Técnicas ensinadas que salvam comunidades da desnutrição e garantem comida em tempos de escassez

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG), através do Programa de Saúde e Nutrição, transmite conhecimentos sobre as técnicas de secagem e processamento de alimentos nas comunidades para conservar os produtos produzidos localmente, combater a desnutrição e a insegurança alimentar. A comunidade de Madzimachena, no interior do distrito de Gorongosa é uma delas que, ainda sem condições financeiras para conservar os alimentos frescos por muito tempo, já lhe foi ensinada técnicas simples e sem custos monetários.

A aprendizagem envolve pais-modelo, mães-modelo e líderes comunitários que depois transmitem aos outros, localmente, cujo foco é reforçar a ligação entre conceitos aprendidos e práticas familiares.

A mãe-modelo, Vitória Joaquim, explicou a importância de aplicar essas técnicas. “É porque facilita a conservação dos nossos produtos em tempos que não conseguiríamos fazer, garantindo ainda a sua qualidade nutricional. Também, usamos esses alimentos processados para combater a má nutrição. [Por exemplo], fazemos papas enriquecidas, misturando farinha de milho e farinha de moringa, como principais produtos. Com essas técnicas “já sei a utilidade de alimentos que pensávamos que já estão estragados. Tirava muita verdura do campo de produção, acabava de deitar uma parte porque não sabia conservá-la sem geleira, mas agora combatemos a fome porque o produto tem sempre utilidade”.

As comunidades já sabem que as verduras, feijões, mandioca, batatas e outros alimentos podem ser processados. A forma de conservar ou processar vai depender do tipo de alimento. E a quantidade do produto é que vai ditar o tempo que o produto precisa levar no seu processo de secagem e processamento, para não perder total propriedade nutricional.

“Tiro a mandioca, descasco, lavo, corto em pequenos pedaços e deixo a secar ao sol pelo menos por duas semanas. Depois, conservo, garantindo a propriedade nutricional”, explicou a mãe-modelo. A mandioca seca cozida substitui o pão, além de que com a farinha pode se fazer xima.

Duas semanas são suficientes para a mandioca secar prontamente num lugar limpo. Podendo moer com pilador para depois ceifar (caso da farinha), ou simplesmente guardar em pedaços secos (para ferver como tubérculo).

O Promotor da Saúde e Nutrição, Tambura Martinho António explicou como tem usado essas técnicas. Com os produtos produzidos localmente, “temos ensinado as pessoas da comunidade”, para garantirem que os alimentos existam até no tempo de escassez. “Por exemplo, temos tempo que a couve não existe, mas com a técnica de secagem e processamento, garantimos a sua existência.

Tambura Martinho António chama atenção que quando não são aplicadas as técnicas certas para a sua conservação, os produtos perdem cedo o valor nutricional.

“A minha vida mudou com essas técnicas. Minha filha foi diagnosticada com anemia, mas porque agora conheço o valor nutritivo dos alimentos e prolongar o seu tempo útil, usei a beterraba processada contra esta doença”. O problema passou. “Hoje não só combatemos a insuficiência de sangue no corpo, mas também outras doenças que antes consideravamos feitiços e recorríamos aos curandeiros”. Com esta aprendizagem, “já entendemos que podemos combater a má nutrição com os nossos alimentos locais”, explicou a mãe-modelo, Fernanda Felisberto Jacopo, apelando a Gorongosa a continuar com essas iniciativas de impacto comunitário.

Essas técnicas expostas pela comunidade no dia 9 de Dezembro de 2025, também foram apresentadas na visita do Comité de Pilotagem do SLDP composto por administradores e directores distritais, líderes comunitários e presidentes dos Comités de Gestão de Recursos Naturais dos seis distritos, representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), directores provinciais do Meio Ambiente e de Agricultura e a Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique, no dia 17 de Setembro de 2025. (Ana Cleta de Lopes Coimbra/PROGRESSUS).


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