FAMÍLIA MODELO VICTOR: Educação alimentar melhora nutrição de menores na comunidade de Mucodza

A mudança de comportamento da família Victor começou com o Programa Desenvolvimento Sustentável de Meios de Subsistência sobre as Comunidades da Zona Tampão da Gorongosa (SLDP), em inglês, Sustanaible Livelihoods Development Program (SLDP), a partir de 2022, quando passou a ser beneficiária, através de várias actividades integradas cujo foco é tornar as comunidades capazes de terem meios sustentáveis de vida. É família modelo quando adopta melhores práticas que podem servir de exemplos para outras pessoas, encontrando soluções locais para várias preocupações, na comunidade de Mucodza, interior do distrito de Gorongosa.

Paulo Victor pratica a agricultura de subsistência desde a sua infância. “Quase aquilo era despejar semente pela forma de semear: quatro a cinco sementes numa cova de milho, sem cumprir a distância entre plantas, prejudicando a produtividade”.

A família Victor tratava a desnutrição como uma doença que dependia de actos tradicionais. Afinal, não sabia que com base nos seus produtos agrícolas é possível combater a desnutrição que os seus filhos enfrentavam.

Com a aprendizagem no Programa, a família Victor passou a semear numa distância de 50 centímetros entre plantas e linhas, e duas sementes numa cova (milho), projectando-lhe uma produtividade, mas as mudanças climáticas afectam negativamente. Mesmo assim, consegue alimentar-se pelo que produz.

Por exemplo, em 2025, a família conseguiu produzir numa área de dois hectares, 49 sacos de 50 kgs de milho, suficiente ao consumo familiar durante quase um ano, garantir sementes, além de vender e ter dinheiro para outras necessidades.

A família Victor também faz parte de diferentes grupos de poupança em Mucodza –uma estratégia para garantir sobrevivência em momentos de crise.

Ainda em 2025, na horticultura, a família produziu tomate (19 mil meticais) e cebola (97 mil meticais), e ganhou 116 mil meticais pelas terras férteis do rio Mucodza. E conseguiu pagar a dívida ao grupo de poupança.

Na comunidade de Mucodza, no interior do distrito de Gorongosa, Paulo Victor é muito conhecido pela aprendizagem nos programas do PNG, passando as suas experiências a outras pessoas que enfrentam problemas semelhantes.

Antes de aprender as técnicas de processamento e secagem caseira de produtos agrícolas, “perdíamos grandes quantidades”. Afinal, é simples, o caso de tomate que não demora de apodrecer: “é só recolher o maduro, cortar, tirar a semente para usar na próxima época de produção; o resto pilar, deixar a secar no sol e conservar bem. E usar normalmente no caril” em tempos em que o tomate quase não existe.

A aprendizagem em saúde ajudou a família a planificar melhor, por exemplo, quantos e quando pretende fazer filhos, evitando a má prática rural de ter filhos anualmente, o que não é bom porque contribui negativamente para a criança e a mãe, além de que a comida pode não bastar em momentos de insegurança alimentar.

Por exemplo, antes, as crianças comiam no mesmo prato, competindo entre elas, mas praticamente, José – mais velho comia mais que a menor Ana. Com as actividades integradas do Programa, a família conseguiu produzir alimentos suficientes, resultando em cada filho e respectivo prato de comida bastante.

Ainda com agricultura, os dois filhos menores do casal, Victor, José e Ana, já estão recuperados da desnutrição.

Victor passa a experiência. A receita contra a desnutrição é simples: “fazemos papa enriquecida – uma mistura de farinha de milho, folha de abóbora ou moringa, um pouco de óleo, açúcar e um ovo de galinha”. É só dar à criança durante três meses. Foi assim, que o casal aplicou, primeiro, para o filho José, depois para a mais pequena, Ana, ambos já melhorados da desnutrição.

Hoje, Victor não apenas consome aquelas papas por gosto, mas também incentiva a comunidade.

“Num domingo, quando fui à igreja noutra comunidade, instrui alguém para passar a receita a uma mãe na casa dela cuja filha enfrenta a desnutrição”. Afinal, as soluções desta natureza já não dependem de mãe-modelos nas comunidades, mesmo os que já aplicam partilham as experiências. (Luísa Franque e Muamine Benjamim).


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