QUITÉRIA ARMANDO DECRESSE: Menor desaparecida em pleno “Dia dos Heróis” em Nhamatanda

Quitéria Armando Decresse menor de 2 anos e 3 meses, é a segunda sorte do casal Armando. Desapareceu em plena luz do Dia dos Heróis Moçambicanos, 3 de Fevereiro, às 9 horas, dentro do 9.º bairro – Eduardo Mondlane, vila municipal de Nhamatanda, depois dos seus pais saírem à procura de lenha e carvão.

Naquele dia, Quitéria Armando Decresse estava sem blusa, usava saia de cor preta e chinelos de cor branca. Também brincava com uma capulana cortada, na mesma Unidade B, onde reside.

“Eu tinha ido em busca de carvão no forno. Quando regressei a casa não encontrei a minha esposa e a minha criança. Esperei um pouco, a minha esposa apareceu e perguntei onde estava a criança, ela garantiu que estava a brincar com os amiguinhos”, contou o pai Armando Decresse.

“Levei os sacos de carvão para fazer a entrega ao cliente. Quando estava a regressar, no caminho, cruzei com um vizinho que me perguntou se eu tinha informação através da minha esposa”. Afinal, já estavam à procura da criança.

“Quando perguntei onde brincava a criança, disseram-me que estava no fontanário [localizado no centro da zona]. De repente começou a chorar”, procurando pelos parentes, mas a mãe já tinha saído à procura de lenha.

“Deixamos a Quitéria em casa da vizinha ao lado do fontanário. A nossa criança está um pouco crescida em relação a outra de 1 ano com quem ficou a brincar”. Era hábito, mesmo quando um dos vizinhos quisesse sair, confiava no outro para o cuidado dos menores.

Acontece que naquele dia, as duas esposas vizinhas saíram juntas à procura de lenha. A busca pelo material para confeccionar alimentos não demorou, mas quando as mães regressaram, Quitéria já não estava entre as crianças que brincavam na principal rua da zona.

O facto já é do conhecimento do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e Polícia da República de Moçambique (PRM). Também estão de olhos.

O pai da desaparecida recorreu a uma rádio para anunciar, cobraram-lhe 300 meticais. Faria também na outra rádio, mas já não tinha dinheiro para pagar.

Os vizinhos dizem que nada viram.

Apesar de ter residências, o ambiente verdejante por se tratar de época de produção agrícola, fecha de alguma forma a visibilidade local, além de vários caminhos que possibilitam entrada e saída do bairro sem devido policiamento para o acesso à Estrada Nacional Número Seis (EN6).

A AMETRAMO dentre as várias descrições, culpa “Rosa Nhaminisse e Folho Armando Albino que levaram a menor”.

No documento na posse do “Profundus”, AMETRAMO alega que a família da vítima assistiu na Sede da Associação o desenrolar de “tudo aquilo que aconteceu com a menor”.

O documento da AMETRAMO datado de 8 de fevereiro de 2026, cinco dias depois do desaparecimento da criança, é uma resposta das autoridades comunitárias ao solicitarem a sua intervenção. Mas sucede que depois dos nomes apontados, o medo de acusar as pessoas sem provas materiais pairou, portanto, sem intervenção dos homens da lei.

 

Medo instalado

O secretário do 9.º bairro – Eduardo Mondlane, Sozinho Creva Chapo, confirmou o medo com o desaparecimento da menor.

O secretário questiona-se como desapareceu a criança “dentro da comunidade com pessoas de perto”. Para o bairro, é o primeiro caso de desaparecimento de uma criança.

Completando uma semana do desaparecimento da menor, a liderança comunitária reuniu-se na última terça-feira, juntando os residentes daquela zona, para sensibilizar a todos estarem preocupados na vigilância contra desordem, garantindo a paz. O medo mantem-se.

 

Vulnerabilidade de segurança

Nhamatanda é um distrito da província de Sofala, na região central de Moçambique, com sede na Vila de Nhamatanda. Tem limite, a norte com o distrito de Gorongosa pela Estrada Nacional Número Um (EN1) que liga ao Norte e sul de Moçambique, a leste com o distrito do Dondo pela EN6 e mais adiante está a cidade portuária Beira; a sul com o distrito do Búzi, limítrofe com a região sul de Moçambique; a noroeste com os distritos de Chibabava e a oeste com o distrito de Gondola da província de Manica. Portanto, tem muitas vias de acesso terrestre.

A leste da vila de Nhamatanda está o bairro onde residia e desapareceu a criança, com fácil acesso da EN6 na zona depois da portagem. Onde dá acesso antes da portagem, para quem sai da cidade da Beira, desviando internamente em Nhamatanda pode sobressair pelo 5.º bairro – Eduardo Mondlane, passando pela zona do cemitério, conectando-se a EN6 na zona do Complexo 2020 via Inchope – limite com a província de Manica. Está em causa a segurança terrestre da vila municipal, do 9.º bairro aos restantes bairros.

No bairro onde desapareceu a criança, existe um policiamento comunitário sem mínimo equipamento de segurança, apenas para o ladrão de pato ou lâmpada. Mas a noite, de carro, passa a madeira, tal como os carros com vidros fumados, afinal, é possível escapar a Polícia Trânsito e portagem localizados no “coração” e no fim da vila de Nhamatanda respectivamente, pela EN6, em direcção aos distritos vizinhos, Dondo e Beira. (Muamine Benjamim).


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