Em três dias consecutivos, (23 a 25 de dezembro último), o distrito de Nhamatanda registou chuvas moderadas a forte acompanhadas de descargas atmosféricas em toda a região. Consequentemente, as águas forçaram cerca de 2.211 famílias correspondentes a 7.966 pessoas (3.180 homens e 4.788 mulheres) incluindo 2.537 crianças a abandonarem as respectivas residências e recorrerem aos centros de acomodação temporários e uma área de 1.847,39 hectares de produção agrícola foi perdida. No mesmo período, uma menor de 4 anos morreu.
O cenário piorou com a subida dos caudais e transbordo dos rios Púnguè, Metuchira, Muda, Mecuzi, Mbimbir, Macorococho, Halumua e Mucombezi, provocando inundações nas comunidades próximas.
Em entrevista exclusiva ao “Profundus”, o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, explicou que uma menor de 4 anos morreu afogada no poço durante as chuvas dos dias 23 a 25 de dezembro último, na vila municipal de Nhamatanda.
Segundo o boletim de actualização 05/ COE/GDN/ 30.12.2025, as inundações nos campos agrícolas afectaram 3.212,50 hectares de 4.126 famílias com culturas diversas, sendo perdida uma área de 1.847,39 e 49.900 hectares afectados.
Para acomodar as famílias, foram criados 11 centros de acomodação, sendo três na localidade de Bebedo, um em Tica e sete em Nhampoca. Mas todos já foram desactivados depois das águas baixarem, motivando o regresso das famílias às respectivas residências.
Um total de 9.853 cabeças de gados bovinos em risco sendo, 13.444 pequenos ruminantes, 3.221 suínos e 112.442 aves, nas zonas de Tica sede, Muda Mufo, Macumba 2, Mosca de Sono, Sovim, Ndeja, Mazongoro, Nhanguro, Lamego Sede e nas proximidades do rio Muda, Mecuzi, Mapalanhanga, Cherezi, Halumua e Metuchira Pita. E 12 curais de bovinos submersos. As inundações mataram seis vitelos, nove leitões e dois cabritos.
Quatro centros de saúde foram afectados, nas localidades de Bebedo, Siluvo e Matenga.
No mesmo período, os centros de Saúde de Vinho e Mutondo encontravam-se com pátios alagados.
O Centro de Saúde de Mecuzi Phuazi e de Chiro foram isolados das comunidades devido à intransitabilidade das vias de acesso.
Duas escolas afectadas, nas localidades de Bebedo e Nhampoca: Escola Primária de Nhaminimini – Bebedo, com pátio alagado, contando com 569 alunos, sendo 275 mulheres e com apoio de seis professores, afectadas seis salas de aulas, um bloco administrativo e duas casas de professores; e Escola Primária Filipe Jacinto Nyusi – Nhampoca com pátio inundado, onde atendia 231 alunos, sendo 88 mulheres com quatro professores, afectando três salas de aulas.
As vias de acesso da vila de Nhamatanda ao bairro Mapalanhanga, Bebedo sede a Vinho, vila sede de Metuchira Pita – Nhampoca, vila sede a Chirassicua; Matenga sede a Mucombezi, Mbimbir a Muscavo Viega, Nharchonga a Muda Nhauriri, Lamego a Macumba, Lamego a Ngueneia, Lamego a Magomo, Lamego a Nhazimbingue, Metuchira a Matenga, Muda a Nhampoca ficam intransitáveis, criando barreiras de comunicação rodoviária tanto para apoiar as vítimas ou mesmo para descrever a situação real numa zona onde a rede de telefonia móvel ainda é também um desafio.
O Centro Aberto da cadeia no povoado de Ndeja encontrava-se sitiado afectando 19 reclusos. Todos recorreram à Escola Básica de Mazongoro.
Neste momento, Manuel Jardim e o seu executivo estão a planificar sobre a reconstrução com material básico para as famílias afectadas.
Nhamatanda recebeu do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres (INGD), os produtos alimentares e não alimentares para pré-posicionamento da época chuvosa e ciclónica 2025/2026, oito toneladas de farinha milho (320 sacos de 25 kgs); duas toneladas de arroz (80 sacos de 25kgs); duas toneladas de feijão (40 sacos de feijão), e 1.200 Litros de óleo de cozinha; 200 Kg de açúcar; 100 Kg de Sal; quatro panelas; e 13 lotes de lona com 5 unidades cada.
Uma parte dessa quantidade já foi usada. Foram entregues 35 sacos de arroz de 25 Kg, 61 sacos de farinha de 25 Kg, nove sacos de feijão de 50 Kg e 168 litros de óleo de cozinha aos três Centros de abrigo temporário em Bebedo e Tica, cinco centros de acomodação de EPC-Vinho, Mutondo- Armazém, Mutondo- Igreja e Muda Mufo e Nhantiquirique nas primeiras 72 horas das inundações.
Houve, também, a entrega de 20 coletes salva-vidas aos comités de gestão na localidade de Lamego.
No mesmo período, segundo o administrador de Nhamatanda, Manuel Jardim, uma menor de 4 anos morreu afogada no poço, no bairro Kura, dentro da vila de Nhamatanda.
Mas antes das inundações, o distrito registou duas mortes por descargas atmosféricas (um rapaz na localidade de Matenga e uma mulher na localidade de Chirassicua). Portanto, três mortos no primeiro trimestre da época chuvosa (outubro, novembro e dezembro).
O Governo vai continuar a sensibilizar as comunidades sobre a época chuvosa e ciclónica 2025/2026, levantar os danos causados pelas chuvas; monitorar permanentemente as famílias que estão afectadas, e sensibilizar as famílias a não regressarem às zonas baixas.
Entretanto, Nhamatanda não tem combustível suficiente para monitorar as comunidades, e não tem embarcações para Metuchira Pita e Muda, dando acesso a Nhampoca, interior da localidade de Lamego – a mais afectada.
Para assistir às vítimas, o Governo ainda necessita de 125 tendas e 500 lonas para famílias com casas destruídas parcial e totalmente; combustível (2.000 litros de diesel e 400 de gasolina), para fazer face à deslocação de assistência; 15.000 unidades do purificador de água (Certeza); 500 Kg de cloro; 2.500 redes mosquiteiras; 8.000 pratos plásticos; 8.000 copos plásticos; 701 esteiras; 100 lajes plásticas; 20 baldes com torneiras de 100 litros cada; e 200 metros de rolo plástico preto.
Na entrevista exclusiva com o “Profundus”, no último dia de 2025, o administrador de Nhamatanda, igualmente, chamou atenção para a população tomar o cuidado contra as doenças de origem hídrica.
Os dados da semana passada do INGD em Sofala indicavam que o primeiro trimestre da época chuvosa afectou 42.677 pessoas correspondentes a 8.955 famílias, 17 óbitos, 19 feridos, 2.035 casas parcialmente e 964 totalmente destruídas, 1.780 casas inundadas, uma unidade sanitária e cinco escolas afectadas, e 6.288 hectares agrícolas impactados, sendo 2.820 hectares perdidos. Cada dia que passa, os dados podem alterar consoante a situação dos distritos. (Muamine Benjamim).
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