Em 2025, os agricultores colheram 436.000 kg de cereja vermelha (café), produzindo 41 toneladas de grão verde de exportação vendidas internacionalmente, além de mais de 11 toneladas de café torrado localmente. São dados que constam no mais recente relatório do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) “Destaques de 2025”.
O café continua a ser uma das iniciativas agroflorestais mais ambiciosas da Gorongosa. Desde o seu lançamento em 2014, com menos de 30 hectares, o programa expandiu-se para 484 hectares de café em crescimento activo, geridos por 1.623 produtores (570 mulheres, 1.053 homens).
Em 2025, os agricultores colheram 436.000 kg de cereja vermelha (café), produzindo 41 toneladas de grão verde de exportação vendidas internacionalmente, além de mais de 11 toneladas de café torrado localmente, sob a marca Produtos da Gorongosa.
O programa reabilitou ainda 23 viveiros e germinou mais de dois milhões de mudas, preparando o terreno para plantar mais 300 hectares durante a época chuvosa de 2025 – 2026. Até 2028, o programa pretende atingir 567 hectares em produção, combinando restauração.
O café da Gorongosa é exportado para os mercados como Áustria, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos da América, além do consumo nacional.
Ainda em 2025, o Parque Nacional da Gorongosa através do seu parceiro doador Reino dos Países Baixos, em coordenação com o Governo do distrito de Gorongosa, inaugurou uma fábrica de processamento de café, na vila de Gorongosa.
A unidade fabril faz subir de 50 para potenciais 1000 toneladas de café processado por ano, além de garantir oportunidades para as comunidades.
A iniciativa visa fortalecer a cadeia de valor do café, impulsionar os rendimentos dos pequenos agricultores e aprimorar a segurança alimentar. Além disso, contribuirá para os esforços de restauração da montanha Gorongosa.
Impacto comunitário
“Comecei a produzir o café como voluntária no Parque Nacional da Gorongosa, na altura sem remuneração. Cheguei a pensar em desistir”, revelou a produtora Fatiança Paulino, desconfiando se daria certo a produção.
Hoje, Fatiança Paulino apresenta surpresas. “Consegui formar a filha, construir uma casa melhorada, comprar motorizada e muitos bens”.
A plantação e produção de café é vista como uma actividade alternativa para as famílias evitarem a agricultura itinerante.
“Quando apostei na produção do café, a vida começou a melhorar. Já consegui dinheiro, o que antes era impossível”. Começou a viver momentos de “milagres” na sua vida: “consegue investir nos estudos dos filhos, e investir na formação no curso de saúde da minha filha, além de outros bens e casa melhorada que já conseguiu construir”, revelou o produtor, Manuel Manejo Machessa.
O produtor projecta-se a empresário de sucesso este ano, além de pretender alcançar 14 hectares, saindo dos mais de 8 hectares de 2025.
Isabel Verniz tenta resumir o Projecto de Restauração da Gorongosa, sendo produtora do café. “Também, estão a me ensinar a usar as técnicas de produção, além da ajuda com fertilizantes, há 7 anos. “Quando comecei a apostar na produção de café, a minha vida começou a melhorar. Já tenho uma casa melhorada, filha formada, corrente eléctrica na residência, motorizada, plasma e mobília na minha casa”.
Entre o manto verde que cobre a famosa Serra da Gorongosa está o café. Não são simples folhas, plantas e sementes, mas a esperança de mudança de vida e a união de um povo que tanto viveu de ódio (colonialismo e guerra civil). Hoje, as famílias projectam-se, graças também ao impacto desta produção motivada pelo Parque Nacional da Gorongosa.
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