Por fim, os americanos gastarão mais US$ 130 mil para destruí-los. No total, serão 500 toneladas de alimentos estagnados em Dubai, antes destinados a alimentar 27 mil crianças com desnutrição aguda no Afeganistão e no Paquistão.

Depois de mais de seis décadas, a USAID deixou de existir oficialmente em 1º de julho como parte dos enormes cortes orçamentários buscados pelo governo Trump, que considerou que a USAID não estava atendendo aos interesses dos Estados Unidos.

A agência foi incorporada ao Departamento de Estado. O seu fechamento repentino causou uma crise nos círculos de distribuição de ajuda humanitária.

São 133 países do mundo afectados pelo encerramento definitivo da USAID. Resultados desses países estimam que o financiamento da USAID evitou 91 milhões de mortes nos países em desenvolvimento entre 2001 e 2021.

Um estudo coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e publicado na última edição da prestigiada revista médica “The Lancet” alertou que a destruição da USAID poderá interromper, e até mesmo reverter, “duas décadas de progresso na saúde entre populações vulneráveis”.

Os cortes podem levar a mais de 14 milhões de mortes evitáveis até 2030, segundo as projecções. Este número inclui mais de 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos, ou cerca de 700 mil mortes de crianças por ano.

Na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Moçambique foi o mais beneficiado da ajuda do governo americano, ao receber mais de 329,4 milhões de USD através da USAID.

Moçambique não tem ainda solução imediata, mas assegurou que vai criar novas oportunidades de emprego para os mais de 2.500 moçambicanos que ficaram desempregados devido ao encerramento definitivo da USAID.

O governo de Moçambique não está a contratar para a função pública até 2028.

Enquanto a Organização Não-Governamental, Fundação Greg Carr, através do seu Projecto de Restauração da Gorongosa, enquadrou os profissionais que trabalhavam na USAID aos diversos Programas existentes, impactando vidas nas comunidades consideradas Zona de Desenvolvimento Sustentável, como o distrito de Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Cheringoma, Muanza e Maringué.


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