Dondo: 67,6% da população tem acesso à água potável

A disponibilidade de água potável continua a ser um dos principais desafios em Moçambique, com maior incidência nas zonas urbanas onde a taxa de cobertura é quase insignificante. O distrito de Dondo, por exemplo, conta com 67,6% de taxa de cobertura, com 502 fontonários para uma população estimada em 250.766 habitantes.

Em Dondo, o abastecimento depende da distribuição através de 423 fontanários de captação do precioso líquido, 20 sistemas de abastecimento de água com redes elevadas e 59 fontanários ligados à empresa Fundo de Investimento de Património de Abastecimento de Água (FIPAG).

Comparativamente ao ano passado, Dondo aumentou 87 fontanários, dos 415. Mesmo assim, o distrito precisa de cerca de 300 fontanários de abastecimento de água para uma cobertura desejada.

Na qualidade de água, em Dondo acontece o inverso entre fontanários e torneiras.

Alguns residentes manifestam satisfação com a qualidade da água fornecida através do fontanário, destacando ser mais limpa e segura para o consumo em comparação com a água canalizada. “A água do fontanário é saudável e limpa. Toda a minha família bebe esta água por ser a melhor. Já a água da torneira sai suja, pior ainda com a chuva nos últimos dias”, afirmou Amina Marcelino.

Eduarda Marcolino também depende de fontanários para o acesso à água para consumo doméstico. “Vim buscar água, estou a sair do campo e estou a tirar água no fontanário porque bebemos desta água. É boa e agradecemos ao Governo por termos água”, disse.

Sob o lema “Promover a equidade de género para garantir água e saneamento para todos”, o Dia Mundial da Água, 22 de Março, serviu também para sensibilizar as comunidades sobre a importância do uso racional deste recurso essencial à vida.

“Quando a água não é bem cuidada e não tratada é vector de doenças diarreicas”, disse o administrador do distrito do Dondo, Adamo Ossumane, exortando para a boa gestão do precioso líquido.

Apesar dos constrangimentos aliados ao pleno funcionamento, devido a avarias e outras limitações de operação a taxa de cobertura situa-se em cerca de 67%, enquanto o município do Dondo apresenta um nível mais elevado numa percentagem de 87% nos dez bairros, com 8 mil ligações domiciliárias com maior concentração na sede.

Mas nem todos os 502 fontanários estão a operar. “Isso faz com que, neste momento, tenhamos uma taxa de 67% no abastecimento. E o acesso à água potável continua limitado em zonas mais afastadas, como postos administrativos, localidades e povoações.

Recentemente, foram entregues dois fontanários em Mafambisse, no Bloco 9. Afinal, “é preocupação do Governo do Dondo satisfazer as necessidades das nossas populações nesta componente de água. Contudo, tudo passa necessariamente pela boa conservação das fontes existentes, incluindo os pequenos sistemas. Se não garantirmos a sua manutenção, continuaremos a enfrentar dificuldades”, admite o administrador distrital.

“Temos escolas, unidades sanitárias que não têm fontes de água, sabemos que a água é muito importante numa maternidade e na escola porque às vezes, crianças saem de casa depois de pequeno-almoço, vulgarmente, matabicho e quando correm à escola chegam com sede”. Estas situações colocam em risco a qualidade dos serviços básicos, particularmente em locais sensíveis como maternidades, onde é essencial garantir condições adequadas de higiene e atendimento.

Por outro lado, as autoridades defendem a necessidade de empoderar a mulher no uso e gestão sustentável da água. Nas zonas rurais, por exemplo, as mães percorrem diariamente entre 300 a 500 metros em busca deste líquido precioso, para lavar, regar a horta e cozinhar. (Narcísio Cantanha).

 


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